sábado, 10 de maio de 2025

Mobilização social é fundamental para políticas ambientais, diz Marina

 











Ministra abriu 5ª Conferência Nacional de Meio Ambiente

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, afirmou nesta terça-feira (6) que a realização da 5ª Conferência Nacional de Meio Ambiente , após quase 12 anos, marca a retomada do controle e da participação social na política ambiental.

"Essa conferência é uma demonstração de que a mobilização da sociedade é fundamental na formulação e implementação de políticas públicas", citou Marina Silva, durante a abertura do evento, em Brasília.

Com o tema Emergência Climática e o Desafio da Transformação Ecológica, a conferência foi organizada em cinco eixos: Mitigação; Adaptação e Preparação para Desastres; Justiça Climática; Transformação Ecológica; e Governança e Educação Ambiental.

Até o dia 9 de maio, grupos organizados em cada eixo debaterão as propostas resultantes dos encontros preliminares.

As etapas que antecederam a conferência tiveram a participação de 2.570 municípios, em 439 conferências municipais, 179 intermunicipais e 287 conferências livres. Ao todo, cerca de 1,5 mil delegados estão em Brasília para a etapa final, com maioria de representantes mulheres (56%) e ampla participação de pessoas negras e populações indígenas e tradicionais.

Ao todo, 100 propostas serão usadas como base para políticas públicas como a atualização da Política Nacional sobre Mudança do Clima e a construção do Plano Clima.

"O que nós queremos é ouvir as propostas de vocês nessa conferência, que vão ajudar o governo do presidente Lula, que é compromissado com a questão ambiental. A COP30 será no Brasil", destacou o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, que também participou da abertura da conferência nacional.

Sobre a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada daqui a seis meses, em Belém, a ministra do Meio Ambiente lembrou que reunirá 196 países e será um referencial histórico sobre qual caminho seguir, que é implementar os compromissos, incluindo triplicar a energia renovável, garantir a transição para o fim do desmatamento e do uso do combustível, e realizar a reparação e justiça climática para os setores vulnerabilizados.

Marina Silva também criticou a descontinuidade das políticas públicas ao longo dos últimos seis anos e ressaltou o compromisso do atual governo com as metas globais de redução das emissões dos gases que causam o aquecimento planetário e ameaçam a existência humana na Terra.

"Eu vejo o presidente Lula dizendo que nós vamos alcançar desmatamento até 2030, de que nós temos redução de emissão de gás carbônico entre 59% e 67% na nossa NDC, no nosso Plano Clima, alinhado com a missão [de aumento máximo de] 1,5°C até 2035. E que nós vamos conseguir realizar a COP30 liderando pelo exemplo".

Fonte: Agência Brasil

sexta-feira, 2 de maio de 2025

Água da chuva pode estar contaminada por agrotóxico, diz estudo

 








Pesquisa encontrou resíduos do produto em amostras de três cidades

Estudo feito por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) mostra que a água da chuva pode estar contaminada por agrotóxicos e que o uso desta água para fins de abastecimento da população deve ser feito com cautela. As informações são da Revista Fapesp.

A pesquisa, publicada no periódico científico Chemosphere, coletou e examinou amostras de três cidades paulistas: Campinas, Brotas e a capital São Paulo. Nos três locais, a água da chuva estava contaminada com agrotóxicos. A coleta ocorreu no período de agosto de 2019 a setembro de 2021.

Campinas apresentou a maior concentração de agrotóxicos (herbicidas, fungicidas e inseticidas), com 701 microgramas por metro quadrado (µg/m²), seguindo-se Brotas, com 680 µg/m2, e São Paulo, com 223 µg/m².

Segundo a Revista Fapesp, as análises indicaram uma associação direta entre a proporção de agrotóxicos encontrados e a extensão dos cultivos agrícolas, que ocupam quase metade dos 795 quilômetros quadrados (km²) do município de Campinas, 30% dos 1.101 km² de Brotas e 7% dos 1.521 km² da capital paulista.

Entre os 14 agrotóxicos identificados, o herbicida atrazina, apesar do uso ser proibido, foi detectado em todas as amostras das três cidades.

