terça-feira, 17 de junho de 2025

Bancos passam oferecem Pix Automático

 








Nova modalidade pretende substituir débito automático e boletos
Com a promessa de substituir o débito automático e os boletos, o Pix automático entra em vigor nesta segunda-feira (16). Extensão do Pix, a ferramenta permite ao usuário autorizar pagamentos periódicos a empresas e prestadores de serviços, como microempreendedores individuais (MEI). O cliente autoriza uma única vez, com os débitos ocorrendo automaticamente na conta do pagador.

Desde o fim de maio, o Pix automático está disponível para todos os clientes do Banco do Brasil. A maior parte das instituições financeiras, no entanto, só começa a oferecer o serviço nesta segunda.

A ferramenta pretende beneficiar tanto empresas quanto consumidores. De acordo com o Banco Central (BC), o débito automático beneficiará até 60 milhões de brasileiros sem cartão de crédito.

Para as empresas, a nova tecnologia facilitará a cobrança ao simplificar a adesão à cobrança automática. Isso porque, o débito automático exige convênios com cada um dos bancos, o que na prática só era possível a grandes companhias. Com o Pix automático, bastará a empresa ou o MEI pedir a adesão ao banco onde tem conta.


Como funciona

•     Empresa envia pedido de autorização de Pix automático a cliente

•     No aplicativo do banco ou instituição financeira, o cliente acessa a opção “Pix automático”

•     Lê e aceita os termos da operação

•     Define a periodicidade da cobrança, o valor (fixo ou variável) e o limite máximo por transação

•     A partir da data acordada, o sistema faz os débitos automaticamente

•     Cobrança pode ser feita 24 horas por dia, sete dias por semana, inclusive em feriados

•     Usuário pode cancelar autorização e ajustar valores e periodicidade a qualquer momento

Tipos de contas

O Pix automático só é válido para pessoas físicas como pagadoras e empresas ou prestadores de serviços como cobradores. O pagamento periódico entre pessoas físicas, como mesadas ou salários de trabalhadores domésticos, é feito por outra modalidade, o Pix agendado recorrente, obrigatório desde outubro de 2024.

Algumas contas pagas com Pix automático

•     Contas de consumo (luz, água, telefone)

•     Mensalidades escolares e de academias

•     Assinaturas digitais (streaming, música, jornais)

•     Clubes de assinatura e serviços recorrentes

•     Outros serviços com cobrança periódica

Algumas empresas, principalmente micro e pequenas, usavam o Pix agendado recorrente para cobranças periódicas. O Pix automático promete simplificar as operações de cobrança.

No Pix agendado recorrente, o pagador tinha de digitar a chave com a conta da empresa, o valor e a periodicidade da cobrança, o que poderia levar a erros e divergências. No Pix automático, o usuário receberá uma proposta de adesão, bastando confirmar a cobrança, podendo ajustar valores e a frequência dos pagamentos.
Segurança

O Pix automático traz alguns riscos de segurança. O principal são falsas empresas que enviam propostas de cobrança que irão para contas de terceiros. Para minimizar o risco de golpes, o BC editou uma série de normas para as empresas que aderirem ao Pix automático.

Bancos e instituições de pagamentos deverão checar uma série de informações das empresas, divididas em três eixos: dados cadastrais, compatibilidade entre a atividade econômica e o serviço ofertado no Pix automático e histórico de relacionamento com o participante. Para impedir fraudes por empresas recém-criadas, somente empresas em atividade há mais de seis meses poderão oferecer a nova modalidade do Pix.

As regras de segurança que os bancos deverão checar são as seguintes:

•     Data de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); situação cadastral dos sócios e administradores no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), e outras informações da empresa;

•     Compatibilidade entre a atividade econômica e o serviço oferecido para o Pix automático;

•     Quantidade de funcionários, valor do capital social e faturamento;

•     Tempo de abertura da conta e uso de outros meios de cobrança;

•     Frequência das transações com o participante.

Fonte: Agência Brasil



Natureza precisa ser aliada e não ameaça às crianças, diz especialista

 







Iniciativas procuram proteger os menores da crise climática
Uma atividade ao ar livre, em contato direto com a natureza, costuma gerar boas lembranças na infância. Mas e quando a experiência da criança com o meio-ambiente envolve um desastre ou desequilíbrio ambiental? Para a especialista em educação e natureza do Instituto Alana Paula Mendonça, é preciso olhar com mais atenção para a relação dos mais jovens com a emergência climática.

