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quarta-feira, 15 de abril de 2026

Escorpiões causaram 65% dos acidentes com animais peçonhentos no Brasil em 2025

 

Número de mortes dobrou em relação ao ano anterior; falta de saneamento básico e demora no atendimento às vítimas aumenta chances de picada e risco de morte


O Brasil registrou 225.695 casos de picadas por escorpiões em 2025. Segundo dados do Painel Epidemiológico do Ministério da Saúde*, o aracnídeo foi responsável por mais de 65% dos acidentes com animais peçonhentos (serpentes, aranhas, lagartas, escorpiões e abelhas) registrados no período. Embora a maioria das ocorrências sejam leves (89%), as crianças são a população mais vulnerável: dos 265 óbitos registrados em decorrência do envenenamento – o dobro do ano anterior –, mais de 20% envolveram menores de 10 anos.

Os números também revelam que as pessoas que se autodeclaram pardas foram as vítimas em 55% dos casos e em 62% das mortes, refletindo as desigualdades que atingem esse público. Segundo dados do Painel Cor ou Raça no Brasil do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 56,8% da população parda e 16,1% da população preta vivem em favelas e comunidades urbanas.



Esse fator é relevante porque a ausência de infraestrutura é um dos pontos determinantes para a proliferação de escorpiões no meio urbano, zona que concentra mais de 66% dos acidentes. O aracnídeo costuma ser encontrado em redes de águas pluviais e esgotos, ambientes propícios à multiplicação de baratas – seu principal alimento. Além disso, o acúmulo de lixo e entulhos complementa o cenário de risco.

No Brasil, o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus) é o responsável pela maioria dos casos graves de envenenamento. Isso acontece devido, principalmente, à sua fácil capacidade de adaptação a ambientes antropizados (ou seja, que foram significativamente alterados pela ação humana). Outro detalhe é que as fêmeas da espécie conseguem se reproduzir sozinhas, sem necessidade de acasalamento com um macho, por conta de um fenômeno conhecido como partenogênese – o que ajuda a explicar a rápida disseminação do animal.

Perfil das vítimas e distribuição dos acidentes

Em 2025, 51% das notificações envolveram pessoas do sexo feminino e 49% do sexo masculino. Entre as faixas etárias, destacam-se os adultos entre 20 e 29 anos, que somaram quase 34 mil registros ao longo do ano passado.

A mão e os dedos costumam ser as partes do corpo mais atingidas (41,26%), seguidos pelas pernas, pés e dedos dos pés (36,9%). Geralmente, os acidentes ocorrem durante a execução de atividades domésticas ou o manuseio de objetos em quintais e depósitos, o que reforça a importância do uso de equipamentos de proteção individual, como luvas grossas e calçados fechados.

Em relação à localidade, há uma forte concentração de casos no Sudeste e no Nordeste, que juntos são responsáveis por mais de 83% das notificações. Considerando os números absolutos, São Paulo e Minas Gerais lideram o ranking nacional, com 50.178 e 42.635 notificações, respectivamente.

No entanto, o maior impacto proporcional é em Alagoas, onde o coeficiente de incidência ultrapassa os 440 acidentes por 100 mil habitantes — parte desse número pode ser atribuída à ampla presença do escorpião-do-nordeste (Tityus stigmurus) na área.

Como agir em caso de picada por escorpião

O primeiro passo é procurar atendimento médico imediatamente após o acidente, mesmo que os sintomas iniciais pareçam leves, uma vez que os dados apontam que o tempo entre a picada e o atendimento médico é fator determinante para o desfecho clínico. A taxa de letalidade salta de 0,10 entre os pacientes atendidos na primeira hora, para 0,13 entre os que demoraram de uma a três horas para receber o socorro.

Também não se deve aplicar nenhum tipo de produto, nem realizar torniquete ou compressa de gelo no local, uma vez que o frio pode potencializar a sensação de dor. A recomendação é lavar o local com água e sabão e, se possível, aquecer a região com compressas mornas, que ajudam a aliviar o desconforto.

Apesar do grande número de picadas que ocorreram em 2025 no Brasil, pouco menos de cerca de 5% dos acidentados precisaram receber o soro antiescorpiônico ou o soro antiaracnídico – ambos podem ser utilizados para o tratamento de quadros moderados ou graves de envenenamento causado por escorpiões do gênero Tityus. Produzidos pelo Instituto Butantan, os antivenenos são disponibilizados gratuitamente à população por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

* Dados coletados em 27/3/2026
FONTE: Instituto Butantan
Esta matéria foi validada pela bióloga e assistente técnica de apoio à pesquisa do Biotério de Artrópodes do Instituto Butantan Denise Candido.

