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domingo, 27 de setembro de 2026

Setembro Verde: idosos também podem ser doadores vivos de órgãos

 
Doação depende de avaliação completa da saúde de quem vai doar

Em 2023, Arivaldo Sampaio, à época com 69 anos, viu o filho perder a função do único rim que tinha após passar por hemodiálise quase diária. Com o transplante como única opção, toda a família se colocou à disposição como um possível doador – inclusive Arivaldo. O resultado: compatibilidade total entre pai e filho.

De acordo com o Ministério da Saúde, um doador vivo pode doar um dos rins, parte do fígado, parte da medula ou parte dos pulmões, sendo que a compatibilidade sanguínea é necessária em todos os casos.

Para doar um órgão em vida, o médico deve avaliar a história clínica do doador e doenças prévias, mas a idade não é limitação.

“Tive a felicidade de descobrir que eu era compatível. Esse momento, para mim, foi um momento de graça. Foi uma graça divina mesmo”, contou Arivaldo à Agência Brasil.

Ele conta que ficou aflito por receio de o rim estar saudável. “Me perguntava como estará esse rim. Funcionalmente ele estará bem? Pode mesmo ser doado? Fizemos todos os exames e, graças a Deus, fui considerado apto.”

Segundo Arivaldo, a recuperação após a doação do órgão ao filho foi tranquila, sobretudo por ter sido acompanhado por uma equipe altamente qualificada e com muita empatia. “Meu filho já saiu com o rim funcionando”.

Três anos depois, Arivaldo tem uma rotina de praticar atividade física pelo menos cinco vezes na semana, incluindo corrida, musculação e alongamento. Uma vez ao ano, ele passa por consultas e exames no Hospital Universitário de Brasília (HUB), que coordenou todo o processo do transplante.

“Tudo isso é uma prova de que, quando você procura se cuidar, você consegue chegar numa idade mais avançada com mais qualidade de vida. Sou formado em educação física, sou professor, lecionei por 30 anos na rede pública e sempre ensinei aos meus alunos que nossa velhice é consequência do que a gente faz antes, no dia a dia.”

Cenário

Em 2025, o Brasil teve o registro de 4.335 doadores efetivos – uma taxa de 20,3 doadores por milhão de pessoas, o maior número já registrado. Ainda assim, 49,4 mil brasileiros aguardam atualmente na fila de transplantes, segundo dados do Sistema Nacional de Transplantes.

No caso de doadores vivos, a legislação brasileira permite a doação entre parentes de até o quarto grau, além de cônjuges, sem necessidade de autorização judicial.

Para pessoas que não têm esse grau de parentesco, a doação também pode ser realizada, mas depende de autorização judicial.

Cuidados

O médico nefrologista da Unidade de Transplantes do HUB, Geraldo Freitas, explicou que, no caso específico de doadores vivos, a avaliação é mais cuidadosa, já que tem como objetivo principal garantir a segurança tanto de quem recebe como também de quem doa.

“Afinal, trata-se de uma pessoa saudável que, de forma voluntária e altruísta, decide doar um de seus órgãos. Nosso objetivo é minimizar ao máximo os riscos desse procedimento e garantir que o doador possa seguir sua vida com segurança e boa saúde após a doação.”

Quando o doador vivo tem mais de 60 anos, a análise, segundo o médico, tende a ser ainda mais cuidadosa em relação a riscos futuros decorrentes da retirada do órgão. A avaliação é individualizada e envolve exames de sangue, urina, avaliação da função dos rins, exames de imagem, avaliação cardiovascular.

“É uma questão interessante. Por um lado, com o envelhecimento, aumenta a possibilidade de a pessoa apresentar doenças como hipertensão, diabetes ou problemas cardiovasculares, que podem aumentar os riscos da cirurgia e da própria doação.”

A decisão, de acordo com Freitas, é baseada não apenas em números e envolve o estado geral de saúde, a expectativa de vida, a possibilidade de a pessoa permanecer saudável com um único rim e também se os riscos da cirurgia são aceitáveis. “Envolve uma avaliação completa do doador”.

