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segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Violência e censura afetam nove em cada dez professores brasileiros

 
Constata pesquisa do ONVE da Universidade Federal Fluminense

Nove em cada dez professores e professoras da educação básica e superior do ensino público e privado de todo o país já foram perseguidos diretamente ou presenciaram perseguições e censura contra profissionais da educação.

O dado consta da pesquisa inédita A violência contra educadoras/es como ameaça à educação democrática, realizada pelo Observatório Nacional da Violência Contra Educadoras/es (ONVE), da Universidade Federal Fluminense (UFF), em parceria com o Ministério da Educação (MEC).

Participaram do levantamento 3.012 profissionais da educação básica e superior do ensino público e privado de todo o país.

O coordenador da pesquisa, professor Fernando Penna, da UFF, explicou à Agência Brasil que o trabalho teve como foco principal violências ligadas à limitação da liberdade de ensinar, tentativa de censura, perseguição política, embora tenha envolvido também a possibilidade de o professor registrar caso de violência física, embora esse não fosse o foco do relatório.

De acordo com Penna, o objetivo do trabalho foi identificar violências no sentido de impedir o educador de ensinar uma temática, de usar um material, ou seja, perseguição política.


“É mais uma censura de instituições em relação aos professores. E não são só instituições. Entre os agentes da censura, estão tanto pessoas dentro da escola, quanto de fora, figuras públicas”, informou.

Censura

Segundo o professor, um primeiro “dado preocupante” constatou que a censura se tornou um fenômeno disseminado por todo o território brasileiro e em todos os níveis e etapas da educação, englobando não só o professor, em sala de aula, mas todos que trabalham com educação.

A pesquisa mostrou um percentual alto de professores vítimas diretas da violência. Na educação básica, o índice registrou 61%, e 55% na superior. “Na educação superior, foi 55%, um pouquinho menor, mas, ainda assim, está acima de 50%”, destacou Penna.

Entre os educadores diretamente censurados, o levantamento constatou que 58% relataram ter sofrido tentativas de intimidação; 41% questionamentos agressivos sobre seus métodos de trabalho; e 35% enfrentaram proibições explícitas de conteúdo.

Os educadores também relataram casos de demissões (6%), suspensões (2%), mudança forçada do local de trabalho (12%), remoção do cargo ou função (11%), agressões verbais e xingamentos (25%), e agressões físicas (10%).

Temáticas

Fernando Penna analisou que os dados mostraram ainda que a violência e a censura já estão enraizadas no Brasil, nas instituições de educação básica e superior. “Isso é preocupante porque a gente está falando aqui de temáticas obrigatórias”.

Ele citou, como exemplo, o caso de uma professora do interior do estado do Rio de Janeiro, cujo um colega, durante a pandemia da Covid 19, pegou um material do Ministério da Saúde, com orientações sobre medidas sanitárias e a importância da vacinação, mas foi impedido sob argumento de “doutrinação”.


“E quando ele foi entregar isso à diretora da escola, ela disse para ele que na escola não ia ter doutrinação de vacina”.

A pesquisa identificou ainda professores proibidos de tratar, na sala de aula, temas como o da violência sexual, em que alerta o aluno sobre o fato desse tipo de violência ocorrer dentro de casa.

“E é depois de algumas aulas na escola sobre orientação sexual, gênero, sexualidade, que esse jovem que tem uma violência naturalizada acontecendo no espaço privado denuncia o autor disso”, explicou Pena, ao ressaltar a importância de o tema ser tratado no ambiente escolar. “Mas essa temática, que é a discussão dos temas envolvendo gênero e sexualidade, é que os professores mais indicaram como sendo o motivo da violência que eles sofreram”.

O professor disse ainda que o estudo deixa claro que essa violência não impacta só os educadores, mas a liberdade de ensinar e a liberdade de aprender. “Estudantes estão deixando de discutir temáticas vitais para a sua formação”, acrescentou.

Outro exemplo de tema óbvio, que é motivo de questionamentos de pais contra professores de ciência, é o da teoria da evolução. Alguns preferem que se discuta dentro da escola o criacionismo e não a teoria da evolução. “Então, professores que tentam fazer o trabalho de levar o conhecimento às crianças e adolescentes acabam sendo demitidos, transferidos”.

