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sexta-feira, 24 de abril de 2026

Saiba mais sobre São Jorge, celebrado dia 23 de abril

 
Santo católico foi abraçado pelo sincretismo religioso

Neste dia 23 de abril, a celebração a São Jorge reúne milhares de fieis pelo país em comemorações tradicionais. A data é feriado no estado do Rio de Janeiro desde 2008 e, desde 2019, o “Santo Guerreiro” se tornou padroeiro oficial do estado.

São Jorge é considerado padroeiro dos cavaleiros, soldados, escoteiros, esgrimistas e arqueiros. Para o catolicismo romano, religião mais numerosa no Brasil, ele representa coragem, proteção, e a ideia de que o bem derrota o mal.

Segundo o Vaticano, o santo foi morto por professar sua fé cristã diante do imperador de Roma, no ano 303.

A tradição cristã conta que ele nasceu na Capadócia, na atual Turquia, por volta do ano 280, e se tornou um soldado no exército do imperador Diocleciano, até que este ordenou uma perseguição aos cristãos.

Conhecido como mártir da Igreja Católica, as histórias sobre São Jorge são envoltas em lendas. A principal delas é a de que ele teria salvado uma princesa e matado um dragão em um pântano na Líbia.

A representação de São Jorge montado no cavalo, segurando uma lança e matando o dragão, se tornou o ícone sacro mais reconhecível relacionado a sua figura.

No Brasil, a imagem estampa camisetas, tatuagens, templos e casas de oração, em sua maioria, nas cores tradicionais vermelho e branco, ligadas à Cruz de São Jorge.

Tradição

São Jorge é um dos santos de maior apelo popular da igreja católica, além de ser cultuado também em outras religiões, como a Igreja Anglicana, e a Ortodoxa. E também marca presença no sincretismo religioso, fenômeno que ocorre quando elementos de diferentes tradições religiosas são combinados em uma única prática ou crença.

Nas religiões afro-brasileiras, umbanda e candomblé, a figura do santo é frequentemente ligada a Ogum, orixá guerreiro, senhor do ferro e das batalhas. E em algumas regiões, como o caso da Bahia, também pode ser associado a Oxóssi, orixá da caça e da fartura.

Durante a escravidão, africanos trazidos à força para o Brasil passaram a associar seus orixás a figuras católicas para manter a devoção sem ser importunados pelos escravistas cristãos, dando origem assim ao sincretismo religioso brasileiro.

No Islã a figura também aparece, sendo comumente fundido com Al-Khidr, uma figura sábia e imortal que realiza milagres e traz proteção.

Celebração

Alguns eventos marcam a celebração do Dia de São Jorge. No Rio de Janeiro, acontece, ainda no raiar do dia, a famosa “Alvorada de São Jorge”, uma queima de fogos organizada pela Igreja Matriz São Jorge em Quintino, na zona norte da cidade. Além de missas ao longo do dia.

Venerado pela cultura do samba por relações afro-religiosas, escolas de samba do estado também organizam celebrações.

Ogum é o orixá da agricultura, e o feijão é um de seus alimentos sagrados. Nas festividades de 23 de abril, é comum que espaços de religiosidade sirvam feijoada consagrada ao orixá, costume que, devido ao sincretismo religioso, se espalhou pela cidade.

Vestígio histórico

Em 1969, sob a liderança do papa Paulo VI, a festa de São Jorge saiu do calendário oficial do Vaticano, e, de festa litúrgica, passou a ser memória facultativa. O motivo seria a falta de registros históricos de peso em torno da sua figura.

Um texto publicado pela Vatican News, o portal de notícias oficial e multilíngue da Santa Sé, reconhece: “São inúmeras as narrações fantasiosas que nasceram em torno da figura de São Jorge”.

Um registro antigo, epígrafe grega do ano 368, descoberta em Eraclea de Betânia, teria uma das raras referências ao santo, ao falar da “casa ou igreja dos santos e triunfantes mártires, Jorge e companheiros”.

Acredita-se que seus restos mortais estão na Igreja de São Jorge em Lida, cidade israelense situada perto de Telavive. Já o seu crânio está conservado na igreja de São Jorge em Velabro, em Roma, por desejo do Papa Zacarias.

