segunda-feira, 27 de abril de 2015

Pulverização aérea de lavouras contribui para poluição de rios do RS

Agrotóxico provoca dano ambiental em Área de Preservação Permanente.
RS aparece 3 vezes na lista que mostra os dez rios mais poluídos do Brasil.

O agrotóxico que cai do avião agrícola pulveriza as lavouras de arroz e protege as plantações e o futuro dos grãos, mas também provoca um dano ambiental gravíssimo em uma Área de Preservação Permanente. A cena se repete com frequência na Área de Proteção Ambiental do Banhado Grande, entre Glorinha e Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre, como mostra a reportagem do Jornal do Almoço, da RBS TV

No local, animais e águas deveriam ser permanentemente protegidos. Também é ali que fica o principal rio da região: o Gravataí, que nasce no banhado, em Santo Antônio da Patrulha, e termina junto ao Delta do Jacuí, entre Canoas e Porto Alegre. No percurso, de quase 100 quilômetros, o rio praticamente desaparece no meio das lavouras.

“Nessas áreas, se for pega uma aplicação aérea, é aplicada uma multa para o rizicultor. Essa prática não é permitida. Em áreas de nascentes ou Áreas de Preservação Permanente não é permitido que se utilize as aeronaves na aplicação de defensivos, se ocorrer um vento pode levar muito desses defensivos para dentro d’água”, diz o pesquisador do Instituto Riograndense do Arroz, Hélio Marcolin.

O Rio Grande do Sul aparece três vezes na lista que mostra os dez rios mais poluídos do Brasil. Rio dos Sinos, Gravataí e Rio Caí estão em quarto, quinto e oitavo lugares no levantamento feito pelo IBGE. Por três meses, a reportagem da RBS TV esteve nos três rios para tentar descobrir por que eles estão tão poluídos. Mais de 2,8 mil quilômetros foram percorridos pelos municípios que fazem parte das três bacias. A equipe voou mais de 50 milhas para mostrar do alto os impactos do que acontece todos os dias.

Imagens feitas pela equipe da RBS TV mostram o agrotóxico sendo despejado pelo avião e atingindo o que restou da mata que protege o rio. O dano ambiental é visível: árvores secas, sem folhas e ninhos abandonados pelas aves. Nem voando os pássaros escapam do banho de veneno.

Os flagrantes foram feitos em janeiro deste ano, em uma propriedade que três meses antes foi notificada pelos danos à mata e pelo despejo irregular de agrotóxico na água. Um inquérito policial investiga o caso. Os produtores assinaram um termo com o Ministério Público se comprometendo a não causar mais poluição.

A notificação só aconteceu graças à análise feita pela Fundação do Meio Ambiente de Gravataí que revelou: as aplicações feitas na lavoura afetaram a qualidade das águas na região.

“O veneno automaticamente é dissolvido na massa da água e aí, em função dos princípios ativos, ele vai agir de formas diferente em organismos diferentes. Alguns venenos por suas características exterminam a biodiversidade. Animais e organismos que entram em contato com esse veneno não têm resistência para isso. Alguns assimilam esse veneno e acabam sendo comidos por outros e acumulam quantidade de veneno maior nos seus corpos”, explica o biólogo Jackson Müller.

Os estragos também são percebidos por quem conhece o rio há muito tempo. "Ninguém mais sobrevive da pesca, porque não tem condições. É muita poluição, e os granjeiros colocando produto químico na água, não é bom. Só de colocar o peixe na frigideira, no azeite, se sente o gosto diferente", diz o morador de Gravataí, Luís Fernando da Silva Rosa.

Além dos problemas com o uso de agrotóxicos, a retirada da água para as plantações também prejudica o Gravataí. Ao longo do rio, há canais e canos que puxam a água. Essa é uma preocupação constante do Comitê de Bacia do Gravataí, grupo formado por pessoas da comunidade e por especialistas, para proteger o rio.

“Dentro das ações que nós definimos no plano, está o uso racional da agricultura. Não podemos utilizar a agua como se usava há 20, 30 anos atrás. Isso é algo que nos precisamos compreender. Nós precisamos guardar”, diz o engenheiro civil Paulo Robinson da Silva Samuel, presidente do comitê.

Para o pesquisador Hélio Marcolin, do Instituto Riograndense do Arroz, alguns produtores cometem irregularidades pela falta de fiscalização, brechas na lei e pelo baixo valor das multas.

"Há um grande problema de conscientização nosso, do pessoal que faz isso aí, sabe que é proibido e a lei é pouco branda de mais e o pessoal acaba fazendo, porque o que eles ganham podem pagar multa e eles continuam fazendo", diz Marcolin.