A proporção de professores que passaram diretamente por esse tipo de violência ficou em torno de 49% a 36%. A maior parte dos educadores disse que o episódio ocorreu quatro vezes ou mais.

Segundo o levantamento, os temas que motivaram o questionamento à prática do educador foram liderados por questões políticas (73%), seguidos por questões de gênero e sexualidade (53%), questões de religião (48%) e negacionismo científico (41%).

Polarização

A pesquisa pediu também que os educadores respondessem os anos que essa violência ocorreu, “porque uma das nossas hipóteses é que essa violência tem relação com a polarização política que nós vivemos. E quando eu falo polarização, eu estou dizendo extrema direita, extrema esquerda. É uma polarização assimétrica entre uma extrema direita e uma centro-esquerda, no máximo”.


“Os dados configuraram um gráfico que revela que a violência contra educadores sobe a partir de 2010 e tem um pico em 2016, em 2018 e em 2022, que são os anos do ‘impeachment’ e de duas eleições presidenciais”, destacou Penna, frisando que essa “tensão política que o país vive está, infelizmente, entrando nas escolas”.

Agentes da violência

Quando perguntados sobre quem foram os agentes da violência, os educadores citaram os próprios membros da comunidade interna da escola ou da universidade. Ou seja, a própria direção, coordenação, membros da família, estudantes. “Isso é muito grave porque traz um dado de pesquisa que mostra que essa violência pode ter partido de figuras públicas, de uma atenção política mais ampla, mas, infelizmente, ela já está dentro das comunidades educativas”.

A pesquisa identificou que são os próprios membros da comunidade educativa interna que estão levando essa violência para dentro da escola, liderados pelos profissionais da área pedagógica (57%), familiares dos estudantes (44%), estudantes (34%), os próprios professores (27%), profissional da administração da instituição (26%), funcionário da instituição (24%) ou da secretaria de educação (municipal ou esta- dual) ou reitoria, no caso das universidades (21%).

Perseguição

De acordo com o coordenador do estudo, esse quadro de perseguição e violência envolve tanto a política institucional, quanto a política partidária, mas também abre espaço para se pensar em dimensões políticas da vida comum. Então não é surpresa que o crescimento da violência que foi observado esteja mais vinculado ao dado político do momento. “Ele é um tema que realmente tenciona muito”.

A perseguição a educadores foi relatada como extremamente impactante para 33% dos educadores tanto na vida profissional como pessoal, e bastante impactante para 39% na profissão e também no lado pessoal. A consequência em muitos casos foi que grande parte dos professores que vivenciaram esses casos de violência acabaram deixando de ser educadores, o chamado apagão dos professores, confirmou Penna.


“Foi uma das ferramentas de manipulação política desse pânico moral usado pela extrema direita nos anos recentes”, afirmou.

Impacto

Fernando Penna salientou que os educadores nem precisam ter sido vítimas diretas da violência porque, quando ela acontece em uma escola ou universidade, “ela degrada o clima escolar”.

Quando perguntados sobre mudanças que esses eventos trouxeram para o seu cotidiano de trabalho, a maioria dos educadores afetados citou insegurança e desconforto. “O desconforto com o espaço de trabalho foi o terceiro maior impacto da censura citado pelos respondentes (53%). Isso levou 20% dos participantes a mudarem de local de trabalho por iniciativa própria.


“As pessoas estão com medo de discutir temas. Estão com medo de fazer o seu trabalho como elas foram formadas para fazer e de acordo com seus saberes da experiência. Aí você está falando que o dano para a sociedade é gigantesco. Porque, os professores estão com medo de discutir temas, alguns estão sendo prejudicados e não podem discutir temas, por exemplo, no caso do gênero”, afirmou Penna.

Vigiados

A pesquisa constatou que em torno de 45% dos professores entrevistados disseram se sentir constantemente vigiados. Fato que leva a censurar sobre o que falam na sala de aula. O coordenador do estudo disse ter encontrado professores que trabalham em escolas privadas e relatam já ter entendido que não podem abordar determinados assuntos sob risco de serem demitidos.