FONTE: Agência Brasil

sexta-feira, 22 de novembro de 2024

Guinness premia Fernanda Montenegro por recorde de público em leitura


A atriz Fernanda Montenegro foi agraciada com o reconhecimento do Guinness Book pelo recorde mundial de leitura filosófica na apresentação de Simone de Beauvoir no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, dia 18 de agosto de 2024, quando reuniu um público de 15 mil pessoas.
Na cerimônia em que recebeu a premiação, Fernanda agradeceu pelo feito mundial reconhecido pela publicação. “Milagres acontecem. A nossa cultura é o nosso país. A cultura teatral é o homem através dos milênios. Em qualquer lugar do mundo sempre tem a presença de alguém falando para alguém, a visão de uma vivência que traz um texto, um contraste, uma variação do momento que se vive, uma transcendência do momento em que se vive, até o bom humor do momento em que se vive. Isso é do palco. Então, eu agradeço Simone de Beauvoir pelas 15 mil pessoas dentro do Ibirapuera”, disse a atriz emocionada.

Fernanda Montenegro exaltou o clima harmonioso do público que permaneceu no local durante toda a apresentação em que estava sentada diante de uma mesa e falando textos de Simone de Beauvoir.

“Isso acontece em algum lugar do mundo? Só falando para 15 mil pessoas só falando, só trazendo ideias nada fáceis de serem absorvidas e ninguém vai embora. Todo mundo aceita cada fala que se fala e termina aplaudindo e abraçando um ao outro dentro de um espaço com 15 mil pessoas. Por mais que a gente agradeça a Deus e aos deuses não é suficiente”, disse a atriz no vídeo postado em seu perfil no Instagram.

Também na rede social, em texto, a atriz dividiu “em agradecimento, este prêmio, com todo o público que esteve presente neste grande encontro entre arte e educação. Meu abraço especial ao @itau que tornou esta leitura possível”.

Nos comentários, várias pessoas elogiaram a atriz, entre elas a jornalista e apresentadora Fátima Bernardes. “Nunca vamos conseguir agradecer suficientemente # tudo o que você fez e faz pela arte e pelo nosso país. Que orgulho!”.

Fonte: Agência Brasil

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Leitura é um hábito que se adquire pelo exemplo, diz escritora


 No Dia Nacional do Livro, comemorado hoje (29), a especialista em literatura infantil e escritora Ieda de Oliveira ressaltou que a leitura é um hábito passado essencialmente pelo exemplo. “A transição entre ouvir as histórias contadas pelos pais e ler as histórias tem que ser uma busca própria da criança”, disse. Ela ainda ressalta que os pais não devem fazer restrições quanto à literatura escolhida por seus filhos “Ela pode trazer discussões interessantes para a família”.
Ieda de Oliveira avalia que atualmente existe muitas opções de boa literatura infantil, que instiga o espírito crítico da criança. “Isso abre portas, influencia muito na formação do indivíduo”, ressaltou. A literatura infantil não serve para, ensinar, empurrar informações”, acentua. "Educar é conduzir. É tratar o leitor como ser inteligente, é orientar a aprendizagem e não adestrar", completou.
"Eu me educo quando leio Guimarães Rosa, eu me educo quando leio Jorge Amado, tanto quanto me educo quando leio Ana Maria Machado. Educo-me ainda diante de uma tela de Renoir ou ouvindo Mozart ou Chico Buarque de Holanda. Quando o artista, por meio de um domínio técnico, conduz o seu leitor para fora de si mesmo, levando-o, pelo prazer estético, a refletir e olhar o mundo a sua volta, estabelecendo novos sentidos, ele o está educando. Cada um trabalhando com sua matéria-prima, que no caso do escritor é a palavra ", ressaltou.
A escritora acredita que o brasileiro está lendo mais. “Não podemos assegurar que o conteúdo é bom, mas está aumentando o número de indivíduos que leem. Estamos vendo um movimento do governo de melhorar o acesso aos livros. Os meios de informação também estão tendo uma função muito importante de difundir a papel que a leitura tem na vida das pessoas.”
Ieda vê nas redes sociais, não uma concorrente da literatura, mas uma forma de divulgação, não só da literatura como de todas as formas de artes. “Um amigo, ou amigo de amigo publica uma resenha, diz que aprecia um quadro, isso chega como um estímulo a mergulhar no mundo das artes”, disse.
Agência Brasil

sábado, 27 de outubro de 2012

Lançamento da coleção Biblioteca Básica Brasileira marca comemorações pelos 90 anos de Darcy Ribeiro