“Ao mesmo tempo, também avaliamos o receptor e o próprio órgão que será doado, verificando se ele apresenta condições adequadas para o transplante e se há uma boa perspectiva de funcionamento prolongado após a cirurgia. Em resumo, precisamos encontrar equilíbrio: garantir que a doação seja segura para quem doa e que o órgão ofereça uma boa perspectiva para quem recebe.”

O médico reforçou que, de maneira isolada, a idade avançada não representa exclusão automática para a doação em vida, mas, à medida em que uma pessoa envelhece, há maior probabilidade de desenvolver quadros como hipertensão, diabetes ou alterações da função renal, exigindo investigação detalhada.

“É verdade que, com o envelhecimento, aumenta a frequência de algumas doenças que podem contraindicar a doação. Mas, quando essas doenças estão ausentes, associado à função renal adequada, e a avaliação médica demonstra que o indivíduo apresenta boas condições para o procedimento, ela pode ser uma doadora.”

FONTE: Agencia Brasil

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Saiba como manifestar intenção de doar órgãos por meio de cartórios

 
Setembro Verde é dedicado à conscientização sobre o assunto

Mais de 32 mil brasileiros já utilizaram cartórios de notas para manifestar formalmente a intenção de doar órgãos, desde o lançamento da Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (Aedo), em 2024.

O assunto ganha importância durante o Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos, em um país onde mais de 49 mil pessoas aguardam atualmente por um transplante.

Segundo o Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal (CNB/CF), o procedimento é gratuito e realizado integralmente pela internet. O interessado acessa a plataforma da Aedo, disponível no e-Notariado, preenche seus dados e escolhe um cartório de notas para realizar o procedimento.

Na sequência, participa de uma videoconferência com o tabelião para confirmar sua identidade e sua desejo de doar órgãos. O documento é assinado eletronicamente e passa a integrar a Central Nacional de Doadores de Órgãos, que pode ser consultada pelos profissionais autorizados do Sistema Nacional de Transplantes.

A pessoa pode indicar quais órgãos, tecidos ou partes do corpo deseja doar e revogar a autorização a qualquer momento. Todo o procedimento pode ser realizado sem necessidade de comparecimento presencial ao cartório.

Oferta e demanda

Dados dos Cartórios de Notas mostram que 32.587 solicitações de Aedo já foram realizadas no país. Foram 18.659 em 2024, 8.886 em 2025 e outras 5.042 em 2026, segundo os dados mais recentes da plataforma. Essa queda por ser atribuída a menos campanhas de divulgação da iniciativa.

São Paulo concentra o maior número de manifestações desde a criação do serviço, com 9.399 solicitações, seguido por Paraná (3.818), Rio de Janeiro (2.930), Minas Gerais (2.172) e Rio Grande do Sul (2.012). A Aedo registra solicitações em todas as unidades da Federação.

Os números se inserem em um cenário no qual a demanda por transplantes permanece elevada no país. Dados do Ministério da Saúde divulgados este mês apontam que mais de 49 mil pessoas aguardam por um transplante no Brasil, sendo cerca de 45 mil por um rim.

Somente na fila por uma córnea estão 37.719 pessoas, segundo levantamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), número 15% maior que o registrado em dezembro de 2025.

Autorização familiar

Um dos principais desafios tem sido a autorização familiar. No Brasil, a retirada de órgãos após a morte depende da concordância da família, mesmo quando a pessoa manifestou em vida o desejo de ser doadora.

Atualmente, a taxa média de recusa familiar gira em torno de 45%, e entre os motivos apontados estão o desconhecimento sobre a vontade do potencial doador, além de dúvidas e receios relacionados ao procedimento.

É neste contexto que a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos permite que o cidadão deixe formalmente registrada sua decisão.

“A decisão final continua sendo da família. Por isso, tão importante quanto registrar a vontade de ser doador é conversar sobre ela. A Aedo permite que essa manifestação fique formalizada e ajuda a levar esse assunto para dentro das famílias, para que elas conheçam previamente a decisão de quem deseja doar”, afirma Eduardo Calais, presidente do CNB/CF.

