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terça-feira, 17 de junho de 2025

Natureza precisa ser aliada e não ameaça às crianças, diz especialista

 







Iniciativas procuram proteger os menores da crise climática
Uma atividade ao ar livre, em contato direto com a natureza, costuma gerar boas lembranças na infância. Mas e quando a experiência da criança com o meio-ambiente envolve um desastre ou desequilíbrio ambiental? Para a especialista em educação e natureza do Instituto Alana Paula Mendonça, é preciso olhar com mais atenção para a relação dos mais jovens com a emergência climática.

“Precisamos construir escolas e comunidades sustentáveis, saudáveis e resilientes, nas quais as crianças possam ver a natureza como aliada e não como uma ameaça. A vivência de um evento climático pode causar um trauma na criança. E ela depois ter medo da chuva ou do calor, por exemplo”, analisa Paula.

A especialista participou, por videoconferência, de uma coletiva de imprensa durante visita guiada à Ilha do Combu, em Belém. E aprofundou reflexões presentes na pesquisa do Instituto Alana sobre resiliência climática nas escolas das capitais brasileiras.

Ela lembrou que 37,4% escolas de educação infantil e ensino fundamental do país não têm áreas verdes, 11,3% ficam em favelas e 6,7% estão em áreas de risco de desastres naturais.

“A gente vem trabalhando para defender o direito de toda criança viver em um meio ambiente saudável, como garante o artigo 225 da Constituição Federal. Para que as crianças possam fortalecer o vínculo com a natureza”, analisa Paula.

“Precisamos de ações que visem à adaptação e o enfrentamento das mudanças climáticas. É olhar para a restauração da biodiversidade, a redução da poluição, estratégias de educação que fomentem acesso à natureza e desenvolvimento de habilidades e competências que preparem melhor os estudantes para enfrentar a crise climática”, complementa.

Escolas Baseadas na Natureza

Durante a quarta edição do TEDx Amazônia, em Belém, o Instituto CCR, ligado à empresa de infraestrutura e mobilidade Motiva, também anunciou o programa Escolas Baseadas na Natureza, em parceria com o Instituto Alana. A proposta é oferecer formação continuada e materiais didáticos para alunos, professores e gestores do ensino fundamental de escolas municipais de todo o país. Tudo de forma gratuita.

A formação tem 40 horas e ocorre de forma virtual, aberta a qualquer educador. Por meio dela, os educadores poderão pensar em soluções baseadas na natureza no ambiente escolar, além de elaborar projetos práticos para aplicar nas instituições de ensino.

Uma outra forma de incentivo é o Prêmio Escolas Baseadas na Natureza, que vai selecionar cinco escolas públicas com projetos de destaque em educação ambiental. Cada uma receberá até R$ 100 mil para a realização de melhorias em sua infraestrutura. Também serão oferecidas mentoria pedagógica, assessoria técnica e consultoria especializada em arquitetura escolar sustentável.

As inscrições estão previstas para junho. O anúncio das escolas vencedoras deve ocorrer em julho. Entre os pontos que serão valorizados estão a criação de pátios naturalizados, hortas pedagógicas, sistemas de captação de água da chuva, uso de energias renováveis e mobiliário feito com materiais reaproveitados.

“Nós temos hoje uma base de mais de 6.000 professores que serão parceiros diretamente dessa iniciativa e mais de 170.000 estudantes também em 280 municípios. A gente quer que essa expansão ocorra o mais rápido possível, porque é uma temática urgente. Precisamos saber lidar com a emergência climática”, disse Jéssica Trevisam, gerente de Responsabilidade Social do Instituto CCR.

Fonte: Agência Brasil

quarta-feira, 11 de junho de 2025

Em ano de COP30, evento em Belém debate restauração da Amazônia

 











Tema do TEDXAmazônia foi Resgate – um convite para um futuro melhor
Diante de aproximadamente 700 pessoas, a cantora, jornalista e ativista indígena Djuena Tikuna subiu ao palco do Theatro da Paz, em Belém, e cantou sobre a luta para preservar a floresta amazônica.