“A ideia de que a gente, ao tomar água de chuva, nós estamos tomando uma água limpa, ela não é de toda verdade. Eu acho que isso que o estudo acaba trazendo um pouco: de levantar esse alerta com relação a essa questão ou a esse uso”, destacou a coordenadora do estudo, Cassiana Montagner à Revista Fapesp.

Fonte: Agência Brasil

quarta-feira, 30 de abril de 2025

Sancionada lei que institui vinho e espumante como símbolos do Rio Grande do Sul














Ato reforça identidade cultural, fortalece o enoturismo e impulsiona a economia do Estado

O Rio Grande do Sul agora tem dois novos símbolos oficiais: o vinho e o espumante. A lei que reconhece a importância histórica, cultural e econômica dessas bebidas para o Estado foi sancionada pelo governador Eduardo Leite em cerimônia realizada, nesta segunda-feira (28/4), no Palácio Piratini, em Porto Alegre. O ato contou com a presença de autoridades, representantes do setor vitivinícola e lideranças regionais, celebrando o reconhecimento de produtos que ajudam a contar a história e a identidade dos gaúchos.

A iniciativa reforça o protagonismo do Estado como maior produtor nacional de vinhos e espumantes. Atualmente, o Rio Grande do Sul concentra 90% da produção nacional e também se destaca no mercado internacional pela qualidade de seus produtos, com ênfase em regiões como a Serra e a Campanha Gaúcha. A nova legislação deve impulsionar ainda mais o setor, estimulando o enoturismo e atraindo visitantes para as áreas produtoras.Ato contou com a presença de Gabriel Souza, secretários de Estado, autoridades e representantes do setor vitivinícola - Foto: Mauricio Tonetto/Secom

“Sem produtor, não há produto. Ao tornar o vinho e o espumante símbolos oficiais, estamos reconhecendo a força de uma cadeia produtiva que nos orgulha e que é parte da identidade do nosso povo”, afirmou Eduardo Leite durante a cerimônia. O governador destacou que a medida valoriza todo o trabalho desenvolvido nas regiões produtoras e reforça o reconhecimento nacional e internacional da qualidade dos produtos gaúchos.

Leite também enfatizou que o fortalecimento da vitivinicultura estimula o desenvolvimento econômico, gera empregos, amplia o enoturismo e contribui para a promoção cultural do Estado. “Estamos falando de uma atividade que movimenta a economia, atrai visitantes e projeta o Rio Grande do Sul para o mundo”, 

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"Atividade que movimenta a economia, atrai visitantes e projeta o Rio Grande do Sul para o mundo", declarou Leite - Foto: Mauricio Tonetto/Secom

Segundo o Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS), o Estado possui a maior área de cultivo de uva do país, com quase 42 mil hectares. Em 2024, a produção vinícola no RS alcançou 351.259.524 litros, dos quais 125.191.379 litros correspondem a vinhos e espumantes.

O secretário de Turismo, Ronaldo Santini, ressaltou o impacto positivo da medida para a promoção turística. "O vinho e o espumante são elementos que encantam visitantes e ajudam a consolidar o Rio Grande do Sul como destino de experiências únicas", observou. Santini constatou ainda que a oficialização dos produtos como símbolos estaduais fortalece a imagem do RS nos mercados nacional e internacional, fomentando o enoturismo e ampliando o fluxo de visitantes ao interior.

O projeto que originou a nova lei foi proposto, em 2023, pelo deputado estadual Guilherme Pasin. Em sua fala, Pasin comemorou a conquista: "Estamos eternizando a relação do povo gaúcho com a cultura da uva e do vinho, que é parte da nossa história e do nosso futuro".

A vitivinicultura é um dos pilares dessa estratégia de fortalecimento. O reconhecimento do vinho e do espumante como símbolos oficiais do Estado é uma ação que dialoga diretamente com o objetivo de posicionar o Rio Grande do Sul como um dos principais destinos enoturísticos do país.

Reunião com o trade da Serra discute ações para fortalecer o turismo regional

Antes da sanção da lei, representantes do governo do Estado, prefeitos, lideranças locais e empresários participaram de uma reunião com o trade turístico da Serra Gaúcha. O encontro teve como objetivo debater estratégias para impulsionar o turismo na região, especialmente em um momento de retomada e fortalecimento da economia.

