sábado, 14 de julho de 2012

Metade dos mortos por gripe A em Santa Catarina teve tratamento tardio, diz ministério


Dos primeiros 28 pacientes que morreram este ano em Santa Catarina após contrair a influenza A (H1N1) – gripe suína, 14 tiveram acesso tardio ao medicamento antiviral oseltamivir, conhecido pelo nome comercial Tamiflu. Eles tomaram o remédio mais de cinco dias após o início dos sintomas. A conclusão faz parte de um estudo divulgado hoje (13) pelo Ministério da Saúde. Os técnicos do ministério analisaram as primeiras 28 das 52 mortes causadas pela doença no estado.
A eficácia do antiviral é maior nas primeiras 48 horas desde o surgimentos dos sintomas. "Se antes tínhamos indícios, agora temos informações concretas de que o tratamento, no momento adequado, ainda não está sendo adotado em todos os serviços", disse o diretor do Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch. "Consideramos de fundamental importância que os profissionais prescrevam e forneçam, o mais rápido possível, o antiviral", alertou.
Algumas das pessoas mortas, que tiveram o tratamento tardio, também apresentam histórico de mais de um atendimento em serviços de saúde, antes da última internação. A investigação do ministério aponta ainda a presença de comorbidades (quando duas ou mais doenças têm causas relacionadas) no perfil de parte das vítimas. As principais doenças identificadas foram cardiopatias, pneumopatias, obesidade e diabetes, predominantemente entre homens de 40 a 59 anos de idade.
Uma equipe do Ministério da Saúde foi enviada ao estado de Santa Catarina no último dia 15 de junho, a pedido da Secretaria Estadual de Saúde. Os técnicos revisaram prontuários de atendimento e fizeram visitas domiciliares para complementar as informações.
Os médicos de todo o país estão orientados a prescrever o Tamiflu aos pacientes que apresentarem quadro de síndrome gripal, mesmo antes dos resultados de exames ou sinais de agravamento. A síndrome gripal se caracteriza pelo surgimento simultâneo de febre, tosse ou dor de garganta, somados à dor de cabeça, dor muscular ou nas articulações.
O medicamento foi retirado esta semana da lista de substâncias sujeitas a controle especial. Com a medida, o Tamiflu passou a ser comercializado nas farmácias com receita médica simples, e não mais em duas vias. O antiviral também está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS).
Agência Brasil

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Pinguins podem ter sido vítimas de ciclones, diz veterinário

causa da morte de pelo menos 512 pinguins-de-magalhães, encontrados entre as praias de Tramandaí e Quintão no Litoral Norte gaúcho, ainda é um mistério para os especialistas. Para o veterinário que presta serviços para o Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos (Ceclimar), Derek Amorim, os animais podem ter sido vítimas de fenômenos meteorológicos como a ocorrência de ciclones. “Nessa época do ano, é comum os pinguins deixarem as colônias localizadas na Argentina em busca de comida. Eles migram até o litoral sul de São Paulo em busca de comida e depois de pegarem peso e retornam para casa”, destacou. 
Segundo Amorim, os animais são jovens e não apresentavam manchas de óleo no corpo ou estavam machucados. “O que é interessante é que foi uma quantidade muito grande de animais mortos em uma faixa de terra pequena entre as plataformas de Tramandaí e Cidreira”, comentou. Conforme ele, as correntes oceânicas podem ter contribuído para trazer os pinguins para a costa gaúcha. 
Grande parte dos animais foi encontrada entre as plataformas de Tramandaí e Cidreira entre quarta e quinta-feira. Eles estavam espalhados ao longo de um trecho de 50 quilômetros entre as duas praias. Na manhã desta sexta-feira, pesquisadores do Ceclimar da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e do Batalhão Ambiental da Brigada Militar percorreram as praias de Tramandaí, Cidreira e Quintão e recolheram cerca de 30 animais para análise nos laboratórios de veterinária da universidade.
Amorim e a estudante de Biologia Marinha Bruna Maldaner, acompanhados de soldados do Batalhão Ambiental da Brigada Militar, seguiram até o Farol de Dunas Altas, em Quintão. De acordo com o veterinário, o restante dos animais que estão na praia serão recolhidos pelas prefeituras de Tramandaí e Cidreira.
O sargento do Batalhão Ambiental de Tramandaí, Marco Antônio Fortes, disse que o batalhão recebeu ligações de moradores que foram encontrando ao longo da praia diversos animais mortos. “Uma equipe do batalhão fez a vistoria e acionou o Ceclimar que em um primeiro momento identificou mais de 300 animais mortos”, destacou.
Ele ressaltou ainda que é normal aparecerem pinguins mortos nesta época do ano, ao recordar que, em 2011, foram encontrados 800 animais no Litoral gaúcho. O resultado, que apontará a causa da morte dos animais, deverá ser conhecido em 30 dias.