A cantora Djuena Tikuna se apresenta no TEDxAmazônia, em Belém. Foto Tânia Rêgo/Agência Brasil

“Toda semente que há, um dia vai germinar. Uma flor para reflorestar nossos corações. Do ventre da terra vai brotar a paz para essa guerra se acabar. Um amor para acalentar todas as nações”, diz um trecho da música.

Como a própria Tikuna explicou, a canção é um chamado para que todos assumam a responsabilidade pelo combate ao desmatamento, à crise climática e aos direitos dos povos indígenas.

“Eu faço o meu canto para conscientizar as pessoas sobre a necessidade de manter viva a nossa floresta. É importante que essa luta seja de todos, porque a luta dos povos indígenas diz respeito à saúde do planeta e ao futuro da vida da Terra”, disse ela.

A apresentação aconteceu durante a quarta edição do TEDXAmazônia, entre os dias 6 e 8 de junho em Belém, que será a sede da COP30 em novembro deste ano. O tema do evento foi “Resgate – um convite para um futuro melhor”, com o objetivo de trazer debates e reflexões sobre regeneração da Amazônia e do planeta.

Entre os conferencistas que passaram pelo evento estavam a liderança indígena Alessandra Munduruku, o conservacionista colombiano Fernando Trujillo, a cientista Francielly Barbosa, a liderança indígena Adriano Karipuna, a ativista quilombola Maria Aparecida de Matos e a cantora paraense Gaby Amarantos.

Alessandra Munduruku, líder indígena, participa do encontro TEDxAmazônia, no Theatro da Paz, em Belém. Foto Tânia Rêgo/Agência Brasil

O evento desse ano também se destacou por trazer palestrantes que atuam em defesa da Amazônia em outros países da América do Sul, como Bolívia, Colômbia, Venezuela, Suriname, Equador, Peru e Guiana. Participaram ainda ativistas de outras florestas tropicais pelo mundo, como Cécile Ndjebet, de Camarões, e Bustar Maitar, da Indonésia.

TED Countdown

Durante o evento deste ano, foi anunciado que Belém também receberá a TED Countdown House entre os dias 10 e 20 de novembro, durante a COP30. Será um espaço sediado na Casa Mia, no centro histórico, para encontros e debates sobre a emergência climática global.

O projeto é realizado em parceria com o TEDXAmazônia, o Instituto Igarapé e a agência Profile. Haverá dois auditórios, estúdios de mídia, café, áreas comuns e oferta de culinária regional. Estão previstos palestras, workshops, jantares temáticos, grupos de discussão e instalações artísticas

A ideia é reunir lideranças indígenas, cientistas, investidores, artistas, ativistas, políticos e representantes da sociedade civil.

“Queremos ativar conexões improváveis, provocar conversas que normalmente não acontecem em espaços oficiais e mostrar que a Amazônia não é apenas um problema. Ela é parte da resposta”, disse Rodrigo Cunha, organizador do TEDXAmazônia.

“Queremos fundamentar a conversa sobre o clima em experiências e soluções práticas, com uma avaliação honesta. O TED tem o prazer de se reunir em Belém, na Amazônia, um dos ecossistemas mais vitais do mundo e um símbolo da urgência”, disse Logan McClure Davda, representante do TED.

O TED é uma organização sem fins lucrativos, dedicada a apresentar ideias que produzam impactos na sociedade. A partir dela, existem diferentes iniciativas como TED Countdown voltado para soluções climáticas, TED menores e mais locais, ou independentes da organização central, como é o caso do TEDx.

O primeiro TEDx Amazônia ocorreu em 2010, em Manaus (AM). Mais dois eventos ocorreram na cidade em 2023 e 2024, e o quarto foi realizado agora, em junho de 2025, em Belém.

*A equipe de reportagem da Agência Brasil viajou a convite da Motiva, umas das principais apoiadoras do TEDXAmazônia.

Fonte: Agência Brasil