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terça-feira, 21 de janeiro de 2025

Câncer de pâncreas: entenda doença que matou Léo Batista

 











Conhecido pela voz marcante ligada a transmissões esportivas, o jornalista Léo Batista morreu no último domingo (19), aos 92 anos. Ele estava internado desde o início do mês no Hospital Rios D'Or, na Freguesia, zona oeste do Rio de Janeiro, e enfrentava um câncer no pâncreas.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de pâncreas é um tipo de tumor maligno que normalmente não leva ao aparecimento de sinais e sintomas em estágios iniciais, mas apresenta alta taxa de mortalidade exatamente em razão do diagnóstico tardio.

Fatores de risco

Segundo o Inca, é possível identificar fatores de risco hereditários e não hereditários para o desenvolvimento do câncer de pâncreas – sendo que apenas algo em torno de 10% a 15% dos casos decorre de fatores de risco hereditários, incluindo síndromes de predisposição genética como:

- câncer de mama e de ovário hereditários associados aos genes BRCA1, BRCA2 e PALB2;

- síndrome de Peutz-Jeghers

- síndrome de pancreatite hereditária

Já os fatores de risco não hereditários incluem o tabagismo; o excesso de gordura corporal (sobrepeso e obesidade); diabetes mellitus; e pancreatite crônica não hereditária. “Os fatores de risco não hereditários são passíveis de modificação, pois relacionam-se, em grande parte, ao estilo de vida”, destaca o instituto.

Exposição a solventes, tetracloroetileno, estireno, cloreto de vinila, epicloridrina, HPA e agrotóxicos também apresentam associações com o câncer de pâncreas. Agricultores, trabalhadores de manutenção predial e da indústria de petróleo são os grupos mais exposição a essas substâncias e apresentam risco aumentado para o desenvolvimento da doença.

Sinais e sintomas

Os sinais e sintomas mais comuns do câncer de pâncreas são fraqueza, perda de peso, falta de apetite, dor abdominal, urina escura, olhos e pele de cor amarela, náuseas e dores nas costas. Essa variedade de sinais e sintomas, entretanto, não são específicos do câncer de pâncreas – e esse é um dos fatores que colabora para o diagnóstico tardio da doença.

“Vale chamar atenção para o diabetes, que tanto pode ser um fator de risco para o câncer de pâncreas, como uma manifestação clínica que antecede o diagnóstico da neoplasia. Assim, o surgimento recente de diabetes em adultos pode ser uma eventual antecipação do diagnóstico do câncer pancreático”, alerta o Inca.

Detecção precoce

A detecção precoce de qualquer tipo de câncer é uma estratégia utilizada para encontrar tumores em fase inicial e, assim, possibilitar maior chance de tratamento bem sucedido.

A detecção precoce, de acordo com o Inca, pode ser feita por meio de exames clínicos, laboratoriais, endoscópicos ou radiológicos de pessoas com sinais e sintomas sugestivos da doença, ou mesmo de pessoas sem sinais ou sintomas, mas que pertencem a grupos com maior chance de ter a doença.

“Não há evidência científica de que o rastreamento do câncer de pâncreas traga mais benefícios do que riscos e, portanto, até o momento, ele não é recomendado”, destaca o instituto.

Já o diagnóstico precoce desse tipo de câncer é possível em apenas parte dos casos, já que a maioria dos pacientes só apresenta sinais e sintomas em fases mais avançadas da doença.

Diagnóstico

Segundo o Inca, não existem sinais ou sintomas específicos cuja presença seja sinônimo de diagnóstico de câncer de pâncreas. Exames de imagem, como ultrassonografia (convencional ou endoscópica), tomografia computadorizada e ressonância magnética, são métodos utilizados no processo diagnóstico.

Além disso, exames de sangue, incluindo a dosagem do antígeno carbohidrato Ca 19.9, podem auxiliar no raciocínio diagnóstico. O laudo histopatológico, obtido após biópsia de material ou da peça cirúrgica, define o diagnóstico.