O diretor do Departamento de Recursos Hídricos (DRH) da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, Fernando Meireles, responsável por liberar e controlar a retirada da água, admite que falta pessoal e tecnologia para fiscalizar.

"Tecnicamente se o DRH dá essa outorga, ele deveria fazer a fiscalização. Não tem temos uma estrutura de pessoal para isso. Atendemos denúncias. Hoje em todo o DRH trabalham 40 pessoas, sendo 34 técnicos e 6 administrativos. Só saem em caso de denúncia", explica o diretor.

Em nota a Federação das Associações de Arrozeiros do estado diz que possui o compromisso com a legalidade, sustentabilidade, boas práticas agrícolas e respeito ao meio ambiente. Mas que têm consciência que há casos que não cumprem com os conceitos de sustentabilidade defendidos pela entidade.

Fonte:G1 RBSTV

quarta-feira, 22 de abril de 2015

QUILOMBOLAS: UMA HISTÓRIA DE RESGATE

Município tem primeira área de remanescentes de escravos reconhecida na localidade de Potreiro


























Recentemente, a Vila do Sabugueiro, na localidade de Potreiro, em General Câmara, foi reconhecida como região de descendentes de africanos escravizados, ou seja, região quilombola. Um dos objetivos desse reconhecimento é o resgate da memória dos descendentes de escravos. O trabalho, capitaneado pela líder comunitária e agricultora Solange Rosa e pelo vereador camarense Norberto Azambuja, contou com o apoio da médica Rosangela Dornelles e do deputado federal Fernando Marroni.
A entrevista sobre a Vila do Sabugueiro aconteceu na casa da líder comunitária Solange, de 39 anos, e, além dela, estavam presentes João de Souza, 80 anos, e Celi da Rosa, 59 anos, ambos remanescentes de escravos. O vereador Noberto Azambuja e a médica Rosangela Dornelles também acompanharam a conversa. Solange é a mais falante entre todos, e enumera as conquistas e batalhas que o grupo busca com esse reconhecimento.
- A gente espera que, com esse reconhecimento, as coisas melhorem - justifica.
Todos os quilombolas moram próximos, em casas simples, e a maioria vive da agricultura, com a plantação de pequenas lavouras de subsistência. A esperança do grupo é a aquisição de implementos que possibilitem o fortalecimento da cadeia produtiva e a venda da produção agrícola.
- Queremos montar uma cooperativa aqui. Já conseguimos um Posto de Saúde (que deverá ser inaugurado em breve na localidade), mas a gente precisa de muito mais. Educação e atividades para nossas crianças e desenvolvimento da nossa região - afirma Solange.
João, que desde pequeno trabalhou na lavoura, “sempre na terra dos outros”, como gosta de salientar, é um homem brincalhão, mesmo com todas as intempéries da vida. Há cerca de 60 anos, ele passou a viver em um canto de uma propriedade, com a promessa de aquele espaço ser seu. Após a morte do dono, os herdeiros venderam as terras, e o novo proprietário tentou expulsar João de sua casa. O idoso contou com o apoio de advogados para conseguir provar que aquele pequeno lote de terra era seu.
- Agora aquilo é meu, tenho escritura e tudo - garante.
Avesso às letras, mas rico na oralidade, João vê no pedaço de papel com símbolos e carimbos a segurança para que nunca mais o ameacem de tirá-lo do seu canto.
O aposentado queixa-se da falta de médico, a esperança é a abertura do Posto de Saúde na localidade.
- Sempre que preciso medir a pressão, tenho de ir até a cidade (General Câmara). Antes, quando eu era novo, ia a pé. Agora, não posso ir mais - comenta.
Mesmo com as oito décadas de existência, João se lembra das dificuldades vividas em sua época. Entre as histórias contadas, estão as dos bailes realizados nas comunidades, onde o salão era dividido entre negros e brancos.
- Havia uma cerca no meio do salão. De um lado ficavam os negros e do outro os brancos, e a gente não podia passar para o outro lado - diz.
A prática de segregação racial não era exclusiva de General Câmara, diversas cidades da região mantinham esse comportamento, sob os olhares complacentes das autoridades da época. A prática só perdeu força no início da década de 1980.
Conforme relato do vereador camarense Norberto Azambuja, a busca pelo reconhecimento da região quilombola se iniciou através do conhecimento dessa realidade.
- Vimos que podíamos fazer algo aqui. E foram realizadas as entrevistas para comprovar a região como quilombola - afirma.
O vereador acredita que, com esse reconhecimento, novas políticas e investimentos federais sejam possíveis para o empoderamento da comunidade.
- Aqui há uma grande produção de mandioca, quem sabe a gente busque a criação de uma tafona para eles produzirem a farinha de mandioca - declara.
A médica Rosangela Dornelles descobriu em seu trabalho a importância de ouvir os mais necessitados. Como profissional da saúde básica, soube perceber as peculiaridades e codificar o que os pacientes precisam.
- O mais importante aqui é darmos condições a essa população, para que eles tenham empoderamento social - destaca.
O trabalho da médica e do vereador é ser uma ponte entre a comunidade e os atuais programas nos quais a Vila do Sabugueiro será inserida.
Celi da Rosa, 59 anos, é a mais quieta dos três remanescentes de quilombolas, mas talvez seja a com mais expressão em sua fala. Durante a entrevista, ela expressou a sua descrença no fim do preconceito racial.
- Isso nunca vai acabar, o preconceito contra a gente sempre vai existir - desabafa.
O racismo constitui, como se sabe, um mecanismo fundamental de poder utilizado historicamente para separar e dominar classes, raças, povos e etnias. Seu desenvolvimento moderno se deu com a colonização, com o genocídio colonizador. O racismo é, como disse Michel Foucault, “o meio de introduzir (...) um corte entre o que deve viver e o que deve morrer”. E a fala de Celi reflete uma realidade urgente que precisa ser enfrentada pela sociedade.
Ao final da entrevista, Solange lembra a localização onde ficava a senzala dos escravos. Da sua casa é possível ver a área.
- Nós temos muito orgulho do nosso passado, e queremos que nossos filhos conheçam essa história e lutem por condições melhores - finaliza.
Mesmo sem a história letrada, eles têm a oralidade preservada. E nela está a história de seus antepassados, que agora começou a ser documentada. A Vila do Sabugueiro é a primeira região quilombola de General Câmara. Com pouco tempo de reconhecimento, os agricultores, agora, buscam o reconhecimento dessa herança cultural e melhores condições de vida.