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Acidentes com serpentes peçonhentas no Brasil: mais de 31 mil casos em 2024 e trabalhadores rurais como principais vítimas

 


Soro do Butantan para picada de jararaca foi o mais aplicado entre os acidentados; taxa de letalidade praticamente quadruplica quando espera por socorro supera 12 horas


Reconhecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença tropical negligenciada, os acidentes com serpentes peçonhentas continuam sendo um importante desafio de saúde pública no Brasil. Segundo o Painel Epidemiológico do Ministério da Saúde, em 2024 foram 31.735 notificações e 127 mortes em decorrência do problema no país.

Os dados mostram que os trabalhadores rurais estão entre os mais atingidos e que a região Norte concentra as maiores taxas de ocorrência. A população indígena, embora represente menos de 1% dos brasileiros, aparece proporcionalmente mais exposta. Além disso, os atrasos no atendimento médico continuam sendo um dos principais fatores que aumentam o risco de complicações e de óbito.

Impacto dos acidentes na zona rural

A análise do perfil dos acidentados em 2024 mostra que os homens representaram 76% das vítimas, enquanto as mulheres corresponderam a 24%. Já a faixa etária mais atingida foi entre 20 e 49 anos, grupo em idade produtiva.

Dados sobre o território onde os acidentes ofídicos ocorreram indicam uma possível relação do problema com o trabalho desempenhado no campo: 75% das notificações aconteceram em áreas rurais, contra apenas 20% em zonas urbanas. Também corrobora a hipótese o fato de que 18% das notificações ocorreram em contexto laboral, ainda que muitas vezes em ambiente informal – o número pode ser ainda maior, já que quase 13% das fichas não apresentavam a informação.

O local da picada no corpo também ajuda a compor o cenário, uma vez que picadas em pés e pernas correspondem a mais de 60% dos casos. Tal indicador evidencia a possível exposição dos trabalhadores rurais, frequentemente em áreas de roçado ou agricultura de subsistência, em beira de rios, mata fechada e florestas. Em muitos casos, a falta de uso de equipamentos de proteção individual aumenta ainda mais a vulnerabilidade do grupo.

Distribuição dos acidentes ofídicos e perfil das vítimas

Em 2024, a região Norte registrou a maior incidência de acidentes ofídicos, com um total de 9.400 casos e 50,35 atingidos por 100 mil habitantes – o coeficiente representa quase o triplo da média nacional, de 14,86. Considerando os números absolutos, o estado do Pará lidera o ranking com mais de 5 mil vítimas, seguido por Minas Gerais (3.357) e Bahia (3.089).

Outro aspecto relevante diz respeito ao perfil dos acidentados: 61% se autodeclararam pardos, 22% brancos, 8% pretos, 4% indígenas e 1% amarelos.

No caso dos indígenas, embora o percentual de acidentes pareça pequeno em um primeiro momento, o dado ganha peso quando comparado à participação na sociedade: de acordo com o último Censo do IBGE, eles representam menos de 1% da população total do país.

Múltiplos fatores ajudam a explicar a vulnerabilidade do grupo, visto que diversas comunidades indígenas estão localizadas em áreas rurais, florestais e ribeirinhas, sobretudo na região Norte, onde o contato com serpentes, inclusive peçonhentas, é naturalmente mais frequente.

A isso se somam as barreiras logísticas no acesso à saúde: em muitos casos, para chegar a um hospital com estrutura adequada, o paciente precisa enfrentar longas horas de deslocamento fluvial ou rodoviário. Dependendo da época do ano, a via aérea pode representar o único meio para um indivíduo em sua comunidade ou área indígena alcançar um serviço de saúde. Essa demora no atendimento aumenta o risco de complicações e pode ser decisiva para o agravamento do quadro.

Uso dos antivenenos e evolução dos casos

Outro ponto de destaque é o tratamento com antivenenos, reconhecido como a única alternativa terapêutica específica para o envenenamento ofídico. Em 2024, quase 80% dos pacientes receberam algum tipo de soro. Desse total, mais da metade recebeu o soro antibotrópico, utilizado para combater os efeitos da picada de serpentes do gênero Bothrops, como jararaca, jararacuçu, urutu e surucucu.

O Painel Epidemiológico mostra que 56% dos acidentes foram classificados como leves, 30% como moderados e 7% como graves. Entre as complicações mais frequentes estão infecção secundária, insuficiência renal, necrose e, em situações extremas, amputações.

Os números também mostram que o tempo decorrido entre o momento da picada e o atendimento médico é fator determinante: quando o socorro acontece até três horas após o acidente, a taxa de letalidade é de 0,29; porém, se a demora supera 12 horas, o coeficiente salta para 1,13.

