O estudo “Carvoaria Amazônia”, produzido pelo Greenpeace, mostra irregularidades na cadeia de produção do ferro gusa. Siderúrgica envolvida contesta acusações.
A ação dos ativistas quer chamar a atenção para a cadeia de produção do ferro gusa, matéria-prima do aço, que tem deixado um rastro de destruição na Amazônia, denuncia a organização ambientalista. Simultaneamente ao protesto, a ong lançou o relatório “Carvoaria Amazônia: como a indústria de aço e ferro gusa está destruindo a floresta com a participação de governo”, que coletou informações ao longo de dois anos sobre a atividade no Norte do Brasil.
Carvão: a raiz do problema
O estudo do Greenpeace afirma que a cadeia de produção do ferro na região amazônica do país inclui desmatamento, trabalho escravo e desrespeito a povos indígenas. E ainda: gigantes como Ford, General Motors, Nissan, Mercedes, BMW e a produtora de equipamentos agrícolas John Deere teriam participação indireta nessas irregularidades. Cerca de 80% de todo o ferro gusa ligado à devastação da região são exportados para os Estados Unidos para abastecer essas marcas.
A matéria-prima é extraída em Carajás, nos territórios do Pará, Amazonas e Tocantins. A região se tornou um polo de produção de ferro a partir da década de 1980 – de lá para cá mais de 40 altos-fornos se instalaram no local, operados por 18 empresas guseiras. A demanda por carvão para alimentar os altos-fornos deu origem a inúmeras carvoarias.
“O que sobrou de mata amazônica no Maranhão está dentro de áreas protegidas ou são terras indígenas. E essas áreas têm sido invadidas por madeireiros que buscam madeira para exportação e consumo interno e para produção de carvão”, acusa Adário. Dados oficiais mostram que 75% da floresta original que cobria o estado já foram desmatados.
O uso de mão de obra análoga à escrava em carvoarias isoladas no meio da mata é, segundo a Comissão Pastoral da Terra, de conhecimento das autoridades: entre 2003 e 2011, foram libertados mais de 2.700 trabalhadores em situação degradante. Muitas dessas carvoarias, diz o relatório, usam madeira obtida de forma ilegal para produzir o carvão. Esse combustível irá, mais tarde, aquecer os altos-fornos para transformar o ferro gusa.
No final de 2011, o Ibama comprovou que as maiores siderúrgicas do Pará utilizam carvão ilegal na produção do ferro-gusa. “Mais do que isso, as siderúrgicas fomentam o desmatamento da floresta amazônica em todo o sul e sudeste paraense para obter o carvão de que precisam, acobertando essa origem irregular com Guias Florestais fraudadas”, afirmou Luciano da Silva, coordenador da operação que foi batizada como Saldo Negro.
O Ibama estimou, por exemplo, que o consumo de carvão vegetal da Siderúrgica do Pará, empresa de porte médio, correspondeu nos últimos cinco anos a 370 quilômetros quadrados de desmatamento ilegal.
Viena Siderúrgica contesta acusações
Outra empresa problemática, afirma Paulo Adário, é a Viena Siderúrgica. O navio Clipper Hope, impedido de atracar pelos ativistas do Greenpeace, será carregado com ferro gusa obtido nos altos-fornos dessa companhia e seguirá para os Estados Unidos.
Questionada, a Viena Siderúrgica disse que foi surpreendida com o teor do relatório Carvoaria Amazônia. “Documentos em poder da empresa, tais como licença de operação e comprovação de regularidade no sistema DOF administrado pelo Ibama, comprovam a regularidade dos fornecedores no período em que a Viena manteve negociações com estes”, escreveu Wanderley M. dos Santos, advogado da siderúrgica, em resposta à DW Brasil.
Ainda segundo o advogado, “a siderúrgica repudia todas as práticas citadas pelo relatório, reafirmando que sempre trabalhou para ser reconhecida pelas práticas sócio-ambientais adequadas, por projetos de transformação social nas comunidades próximas à empresa e pela transparência de suas ações”.
