sexta-feira, 5 de setembro de 2025

Programação do Dia da Amazônia mobiliza para COP30

 
Tema escolhido para a data ressalta que preservação é soberania

Como parte da celebração do Dia da Amazônia, comemorado nesta sexta-feira (5), organizações, movimentos sociais e coletivos da sociedade civil promovem, em ao menos oito estados, mais de 20 atividades para ampliar a conscientização sobre a emergência climática e incrementar a mobilização para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que será em Belém, entre os dias 10 e 21 de novembro.

Maior bioma brasileiro, a Amazônia vai sediar neste ano a mais importante conferência climática do mundo por meio da capital paraense, e o tema das comemoração deste ano é “Celebrar a Amazônia e os biomas é soberania”. As atividades abordarão as ameaças e a crise climática como fatores relevantes para a soberania nacional e o dia a dia das pessoas em todo o planeta. Segundo os organizadores, soberania também significa proteger os povos, a terra e a vida. Ao mesmo tempo, cada atividade pretende comemorar a abundância da Amazônia e dos demais biomas brasileiros.

“Ao celebrar a Amazônia e todos os biomas, os organizadores querem reforçar a potência dos povos originários e das comunidades tradicionais, quilombolas, ribeirinhas e camponesas, que são referência inclusive para as populações urbanas", diz a organização do evento em texto de divulgação da programação.

"A importância das comunidades e territórios para a proteção da Amazônia e dos demais biomas deve ser reconhecida, e aponta caminhos como resposta a uma urgência real, uma vez que os impactos das mudanças climáticas já são sentidos na rotina das populações, no Brasil e no mundo. Por isso, a data também é um chamado global no circuito de mobilizações para a COP30”.

Integrante do Coletivo Reocupa, Deuza Brabo disse que a programação também quer mostrar a multiplicidade da Amazônia Legal.

“Existem inúmeras Amazônias dentro da Amazônia. A maioria das atividades ocorre em locais públicos para aproximar as comunidades. Com o tema deste ano, a gente pretende mostrar o quanto a Amazônia é potente, mas que há eventos extremos climáticos, de devastação”.

Além do coletivo de Deuza Brabo, participam da organização a Associação Cultural Na Cuia – Comitê de Comunicadores Populares das Baixadas de Belém; a Associação Intercultural de Hip-Hop Urbanos da Amazônia; a Comissão Solidária Vila da Barca; o Coletivo Etinerâncias ─ Assessoria Popular em Redes de Cuidado e Direitos Humanos; o Fórum Paraense de Juventudes; o Instituto Clima e Sociedade (ICS); o Instituto Mapinguari; o LabExperimental e Condô Cultural; o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB); o Observatório do Marajó; o Projeto Aldeias; a Rede Emaranhadas e a Seja Democracia.

Belém (PA)

A Organização Seja Democracia e o Cursinho Popular Ágora farão uma aula pública com três estações. Na primeira, “COP30 na Quebrada”, haverá um debate sobre como megaeventos intensificam vulnerabilidades; na segunda, “Saberes Ribeirinhos”, serão mesclados o conhecimento tradicional e a ciência climática; na terceira, “Lambe-lambe Poético”, serão colados trechos de fanzines como intervenção urbana. Durante a aula, os materiais produzidos serão distribuídos gratuitamente, convertendo o espaço em um manifesto vivo. Às 8h30, no Pontão de Icoaraci, na Travessa do Cruzeiro com Rua Siqueira Mendes.

Também na capital paraense, a Comissão Solidária Vila da Barca promoverá uma feira gastronômica com participantes do “Roteiro Cozinha Periférica”, projeto que formou mais de 20 mulheres ao longo de quatro meses em “Conhecimento Histórico e Ancestral”, “Empreendedorismo”, “Técnicas de Fogo e Fogão” e “Noções de Marketing Digital”. Durante o festival, as participantes apresentarão seus pratos, que concorrerão ao prêmio “Cozinha Criativa Periférica”, com votos do público presente. Haverá apresentações culturais, espaços para fomentar a economia criativa e ações artísticas e práticas sustentáveis. A atividade será na Comunidade da Vila da Barca, na Travessa Magno de Araújo e na Rua Professor Nelson Ribeiro,Telégrafo, Belém, às 17h.