No próximo dia 27 de setembro, é celebrado o Dia Nacional de Doação de Órgãos, data criada para estimular a discussão sobre o tema e incentivar as pessoas a comunicarem aos familiares sua vontade de serem doadoras.

FONTE: Agencia Brasil

terça-feira, 3 de setembro de 2024

Fila para transplantes de córnea no país quase triplica em uma década

Média nacional de espera é 194 dias

O número de pacientes na fila de espera por um transplante de córnea no Brasil quase triplicou nos últimos dez anos, passando de 10.734 em 2014 para 28.937 em junho de 2024. São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais lideram o ranking de espera, com cerca de 12,5 mil pacientes. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (2) pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).
Em nota, a entidade avalia que a pandemia da covid-19 impactou significativamente os procedimentos eletivos. O aumento mais expressivo na fila de espera por um transplante de córnea foi registrado exatamente em 2020, quando o total saltou de 12.212, em 2019, para 16.337, um crescimento de 33%.

Nos anos seguintes, a lista de espera por um transplante de córnea continuou a aumentar: 20.134 em 2021; 23.946 em 2022; e 26.905 em 2023. Os dados se referem ao Sistema Único de Saúde (SUS) e às redes privada e suplementar.

Além da interrupção de cirurgias eletivas na pandemia, o CBO cita insuficiência de doadores e melhorias na gestão de transplantes.

Número de pacientes

De 2014 a junho de 2024, um total de 146.534 pacientes realizaram transplante de córnea. Atualmente, a Região Sudeste responde pelo maior número de pacientes em lista de espera ao longo dos anos. São Paulo lidera o ranking – no estado, a fila teve um aumento considerável, sobretudo entre 2019 (2.835) e 2023 (4.587).

No Rio de Janeiro, houve um crescimento acentuado da fila entre 2021 (2.898) e 2023 (4.274) – quase 50% em apenas dois anos. Rio Grande do Sul e Pernambuco também mostraram avanço rápido no número de pacientes em espera. O primeiro passou de 52 em 2014 para 1.299 em 2023, enquanto o segundo passou de 86 para 1.272 no mesmo período.

No Ceará e no Amazonas, a lista de espera por um transplante de córnea apresentou queda acentuada de 67% e 77%, respectivamente, durante o período. Amapá e Roraima não apresentaram dados durante o período analisado.

Tempo de espera

Em relação ao tempo de espera para realização dos transplantes, a média nacional é de 194 dias, pouco mais de 6 meses. Dos 26 estados e o Distrito Federal, encabeçam o ranking com maior tempo de espera o Maranhão (595 dias) e Pará (594 dias), ambos com algo em torno de 19 meses. No extremo oposto aparecem Ceará, com 63 dias de espera, Paraná, com 119, e Pernambuco, com 121 dias.

Para o CBO, o modelo vigente tem levado a distorções na assistência, como a existência de filas onde pacientes levam anos para serem atendidos. “Há casos pontuais de pacientes que aguardaram 190 meses, ou seja, 16 anos para realizar uma cirurgia de transplante de córnea, como aconteceu no Rio Janeiro. Também há situações que chamam a atenção como no Ceará (159 meses), no Pará (152 meses), em Minas Gerais (129 meses) e em Goiás (94 meses)”.

Capacidade

O conselho estima que, para zerar a atual fila de espera por transplantes de córnea, seria necessário praticamente dobrar a capacidade anual de transplantes. “No ano passado, o país registrou 16.027 procedimentos, um aumento significativo em relação aos anos anteriores, mas ainda insuficiente para atender à crescente demanda”, informou o CBO.

Este ano, até junho, foram contabilizados 8.218 transplantes de córneas, sendo que quase 3 mil deles em São Paulo.

O Brasil conta, atualmente, com 651 equipes treinadas para realizar transplantes de córnea, distribuídas em 429 serviços habilitados. Alguns, segundo o conselho, destacam-se pelo maior número de especialistas preparados, como o Hospital de Olhos Capixaba, no Espírito Santo, e o Centro Oftalmológico de Minas Gerais, que têm 14 equipes cada um.