Solução para o problema
Para o Greenpeace, não basta que o governo brasileiro combata as ilegalidades sociais e ambientais. “As montadoras, construtoras e outros consumidores de aço precisam identificar se os fornecedores de ferro gusa processado com carvão vegetal respeitam as leis brasileiras”, exige a ong.
Esse grandes consumidores, adiciona Paulo Adário, precisam adotar procedimentos para monitorar se sua cadeia de suprimento não destrói a floresta, não contém matéria-prima proveniente de áreas protegidas ou de terras indígenas, nem emprega mão de obra análoga à escrava.
Leia o documento na integra: Carvoaria Amazônia – Como a indústria de aço e ferro gusa está destruindo a floresta com a participação de governos
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sexta-feira, 18 de maio de 2012
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Dia da Terra com florestas
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| Ilustração Guilherme Munhoz |
Precisamos mobilizar 1.4 milhão de pessoas em todo o Brasil para se juntarem à nossa luta contra a destruição das nossas florestas.
Assine a petição e junte-se a nós, cobrando dos governantes uma solução! A Terra e o Brasil precisam de uma voz: a sua!
Juntos podemos levar para o Congresso uma lei popular pelo fim da destruição das florestas. Entre na Liga das Florestas. Assine, compartilhe, ajude a salvar a flora e a fauna nacionais e participe da construção de um futuro verde para o Brasil.
quarta-feira, 11 de abril de 2012
KAKÁ 1 x 0 DESMATAMENTO
Jogador Kaká adere à campanha pela lei do Desmatamento Zero no Brasil. Foto: Divulgação
Número um no ranking dos brasileiros mais seguidos no Twitter, o jogador de futebol Kaká, que atua no clube Real Madri, da Espanha, é uma das mais de 75 mil pessoas que querem o Desmatamento Zero no Brasil. O atacante publicou esta noite, em sua página do Twitter, que apoia a campanha pela preservação das florestas e que já assinou a petição pela lei de iniciativa popular. Um golaço para o time brasileiro.
Kaká foi alertado sobre a campanha do Greenpeace por um dos programas mais famosos da TV espanhola, o El Intermédio. Dono de uma lista de dar inveja a qualquer twitteiro de plantão, com mais de 9,6 milhões de seguidores, o jogador foi citado no programa para se juntar à luta de seus conterrâneos.
O El Intermedio vai ao ar toda semana de segunda a quinta, em horário nobre, com audiência em torno de um milhão de telespectadores. No programa da última segunda-feira (9), os apresentadores chamaram os espectadores a enviar mensagens ao Twitter do Kaká a fim de convencê-lo a assinar. Não foi preciso muito esforço. Na noite desta terça o jogador honrou sua cidadania e assinou pela proteção da maior floresta tropical do mundo, a Amazônia brasileira.
O objetivo também é, através da influência do jogador, chamar todos os brasileiros que vivem na Espanha – além dos que o acompanham daqui mesmo – a se unir a ele. “Se conseguirmos o apoio do Kaká para a lei do Desmatamento Zero temos certeza de que muitos brasileiros também o farão, a proposta será levada ao Congresso, e poderemos salvar a Amazônia”, disseram os apresentadores.
Eles citaram ainda o projeto do Código Florestal que tramita no Congresso e que pode destruir cerca de 700 mil km² de floresta liberando-a às indústria madeireira e ao agronegócio predatório e criminoso. Eles lembraram que a mudança da lei ambiental elevaria as emissões do país em até 29 gigatoneladas de CO2, e levaria à extinção mais 100 mil espécies florestais.
Junte-se ao Kaká, ao Fernando Henrique, à Marina Silva, à Camila Pitanga, ao Marcos Palmeira, à Maria Paula e aos mais de 75 mil brasileiros que já aderiram à campanha. Assine você também.
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