Dia Internacional de Atenção aos Acidentes Ofídicos

Celebrada em 19 de setembro, a data busca ampliar a visibilidade para os riscos e impactos das picadas de serpentes em diferentes populações do mundo. Nesse cenário, a OMS tem como meta reduzir em 50% as mortes e incapacidades decorrentes dos envenenamentos até 2030.

No Brasil, o Instituto Butantan tem papel central no enfrentamento do problema, como principal produtor nacional de soros hiperimunes. Em 2024, foram entregues ao Ministério da Saúde mais de 420 mil frascos de antivenenos para o tratamento de agravos em decorrência das mordeduras.

O Butantan produz cinco soros antiofídicos: o antibotrópico, para envenenamento por serpente do gênero Bothrops (jararaca, jararacuçu, urutu, surucucu, comboia); o antibotrópico e antilaquético, para acidentes com serpentes do gênero Bothrops (jararaca) ou Lachesis (surucucu-pico-de-jaca); o anticrotálico, para casos de picadas por serpente do gênero Crotalus (cascavel); o antibotrópico e anticrotálico, para envenenamento por serpentes do gênero Bothrops (jararaca) ou Crotalus (cascavel); e o antielapídico para picadas de serpente do gênero Micrurus (coral verdadeira).


Essa matéria contou com a colaboração e a validação da diretora técnica de produção de soros do Butantan, Fan Hui Wen.

Fonte: Instituto Butantan

terça-feira, 1 de outubro de 2024

Picadas de aranhas são segunda causa de envenenamento no país

 

Soros antivenenos são distribuídos pelo SUS

O Brasil registrou 341.806 acidentes com animais peçonhentos ao longo de todo o ano de 2023 – sendo 43.933 ocasionados por aranhas. O número representa 12% do total. O Ministério da Saúde alerta que as aranhas respondem, atualmente, como o segundo maior causador de envenenamentos por animais peçonhentos no país, atrás apenas dos escorpiões.

“Acidentes por animais peçonhentos representam um importante desafio para a saúde pública no Brasil. Devido à rica biodiversidade e ao clima tropical favorável, o país abriga uma grande variedade de serpentes, aranhas, escorpiões e outros animais peçonhentos, cujas picadas ou mordidas podem resultar em graves consequências para a saúde humana”, destacou a pasta.

Segundo o ministério, embora apenas três grupos de aranhas causem acidentes graves no Brasil, todas fazem parte do convívio humano, seja dentro de casa, em quintais ou parques.

Os chamados soros antivenenos, incluindo o soro antiaracnídico, são distribuídos exclusivamente via Sistema Único de Saúde (SUS) e podem ser disponibilizados por hospitais públicos, filantrópicos e privados, desde que seja garantido tratamento sem custo ao paciente.

Veja as aranhas mais causadoras de acidentes

Acidentes por aranhas ou araneísmo configuram um quadro clínico de envenenamento decorrente da inoculação da peçonha de aranhas, através de um par de ferrões localizados na parte anterior do animal.

Confira, a seguir, as principais aranhas causadoras de acidentes graves no Brasil:

Loxosceles (aranha-marrom ou aranha-violino)

Os sinais e sintomas da picada incluem dor de pequena intensidade. O local acometido pode evoluir com palidez mesclada com áreas equimóticas (placa marmórea), instalada sobre uma região endurada. Também podem ser observadas vesículas ou bolhas sobre a área endurada, com conteúdo sero‐sanguinolento ou hemorrágico.

Nos casos mais graves, ocorre hemólise intravascular, de intensidade variável, sem associação direta com a extensão da lesão cutânea, tendo como principais complicações a insuficiência renal aguda por necrose tubular.

Phoneutria (aranha-armadeira ou macaca)

A dor imediata é o sintoma mais frequente. Sua intensidade é variável, podendo irradiar até a raiz do membro acometido.

Outros sintomas são inchaço por acúmulo de líquidos, manchas vermelhas na pele, formigamento ou dormência na pele e excesso de suor no local da picada, onde podem ser visualizadas as marcas de dois pontos de inoculação.

Latrodectus (viúva-negra)

Os sinais e sintomas incluem dor na região da picada, suor generalizado e alterações na pressão e nos batimentos cardíacos.

Podem ocorrer ainda tremores, ansiedade, excitabilidade, insônia, dor de cabeça, manchas vermelhas na face e pescoço. Há relatos de distúrbios de comportamento e choque, em casos graves.