Dentro do projeto “Dia da Amazônia: Juventudes que Ecoam”, organizado pelo Fórum Paraense de Juventudes ─ coletivos e lideranças jovens do Pará, com apoio do programa Fortalecendo Legados & Ampliando Horizontes, haverá rodas de conversa, exibição de filmes, oficinas, intervenções urbanas e experiências sensoriais que conectam ancestralidade, ecologia, inovação e cultura popular. Na Casa Aberta, na Rua Ó de Almeida, 1062, Reduto, haverá, das 14h às 16h, a roda de conversa “Amazônia Is Burning: Um Diálogo entre Clima e Cultura Ballroom”, com Watare Maniva. E, das 16h às 18h, a vivência cultural “Acarimbolando a Amazônia ao Som da Natureza”, com Roberto Porto. Inscrições pelo formulário https://forms.gle/QRVjxdtA5X4F5zxp8.

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) fará uma ação de visibilidade e distribuição de mudas no Guamá, na entrada da Universidade Federal do Pará, das 8h às 12h.

Ananindeua (PA)

A Associação Cultural Na Cuia e o Comitê de Comunicadores Populares das Baixadas de Belém lançam a Campanha #ClimaDeVerdade, com uma série de formações, escutas e produções comunitárias. Será na comunidade do Açaizal, com roda de conversa com a temática: Vozes da Periferia contra a Desinformação Climática Com Samilly Maré Cheia (IBAMCA), Xan Marçall (Casa Cura) e Paulie (Na Cuia) e roda de conversa de Cartografia Afetiva com Beatriz Lacerda (Afroamazonida). A atividade vai acontecer das 9h às 17h, com café da manhã e almoço coletivo, na Casa Cura. Mais informações e inscrições: https://www.instagram.com/nacuia_org/

Manaus (AM)

O Festival Grito Rua, no Formigueiro Skate Park, no Parque da Juventude Ajuricaba, bairro São José Operário, das 16h às 23h, reunirá DJs, batalhas de rima, intervenções artísticas, campeonato de skate, feira criativa de empreendedores locais e espaço kids, oferecendo uma programação diversa e acessível para toda a família. O evento é uma iniciativa da Associação Intercultural de Hip-Hop Urbanos da Amazônia – AIHHUAM, em parceria com o coletivo Orígenas. Mais do que entretenimento, o Grito Rua é um chamado à ocupação dos espaços públicos e à valorização da cultura como instrumento de transformação social e ambiental.

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) promove o 31° Grito dos Excluídos e Excluídas 2025, com concentração na Rotatória Novo Aleixo, Alameda Alphaville, às 15h.

São Paulo (SP)

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) fará o “Sextou em Defesa da Amazônia e da Soberania”, com concentração no Teatro Municipal no Centro, às 16h.

Porto Velho (RO)

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) promoverá um ato em defesa da Amazônia, no Baixo Rio Madeira, às 9h.

Fonte: Agência Brasil

quinta-feira, 4 de setembro de 2025

Desmatamento é responsável por mais de 28 mil mortes anuais por calor

 
Efeitos são ainda mais graves em países de baixa renda, diz estudo

Estudo internacional  avalia o impacto do desmatamento de florestas tropicais sobre a saúde humana. A pesquisa utilizou, de forma inédita, uma escala pantropical, que inclui todas as regiões tropicais do mundo: Américas, África e Ásia.

Apesar das variações regionais, os resultados apontaram que, em todas as regiões tropicais, há uma ligação direta entre perda de floresta, aumento de temperatura local e elevação de mortalidade. Ao todo, são aproximadamente 28 mil mortes por ano. A pesquisa alerta que quase todas as mortes são evitáveis.

O trabalho foi publicado na revista científica Nature Climate Change, liderado pelo Instituto de Ciência do Clima e Atmosfera da Universidade de Leeds (Reino Unido), em colaboração com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Universidade Kwame Nkrumah de Ciência e Tecnologia (Gana).

Segundo a investigação, em quase 20 anos (entre 2001 e 2020), 345 milhões de pessoas foram expostas ao aquecimento local resultante do desmatamento em regiões tropicais. Em média, as populações experimentaram um aumento de 0,27 °C na temperatura da superfície terrestre durante o dia. Segundo os pesquisadores responsáveis pelo estudo, esse valor pode parecer modesto, mas tem efeitos diretos sobre a mortalidade.

Em termos de impacto à saúde, a consequência mais grave revelada pelo estudo é a estimativa de 28.330 mortes não acidentais por ano atribuídas ao calor induzido pelo desmatamento, com intervalo de confiança de 23.610 a 33.560 mortes anuais.