Migração é comum nesta época do ano, diz veterinário

Durante o trabalho de recolhimento das espécies na orla gaúcha, o veterinário Derek Amorim explicou que a migração dos pinguins-de-magalhães (Spheniscus Magellanicus) vivos é comum nesta época do ano. Segundo Amorim, os animais são provenientes da Patagônia e provavelmente estavam em busca de comida.
Durante a inspeção realizada nas praias de Tramandaí, Cidreira e Quintão, os animais foram marcados com tinta amarela pelos especialistas. No entanto, na medida em que realizavam a retirada dos animais da praia, os especialistas do Ceclimar e os soldados do Batalhão Ambiental da Brigada Militar encontravam mais animais mortos.
Grande quantidade do pinguins foi encontrada entre as guaritas de salva-vidas de número 159 e 160 na praia de Tramandaí. O trabalho da equipe do Ceclimar e do Batalhão Ambiental chamou a atenção dos poucos frequentadores que se arriscaram a enfrentar o frio e o vento do litoral gelado do Litoral Norte gaúcho.
Os pinguins encontrados na litoral do Rio Grande do Sul pesavam de 2 a 2,3 quilos e possuem 45 centímetros de altura. A idade média da espécie é de 18 anos e o habitat natural é a zona costeira do Chile e da Argentina.

Fonte:Jornal Correio do Povo 13/07/2012

















Pinguins: morte por causas naturais



Os pesquisadores da Ufrgs avaliaram que os 512 pinguins encontrados mortos no Litoral Norte do RS morreram de causas naturais. O Ceclimar chegou a essa conclusão em razão das condições em que os animais foram encontrados e pela experiência em estudos com a espécie. Para o biólogo que atua no caso, Maurício Tavares, a maioria dos pinguins encontrados na última semana era jovem. "Aves que estão no primeiro ano de vida são inexperientes", disse. Todos estavam no mesmo estágio de decomposição, além de magros, com alta carga parasitária, ausência de lesões externas e de óleo na plumagem. "Todos esses aspectos associados à entrada de frentes frias são condizentes com o padrão de encalhes observado no Litoral. E, mesmo com a grande concentração de animais entre Tramandaí e Cidreira, de 368, esses fatores indicam ser o fenômeno fruto do processo de seleção natural", conclui Tavares.