“Muitas vezes, esse educador precisa do emprego, mas pode estar sendo ameaçado ali no território onde ele vive”. Penna argumentou que é preciso reconhecer que esse é um problema da sociedade brasileira. “A gente está vivendo em uma sociedade na qual educadores têm medo de falar e de trabalhar de acordo com seu saber profissional”.

Ele indicou que todos os profissionais que trabalham com a produção de um conhecimento seguro, ou seja, que podem desmascarar mentiras, teorias da conspiração, ‘fake news’, são vítimas.


“Tanto que, em 2023, surgiu o Observatório Nacional da Violência Contra Educadoras/es, que é quem fez a pesquisa. Mas também surgiu o Observatório Nacional da Violência Contra Jornalistas, que são outra categoria que sofreu muito durante o governo Bolsonaro. Uma perseguição incrível”.

Regiões de destaque

O impacto que está ocorrendo nas comunidades educativas, que demonstram medo de discutir abertamente temas importantes para a formação dos estudantes foi mais identificado nas regiões Sudeste e Sul, onde foram registrados casos de professores que passaram por essas situações de violência mais diretamente.

O dado não surpreendeu o coordenador da pesquisa. “Tanto que um dos estados que teve mais respondentes no Sul do país foi Santa Catarina, onde a gente sabe de muitos casos de violência. É um estado onde a extrema direita impera”, afirmou.

A sondagem apurou que em todas as cinco regiões brasileiras 93% dos educadores tiveram contato com situações de censura, sendo que 59% passaram diretamente por essa situação, 19% souberam que aconteceu com alguém e 15% ouviram falar.

Proteção aos professores

Fernando Penna afirmou a necessidade de serem criadas ações para proteger os professores, sobretudo em anos de eleição presidencial, quando se sabe que a tendência é essa violência recrudescer, se tornar mais intensa.

A pesquisa, até agora, gerou um banco de dados que ainda tem muitos cruzamentos para serem feitos, manifestou o coordenador.

“A gente pode fazer análises de estados separadamente. A segunda etapa da pesquisa, que está em curso, e de entrevistas. Do total desses de professores que responderam, a gente vai escolher 20 pelo país para entrevistar”, anunciando que serão divulgados outros relatórios vinculados a essa pesquisa inicial.

No relatório completo que está sendo preparado, o Observatório sugere a criação de uma política nacional de enfrentamento à violência contra educadores, como resposta do poder público. Essa política já estaria sendo elaborada no âmbito do MEC. O Observatório tem ainda um acordo de cooperação técnica com o Ministério dos Direitos Humanos.

“A gente tem insistido muito que os educadores trabalhem na perspectiva da educação e direitos humanos, porque são justamente aqueles que mais sofrem violência. Então, a gente tem uma demanda de que os educadores sejam reconhecidos como defensores de direitos humanos e incluídos como uma categoria específica nas políticas do ministério. É uma ferramenta de denúncia de violação de direitos humanos”, concluiu Penna.


Coordenador da pesquisa, professor Fernando Penna, da UFF, explicou à Agência Brasil que o trabalho teve como foco principal violências ligadas à limitação da liberdade de ensinar, tentativa de censura, perseguição política Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado - Edilson Rodrigues/Agência Senado











FONTE: Agência Brasil

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Saiba como solicitar a Carteira Nacional Docente do Brasil

 


Documento de identificação do professor é válido por dez anos

Os professores em exercício das redes pública e privada de todo o país, inclusive os profissionais contratados temporariamente, já podem solicitar a Carteira Nacional Docente do Brasil (CNDB) no site do programa Mais Professores para o Brasil.

A carteira é destinada a profissionais de todos os níveis e etapas da educação, desde a educação infantil até o ensino superior. O Ministério da Educação (MEC) estima que 2,7 milhões de carteiras podem ser emitidas voluntariamente no Brasil.

Com validade em todo o território nacional por dez anos após sua expedição, o documento oficial terá a data expressa na própria carteira.

A iniciativa do governo federal tem o objetivo de identificar os professores e facilitar o acesso a descontos de meia-entrada em eventos culturais e a novos benefícios em algumas lojas parceiras do programa.

Na quarta-feira (15), cerca de 1,5 mil professores da ativa foram os primeiros a receber a CNDB, em todo o país, em um evento de celebração do Dia dos Professores, no Rio de Janeiro.