“Precisamos construir escolas e comunidades sustentáveis, saudáveis e resilientes, nas quais as crianças possam ver a natureza como aliada e não como uma ameaça. A vivência de um evento climático pode causar um trauma na criança. E ela depois ter medo da chuva ou do calor, por exemplo”, analisa Paula.

A especialista participou, por videoconferência, de uma coletiva de imprensa durante visita guiada à Ilha do Combu, em Belém. E aprofundou reflexões presentes na pesquisa do Instituto Alana sobre resiliência climática nas escolas das capitais brasileiras.

Ela lembrou que 37,4% escolas de educação infantil e ensino fundamental do país não têm áreas verdes, 11,3% ficam em favelas e 6,7% estão em áreas de risco de desastres naturais.

“A gente vem trabalhando para defender o direito de toda criança viver em um meio ambiente saudável, como garante o artigo 225 da Constituição Federal. Para que as crianças possam fortalecer o vínculo com a natureza”, analisa Paula.

“Precisamos de ações que visem à adaptação e o enfrentamento das mudanças climáticas. É olhar para a restauração da biodiversidade, a redução da poluição, estratégias de educação que fomentem acesso à natureza e desenvolvimento de habilidades e competências que preparem melhor os estudantes para enfrentar a crise climática”, complementa.

Escolas Baseadas na Natureza

Durante a quarta edição do TEDx Amazônia, em Belém, o Instituto CCR, ligado à empresa de infraestrutura e mobilidade Motiva, também anunciou o programa Escolas Baseadas na Natureza, em parceria com o Instituto Alana. A proposta é oferecer formação continuada e materiais didáticos para alunos, professores e gestores do ensino fundamental de escolas municipais de todo o país. Tudo de forma gratuita.

A formação tem 40 horas e ocorre de forma virtual, aberta a qualquer educador. Por meio dela, os educadores poderão pensar em soluções baseadas na natureza no ambiente escolar, além de elaborar projetos práticos para aplicar nas instituições de ensino.

Uma outra forma de incentivo é o Prêmio Escolas Baseadas na Natureza, que vai selecionar cinco escolas públicas com projetos de destaque em educação ambiental. Cada uma receberá até R$ 100 mil para a realização de melhorias em sua infraestrutura. Também serão oferecidas mentoria pedagógica, assessoria técnica e consultoria especializada em arquitetura escolar sustentável.

As inscrições estão previstas para junho. O anúncio das escolas vencedoras deve ocorrer em julho. Entre os pontos que serão valorizados estão a criação de pátios naturalizados, hortas pedagógicas, sistemas de captação de água da chuva, uso de energias renováveis e mobiliário feito com materiais reaproveitados.

“Nós temos hoje uma base de mais de 6.000 professores que serão parceiros diretamente dessa iniciativa e mais de 170.000 estudantes também em 280 municípios. A gente quer que essa expansão ocorra o mais rápido possível, porque é uma temática urgente. Precisamos saber lidar com a emergência climática”, disse Jéssica Trevisam, gerente de Responsabilidade Social do Instituto CCR.

Fonte: Agência Brasil

Estudantes de escolas públicas aumentam presença nas universidades

 

Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro









Políticas públicas como cotas contribuíram, diz IBGE

Estudantes que cursaram o ensino médio exclusivamente em escolas públicas têm aumentado sua presença nas universidades brasileiras. A constatação é da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Educação, divulgada nesta sexta-feira (13), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A pesquisa mostrou que, em 2024, entre as pessoas que frequentam ou já frequentaram um curso de graduação no país, 72,6% fizeram todo o ciclo do ensino médio em uma instituição pública de educação. Em 2016, esse percentual era de 67,8%, segundo o IBGE.

O mesmo foi observado para o grupo de pessoas que frequentam ou já frequentaram algum curso de pós-graduação (especialização, mestrado ou doutorado). O percentual de pessoas que chegaram a esse nível de escolaridade depois de cursar todo o ensino médio em escola pública subiu de 52,2% em 2016 para 59,3% em 2024.

Segundo a pesquisadora do IBGE Adriana Beringuy, é provável que isso seja resultado de políticas públicas que estimularam o acesso de egressos de escolas públicas a universidades.


“Sem essas políticas, [essas pessoas] não estariam no ensino superior ou teriam dificuldades maiores de acessá-los”, afirmou Adriana. “Seja via política de cotas [para acesso a universidades públicas], seja por meio de programas de financiamento desses estudantes na rede privada, como o ProUni e o Fies”.

A Pnad mostrou também que 31,3% dos jovens de 18 a 24 anos já tinham concluído a faculdade ou estavam cursando o ensino superior, em 2024.

