domingo, 8 de fevereiro de 2026

Abertas inscrições para 21ª Olimpíada de Matemática

 
Participarão alunos do 6º ano do ensino fundamental ao 3º ano do médio

As inscrições para a 21ª edição da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) podem ser feitas exclusivamente pelas escolas de todo o país. O prazo termina em 16 de março.

Embora o nome da competição mencione "escolas públicas", os estudantes de escolas privadas também podem participar de uma categoria específica, concorrendo a medalhas próprias para a rede privada.

Anualmente, a competição reúne mais de 18,5 milhões de estudantes do 6º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio.

A maior olimpíada científica do país é organizada pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) e promovida com recursos do Ministério da Educação (MEC) e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Metas

A olimpíada tem os objetivos de contribuir para estimular o estudo da matemática, identificar jovens talentos e promover a inclusão social por meio do conhecimento. O evento também tem a função de apoiar a melhoria da qualidade da educação básica no Brasil.

As inscrições para 21ª edição da Olimpíada de Matemática devem ser feitas na página eletrônica da Obmep.

Podem participar as instituições públicas de ensino municipais, estaduais e federais, além das privadas.

Provas

A olimpíada ocorre em duas fases. A primeira delas é composta por uma prova objetiva com 20 questões, aplicada pela própria escola em 9 de junho.

Os estudantes bem colocados serão classificados para segunda fase, que será em 17 de outubro. Nesta etapa, a prova é composta por seis questões discursivas, elaboradas de acordo com o grau de escolaridade dos alunos:

· nível 1: 6º e 7º ano do ensino fundamental;

· nível 2: 8º e 9º ano do ensino fundamental;

· nível 3: ensino médio.

A prova discursiva desta segunda fase será aplicada nos centros definidos pela organização da Olimpíada.

A divulgação dos aprovados para a segunda fase será feita em 3 de agosto, e a divulgação final dos premiados nacionais em 15 de dezembro.

Premiação

A edição de 2026 distribuirá 8.450 medalhas nacionais, sendo 650 de ouro, 1.950 de prata e 5.850 de bronze, além de 51 mil certificados de menção honrosa pelo bom desempenho do estudante.

Somente os premiados nacionalmente da Obmep serão convidados a participar do Programa de Iniciação Científica Jr. (PIC), que incentiva o desenvolvimento acadêmico por meio do hábito do estudo qualificado da matemática básica.

A iniciativa oferece uma bolsa de R$ 300 apenas aos alunos medalhistas de escolas públicas da educação básica participantes do programa.

O valor é custeado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Além da premiação nacional, a Obmep também reconhece os estudantes com melhor desempenho em cada estado. Serão distribuídas pelo menos 20,5 mil medalhas estaduais. A honraria não dá acesso ao Programa de Iniciação Científica Jr. (PIC).

SUS inicia transição de insulina humana para a de ação prolongada

 
Amapá, Paraná, Paraíba e DF serão os primeiros a usar o tratamento

O Ministério da Saúde informou ter iniciado o processo de transição do uso da insulina humana (NPH) para a insulina análoga de ação prolongada, a glargina, no Sistema Único de Saúde (SUS).

O projeto-piloto será realizado, inicialmente, no Amapá, no Paraná, na Paraíba e no Distrito Federal, contemplando crianças e adolescentes de até 17 anos que vivem com diabetes tipo 1, além de idosos com 80 anos ou mais diagnosticados com diabetes tipo 1 ou 2.

A estimativa é que mais de 50 mil pessoas sejam contempladas nessa primeira fase do projeto.

Em nota, a pasta classificou a iniciativa como “avanço histórico” no cuidado de pessoas que vivem com diabetes no Brasil. “É um medicamento mais moderno, de ação prolongada, que facilita a rotina dos pacientes”.


Entenda

A glargina é uma insulina de ação prolongada, de até 24 horas, o que facilita a manutenção dos níveis de glicose. O medicamento requer ainda uma única aplicação no dia.

A transição da insulina humana para a de ação prolongada, segundo o ministério, será feita de forma gradual, a partir da avaliação de cada paciente.

Nos quatro estados selecionados, a pasta já promove treinamentos no intuito de auxiliar profissionais de saúde da atenção primária. Após os primeiros meses, será feita uma avaliação dos resultados para construção de um cronograma de expansão para os demais estados do país.


“O tratamento com insulina glargina pode custar até R$ 250, para dois meses, na rede privada. A ampliação da sua oferta no SUS está alinhada às melhores práticas internacionais”, ressaltou a pasta.

Parceria

A expansão do uso da insulina glargina no SUS, de acordo com o ministério, é resultado de parceria para o desenvolvimento produtivo (PDP) envolvendo o laboratório Bio-Manguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com a empresa brasileira de biotecnologia Biomm e a chinesa Gan & Lee.