Jornal Correio do Povo 17/07/2012

Suspensão de venda de planos de saúde que descumprem prazos já está em vigor


A suspensão da comercialização de 268 planos de saúde pela Agência Nacional de Saúde Complementar (ANS) começa a valer hoje (13). A medida foi tomada para punir as operadoras do serviço pelo descumprimento de prazos para marcação de exames, consultas e cirurgias, motivo frequente de reclamações de usuários em todo o país.  
Os planos têm prazo até setembro para se adequar às regras estabelecidas pela ANS, caso contrário, ficam sujeitos a multas que variam de R$ 80 mil a R$ 100 mil. De acordo com a agência, os usuários das operadoras suspensas continuarão sendo atendidos normalmente e não deverão ser prejudicados pela medida.
Segundo a Resolução Normativa 259 da ANS, para consultas básicas, o cliente deve esperar no máximo sete dias úteis para conseguir o atendimento. Para outras especialidades, o prazo é 14 dias e para procedimentos de alta complexidade, 21 dias.
De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, os planos que tiveram a venda suspensa correspondem a apenas 7% do total de usuários. No país, existem 1.016 operadoras, que comercializam cerca de 22 mil planos. Atualmente, 47,6 milhões de brasileiros estão vinculados a um plano médico, o equivalente a quase um quarto da população.
A lista das operadoras punidas é a seguinte:
Admédico Administração de Serviços Médicos a Empresas Ltda,
Administradora Brasileira de Assistência Médica Ltda,
ASL – Assistência à Saúde,
Assistência Médico Hospitalar São Lucas S/A,
Beneplan Plano de Saúde Ltda,
Casa de Saúde São Bernardo S/A,
Centro Clínico Gaúcho Ltda,
Centro Transmontano de São Paulo,
Excelsior Med S/A,
Fundação Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte,
Fundação Waldemar Barnsley Pessoa,
Green Line Sistema de Saúde S/A,
Grupo Hospitalar do Rio de Janeiro Ltda (Assim),
HBC Saúde S/C Ltda,
Memorial Saúde Ltda,
Nossa Saúde – Operadora de Planos Privados de Assistência à Saúde Ltda,
Operadora Ideal Saúde Ltda,
Porto Alegre Clínicas S/S Ltda,
Prevent Sênior Private Operadora de Saúde Ltda.
Real Saúde Ltda EPP,
Recife Meridional Assistência Médica Ltda,
Samp Espírito Santo Assistência Ltda,
São Francisco Assistência Médica Ltda,
São Francisco Sistema de Saúde Sociedade Empresária Ltda,
Saúde Medicol S/A,
Seisa Serviços Integrados de Saúde Ltda,
SMS – Assistência Médica Ltda,
Social – Sociedade Assistencial e Cultural,
Sosaúde Assistência Médico Hospitalar Ltda,
Unimed Brasília Cooperativa de Trabalho Médico,
Unimed Federação Interfederativa das Cooperativas Médicas do Centro-Oeste e Tocantins,
Unimed Guararapes Cooperativa de Trabalho Médico Ltda,
Unimed Maceió Cooperativa de Trabalho Médico,
Unimed Paulistana Sociedade Cooperativa de Trabalho Médico,
Universal Saúde Assistência Médica S/A,
Vida Saudável S/C Ltda,
Viva Planos de Saúde Ltda.
Agência Brasil

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Brasil tem o equivalente a duas Franças em áreas degradadas, diz Ministério do Meio Ambiente


Se o Brasil recuperasse suas áreas degradadas – terras abandonadas, em processo de erosão ou mal utilizadas – não seria preciso derrubar mais nenhum hectare de floresta para a agropecuária. A avaliação é de técnicos e pesquisadores reunidos hoje (11), durante o 9º Simpósio Nacional de Recuperação de Áreas Degradadas (9º Sinrad), que ocorre no Rio até dia 13.
O diretor do Departamento de Florestas do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Fernando Tatagiba, estimou em até 140 milhões de hectares o total de terras nessa situação no país, área superior a duas vezes o tamanho da França. O ministério está finalizando seu novo plano plurianual, que dará grande importância à recuperação da terra como forma de evitar o empobrecimento das populações e prevenir a derrubada de mais áreas de florestas.
“Neste plano está estabelecida uma meta de elaborar, até 2015, um plano nacional de recuperação de áreas degradadas, que necessariamente deve ser feito com políticas integradas com outros setores da sociedade. Não existe um número preciso [de terras degradadas], mas gira em torno de 140 milhões de hectares. É um grande desafio que temos pela frente, de superar esse passivo, pois essas áreas geram prejuízos enormes para o país e trazem pobreza para o produtor rural”, disse Tatagiba.
Segundo o diretor, existem áreas degradadas em todos os biomas e regiões do país. “Obviamente, onde a ocupação humana é mais antiga, existem áreas mais extensas, como é o caso da Mata Atlântica. Mais recentemente, temos o Cerrado. Na Amazônia, as áreas degradadas estão localizadas em locais de mineração e no chamado Arco do Desmatamento [faixa de terra de pressão agrícola marcada por queimadas e derrubadas, ao sul da Amazônia, do Maranhão ao Acre]”, explicou.
Tatagiba considerou que se as áreas degradadas forem recuperadas, não seria preciso derrubar mais nenhum hectare de floresta para agricultura e pecuária, ainda que na prática nem toda área possa ser totalmente recuperada.
“Para reduzir a pressão sobre florestas, há necessidade de se recuperar pastagens degradadas, que são em torno de 15 milhões de hectares. Se você recupera a capacidade produtiva dessa pastagem, elimina a necessidade de suprimir uma área equivalente em florestas. Além disso, é preciso aumentar a produtividade da pecuária, pois não tem cabimento um boi por Maracanã [equivalente a um hectare]”, comparou Tatagiba.
Para o chefe do Centro Nacional de Pesquisa de Agrobiologia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Agrobiologia), Eduardo Campello, o Brasil já detém tecnologia própria para reverter a degradação das terras, por meio de processos de seleção e manejo e trocando produtos químicos por insumos biológicos. Com isso, ele considera ser possível reduzir ou até reverter a derrubada de florestas para a agropecuária.
“Várias dessas áreas podem se tornar mais rentáveis, tirando a pressão sobre as florestas e os remanescentes nativos. Já tivemos avanços incontestáveis com o plantio direto [técnica em que se roça a terra e se semeia em seguida, evitando a erosão]. É preciso integrar lavoura, pecuária e floresta, usando mecanismos naturais, como fixação biológica de nitrogênio, evitando o uso de adubo químico. Já temos áreas abertas suficientes, o que precisamos é recuperar o solo.”
Agência Brasil