Nesse mesmo ano, 20,5% das pessoas com 25 anos ou mais tinham concluído o ensino superior, acima dos 15,4% de 2016.

Além disso, 4,2% tinham ensino superior incompleto (seja porque abandonaram ou porque ainda estavam cursando a graduação), também acima do percentual de 2016 (3,6%).

O restante das pessoas com 25 anos ou mais, em 2024, tinham o ensino médio completo (31,3%), o ensino médio incompleto (4,9%), o ensino fundamental completo (7,4%), o ensino fundamental incompleto (26,2%) ou não tinham qualquer instrução (5,5%).

Em 2016, os percentuais eram: o ensino médio completo (27,2%), o ensino médio incompleto (4,2%), o ensino fundamental completo (9,2%), o ensino fundamental incompleto (33,1%) e não tinham qualquer instrução (7,3%).

Ou seja, as pessoas com 25 anos ou mais que tinham completado pelo menos a educação básica obrigatória subiu de 46,2% em 2016 para 56% em 2024.


Percentual de escolaridade das pessoas de 25 anos ou mais. Fonte: IBGEGrau de escolaridade 2016 2024

Ensino superior completo 15,4% 20,5%

Ensino superior incompleto 3,6% 4,2%

Ensino médio completo 27,2% 31,3%

Ensino médio incompleto 4,2% 4,9%

Ensino fundamental completo 9,2% 7,4%

Ensino fundamental incompleto 33,1% 26,2%

Sem instrução 7,3% 5,5%


Em recorte por sexo, os dados indicam que tinham concluído a educação básica 54% dos homens e 57,8% das mulheres. Na análise por cor ou raça, os percentuais eram de 63,4% para os brancos e de 50% para os negros (pretos ou pardos).

A média de anos de estudo no Brasil subiu de 9,1 anos em 2016 para 10,1 anos em 2024. Entre os homens, esse indicador cresceu de 8,9 para 9,9 anos, no período. Entre as mulheres, o crescimento foi de 9,2 para 10,3 anos.

Entre os brancos, a média de anos de estudo cresceu de 10,1 para 11 anos. Na população negra, o avanço foi maior, ao passar de 8,1 anos em 2016 para 9,4 em 2024.

Trabalho e estudo

A Pnad analisou ainda o grupo de pessoas com 15 a 29 anos que se dedicavam ao estudo e ao trabalho. Nessa faixa etária, 16,4% trabalhavam e estudavam (ou se qualificavam), 39,9% trabalhavam mas não estudavam (ou se qualificavam), 25,3% estudavam (ou se qualificavam) mas não trabalhavam e 18,5% não estudavam (ou se qualificavam) nem trabalhavam.

Percentual de jovens que trabalham e/ou estudam. 
Fonte: IBGE

Trabalham e estudam 16,4%

Trabalham e não estudam 39,9%

Estudam e não trabalham 25,3%

Não estudam nem trabalham 18,5%

A população que não estuda nem trabalha representou 8,9 milhões dos 48 milhões de jovens nessa faixa etária. Apesar disso, os dados do IBGE mostram queda da participação desse grupo no total de pessoas nessa idade, já que representavam uma parcela de 22,4% em 2019, de 20% em 2022 e de 19,8% em 2023.

Dos 8,7 milhões de jovens de 14 a 29 anos não haviam completado o ensino médio em 2024, por terem abandonado a escola ou por nunca a terem frequentado. O número é menor do que o observado em 2023 (9,3 milhões).

O principal motivo para o abandono da escola ou para nunca tê-la frequentado, nessa faixa etária, foi a necessidade de trabalhar (42%), seguido pela falta de interesse (25,1%). Entre os homens, a necessidade de trabalhar foi o motivo de abandono da escola de 53,6% deles. Entre as mulheres, a necessidade de trabalhar (25,1%) divide o topo dos motivos de abandono com a gravidez (23,4%).

A pesquisa mostra ainda que a necessidade de realizar afazeres domésticos ou cuidar de pessoas foi o motivo de abandono para 9% das mulheres. Entre os homens, apenas 0,8% apontaram essa razão para abandonar os estudos.
Fonte: Agência Brasil

Butantan é pioneiro na conservação ex situ de serpentes, estratégia fundamental para preservação de espécies endêmicas

 











Espécime de Bothrops insularis em seu ambiente natural, na Ilha da Queimada Grande (Foto: Otavio Marques)

Além de garantir a condução de pesquisas que geram conhecimento e recursos capazes de serem aplicados in situ, contribuindo assim para uma melhor gestão do habitat e um possível aumento da população do animal em questão, a conservação ex situ garante a preservação genética da espécie e auxilia possíveis práticas de reprodução em biotério – o que pode viabilizar casos de reintrodução na natureza diante de situações reais de extinção.