A iniciativa prevê a transferência da tecnologia para o Brasil. Em 2025, por meio da parceria, foram entregues mais de 6 milhões de unidades do medicamento, com investimento de R$ 131 milhões. A previsão é chegar ao fim de 2026 com capacidade de produção de até 36 milhões de tubetes para abastecimento do SUS.

“A autonomia na produção de insulina é fundamental diante de cenário de escassez global deste insumo”, destacou a pasta.

FONTE: Agência Brasil

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Chikungunya: como se proteger da doença que corre risco de causar nova epidemia, segundo OMS

 

Vírus disseminado pela picada do Aedes aegypti é endêmico no Brasil, atinge mais mulheres, e se expande pelo mundo devido às mudanças climáticas e à urbanização

A chikungunya é uma doença viral, transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, que vem chamando a atenção de autoridades de saúde no Brasil e no mundo.

Até agosto de 2025, aproximadamente 317 mil casos e 135 mortes foram relacionados à chikungunya em 16 países e territórios das Américas, África, Ásia e Europa, de acordo com o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC). Destes, quase 120 mil casos e 106 mortes foram relatados no Brasil, o país com a maior incidência e o maior número de óbitos pela doença das Américas, segundo a Organização Panamericana de Saúde (OPAS).

“A chikungunya é uma doença endêmica no Brasil, com surtos mais intensos em períodos chuvosos e regiões de clima quente, e com o mosquito adaptado às áreas urbanas. Por isso, precisamos manter atenção constante, mesmo fora de grandes epidemias, porque o risco sempre existe”, explica o gestor médico do Butantan, Eolo Morandi.

No Brasil, em 2025, foram notificados mais de 125 mil casos e 121 óbitos, segundo o Painel de Monitoramento de Arboviroses do Ministério da Saúde. Os estados de Mato Grosso (49.377), Mato Grosso do Sul (13.485) e Rondônia (4.671) registraram os maiores números de casos prováveis e os maiores coeficientes de incidência de casos por 100 mil habitantes no país.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta para o risco de uma epidemia global de Chikungunya devido a três fatores: mudanças climáticas, aumento da urbanização e de viajantes para áreas endêmicas. O Brasil responde por 96% dos casos confirmados e 72% das mortes nas Américas, segundo o boletim mais recente da organização.

"A chikungunya não é uma doença amplamente conhecida, mas foi detectada e transmitida em 119 países em todo o mundo, colocando 5,6 bilhões de pessoas em risco", disse Diana Rojas Alvarez, médica da OMS e líder da equipe de arbovírus, em Genebra, durante anúncio em julho deste ano.

Como diferenciar a dengue da chikungunya?

A chikungunya e a dengue podem ser facilmente confundidas no exame clínico, por terem sintomas semelhantes. Ambos os vírus são transmitidos no Brasil pela picada do Aedes aegypti e se manifestam através de febre, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, vômitos e mal-estar. No entanto, a principal diferença, segundo Eolo Morandi, está na dor nas articulações típica da chikungunya.

“A chikungunya causa dores articulares muito mais intensas e prolongadas. É comum o paciente sentir dor até nas grandes articulações e ficar bastante debilitado por semanas ou meses. Já a dengue costuma causar quadros mais graves e internações, mas seus sintomas duram menos tempo”, explica.

O nome chikungunya deriva de uma palavra na língua Kimakonde, do sul da Tanzânia, que significa “aquilo que se curva” e descreve a postura contorcida de pessoas infectadas com fortes dores nas articulações. A doença foi descrita pela primeira vez na Tanzânia em 1952 e o vírus foi isolado pela primeira vez na Tailândia em 1958.

“Em alguns casos, especialmente entre pessoas com comorbidades como diabetes, hipertensão, obesidade ou doenças reumatológicas, as dores podem se tornar crônicas, persistindo por três a cinco anos e comprometendo a qualidade de vida”, afirma o gestor médico.

Diagnóstico e evolução da doença

O diagnóstico é feito tanto clinicamente, pelos sintomas, quanto laboratorialmente. “Nos primeiros 5 a 7 dias da infecção, pode-se usar o exame de sangue PCR viral para determinar a presença do vírus. Após 10 a 15 dias, a identificação pode ser feita pela presença de anticorpos no organismo, que confirmam o contato com o vírus”, explica Eolo Morandi.

A preocupação central é a cronificação das doenças articulares, ou seja, quando os sintomas de dor nas articulações se tornam duradouros ou permanentes. Pessoas que apresentam a doença articular nos primeiros 7 dias e têm comorbidades associadas correm mais o risco de ter dores crônicas. As comorbidades que predispõem a essa condição incluem diabetes, hipertensão, obesidade, artrites reumatoides ou doenças neurológicas.