Campanha alerta para uso excessivo de medicamentos para melhorar desempenho na escola


A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados discutiu hoje (11) o uso excessivo de remédios por crianças e adolescentes com dificuldades de aprendizado ou de comportamento na escola. A reunião marcou o início da campanha Não à Medicalização da Vida, encabeçada pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) e pelo Fórum sobre Medicalização da Educação e da Sociedade.
De acordo com a conselheira do CFP, Marilene Proença, medicalização é todo tratamento de processos ou comportamentos sociais e culturais em crianças, adolescentes ou adultos com quadro de patologia psiquiátrica. Neste caso, o debate foi sobre o tratamento de distúrbios relacionados à educação – como dislexia, déficit de atenção e hiperatividade.
“Existe uma métrica social que considera sentimentos e comportamentos legítimos como sintomas patológicos. Muitas vezes, esses casos são tratados com os chamados tarja preta, que têm sérias sequelas”, explicou Marilene.
Para a conselheira, há muito alarde em relação a drogas ilícitas, mas pouco em relação às licitas. Foram apresentados dados à comissão que, em 2000, eram consumidas 70 mil caixas de medicamentos para o tratamento de distúrbios relacionados à aprendizagem. Em 2010, o número cresceu para 2 milhões, o que faz do Brasil o segundo maior consumidor desse tipo de remédio, apenas atrás dos Estados Unidos.
“Em vez de melhorarem a qualidade da escola, estão criando instâncias de diagnóstico para crianças que têm dificuldade de aprendizado. Não podemos passar às crianças responsabilidades políticas, sociais e culturais da sociedade em geral”, disse a conselheira do CFP.
Segundo a professora do Departamento de Pediatria da Universidade de Campinas (Unicamp), Maria Aparecida Moisés, substâncias que vêm sendo usadas como “amplificadores cognitivos” – como o metilfenidato (nome comercial: Ritalina) e o clonazepam (nome comercial: Rivotril) – não são drogas seguras.
“São psicotrópicos e tranquilizantes que podem provocar morte súbita e inexplicada até sete vezes mais do que em crianças e adolescentes que não os tomam”, alertou Maria Aparecida.
Para ela, em vez de se discutir a vida e os valores da sociedade, há uma inversão que faz com que todos acreditem que têm transtornos a serem tratados.
“Precisamos adotar uma política educacional que assuma o princípio fundamental de que todos podem e têm o direito de aprender. Um professor é capaz de ensinar toda pessoa a quem se propuser. A medicina fala de impossibilidades. A escola fala de possibilidades. E a escola foi invadida por profissionais de outras áreas, como neuropsicólogos, fonoaudiólogos, psicólogos e psiquiatras. Isso não é escola, mas uma invasão do mercado de trabalho”, disse a professora da Unicamp.
O médico psiquiatra José Miguel Neto, pai de uma criança de 10 anos com problemas de aprendizado, explicou ser a favor do uso de medicamentos, quando indicado.
“Claro que a criança é medicada de acordo com critérios que diagnosticam o problema. O tratamento é multidisciplinar, requer o exame de profissionais de diversas áreas. Não posso entender que os remédios são um diabo que tem de ser exorcizado. Minha filha foi diagnosticada adequadamente, usou a medicação e hoje não usa mais. Só recebe acompanhamento”, explicou o médico.
Para o consultor da Saúde da Criança e do Adolescente do Ministério da Saúde, Ricardo César Carafa, o primeiro passo a ser dado para combater a medicalização é reconhecer que o problema existe e conhecê-lo a fundo.
“Devemos divulgar a medicalização para a sociedade, debater e discutir. Não podemos simplesmente tapar o sol com a peneira, fingir que não existe e que não nos afeta. É necessário trabalhar amplamente com os profissionais de saúde e educação que atendem às crianças para que se adquira o conhecimento necessário”, disse Carafa.
Agência Brasil 11/07/2012