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quarta-feira, 19 de julho de 2017

Problemas ambientais atingem de forma drástica os mais pobres, afirma pesquisador da UFRJ

Impactos de grandes obras e ações políticas são direcionadas a populações mais carentes, afirmou o pesquisador na aula inaugural do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Rural da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Henri Acserald comprovou a informação através de uma análise histórica

Historicamente os eventos climáticos extremos e processos de degradação ambiental atingem mais diretamente os menos favorecidos. Este foi o tema apresentado pelo doutor em Planejamento, Economia Pública e Organização do Território pela Université Paris 1, Henri Acserald, que comprovou a informação através de uma análise histórica. Na última sexta-feira, 10 de junho, ele foi o convidado da aula inaugural do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Rural da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

O histórico apresentado pelo pesquisador iniciou com os princípios da industrialização que, no surgimento do capitalismo, passa a gerar dois produtos: bens materiais, que são os desejáveis e o efeito da produção destes bens, que seria a degradação ambiental e inicialmente de forma mais potencial a poluição. Neste processo, afirma Acserald, a Terra passa a se configurar como espaço mercantil, mas ainda existe outro, denominado por ele não não-mercantil, no qual são comercializados ou negociados os impactos. 

Durante a aula inaugural Henri resgatou um episódio ocorrido em 1995 em que um relatório do Banco Mundial vazou à imprensa contendo informações sobre a “economia política da vida e da morte”, que recomendava poluir os países pobres por dois motivos:  as pessoas nestes lugares viviam menos e suas mortes teriam um custo menor devido os seus salários menores.

Avançando até a atualidade o pesquisador relatou dados sobre o rompimento da barragem da Samarco/Vale em Mariana, em Minas Gerais, em novembro de 2015. Um dos critérios para a implantação de grandes obras tem sido a cor da população, que vai “clareando” conforme afasta-se da zona de risco. Henri, no entanto, fez a ressalva de não necessariamente a cor teria a ver com a baixa renda. Citando o pesquisador David Harvey, em uma análise feita em 1995, ele levanta a questão da existência de lugares com vantagens competitivas, nos quais haveria uma conivência maior com os impactos das atividades industriais. Seria um avanço predatório planejado e projetado sobre o meio ambiente e as populações mais desassistidas. Henri concluiu sua fala frisando que a atual degradação da esfera política está diretamente relacionada com o nosso modelo extrativista, tendo o agronegócio como base, e repleto de projetos de grandes obras de infraestrutura, o mesmo modelo que fragiliza ainda mais as estruturas sociais e os mais pobres.

EcoAgência

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

MP vê risco de extinção de 100% das espécies de peixes do Rio Doce e inicia coleta de animais



SÃO PAULO (Reuters) - O Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Espírito Santo vão iniciar na noite desta quinta-feira uma operação com o apoio de pescadores e entidades ambientais para a coleta de peixes do Rio Doce, em Colatina (ES), para evitar a extinção de 100 por cento das espécies que habitam o leito do rio com a chegada da lama das barragens da mineradora Samarco, que romperam na semana passada em Mariana (MG).
A operação, denominada "Arca de Noé", contará com apoio operacional da Samarco, uma joint venture da brasileira Vale com a anglo-australiana BHP Billiton. Os animais serão levados para lagoas em Colatina e em Linhares (ES) e, possivelmente, locais próximos a uma hidrelétrica em Baixo Guandú (ES).
"A ideia é de que o trabalho de recolhimento dos peixes se inicie ainda na noite desta quinta-feira, 12 de novembro, uma vez que a lama está prevista para chegar a Colatina neste sábado e o trabalho terá que ser feito antes disso. Um funcionário da prefeitura deverá acompanhar os trabalhos", informou o MPF em comunicado.
"Como ainda não há uma análise completa da presença de metais pesados na água do Rio Doce, não há certeza de que os peixes estão ou não contaminados. Além disso, os órgãos ambientais não autorizaram a pesca indiscriminada, tendo ficado permitidos apenas o resgate e a soltura dos animais em locais predeterminados."

O rompimento de duas barragens da Samarco em Mariana deixou ao menos oito mortos, mais de 20 desaparecidos e centenas de desabrigados. A enxurrada de lama destruiu o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, e contaminou o Rio Doce.