Tratamento

O tratamento para o câncer de pâncreas depende do laudo histopatológico (tipo de tumor), da avaliação clínica do paciente e dos exames. O estado geral em que o paciente se encontra no momento do diagnóstico, de acordo com o instituto, é considerado fundamental no processo de definição terapêutica.

“A cirurgia, único método capaz de oferecer chance curativa, é possível em uma minoria dos casos, pelo fato de, na maioria das vezes, o diagnóstico ser feito em fase avançada da doença. Nos casos em que a cirurgia não é apropriada, a radioterapia e a quimioterapia são as formas de tratamento, associadas a todo o suporte necessário para minimizar os transtornos gerados pela doença.”

Prevenção

A melhor forma de se prevenir o câncer de pâncreas, segundo o Inca, é assumir um estilo de vida saudável, incluindo as seguintes orientações:

- evitar a exposição ao tabaco da forma ativa e passiva;

- manter o peso corporal adequado, já que o excesso de gordura corporal (sobrepeso e obesidade) também são fatores de risco para desenvolver diabetes, que aumenta o risco para câncer de pâncreas.
Fonte: Agência Brasil

domingo, 5 de agosto de 2012

Proteína na saliva de carrapato pode reduzir tumores cancerígenos, aponta estudo


Estudo conduzido pelo Instituto Butantan indica que uma proteína presente na saliva do carrapato-estrela (Amblyomma cajennense) pode reduzir tumores cancerígenos – sobretudo dos tipos melanoma, de pâncreas e renal.
De acordo com a coordenadora do estudo, Ana Maria Tavassi, os pesquisadores buscavam, inicialmente, encontrar capacidade anticoagulante na saliva do animal, mas perceberam que a proteína também agia diretamente nas células.
“Fizemos estudos em células normais e tumorais. A proteína não exercia ação em células normais, mas tinha uma atividade capaz de matar as células tumorais”, explicou.
Após testes in vitro e em animais e com o depósito da patente, o próximo passo, segundo Ana Maria, são os testes pré-clínicos, que vão avaliar a segurança farmacológica da próteína. A previsão é que, em dois anos, a pesquisa tenha o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
“Para desenvolver um medicamento, normalmente, se leva dez anos – do início dos testes até a fase clínica”, disse. “A gente avançou o máximo que podia avançar até aqui. O Brasil é carente no desenvolvimento de medicamentos, não tem histórico. Há uma dificuldade”, completou.
A pesquisadora lembrou que, no caso específico do câncer de pâncreas, não há tratamento terapêutico para combater a doença. A única chance do paciente, atualmente, é passar por uma cirurgia para a retirada do tumor, desde que ele seja operável.
“Quando você anuncia uma molécula com essa natureza, as pessoas que estão precisando ficam com uma expectativa muito grande, mas é preciso entender que, obrigatoriamente, ela tem que passar por todas essas fases de teste”, concluiu.
Agência Brasil
Carrapatos não me mordam
Fernanda Marques
Muita gente não sabe, mas, depois dos mosquitos, os carrapatos são os principais vetores de doenças. Entre as doenças que podem ser transmitidas por carrapatos se destaca a febre maculosa, que em junho deste ano causou a morte de três pessoas na cidade de Mauá (SP). A doença foi descrita pela primeira vez em 1899, nos Estados Unidos. No Brasil, o primeiro caso foi identificado em 1929, em São Paulo. De lá para cá, a febre maculosa já foi registrada em outros estados brasileiros, como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e, mais recentemente, Santa Catarina.
 