Durante a reunião, foram discutidos temas como promoção conjunta dos destinos, qualificação de serviços e ampliação da infraestrutura. A integração entre os setores público e privado foi apontada como essencial para potencializar ainda mais o turismo regional.

Texto: Bernardo Zamperetti/Ascom Setur
Edição: Secom

terça-feira, 29 de abril de 2025

Exercícios podem prevenir quedas em idosos e melhorar recuperação

 







Prática de atividades melhora resistência, flexibilidade e equilíbrio

Os brasileiros estão vivendo mais, e as pessoas com idade acima de 65 anos já passam de 10% da população, conforme dados do último censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Cuidados simples previnem uma das principais causas de diminuição da qualidade de vida entre os idosos, que podem inclusive resultar em incapacidade permanente e morte: as quedas.

O Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) estima que, anualmente, um terço das pessoas com mais de 65 anos sofrem quedas, proporção que sobe para 40% entre os idosos a partir de 80 anos. E o local onde ocorrem mais quedas é dentro da própria casa.

A fisioterapeuta Raquel Gonçalves, que é doutora em ciências da reabilitação pela Universidade de São Paulo (USP), diz que a população já tem mais consciência sobre as adaptações necessárias no ambiente, como a retirada de tapetes, colocação de barras de apoio em locais de maior perigo, como o banheiro, e o uso de sapatos antiderrapantes. Ainda existem, porém, pessoas que negligenciam a atividade física, essencial para melhoria da resistência, flexibilidade e equilíbrio, o que reduz o risco de quedas.

"A pessoa que se mantém ativa ao longo da vida ou começa a fazer exercícios vai ter um processo de envelhecimento muito diferente. A gente fala muito de sarcopenia, que é a perda de massa muscular e se você faz atividade física, você evita essa sarcopenia, que já começa aos 30 anos. Então, quando você chegar aos 65, 70 anos, se mesmo assim eventualmente acontecer algum tipo de queda ou fratura, a recuperação é muito mais fácil", complementa Raquel.

De acordo com a especialista, mesmo quem já é idoso e não acumulou essa reserva ao longo da vida, se beneficia dos exercícios iniciados nessa fase: "Eles podem ser administrados por um fisioterapeuta, claro, mas também podem ser reproduzidos por um familiar ou um cuidador. Mesmo exercício simples de equilíbrio, de força muscular, já contribuem muito."

Raquel também reforça que a reabilitação após a queda é essencial para que a pessoa recupere sua qualidade de vida: "Quando o idoso cai, se ele tiver uma fratura, geralmente ele perde autonomia, muitas vezes precisa ficar de repouso na cama... Isso tem uma consequência psicológica muito grande. Além disso, ele começa a ter uma perda de massa muscular cada vez mais acentuada, porque ele está imóvel".

Ela alerta que os exercícios não podem ser abandonados após a recuperação.

"Muita gente pensa: 'melhorei um pouco, então eu posso parar'. Não! Tem que pensar: 'eu me recuperei, agora eu vou permanecer fazendo os exercícios, para manter essa massa muscular, para manter a minha força e não ser tão afetado com o passar do tempo'", afirma a fisioterapeuta.

Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 28 de abril de 2025

Prevenção do câncer: vacina do HPV agora está disponível dos 9 aos 19 anos e terá campanha reforçada

 











Faixa etária foi ampliada recentemente pelo Ministério da Saúde, que também mudou esquema para dose única; nova estratégia pretende vacinar 90% dos jovens

A vacina contra o HPV (papilomavírus humano) disponibilizada pelo Instituto Butantan no Sistema Único de Saúde (SUS) terá uma campanha reforçada neste ano, conforme anunciado pelo Ministério da Saúde em março. O objetivo é resgatar a imunização de jovens de 15 a 19 anos, que foram incluídos no Calendário Nacional de Vacinação de HPV no ano passado. Antes, o imunizante gratuito só estava disponível para meninas e meninos dos 9 aos 14.