O Sudeste Asiático lidera o impacto com 15.680 mortes por ano, impulsionado principalmente pela vulnerabilidade da população da indonésia ao calor. A África tropical, embora com maior número de pessoas expostas e taxas de mortalidade geral mais altas, apresenta menor vulnerabilidade térmica, totalizando 9.890 mortes por ano. As Américas Central e do Sul tropical, com forte aquecimento, mas menor densidade populacional nas áreas afetadas, somam 2.520 mortes anuais.

DESMATAMENTO


A perda de cobertura florestal no período analisado foi de cerca de 1,6 milhão de km², sendo 760 mil km² nas Américas Central e do Sul tropical, 490 mil km² no Sudeste Asiático e 340 mil km² na África.

O desmatamento coincidiu com aumentos significativos de temperatura. Regiões que mantiveram cobertura florestal preservada apresentaram aquecimento médio de +0,20 °C, enquanto áreas desmatadas chegaram a aquecer +0,70 °C — mais de três vezes acima da média. Entre as áreas de 1 km² que registraram os maiores aumentos de temperatura (acima de quatro desvios padrão da média), 60% sofreram desmatamento no período analisado.

Os pesquisadores destacam que o aquecimento induzido pelo desmatamento reduz a produtividade laboral e expõe milhões de pessoas a condições perigosas de trabalho ao ar livre.

Estima-se que, apenas entre 2003 e 2018, 2,8 milhões de trabalhadores tropicais foram expostos a níveis de calor que ultrapassam os limites térmicos seguros para o trabalho ao ar livre. Além do desempenho físico e cognitivo comprometido, a exposição ao calor extremo está ligada a doenças cardiovasculares e aumento de mortalidade por causas diversas.

Esses efeitos são ainda mais graves em países de baixa renda, onde o acesso a tecnologias adaptativas como ar-condicionado é limitado. A população mais pobre, frequentemente vivendo em regiões tropicais, enfrenta dupla vulnerabilidade: aos efeitos diretos do calor e à precariedade dos sistemas de saúde e infraestrutura para redução dos impactos.

“Além da regulação climática, os serviços ecossistêmicos florestais são essenciais para o bem viver e a qualidade de vida das populações locais. Assim, a redução do desmatamento também é uma questão de saúde pública, pois evitamos mortes por calor e garantimos condições climáticas mais favoráveis para populações em situação de vulnerabilidade que dependem diretamente desses ecossistemas”, destaca a pesquisadora da Fiocruz Piauí, Beatriz Oliveira, coautora do estudo.

*Com informações da Fiocruz

Fonte: Agência Brasil

terça-feira, 2 de setembro de 2025

Implante contraceptivo deve ser ofertado por planos a partir de hoje

 


O Implanon passa a ser de oferta obrigatória pelos planos de saúde

A partir desta segunda-feira (1º), planos de saúde devem incluir em sua cobertura, de forma obrigatória, o implante subdérmico contraceptivo liberador de etonogestrel, conhecido como Implanon.

De acordo com decisão da diretoria colegiada da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), publicada em agosto, a medida vale para mulheres com idade entre 18 e 49 anos como forma de prevenção à gravidez não desejada.

SUS

Em julho, o Ministério da Saúde informou que vai disponibilizar o Implanon via Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo a pasta, o método é considerado vantajoso em relação aos já existentes por sua longa duração, já que age no organismo por até três anos, e pela alta eficácia.

Até 2026, o governo federal estima distribuir 1,8 milhão de dispositivos, sendo 500 mil ainda este ano. O investimento será de aproximadamente R$ 245 milhões. Atualmente, o produto custa entre R$ 2 mil e R$ 4 mil.

Além de prevenir a gravidez não planejada, o acesso a contraceptivos, de acordo com o ministério, também contribui para a redução da mortalidade materna, em alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). A pasta tem o compromisso de reduzir em 25% a mortalidade materna geral e em 50% a mortalidade materna entre mulheres negras até 2027.


COMO FUNCIONA O IMPLANON

O implante subdérmico atua no organismo por até três anos, sem necessidade de intervenções durante esse período. Após o prazo, ele deve ser retirado e, se houver interesse, um novo dispositivo pode ser inserido imediatamente.

A fertilidade, segundo o Ministério da Saúde, retorna rapidamente após a remoção do implante.

Entre os contraceptivos atualmente oferecidos no SUS, apenas o DIU de cobre é classificado como Larc (sigla em inglês para contraceptivos reversíveis de longa duração), considerados mais eficazes no planejamento reprodutivo por não dependerem do uso contínuo ou correto por parte da usuária, como acontece com anticoncepcionais orais ou injetáveis.

Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

Por hora, 14 crianças são internadas por acidentes; saiba como evitar

 
Estudo aponta que hospitalizações cresceram 2% em relação a 2023

Em 2024, 121.933 crianças e adolescentes até 14 anos foram internados no Brasil vítimas de acidentes. Em média, são 334 hospitalizações por dia, o que representa cerca de 14 internações por hora em razão desses episódios.

Os dados fazem parte de um levantamento da Aldeias Infantis SOS, organização que lidera um movimento global sobre cuidados de crianças, jovens e famílias. O estudo foi elaborado a partir de informações do DataSUS, do Ministério da Saúde.

QUEDAS LIDERAM AS INTERNAÇÕES


As quedas são a principal causa de lesões não intencionais de crianças e adolescentes, respondendo por 44% dos casos ou 54.056 internações. Logo em seguida estão queimaduras (19% ou 23.412 casos) e acidentes de trânsito (10% ou 12.196 ocorrências). Outras causas de internação envolvem intoxicações (3%), afogamentos (0,21%), sufocamentos (0,48%) e incidentes com armas de fogo (0,07%).

Em relação a 2023, o total de internações de crianças e adolescentes cresceu 2,2%. A maior alta foi nos casos de afogamento, com elevação de 11,8%, seguido de sufocamento (+11,2%) e acidentes de trânsito (+7,8%).

MORTES


O mesmo estudo também analisa o número de crianças e jovens que morreram em decorrência de acidentes, a partir de dados de 2023. Ao todo, foram registradas 3.398 mortes por acidentes na faixa etária até 14 anos. Isso significa que, a cada dia, nove crianças perdem a vida em acidentes que poderiam ser evitadas em 90% dos casos, de acordo com a organização.

O número representa um aumento de 5% em relação a 2022. As principais causas foram sufocamento (30%), acidentes de trânsito (26%) e afogamento (26%). Foi registrado um crescimento de 20% das mortes por armas de fogo. Os óbitos causados por acidentes de trânsito aumentaram 8%, assim como relacionados a afogamentos. As mortes decorrentes de quedas cresceram 6%, e as provocadas por sufocamentos, 3%. No período, caíram apenas as mortes decorrentes de intoxicações (-3%) e queimaduras (-1%).

ACIDENTES POR FAIXA ETÁRIA


A pesquisa aponta que a faixa etária mais atingida por esses acidentes é entre 10 e 14 anos, com 36% das internações, seguida por crianças de 5 a 9 anos (35%) e de 1 a 4 anos (23%). Bebês com menos de 1 ano representam 5% dos registros.

De acordo com o estudo, a concentração de casos no intervalo de 5 a 14 anos, que totalizam 71% das internações, pode ser explicada pela maior autonomia de crianças e adolescentes nessa faixa etária. Como circulam mais livremente, também ficam mais expostos.

PREVENÇÃO


A Aldeias Infantis SOS e o Ministério da Saúde recomendam algumas medidas simples que podem evitar acidentes nesta faixa etária.

CONFIRA:

Para evitar sufocamento, mantenha o lençol sempre ajustado ao colchão e fique atento para que o rosto do bebê não fique encoberto;

Evite o contato da criança com peças pequenas, como clipes, botões, moedas e anéis. Ofereça brinquedos grandes e adequados para a faixa etária;

Uma das principais causas de sufocamento é por alimentos. Evite oferecer a comida quando a criança estiver agitada, brincando ou dentro do carro em movimento;

Evite que a criança tenha contato com sacos plásticos, cordões e fios;

Não deixe a criança sozinha em cima de móveis e use barreiras, grades e redes de proteção em escadas e janelas;

Não deixe a criança sob os cuidados de outra criança;

Não deixe a criança sozinha na banheira e mantenha-a afastada de baldes, tanques, vasos, poços e piscinas. Mesmo um nível baixo de água pode causar afogamento;

Bebês devem ser transportados sempre no bebê conforto ou na cadeirinha. Após os 7 anos e meio, as crianças deixam de usar a cadeira de transporte infantil, mas devem continuar sentando no banco de trás do carro, presas por um cinto de segurança de três pontas;

Mantenha produtos de limpeza, medicamentos e produtos de higiene pessoal fora do alcance da criança, de preferências em armários altos e/ou trancados;

Limite o acesso da criança à cozinha;

Dê preferência por usar as bocas de trás do fogão e deixe os cabos das panelas virados para a parte central;

Fique atento ao forno ligado, ferro de passar roupas, chapinha de cabelos, aquecedor e outros equipamentos quentes;

Coloque protetores nas tomadas.

Fonte: Agência Brasil