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sexta-feira, 8 de junho de 2012

SITE INVADIDO POR HACKERS


Página da Prefeitura de Rio Pardo saiu do ar e teve postagem de fotos da atriz Carolina Dieckmann






O site da Prefeitura de Rio Pardo foi invadido por hackers na tarde de ontem. Diversas fotos da atriz Carolina Dieckmann, nua, foram postadas no endereço eletrônico, além de um logotipo identificando o grupo e uma mensagem criticando "a idoneidade dos políticos brasileiros". Ao tomar conhecimento do fato, o prefeito Joni Lisboa da Rocha acionou o Departamento de Informática, determinando a retirada das fotos da atriz.

No início da noite, houve nova invasão, com a postagem de duas fotos da atriz, com os seios à mostra. De acordo com o prefeito, em 2010, o site da prefeitura já havia sido invadido por um grupo de hackers. Rocha recorreu à Polícia Civil, onde registrou ocorrência. Após ter as fotos divulgadas na Internet, recentemente, a atriz também procurou a Polícia para apurar as causas do vazamento.

A invasão do site da prefeitura foi assumida pelo hacker BrasilSecTeam, de Minas Gerais, que, inclusive, se vangloriava do feito em uma página de relacionamentos, onde entre as mensagens postadas estava "site da Prefeitura de Rio Pardo hacked http://www.riopardo.rs.gov.br/". Na página da prefeitura, além das fotos, o hacker deixou duas mensagens: "Pra frente Brasil" e "Site hacked by BrasilSecTeam".
Correio do Povo 08/06/2012


quinta-feira, 31 de maio de 2012

Matemático excêntrico, gay e espião, recebe exposição por criar códigos secretos


Alan Turing inventou a máquina Enigma, que encriptava códigos secretos


O nome “Alan Turing” traz 2,3 bilhões de resultados em 0,12 segundo, no portal de busca Google. Isso é pouco, pelo menos em comparação com alguém como Steve Jobs, que alcança cerca de 60 bilhões de resultados. Ao que parece, a memória digital esqueceu Alan Turing, embora o inglês tenha sido um de seus pioneiros. Em 2012, se completaria o centenário de seu nascimento. A exposição Genial e secreto: Alan Turing em dez etapas, no Heinz Nixdorf Museumsforum da cidade alemã de Paderborn, comemora essa data.
Excentricidade
Porém não é fácil organizar uma mostra sobre Alan Turing, especialmente por ele ter sido forçado a manter grande parte de sua vida em segredo: durante a Segunda Guerra Mundial, trabalhou para o serviço secreto britânico na decifração de códigos.
O museu de Paderborn não apresenta nenhum objeto da vida de Turing, nem um manuscrito ou carta, nem mesmo um de seus chapéus. Todo o material, que os organizadores da mostra em Paderborn tiveram à disposição, foram os resultados de pesquisas do matemático e os relatos de antigos colegas, amigos e conhecidos sobre ele.
Em parte, são histórias bizarras: ele sempre mantinha sua xícara de chá presa na calefação com um cadeado, e usava máscara de gás ao andar de bicicleta. “Ele remanejou a máscara como proteção contra sua febre do feno”, explica o curador da exposição, Jochen Viehoff.
Software e harware
Contudo, Alan Turing não era apenas excêntrico, mas sim realmente genial. Seu trabalho como matemático e lógico é descrito como a “construção de um cérebro” (building a brain).
– Seu interesse sempre foi saber se e como é possível construir uma máquina que funcione como um cérebro, que apresente uma espécie de inteligência – diz Viehoff.
Já na década de 40, Turing sabia que o software é decisivo para um tal aparelho, não sua parte física:
– Na época, construíam-se máquinas para realizar um único programa, e isso nunca lhe bastou. Por isso se diz que Alan Turing é um dos fundadores da informática e do que, hoje, reunimos sob o conceito ‘ciências de computação’.
Estátua em Manchester
Turing
Alan Turing foi um dos precursores da informática
O cientista inglês teria ficado feliz em ver como hoje há softwares que transformam qualquer computador numa máquina universal, e o smartphone num acessório quotidiano multifuncional. “Mas ficaria seguramente um pouco decepcionado por não termos alcançado, no campo da inteligência artificial, aquilo que ele previu para o ano 2000, ou seja: um computador que passe no Teste Turing”, especula o curador da mostra.
Nesse teste, um ser humano e uma máquina travariam uma conversa – um bate-papo na rede, por exemplo. Com base nesse diálogo, um árbitro deveria, então, decidir quais respostas são humanas, quais artificiais.
Anonimato
Entretanto, o nome Alan Turing está fortemente relacionado à sua atuação junto ao serviço secreto britânico. Durante a Segunda Guerra, ele trabalhou numa propriedade rural de aparência inocente, ao norte de Londres. Lá, em Bletchley Park, o centro britânico de criptoanálise, Turing desenvolveu um método para decifrar as mensagens radiofônicas dos submarinos de guerra alemães. Ele desvendou a famosa máquina de codificação Enigma, definindo os destinos do combate submarino no Atlântico Norte e provavelmente salvando numerosas vidas humanas.
Por esse trabalho como herói de guerra, sua recompensa foi o total anonimato.
– Turing teve o terrível azar de os ingleses terem decido manter sob sigilo todas as conquistas em torno da máquina alemã Enigma, mesmo após o fim da guerra – aponta Jochen Viehoff.
O então primeiro-ministro Winston Churchill mandou destruir tudo o que Turing desenvolvera. Assim, em vez de ser festejado como herói de guerra, o cientista retornou discretamente a sua profissão de professor de matemática. Somente nos anos 70 divulgou-se o que fora realizado em Bletchley Park, mas ele mesmo não viveu para receber o devido reconhecimento.
Estigma
Em 1954 o pioneiro do computador cometeu suicídio. Além de estar adiante de seu tempo, ele era homossexual – um crime na Inglaterra dos anos 50. Quando o seu romance com um rapaz veio à tona, ele foi condenado em 1952 e intimado a optar entre a prisão e um tratamento hormonal. Turing escolheu a segunda opção, e durante um ano foi-lhe aplicado o hormônio feminino estrogênio. Segundo seu biógrafo Andrew Hodges, a intenção era realizar uma “castração química”.
Os hormônios causaram um estranhamento entre o cientista e o próprio corpo, ele tornou-se depressivo. Pouco antes de seu 42º aniversário, envenenou-se com cianeto.
“Perdoe-nos, o senhor merecia um destino bem melhor”: assim, em 2009, o premiê britânico Gordon Brown pediu desculpas pela indigna perseguição a Alan Turing.
Uma vida como um roteiro de cinema. Não é difícil heroizar e idealizar o inatingível e misterioso criptoanalista. Em 1987 o dramaturgo alemão Rolf Hochhuth referiu-se a ele como “o pai do computador”, caracterizando-o como herói e galã. Em breve, a vida de Turing realmente deverá voltar a ser filmada: em Hollywood corre o boato que ele será representado por Leonardo DiCaprio. Porém nenhum astro hollywoodiano jamais será capaz de representar, de verdade, a complexa vida desse gênio misterioso.
Correio do Brasil 30/05/2012