Uma história de longa data

Desde a década de 1920, com a descrição da B. insularis pelo herpetólogo Afrânio do Amaral (1894-1982), o Butantan encontra-se na vanguarda das pesquisas relacionadas à espécie. Em 2009, a organização deu os primeiros passos rumo à conservação ex situ da serpente ao coletar os primeiros espécimes para tal finalidade.

“A B. insularis foi escolhida para esse trabalho de conservação não apenas por ser ‘criticamente ameaçada’, mas também por reunir um volume considerável de informações relacionadas à sua biologia e evolução, cruciais para o desenvolvimento de técnicas adequadas para sua manutenção fora do ambiente natural”, explica o pesquisador científico do LEEv Otavio Marques.



Recinto que será dedicado à conservação da jararaca-ilhoa nas novas instalações do LEEv (Foto: José Felipe Batista)

Somam-se a isso o apelo cultural da jararaca-ilhoa e o “boom” de produções científicas ocorrido naquela época – impulsionadas, principalmente, pela retomada das expedições à Queimada Grande –, o que resultou em conhecimentos inéditos sobre sua população, reprodução e hábitos na ilha.

Com a inauguração da nova sede do Laboratório de Ecologia e Evolução no início deste ano, o Instituto Butantan deu mais um importante salto na consolidação de seu programa de conservação ex situ da jararaca-ilhoa: considerado o primeiro criadouro científico com fins conservacionistas para répteis do Brasil, o espaço conta com um inovador viveiro de 250 metros quadrados que será totalmente dedicado à manutenção da espécie. Atualmente, a estrutura encontra-se em fase de finalização.


Paulo Nico, diretor do LEEv, dá as boas-vindas aos participantes da oficina de avaliação do Plano Nacional de Conservação (Foto: Renato Rodrigues)

De olho no futuro

Na Semana Mundial do Meio Ambiente, o Butantan mais uma vez reforça sua posição de referência quando o assunto é conservação de serpentes ao sediar a Oficina de Avaliação do Plano de Ação Nacional para conservação da herpetofauna ameaçada de extinção da região sudeste do Brasil, realizada nos dias 2 e 3/6.

O encontro foi coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e contou com a participação presencial e virtual de mais de 30 especialistas de diferentes instituições, como Zoológico de São Paulo, Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (UNESP), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), além do próprio Instituto.

“O Butantan é parceiro do ICMBio e estamos procurando estabelecer novas cooperações e fortalecer as já existentes no âmbito da conservação de animais. Para nós, é de extrema importância participar deste tipo de discussão e contribuir com as diretrizes do Plano Nacional de Conservação”, reforçou o pesquisador científico e diretor do Laboratório de Ecologia e Evolução, Paulo Nico Monteiro, durante a abertura do evento.



Parte do time de especialistas que participaram dos dois dias de oficina (Foto: André Ricoy)

De acordo com o veterinário e analista ambiental do ICMBio Carlos Abrahão, o objetivo da discussão foi elencar quais são as serpentes e lagartos ameaçados que precisam ser priorizados para possíveis programas de conservação ex situ, e identificar quais instituições estariam aptas a assumir tal missão.

Para isso, os participantes responderam a 19 questionários – cada um dedicado a uma das espécies ameaçadas pré-selecionadas –, que reuniam cerca de 30 perguntas relacionadas ao risco de extinção do animal, assim como sua importância filogênética, distribuição geográfica, valor cultural local, situação populacional e potenciais ameaças.

Espécies como a jararaca-ilhoa (B. insularis); a jararaca-de-alcatrazes (Bothrops alcatraz); a jararaca-de-vitória (Bothrops otavioi); a jiboia-do-ribeira (Corallus cropanii); a cobra-de-duas-cabeças (Amphisbaena nigricauda); e o calango-liso-da-restinga (Brasiliscincus caissara) foram algumas das avaliadas.

“Ficamos muito honrados por receber esse evento aqui no Butantan e encabeçar um assunto tão relevante atualmente, junto com o ICMBio”, completou a bióloga e tecnologista do LEEv Karina Kasperoviczus, responsável por coordenar a ação no Instituto Butantan.

Até o final do ano, a expectativa do ICMBIo é realizar mais quatro oficinas similares com foco nas outras regiões do país e consolidar uma lista preliminar que ajudará a balizar futuros programas de conservação voltados à herpetofauna brasileira.