“Todos os estados brasileiros contam com times preparados para execução desse procedimento, porém, a maioria dos especialistas está no Sudeste e no Sul”, destacou a entidade. São Paulo registra 210 equipes transplantadoras de córnea, seguido por Minas Gerais (72), Rio de Janeiro (65) e Espírito Santo (31). Fora desse eixo, surgem como destaques Paraná (30), Rio Grande do Sul (28) e Santa Catarina (24).

Demanda

“Apesar da capacidade operacional instalada e dos números crescentes no volume de transplantes, não tem sido possível absorver com rapidez a demanda crescente”, alerta a entidade, ao citar que os números mostram um aumento significativo na fila de espera em comparação aos transplantes efetivamente realizados.

Outra demanda classificada pelo CBO como fundamental é assegurar uma distribuição equitativa dos recursos, sobretudo em regiões onde a infraestrutura de saúde ocular é menos desenvolvida. “A situação atual requer ações coordenadas entre o governo e as organizações de saúde para expandir e otimizar os serviços de transplante de córnea no Brasil”, defende o CBO.

Conscientização

Outra estratégia citada pela entidade no intuito de reduzir a fila de espera por transplantes de córnea consiste em aumentar a conscientização sobre a importância da doação de órgãos e também sobre os investimentos em infraestrutura dos chamados bancos de olhos em todo o país.

Para isso, a entidade defende a continuidade de campanhas educativas sobre o tema e melhorias no sistema de captação e de distribuição de córneas como medidas necessárias para reverter uma tendência preocupante.

Os números e toda a temática envolvendo transplantes de medula serão discutidos durante a 68ª edição do Congresso Brasileiro de Oftalmologia, organizado pelo CBO e que acontece entre os dias 4 e 7 de setembro em Brasília.

Fonte: Agência Brasil

terça-feira, 31 de julho de 2012

Ministério da Saúde e Facebook fecham parceria para incentivar doação de órgãos no Brasil


Uma parceria entre o Ministério da Saúde e a rede social Facebook quer ampliar o número de transplantes feitos no Brasil. Uma ferramenta, já disponível no perfil do usuário da rede social, possibilita que ele manifeste o desejo de ser doador de órgãos. Ainda assim, a doação só poderá acontecer após autorização da família.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a estratégia consiste em usar as redes sociais para aumentar o diálogo com a população brasileira. Ele lembrou que, atualmente, quase 80 milhões de brasileiros têm acesso a internet e quase 40 milhões usam o Facebook.
“Esta parceria facilita que qualquer indivíduo deixe clara a sua opção de ser doador, de registrar em vida que deseja ser um doador”, disse. “Acreditamos que vamos criar um burburinho e dialogar com o público jovem para que, desde o começo, possa optar por registrar o desejo de ser doador”, completou.
O vice-presidente do Facebook para a América Latina, Alexandre Hohagen, explicou que a nova ferramenta permite aos usuários declararem a intenção de serem doadores de órgãos em apenas alguns minutos e compartilhar a informação com os amigos e membros da família que também têm perfil na rede social.
“Para doar órgãos, é fundamental que haja o conhecimento e o consentimento da família. No momento em que isso for necessário, a família e os amigos saberão da intenção das pessoas. Esta estratégia não substitui o caminho formal, mas ajuda a tornar a intenção mais clara”, concluiu.
Quem tiver interesse em utilizar a ferramenta deve entrar em seu perfil no Facebook, clicar em Atualizar Status, escolher a opção Evento Cotidiano e, em seguida, a opção Saúde e Bem-Estar.
Agência Brasil 30/07/2012

domingo, 18 de dezembro de 2011

POR QUE NÃO UMA SEGUNDA VIDA?