“Quando o quadro se cronifica, ele pode persistir por um longo período, até 36 meses. Essa persistência, mesmo após o período inflamatório agudo, debilita e limita a pessoa, comprometendo suas atividades diárias e laborais”, afirma Eolo Morandi.

Apesar de geralmente apresentar um quadro leve e não levar a hospitalizações, a chikungunya pode deixar marcas duradouras. “Quem tem chikungunya não esquece, pois ela causa um quadro bem típico, com potencial complicações de longo prazo e a pessoa fica muito debilitada”, ressalta o médico.


Quem corre mais risco de complicações?

A chikungunya pode causar complicações ainda mais sérias em recém-nascidos e em idosos. Os bebês ainda não têm o sistema imunológico completamente formado, enquanto os idosos costumam apresentar uma resposta imune enfraquecida, o que é característico dessa fase da vida.

Estudos também sugerem que mulheres -que no Brasil representam 60% dos casos- têm maior chance de apresentar dores articulares severas, possivelmente por fatores hormonais e imunológicos. Porém, são necessários mais estudos para que essas associações sejam confirmadas.

“As mulheres costumam buscar mais o serviço de saúde, e os casos acabam sendo mais diagnosticados entre elas”, ressalta Eolo, citando outro fator que pode estar relacionado à maior notificação dos casos de chikungunya em mulheres.

O impacto do clima no aumento de casos

As mudanças climáticas também influenciam a expansão da chikungunya. “Com o aumento das temperaturas em zonas temperadas, os mosquitos como o Aedes albopictus começaram a se multiplicar mais intensamente na Europa e nos Estados Unidos”, explica Eolo Morandi.

Enquanto no Brasil o vetor da Chikungunya é o Aedes aegypti, em locais como a América do Norte e a Europa os casos estão mais atrelados a picadas do Aedes albopictus.


Vacinação pode conter surtos futuros

Justamente pelo impacto das mudanças no clima é que uma vacina contra a chikungunya se mostra cada vez mais necessária.

Em abril de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a vacina contra a chikungunya desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica Valneva.

“O objetivo no Brasil é conter surtos e reduzir o impacto da doença. Como somos um país endêmico, a vacinação tem um papel importante no controle epidemiológico”, afirma Eolo Morandi.


Prevenção continua sendo essencial

Enquanto a vacina não chega à população, o controle do mosquito continua sendo essencial para evitar surtos.

“A vacina é uma ferramenta poderosa, mas não substitui os cuidados com o mosquito. O combate ao vetor é responsabilidade de todos”, reforça o gestor médico.

Para evitar a proliferação do inseto, evite deixar água parada em vasos, caixas e pneus; use repelente e roupas que cubram braços e pernas; mantenha o quintal limpo e calhas desobstruídas; colabore com as ações de fiscalização e controle do mosquito.

FONTE: Instituto Butantan

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

SUS oferece vacina contra bronquiolite para bebês prematuros

 
Crianças com comorbidade também poderão receber proteção

A partir deste mês, bebês prematuros e com comorbidades poderão receber vacina contra bronquiolite no Sistema Único de Saúde (SUS). O medicamento oferecido é o nirsevimabe, que amplia a proteção contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal causa da doença.

O ministério da Saúde explica que o nirsevimabe é um anticorpo monoclonal, capaz de fornecer proteção imediata. Não há necessidade, nesse caso, de estimular o sistema imunológico do bebê a produzir seus próprios anticorpos.

São considerados bebês prematuros aqueles nascidos com idade gestacional inferior a 37 semanas. Entre as comorbidades que atingem bebês de até 2 anos de idade são: doença pulmonar crônica da prematuridade (broncodisplasia), cardiopatia congênita, anomalias congênitas das vias aéreas, doença neuromuscular, fibrose cística, imunocomprometimento grave, de origem inata ou adquirida, e síndrome de Down.

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, 300 mil doses já foram distribuídas para todo o país.

O SUS já oferece a vacina contra o VSR para gestantes, a partir da 28ª semana de gravidez, protegendo os bebês desde o nascimento. O vírus é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e 40% dos casos de pneumonia em crianças menores de dois anos.

FONTE: Agência Brasil

Em 2025, até a 22 de novembro, o Brasil registrou 43,2 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causados por VSR. Desses casos, a maior concentração de hospitalizações ocorreu em crianças com menos de dois anos de idade, totalizando mais de 35,5 mil ocorrências, o que representa 82,5% do total de casos de SARG por VSR no período.

Como a maioria dos casos é decorrente de infecção viral, não existe um tratamento específico para a bronquiolite. O manejo é baseado apenas no tratamento dos sinais e sintomas que incluem: terapia de suporte; suplementação de oxigênio, conforme necessário; hidratação; e uso de broncodilatadores, (substâncias que promovem a dilatação das pequenas vias aéreas nos pulmões), especialmente quando há chiados evidentes.