Na ocasião, o ministro da Educação, Camilo Santana, anunciou que, após a primeira etapa, os docentes aposentados também terão direito à carteira.
Passo a passo da solicitação

A Carteira Nacional Docente do Brasil não é obrigatória para o exercício da função. 

Para obter o documento, o professor precisa ter o Cadastro de Pessoa Física (CPF) em situação regular na Receita Federal e estar em exercício da atividade docente em uma instituição de ensino cadastrada no MEC.

O link para solicitação, disponibilizado ontem pelo Ministério da Educação no site do Programa Mais Professores para o Brasil, exige acesso por meio de login na conta da plataforma Gov.br.

Na página virtual do Mais Professores, o sistema trará, automaticamente, os dados pessoais e informações sobre vínculo com instituições de ensino, conforme registrado nas bases do governo federal e das redes de ensino.

O profissional interessado deverá verificar os dados do formulário, confirmar as informações, preencher o endereço completo e os contatos (e-mail e telefone) e enviar digitalmente uma foto 3x4, no padrão estabelecido pelo Ministério da 

Educação.

Nesse momento, o docente poderá visualizar a versão digital da futura CNDB com foto e dados completos.

Caso os dados estejam corretos, é necessário confirmar a emissão. O professor terá a opção de download do documento para uso imediato, que já lhe dará acesso aos benefícios do programa Mais Professores.

A versão impressa chegará somente a partir do próximo ano, avisa o Ministério da Educação. 

Problemas

Caso o vínculo de professor não tenha sido reconhecido pelo sistema ou algum dado esteja incorreto, será preciso que o professor entre em contato com a instituição de ensino que o emprega. O objetivo é certificar que o vínculo do profissional está com o código correto na base de dados. 

Se a foto do cadastro for rejeitada na solicitação da carteira, o professor deve verificar se a imagem encaminhada está de acordo com o padrão solicitado.
Outras situações

Pela Lei nº 15.202/2025, que criou a Carteira Nacional Docente, somente os professores em exercício têm direito a ela. Dessa forma, os professores autônomos não têm direito à CNDB, porque não estão vinculados a uma instituição educacional. 

Toda pessoa licenciada, mas com vínculo empregatício em uma unidade de ensino terá direito à nova identificação. Da mesma forma, os professores que estão na gestão escolar, desde que o vínculo com a instituição educacional seja como docente.  

Se a pessoa perder o emprego, a carteira nacional continua sendo válida como identificação dentro do prazo de validade do documento. Seu uso para acessar benefícios profissionais enquanto docente, perderá a validade após três meses da data do último pagamento. 

Para confirmar se a Carteira Nacional Docente de uma pessoa é válida, basta acessar o QR Code impresso no documento e, em seguida, verificar se ela continua com algum contrato de emprego como docente válido. 

Para mais informações acesse aqui.

Benefícios

O Mais Professores já conta com benefícios fornecidos pelas empresas parceiras. O MEC assinou convênio com a Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH) para dar descontos de 15% em hotéis.

Os portares da CNDB terão um cartão de crédito emitido pela Caixa Econômica Federal com anuidade gratuita.

A lista atualizada, com os respectivos descontos dados aos detentores do documento, está disponível em página específica no site do programa.

O Ministério da Educação quer mobilizar outras empresas para reconhecer e valorizar o magistério brasileiro por meio do programa e selo #TôComProf .

O edital voltado a empresas interessadas em oferecer produtos e serviços com descontos aos professores foi lançado em setembro.

O chamamento público ficará aberto até 30 de novembro. As pessoas jurídicas interessadas podem preencher o formulário de inscrição.

Para participar do programa, os estabelecimentos devem ter abrangência nacional ou regional e regularidade perante a administração pública.

As companhias devem ofertar serviços financeiros ou comerciais de alimentação, cultura e lazer, higiene e limpeza, moradia, saúde e transporte entre outros.

O desconto mínimo oferecido deve ser de 10% sobre o valor de tabela ou preço praticado ao público em geral.

As propostas habilitadas terão validade de até 12 meses.