Fonte: Instituto Butantan

sexta-feira, 13 de junho de 2025

Acidez dos oceanos ultrapassa limite de equilíbrio planetário

 







Pesquisa foi feita pelo Laboratório Marinho de Plymouth do Reino Unido

 Acidificação dos oceanos, um fenômeno causado pelo excesso de absorção de gás carbônico (CO2) da atmosfera, ultrapassou os limites para o equilíbrio planetário em 2020, aponta estudo publicado nesta segunda-feira (9) por pesquisadores do Laboratório Marinho de Plymouth (PML) do Reino Unido.

De acordo com o estudo Acidificação dos oceanos: mais um limite planetário ultrapassado , a informação só foi revelada cinco anos depois, por meio do uso de medições mais modernas e da aplicação de novos modelos computacionais sobre materiais coletados nos últimos 150 anos.

“A gente tem uma informação robusta, sendo produzida por um estudo que tem alcance mundial e revelando uma informação que a gente, infelizmente, não tinha ainda. Apesar das observações e modelos matemáticos, essas informações não tinham integrado ainda o contexto dos limites planetários. E esse foi o grande avanço”, explica Alexander Turra, pesquisador do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IOUSP) e coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano.

O conceito de limites planetários foi criado em 2009 por cientistas do Centro de Resiliência de Estocolmo para o acompanhamento de nove fenômenos decorrentes da ação humana, como mudança climática, poluição por produtos químicos, mudança no uso da terra e a acidificação dos oceanos. Desde então, a ciência apontava que seis desses limites haviam sido ultrapassados.

Com a descoberta do novo estudo, a mudança da acidez das águas dos oceanos aumenta essa lista para sete.

“Isso traz para a gente um alarme adicional em relação a essa degradação do oceano. Especialmente porque é um fenômeno silencioso e imperceptível no nosso dia a dia, diferente do lixo no mar, que é muito evidente”, alerta Turra.

Com a absorção da alta concentração de gás carbônico da atmosfera, os oceanos passam por uma redução do potencial hidrogeniônico (pH) e consequente diminuição da concentração de carbonato de cálcio na água, que afeta diretamente a estruturação de esqueletos e o crescimento de vidas marinhas.

“ Isso significa que vai ter menos crescimento de recifes de coral, conchas de moluscos mais frágeis, autólitos [rochas hospedeiras] de peixes menos estruturados, e a gente vai ter, então, organismos que terão uma capacidade de se relacionar com o meio ambiente limitada em função desse comprometimento”, explica o pesquisador.

De acordo com a coordenadora do Laboratório de Oceanografia Química da UERJ, Letícia Cotrim, a acidificação também pode causar mudanças na fisiologia, crescimento e reprodução de espécies, afetando a biodiversidade existente nos oceanos.

O estudo propõe ainda o limiar de 10% para a concentração de carbonato de cálcio abaixo dos níveis pré-industriais como referência para esse limite planetário. A proposta parte da observação do comprometimento de habitats de espécies como moluscos, que dependem de conchas calcificadas para a sobrevivência.

IMPACTO

De acordo com os pesquisadores, quando essa fronteira foi ultrapassada em 2020, foi observado o comprometimento de 60% do oceano com profundidade de até 200 metros, e 40% do oceano de superfície de todo o planeta.

“Incluindo uma redução de 43% no habitat dos recifes de coral tropicais e subtropicais, até 61% para os pterópodes polares (borboletas marinhas) e 13% para os bivalves costeiros”, destaca a pesquisa.

Para a pesquisadora o estudo reforça o que cientistas afirmam há décadas. Quanto mais CO2 na atmosfera, mais rápido ultrapassaremos os limites estabelecidos pelo Acordo de Paris. O limite de 1,5ºC de aquecimento global é o considerado gerenciável para evitar perdas maiores de vidas humanas, perdas na produção, problemas mais graves – e caros – com extremos climáticos e com a elevação do nível do mar, destaca.

Para Turra, o Brasil, enquanto um país marítimo e que vai sediar, em novembro, a próxima Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP30), deve ter um protagonismo central nessa discussão, por meio da implementação de ações efetivas que sirvam como exemplo.

“A gente vai poder fazer uma conexão muito clara entre o oceano e o clima na COP30, a ponto de a gente fortalecer com mais esse argumento a necessidade de reduzir as emissões e de aumentar o sequestro e a estocagem de carbono”, conclui.

Fonte: Agência Brasil