Elba Lemos/Fiocruz

Em fosforescente, bactérias do gênero Rickettsia
A febre maculosa pertence ao grupo das rickettsioses, doenças causadas por rickettsias - pequenas bactérias que, obrigatoriamente, atuam como parasitas intracelulares e que são transmitidas por artrópodes como as pulgas, os piolhos e os ácaros, além, é claro, dos carrapatos. Esses artrópodes se nutrem de sangue e, para conseguir seu alimento, picam animais como cavalos, bois, cães e roedores. É no momento da picada, através da saliva, no caso dos carrapatos, ou das fezes infectadas, no caso das pulgas e piolhos, que transmitem as bactérias. "As rickettsioses são zoonoses, isto é, doenças que acometem animais e o homem. Mas este só entra no ciclo por acidente, ao ser picado por um artrópode infectado", explica a médica e pesquisadora Elba Sampaio de Lemos, coordenadora do Laboratório de Hantaviroses e Rickettsioses do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) da Fiocruz.
Bactérias da espécie Rickettsia rickettsii são as causadoras da febre maculosa. A doença, em geral, provoca febre alta, dor de cabeça e lesões na pele semelhantes às do sarampo ou da meningite meningocócica. Mas ela pode se manifestar das mais diferentes formas, já que a R. rickettsii infecta células do endotélio (revestimento interno) de vasos sangüíneos. "Como há vasos por todo o corpo, praticamente qualquer órgão pode ser afetado", diz Elba. O paciente pode apresentar um quadro clínico que simula pneumonia, apendicite ou meningite, por exemplo.
Os primeiros sintomas da febre maculosa levam de dois a 14 dias para se manifestar. Depois que eles aparecem, o tratamento - que consiste basicamente no uso de antibióticos - deve ser iniciado dentro de no máximo uma semana. Caso contrário, é grande o risco de os remédios não surtirem o efeito desejado. O problema é que, como a febre maculosa costuma ser confundida com outras doenças, o diagnóstico correto e, conseqüentemente, o tratamento adequado, muitas vezes, demoram. "Se a doença não for devidamente tratada, a letalidade pode chegar a 80%", lamenta a médica.
Até existe uma vacina contra a febre maculosa. Porém, a febre maculosa não apresenta um perfil de doença imunoprevisível, isto é, de doença na qual se deva indicar a vacinação. E, além do mais, vacinar todo mundo é inviável, pelo menos por enquanto. O essencial, portanto, é apressar o diagnóstico, já que o tratamento é simples. "Antibióticos baratos reduzem significativamente a taxa de letalidade, desde que comecem a ser tomados a tempo", garante a pesquisadora.
 
Tatiana Rozental/Fiocruz

Fêmea do carrapato Amblyomma cajennense, um
dos possíveis transmissores da febre maculosa
No Brasil, a febre maculosa é transmitida por carrapatos do gênero Amblyomma, encontrados em praticamente todo o território nacional. No entanto, nem todas as pessoas picadas por esses insetos ficam doentes. "Só há risco de a doença se manifestar caso o carrapato esteja infectado pela R. rickettsii e fique fixado à pele da pessoa por no mínimo cerca de quatro horas", lembra Elba.
Cada fêmea de carrapato infectada pode gerar até 16 mil filhotes aptos a transmitir rickettsias. A febre maculosa é mais comum entre abril e outubro, porque nesse período predominam as formas jovens do carrapato. "Como elas são menores que os adultos, passam despercebidas, conseguem ficar fixadas à pele das pessoas por mais tempo e, portanto, têm mais chance de transmitir as bactérias", explica a médica.
Se não for possível evitar áreas infestadas por carrapatos, é importante usar calças compridas e blusas de manga, assim como verificar constantemente se algum deles grudou na pele. Afinal, o risco de se contrair febre maculosa diminui de forma acentuada se os artrópodes são imediatamente removidos. Mas é preciso cuidado na hora de removê-los. Tem gente que encosta a cabeça de um fósforo ainda quente no carrapato para forçá-lo a se soltar. "Isso não é aconselhável: o estresse sofrido pelo artrópode faz com ele libere grande quantidade de saliva, o que aumenta as chances de transmissão de rickettsias", alerta a pesquisadora.
Agência Fiocruz de Notícias