A Fundação Darcy Ribeiro lançou  a coleção Biblioteca Básica Brasileira, uma iniciativa idealizada em 1962 pelo professor e antropólogo Darcy Ribeiro com o objetivo de “apresentar o Brasil aos brasileiros”. O lançamento é parte das comemorações de nascimento de Darcy Ribeiro que, se vivo estivesse, estaria completando amanhã (26) 90 anos.
A fundação distribuirá gratuitamente 360 mil livros para todas as bibliotecas públicas do país. O primeiro volume da coleção, América Latina: A Pátria Grande, reúne ensaios sobre a identidade latino-americana e a urgência de sua integração. Darcy destaca o papel de liderança que o Brasil assumiria no bloco político internacional. "Com um olhar visionário, é como se o autor, graças à lucidez de suas análises e à validade intocada de cada palavra escrita, ao buscar respostas, tivesse antecipado o que aconteceria em toda a América Latina", avalia os responsáveis pelo projeto.
Segundo informações da Fundação Darcy Ribeiro, a ideia da biblioteca foi formulada quando Darcy tornou-se o primeiro reitor da Universidade de Brasília – UnB e concebida com o objetivo de proporcionar aos brasileiros um conhecimento mais profundo de sua história e cultura.
Na ocasião, o ele reuniu um grupo de intelectuais e professores para, juntos, criarem o que seria a universidade do futuro. “Era o sonho de uma geração que confiava em si, que reivindicava – como Darcy fez ao longo da vida – o direito de tomar o destino em suas mãos”, diz a nota distribuída pelos organizadores.
Segundo a nota, dessa entrega "generosa" nasceu a Universidade de Brasília e com ela, muitos outros sonhos e projetos, como a coleção Biblioteca Básica Brasileira. Em 1963, quando ministro da Educação, Darcy Ribeiro viabilizou a publicação dos primeiros dez volumes da BB, com tiragem de 15 mil coleções, ou seja, 150 mil livros.
Agência Brasil

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Hábito de ler está além dos livros, diz um dos maiores especialistas em leitura do mundo