A ação para adolescentes de 15 a 19 anos será realizada em fases, inicialmente nos 120 municípios com os maiores índices de jovens sem vacinação. A meta do Ministério é vacinar 90% desse grupo, adotando locais estratégicos para as campanhas, como escolas, universidades, shoppings e ginásios esportivos, além dos postos de saúde. No estado de São Paulo, entre os municípios contemplados na estratégia de resgate, estão Bauru, Campinas, Carapicuíba, Cotia, Guarulhos, São Paulo, entre outros.

O HPV é o principal responsável pelo câncer de colo de útero e também causa outros tipos de câncer, como de vulva, vagina, pênis, ânus e orofaringe. A vacina, desenvolvida e aplicada mundialmente há 20 anos, é essencial para prevenir a infecção. O vírus pode ser transmitido não apenas pela via sexual, mas também por meio do contato direto com qualquer região da pele ou mucosa infectada.

A ampliação da faixa etária veio em conjunto com a adoção da dose única, que substitui o antigo modelo de duas doses e facilita a adesão do público, além de ampliar a capacidade de imunização. O esquema passou a ser indicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) após evidências mostrarem que uma dose pode fornecer proteção equivalente a duas ou três doses em crianças e adolescentes.

No ano passado, o Ministério também incluiu como grupo prioritário pessoas portadoras de papilomatose respiratória recorrente (PRR), condição rara que provoca o crescimento de tumores benignos nas vias respiratórias. Segundo o órgão, estudos demonstram os benefícios da vacina do HPV como tratamento adjuvante para a doença. Também passaram a receber o imunizante pessoas de todas as idades usuárias de PrEP (profilaxia pré-exposição ao HIV).

Por que se vacinar

Existem mais de 200 tipos de vírus HPV, categorizados entre baixo risco e alto risco de desenvolvimento de câncer, e a vacina quadrivalente do Butantan protege contra os tipos mais prevalentes (6, 11, 16 e 18). Um dos grandes problemas relacionados a esse vírus é a dificuldade de diagnóstico – muitas vezes, ele não causa sintomas nem lesões aparentes, e pode ficar latente no organismo durante anos.

5 mitos sobre a vacina do HPV, única que protege contra o câncer de colo de útero

No mundo, o HPV está presente em cerca de 25% a 50% da população feminina e 50% da masculina. A cada ano, o vírus é responsável por 620 mil casos de câncer em mulheres e 70 mil casos em homens, segundo a OMS. A vacina é a única forma segura e eficaz de prevenir esses cânceres. Para uma proteção mais efetiva, o ideal é receber o imunizante antes do início da atividade sexual, entre os 9 e 14 anos, quando há mais chance de ainda não ter tido contato com o vírus.

Um estudo conduzido no Brasil entre 2018 e 2020 pelo Ministério da Saúde, em parceria com o Hospital Moinhos de Vento de Porto Alegre (RS), analisou a prevalência do HPV no país e a efetividade da vacina na prevenção da infecção. Entre os indivíduos não vacinados, a prevalência de HPV geral e de alto risco foi de 58,6%.

Outro dado importante revelado pela pesquisa foi que a taxa de infecção por tipos de HPV contidos na vacina quadrivalente diminuiu entre a primeira fase do estudo (2016-2017) e a segunda (2021-2023). A redução ocorreu tanto em pessoas vacinadas como não vacinadas, mostrando que a vacinação ajuda a reduzir a transmissão do vírus na população.

Nos últimos anos, a cobertura vacinal de HPV em meninas no Brasil sofreu uma queda, de 87% em 2019 para 75% em 2022. Nos meninos, a redução foi de 61,55% em 2019 para 52,16% em 2022. Em 2023, a taxa de vacinação voltou a crescer para 80% no público feminino e 60% no público masculino. Apesar do aumento, os números ainda estão distantes da meta de 90% preconizada pela OMS, necessária para de fato controlar as infecções.

A segurança e eficácia do imunizante a longo prazo também já foram comprovadas em outros locais do mundo. Na Suécia, por exemplo, pesquisadores acompanharam durante dez anos mais de 1 milhão de mulheres vacinadas e não vacinadas contra o HPV, com idades entre 10 e 30 anos. Nas mulheres que não tomaram vacina, foram registrados 538 casos de câncer de colo de útero; já nas vacinadas o número de casos foi de 19.

Veja mais detalhes sobre a vacina do Butantan

Fonte: Instituto Butantan