Saiba Mais

A questão quilombola foi inserida no debate brasileiro com a inserção do artigo 68 no ato das disposições transitórias da Constituição de 1988: “Aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos”. Apesar da inserção do artigo em 1988, a titulação das terras quilombolas só foi regulamentada em 2003, com o decreto 4.887 do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No Brasil, não há um levantamento do número exato de comunidades remanescentes de quilombos. Segundo o Centro de Cartografia Aplicada e Informação Geográfica da Universidade de Brasília (UnB), hoje, existem registros de 2.842 comunidades quilombolas espalhadas por todas as regiões do país. Já a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) estima que haja cerca de cinco mil por todo o território nacional.
De acordo com a Fundação Cultural Palmares, responsável pelo mapeamento dos grupos, quilombolas são descendentes de africanos escravizados que mantêm tradições culturais, de subsistência e religiosas ao longo dos séculos. E entre as garantias de ser reconhecido com o tal estão a formalização da existência dessas comunidades, o assessoramento jurídico e o desenvolvimento de projetos, programas e políticas públicas de acesso à cidadania.
O Programa Brasil Quilombola (PBQ) reúne ações do Governo Federal para as comunidades remanescentes de quilombos. Para fins de aplicação do PBQ, considera-se o levantamento da Fundação Cultural Palmares, do Ministério da Cultura. As metas e recursos do PBQ envolvem 23 ministérios e órgãos federais e têm como principais objetivos a garantia do acesso à terra, ações de saúde e educação, construção de moradias, eletrificação, recuperação ambiental, incentivo ao desenvolvimento local, pleno atendimento das famílias quilombolas pelos programas sociais, como o Bolsa Família, e medidas de preservação e promoção das manifestações culturais quilombolas.

Fonte:André Liziardi - Jornal Portal de Notícias

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Conhecidas as Musas da Cachoeirinha





































Domingo de muito calor, com muita gente desfrutando da infraestrutura do Balneário da Cachoeirinha, em General Câmara, onde o público presente assistiu ao desfile de 22 garotas na passarela. Foi realizado o concurso Musa da Cachoeirinha, onde 14 garotinhas até 10 anos de idade desfilaram acompanhadas de seus pais ou responsáveis.
Nesta categoria não há concurso, e todas receberam um mimo da prefeitura, CMD e assessoria de imprensa, organizadores da promoção.
Em seguida quatro jovens concorreram na categoria juvenil, com idade entre 11 e 13 anos. Samara Rehben foi a vencedora.

Na categoria adulta também quatro concorrentes, sendo que Natália Barcellos foi escolhida Musa da Cachoeirinha 2015. Muitas das candidatas contaram com torcidas organizadas, que fizeram muito barulho incentivando a participação no evento.