Um dos maiores especialistas em leitura do mundo, o francês Roger Chartier destaca que o hábito de ler está muito além dos livros impressos e defende que os governos têm papel importante na promoção de uma sociedade mais leitora.
O historiador esteve no Brasil para participar do 2º Colóquio Internacional de Estudos Linguísticos e Literários, realizado pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Em entrevista à Agência Brasil, o professor e historiador avaliou que os meios digitais ampliam as possibilidades de leitura, mas ressaltou que parte da sociedade ainda está excluída dessa realidade. “O analfabetismo pode ser o radical, o funcional ou o digital”, disse.
Agência Brasil: Uma pesquisa divulgada recentemente indicou que o brasileiro lê em média quatro livros por ano (a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada pelo Instituto Pró-Livro em abril). Podemos considerar essa quantidade grande ou pequena em relação a outros países?
Roger Chartier: Em primeiro lugar, me parece que o ato de ler não se trata necessariamente de ler livros. Essas pesquisas que peguntam às pessoas se elas leem livros estão sempre ignorando que a leitura é muito mais do que ler livros. Basta ver em todos os comportamentos da sociedade que a leitura é uma prática fundamental e disseminada. Isso inclui a leitura dos livros, mas muita gente diz que não lê livros e de fato está lendo objetos impressos que poderiam ser considerados [jornais, revistas, revistas em quadrinhos, entre outras publicações]. Não devemos ser pessimistas, o que se deve pensar é que a prática da leitura é mais frequente, importante e necessária do que poderia indicar uma pesquisa sobre o número de livros lidos.
ABr: Hoje a leitura está em diferentes plataformas?
Chartier: Absolutamente, quando há a entrada no mundo digital abre-se uma possibilidade de leitura mais importante que antes. Não posso comparar imediatamente, mas nos últimos anos houve um recuo do número de livros lidos, mas não necessariamente porque as pessoas estão lendo pouco. É mais uma transformação das práticas culturais. É gente que tinha o costume de comprar e ler muitos livros e agora talvez gaste o mesmo dinheiro com outras formas de diversão.
ABr: A mesma pesquisa que trouxe a média de livro lidos pelos brasileiros aponta que a população prefere outras atividade à leitura, como ver televisão ou acessar a internet.
Chartier: Isso não seria próprio do brasileiro. Penso que em qualquer sociedade do mundo [a pesquisa] teria o mesmo resultado. Talvez com porcentagens diferentes. Uma pesquisa francesa do Ministério da Cultura mostrou que houve uma redistribuição dos gastos culturais para o teatro, o turismo, a viagem e o próprio meio digital.
ABr: Na sua avaliação, essa evolução tecnológica da leitura do impresso para os meios digitais tem o papel de ampliar ou reduzir o número de leitores?
Chartier: Representa uma possibilidade de leitura mais forte do que antes. Quantas vezes nós somos obrigados a preencher formulários para comprar algo, ler e-mails. Tudo isso está num mundo digital que é construído pela leitura e a escrita. Mas também há fronteiras, não se pode pensar que cada um tem um acesso imediato [ao meio digital]. É totalmente um mundo que impõe mais leitura e escrita. Por outro lado, é um mundo onde a leitura tradicional dos textos que são considerados livros, de ver uma obra que tem uma coerência, uma singularidade, aqui [nos meios digitais] se confronta com uma prática de leitura que é mais descontínua. A percepção da obra intelectual ou estética no mundo digital é um processo muito mais complicado porque há fragmentos e trechos de textos aparecendo na tela.
ABr: Na sua opinião, a responsabilidade de promover o hábito da leitura em uma sociedade é da escola?
Chartier: Os sociólogos mostram que, evidentemente, a escola pode corrigir desigualdades que nascem na sociedade mesmo [para o acesso à leitura]. Mas ao mesmo tempo a escola reflete as desigualdades de uma sociedade. Então me parece que, também, é um desafio fundamental que as crianças possam ter incorporados instrumentos de relação com a cultura escrita e que essa desigualdade social deveria ser considerada e corrigida pela escola que normalmente pode dar aos que estão desprovidos os instrumento de conhecimento ou de compreensão da cultura escrita. É uma relação complexa entre a escola e o mundo social. E é claro que a escola não pode fazer tudo.
ABr: Esse é um papel também dos governos?
Chartier: Os governos têm um papel múltiplo. Ele pode ajudar por meio de campanhas de incentivo à leitura, de recursos às famílias mais desprovidas de capital cultural e pode ajudar pela atenção ao sistema escolar. São três maneira de interação que me parecem fundamentais.
ABr: No Brasil ainda temos quase 14 milhões de analfabetos e boa parte da população tem pouco domínio da leitura e escrita – são as pessoas consideradas analfabetas funcionais. Isso não é um entrave ao estímulo da leitura?
Chartier: É preciso diferenciar o analfabetismo radical, que é quando a pessoa está realmente fora da possibilidade de ler e escrever da outra forma que seria uma dificuldade para uma leitura. Há ainda uma outra forma de analfabetismo que seria da historialidade no mundo digital, uma nova fronteira entre os que estão dentro desse mundo e outros que, por razões econômicas e culturais, ficam de fora. O conceito de analfabetismo pode ser o radical, o funcional ou o digital. Cada um precisa de uma forma de aculturação, de pedagogia e didática diferente, mas os três também são tarefas importantes não só para os governos, mas para a sociedade inteira.
ABr: Na sua avaliação, a exclusão dos meios digitais poderia ser considerada uma nova forma de analfabetismo?
Chartier: Me parece que isso é importante e há uma ilusão que vem de quem escreve sobre o mundo digital, porque já está nele e pensa que a sociedade inteira está digitalizada, mas não é o caso. Evidente há muitos obstáculos e fronteiras para entrar nesse mundo. Começando pela própria compra dos instrumentos e terminando com a capacidade de fazer um bom uso dessas novas técnicas. Essa é uma outra tarefa dada à escola de permitir a aprendizagem dessa nova técnica, mas não somente de aprender a ler e escrever, mas como fazer isso na tela do computador.
Agência Brasil

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Ministérios da Cultura e da Educação querem tornar escolas públicas espaço de produção


Os ministros da Cultura, Ana de Hollanda, e da Educação, Fernando Haddad, assinam hoje (8) acordo de cooperação técnica sobre a política de cultura para a educação básica. Será às 11h no Ministério da Cultura. O objetivo é fazer da escola um espaço de produção. O pacto prevê, inicialmente, seis ações entre as duas pastas, com orçamento estimado em R$ 80 milhões.
Projetos como os Pontos de Cultura, Pontos de Memória (museus), as Bibliotecas, os Agentes de Leitura, o Cine Mais Cultura e os espaços culturais estão entre as ações previstas no acordo a serem implementadas nas escolas públicas a partir do próximo ano. A ideia é possibilitar também maior acesso dos alunos a livros de arte e a demais acervos culturais. Está prevista ainda a formação continuada dos professores de arte e a definição de uma política de cultura para os currículos escolares.
Agência Brasil 08/12/2011