O que fazer

Em caso de acidente, as orientações são:

- procurar atendimento médico imediatamente;

- fotografar ou informar ao profissional de saúde o máximo possível de características do animal, como tipo de animal, cor, tamanho;

- se possível e, caso tal ação não atrase a ida do paciente ao atendimento médico, lavar o local da picada com água e sabão;

- realizar compressas mornas, que podem ajudar a aliviar a dor;

Confira aqui a lista de hospitais de referência para soroterapia em casos de acidentes por animais peçonhentos, separada por estado, constando as cidades onde estão localizados, nomes dos hospitais, endereços, telefones.

Em caso de emergência, a recomendação é contatar imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) ou o Corpo de Bombeiros (193). Também é possível entrar em contato com o Centro de Informação e Assistência Toxicológica que atende a região onde o acidente ocorreu.
Prevenção

As medidas para prevenir acidentes com aranhas incluem:

- manter jardins e quintais limpos;

- evitar o acúmulo de entulhos, folhas secas, lixo doméstico, material de construção nas proximidades das casas;

- evitar folhagens densas (plantas ornamentais, trepadeiras, arbusto, bananeiras e outras) junto a paredes e muros das casas;

- limpar periodicamente terrenos baldios vizinhos – pelo menos numa faixa de um a dois metros junto das casas;

- sacudir roupas e sapatos antes de usá-los;

- vedar frestas e buracos em paredes, assoalhos e vãos entre o forro e as paredes, consertar rodapés despregados, colocar soleiras nas portas e telas nas janelas.

- usar telas em ralos do chão, pias ou tanques;

- afastar camas e berços das paredes e evitar que roupas de cama e mosquiteiros encostem no chão;

- inspecionar sapatos e tênis antes de calçá-los.

Fonte: Agência Brasil

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Acidentes com animais peçonhentos crescem 157% nos últimos dez anos


O Ministério da Saúde alerta que as notificações de acidentes com animais peçonhentos cresceram 157% na última década . Em 2011, foram mais de 139 mil ocorrências com 293 mortes.
Entre os meses de novembro e março, esse tipo de acidente aumenta tanto na zona rural como nas cidades. De acordo com o ministério, são inúmeras as causas, entre elas as chuvas que levam os animais a sair dos esconderijos e tocas, como escorpiões, aranhas e serpentes, e ainda coincide com o período reprodutivo de alguns deles. O desequilíbrio ecológico é outro motivo para o deslocamento dos animais para dentro das casas, em busca de local seco e comida.
Nesse período, o aumento de atividades nas lavouras acaba elevando o risco de contato e acidentes com cobras, por exemplo.
A Região Nordeste lidera os acidentes com escorpiões no país, superando 30 mil casos em 2011. O estado com o maior número foi a Bahia, com quase 10.500 casos. A Região Sul concentra os casos envolvendo aranhas - foram 18.052 registros no ano passado. O Paraná contabilizou 9.326 casos. As regiões Norte e Centro-Oeste têm o maior número de acidentes com serpentes: 9.329 e 3.326 casos, respectivamente.
Para evitar acidentes com escorpiões e aranhas, o ministério orienta que as pessoas devem usar calçados e luvas nas atividades no campo e de jardinagem; examinar calçados e roupas pessoais, de cama e banho, antes de usá-las; vedar frestas e buracos em paredes, assoalhos, forros e rodapés; usar telas, vedantes ou sacos de areia em portas, janelas e ralos; preservar predadores naturais como seriemas, corujas, sapos, lagartixas e galinhas; limpar terrenos baldios em uma faixa de pelo menos um a dois metros de proximidade ao muro ou cercas.
No caso de serpentes, a recomendação é não andar descalço na zona rural e nem em jardins; utilizar sempre sapados fechados com perneiras ou botas de cano longo, além de luvas de couro, e nunca colocar as mãos em tocas ou buracos na terra, ocos de árvores, cupinzeiros, entre espaços situados em montes de lenha ou entre pedras. Outro cuidado é controlar o número de roedores existentes na área para evitar a aproximação de serpentes venenosas que deles se alimentam. No amanhecer e no entardecer, evitar ficar próximo da vegetação rasteira ao chão, gramados ou até mesmo jardins, pois é quando as serpentes estão em maior atividade.
Para evitar acidentes com lagartas, o alerta é observar bem ambientes silvestres- troncos, folhas, gravetos - sempre que for executar alguma atividade, além do uso de luvas.
Abelhas e marimbondos são atraídos por sons, odores e cores, como barulhos de motores de aparelhos de jardinagem e de motores de popa. A recomendação é que, no campo, o trabalhador fique atento à presença de abelhas, principalmente no momento de arar a terra com tratores. As retiradas de colmeias devem ser feitas, preferencialmente à noite ou ao entardecer, momento em que os insetos estão calmos, com uso de roupa protetora, e principalmente por profissional competente.
Agência Brasil 07/11/2012