Entre os jurados, nosso colega da Rádio Gazeta do Jacuí, Patrick Vieira.
Marlete Medeiros, presidente do CMD - Conselho Municipal de Desporto, aproveitou a promoção para convidar a todos para os bailes de carnaval que terão início na sexta-feira (13), com início as 20h30min., no ginásio de esportes da cidade, quando será escolhida a rainha do carnaval. Os bailes ocorrerão no sábado (14) e na segunda (16). Também anunciou para dia 21 deste mês o início da Copa Verão de Futsal, que acontecerá no ginásio municipal de esportes.

Fonte: Rádio Gazeta do Jacuí
Fotos:Gizelda Botelho/Faceboo
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Apae ganha terreno para construção da sede própria


A Apae de General Câmara está completando 19 anos de funcionamento e é mantenedora da Escola de Educação Especial Renascer. Desde a sua fundação, em 19 de agosto de 1996, funcionou em espaços cedidos e atualmente ocupa uma casa de moradia cedida pelo Arsenal de Guerra do Exército Brasileiro, de forma temporária.
Ao longo dos anos, sempre foi meta da diretoria construir uma sede própria, adequada para atender os alunos. Hoje, o espaço limita-se ao atendimento de 30 alunos com necessidades especiais. Tem seus programas concentrados em atendimentos aos alunos da Escola Renascer e pacientes que frequentam o ensino regular, com idade entre 6 e 30 anos.
A Apae sobrevive com o apoio de todos. A prefeitura, através de convênio, fornece a merenda e os profissionais de educação. Os profissionais clínicos e o material de expediente são custeados por recursos próprios. A entidade tem aproximadamente 200 associados. Porém, segundo a presidente Valeska Azambuja, todos os meses é necessário realizar promoções e eventos para angariar recursos, tais como brechós, feirão, chás, lanches e outros.
O sonho da sede própria vem sendo construído por todas as diretorias e cada um fez um pouco para que este sonho se transformasse em realidade. A prefeitura doou, com o aval unânime da Câmara de Vereadores, uma área de mil metros quadrado, na Rua General Portela, esquina com a Rua Vereador Luiz Paulo Bornéo, no centro da cidade. 
Segundo a presidente, agora o desafio é maior. O prédio está orçado em aproximadamente R$ 600 mil e o primeiro grande evento para arrecadação de recursos será o carnaval 2015, do qual toda a renda será revertida para o início das obras da fundação do prédio.
- A nossa meta agora, além de buscar recursos para manter as despesas mensais, é obter recursos para construir. Daí surgiu a possibilidade da renda do carnaval ser revertida para Apae, já que a prefeitura tinha a ideia de fazer o evento com fim social. Ficamos com um pouco de medo, mas aceitamos a parceria contando com o apoio do Rotary e do Lions Clube - disse.
Conforme o convênio firmado, a entidade tem até cinco anos para concluir o prédio.
- Queremos trabalhar dentro do prazo previsto em lei. Não queremos prorrogar. Por isso, agora em 2015, temos que começar a fundação - ressalta.
Além da presidente Valeska Azambuja, a diretoria da Apae é constituída pelo vice-presidente Luis Alberto Azambuja, pela secretária Ana Lucia Freitas, pela tesoureira Gabriela dos Santos Schmidt, pelo diretor de patrimônio Vilmo Soares e pela diretora social Lucelia Borges.


Fonte:Jornal Portal de Notícias 06/02/2015

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Passeata clama por justiça


Familiares, amigos, conhecidos e colegas de trabalho do fisioterapeuta Rodrigo Schmidt da Rosa, que foi assassinado no final de janeiro, realizaram uma passeata em Porto Alegre para protestar contra a situação e clamar por mais segurança, pela redução da maioridade penal e contra a impunidade.


O ato ocorreu nesta quinta-feira (05). A passeata iniciou e terminou na Praça do Rosário. O grupo caminhou ao redor da Santa Casa, local onde Rodrigo trabalhava e depois retornou para a Praça do Rosário para prestarem mais homenagens. O movimento foi encerrado com uma oração, 32 balões foram soltos, representando a idade do fisioterapeuta. Os presentes caminharam com faixas, cartazes e de camisetas brancas, para chamar atenção aos crimes realizados por menores de idades.


O crime que tirou a vida de Rodrigo ocorreu dia 23 de janeiro, Rodrigo repetia sua rotina normal, largou a esposa na rodoviária de Porto Alegre e após isso, foi abordado por dois menores de idade. Ele foi sequestrado e morto cruelmente com cinco tiros, em Alvorada. O fisioterapeuta era casado com a camarense Tamires Ramé.

Fonte:Rádio Gazeta do Jacuí 06/02/2015