Por que não uma segunda vida? Por que não a segunda chance? Por que não se salvar um número maior de vidas através de transplantes? Por falta de educação ou conscientização das comunidades? Por falta de organização governamental ou pela longa e interminável logística dos processos de transplantes? Por desinteresse dos médicos que atuam em UTIs e Emergências? Por mitos criados com referência à mutilação de corpos e venda de órgãos após a morte? Por motivos da oposição das pessoas ainda em vida? Por preconceitos culturais ou religiosos?
No Brasil, muitas pessoas têm se beneficiado deste manifesto gesto de amor que compreende a doação de órgãos em ocasiões tensas, de muito stress e de difícil decisão, ou seja, em momentos de perda de entes queridos, geralmente, em situações traumáticas da vida - por exemplo: jovens envolvidos em acidentes de trânsito, episódios de morte encefálica decorrentes de Acidentes Vasculares Cerebrais (Derrames Cerebrais) ou ferimentos por arma de fogo.
Realmente a família que sofre com a morte tem todo o direito de refletir, de se entristecer, de decidir, de negar ou de aceitar a ideia de doação de órgãos que poderão salvar várias vidas e permitir “segunda vida a alguém”. Porém, neste momento, dependendo da conscientização familiar e de conversas previamente existentes entre seus membros, a decisão de doar poderia ser menos difícil.
Existe no País uma lista de espera com 63.000 pessoas necessitando de doação de órgãos; grande parte delas falece aguardando; mais de 30.000 aguardam por rim (metade dos pacientes em hemodiálise poderiam se beneficiar de transplante!!!), 23.000 aguardam córneas e mais de 5.000 por doação de fígado. No último ano, foram realizados somente 3.000 transplantes de rim e 668 de fígado. Portanto, como se pode evidenciar, a demanda é muito maior do que a oferta. Como se pode reverter o quadro acima descrito e proporcionar a pessoas que estão em fila de transplantes a possibilidade de realizá-los e de ter uma chance de continuar vivendo com qualidade de vida? “Doação” é a palavra mestra, a pedra fundamental.
E o tempo urge, porque para o receptor cada segundo na espera se assemelha a uma eternidade. O transplante parte da sociedade e retorna imediatamente à sociedade sob o formato de solidariedade, de amor e de vida.
Na Espanha, 35 indivíduos por milhão de habitantes são doadores, nos Estados Unidos da América, 20, e no Brasil, 10 pessoas por milhão de habitantes. A meta do Ministério da Saúde é dobrar este número em 10 anos e, para que isto ocorra, deve-se iniciar de pronto a mudança de conduta social que fará com que esta necessidade seja atendida.
É público e notório que a população tem de ser informada. E como fazê-lo? Através de educação, de conversa entre as pessoas leigas ou não, de palestras proferidas por pessoal que esteja vinculado ao setor saúde, de desmistificação em qualquer lugar ou em qualquer hora, de tornar simples a conversa difícil sobre “a morte e o morrer” – é bom lembrar que o ciclo da vida no qual estamos inseridos contempla o nascer, o viver, o crescer e o morrer – e que da utilização dos órgãos do ser que morre poder-se-á proporcionar vida a outros que ocupam lugar em longas filas de transplantes e que em qualquer momento poderão ser nossos queridos filhos ou amados pais.
No momento, somente importa a decisão familiar, não havendo legalmente possibilidade de confirmação por documento de identidade.
Os órgãos podem ser transplantados de mortos para vivos (córneas, rim, fígado, coração, pulmão, pâncreas), desde que sejam constatados, de maneira correta, critérios de morte encefálica, muito bem definidos por protocolo - ética e minuciosamente - elaborado pelo Conselho Federal de Medicina; ou através de vivos para vivos, por exemplo: medula óssea, fígado ou rim, desde que o doador lúcido e coerente concorde através de consentimento informado por escrito ao juiz. Uma vez que se obtenha o consentimento é realizada a retirada de órgãos através de procedimento cirúrgico. Os beneficiados-receptores são comunicados; o corpo do doador é entregue a família para o sepultamento e os transplantes serão realizados por equipes altamente especializadas.
A sobrevida após transplante pode ser normal ou muito próxima do normal. Outras pessoas e famílias poderão usufruir a presença viva e saudável de seus filhos, pais ou irmãos em decorrência da doação. Portanto, a sociedade deve ser sensibilizada e mobilizada; as famílias devem refletir; as pessoas devem dialogar, conversar, pensar e executar conscientemente, o ato extremo e belo resumo do amor - que se expressa por doação de órgãos. Por que não?
Médico-chefe UTI Geral ACSCRG; coordenador da Organização Procura de Órgãos - SES/RS