Fonte: Agência Brasil

quarta-feira, 31 de julho de 2024

MESTRES E ALUNOS repostagem




Terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

MESTRES E ALUNOS

“Faz parte da humanidade de um mestre advertir seus alunos contra ele mesmo”, escreveu o filósofo Nietzsche (1844-1900) em sua obra Aurora. Pode parecer absurdo esse aforismo, mas são provocações como essa que despertam em nós, professores, reflexões sobre o que já fizemos e sobre o que podemos fazer agora na volta às aulas.

O título da obra nietzschiana vem a calhar para essa reflexão, se nos utilizarmos de algumas imagens bem desgastadas, mas válidas ainda. Aurora é aquele momento de claridade no horizonte, anunciando o nascer do sol. Pode simbolizar a passagem da ignorância (a escuridão) para a luz (o conhecimento). Não por acaso durante muito tempo foi usado, de uma forma equivocada, o significado da palavra “aluno” como “aquele que não tem luz”, “que vive nas trevas”. No entanto, é certo que a criança chega à escola já sabendo uma porção de coisas, ainda mais com o crescimento das novas – já nem tão novas assim – tecnologias. Segundo os linguistas, na verdade, aluno significa “criança de peito, lactente”, ou seja, é aquele indivíduo que precisa ainda receber os cuidados necessários como a nutrição e a proteção. Nesse caso, a escola deve fornecer a ele o alimento diferenciado, o qual não recebe em casa, que é o saber acumulado pela humanidade. E também deve protegê-lo num ambiente acolhedor para que ele se sinta como se estivesse no seio da sua própria família.

A aurora também representa um novo dia, por conseguinte, a renovação. Cada ano letivo é um ano diferente. A escola é uma das poucas instituições da sociedade que lutam contra o “mais do mesmo”. Como o deus Jano – porteiro do céu na mitologia romana, que tinha duas cabeças, uma olhando para a frente e outra para trás – planejamos os próximos meses, através de novas ideias e teorias que serão postas em prática, mas não esquecemos o passado, que nos ensina com os erros e os acertos.

Mas o que, afinal, o filósofo quis dizer com seu aforismo? Que devemos orientar o aluno a ir contra nós, professores? Minha interpretação bem pessoal e otimista é de que devemos orientar o aluno a não se deixar ser um adulto como os que temos hoje, que estão destruindo o mundo. A humanidade do mestre estaria em nutrir o aluno para que ele siga um caminho diferente, sendo criativo e questionador das verdades estabelecidas, contribuindo, assim, para um mundo melhor, atitude que nós, adultos, não estamos conseguindo fazer. O discípulo deve, para tanto, superar o mestre. Já numa interpretação pessimista... bem, deixemos o pessimismo pra lá.

Fonte: Cassionei Niches Petry/Professor
Jornal Gazeta do Sul 22/02/2011

quarta-feira, 14 de março de 2012

Professores fazem paralisação nacional até sexta para cobrar cumprimento do piso


De hoje (14) até sexta-feira (16), professores de escolas públicas municipais e estaduais prepararam diversas mobilizações para cobrar o cumprimento do piso nacional do magistério. Criada em 2008, a lei determina um valor mínimo que deve ser pago a professores com formação de nível médio e jornada de 40 horas semanais. Para 2012 esse valor foi definido em R$ 1.451, mas alguns estados e municípios pagam menos do que determina a regra.
A Confederação Nacional das Trabalhadores em Educação (CNTE) sugere que durante os três dias as atividades nas escolas sejam suspensas, mas cada sindicato está organizando a mobilização de acordo com a pauta de reivindicação local. Em algumas redes de ensino, a paralisação será parcial. Em outras, os professores promoverão passeatas, assembleias e atos públicos. No Distrito Federal, os professores já estão em greve em função das negociações de reajuste salarial com o governo.
Além de cobrar o cumprimento da Lei do Piso, a paralisação nacional também defende o aumento dos investimentos públicos em educação. A CNTE quer que o Plano Nacional de Educação (PNE), que tramita na Câmara dos Deputados, inclua em seu texto uma meta de investimento mínimo na área, equivalente a 10% do Produto Interno Bruto (PIB), a ser atingida em um prazo de dez anos.
Agência brasil 14/03/2012

terça-feira, 13 de março de 2012

Maioria dos estados descumpre piso nacional do magistério, mostra levantamento de sindicatos


Levantamento divulgado hoje (12) pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) aponta que 17 estados não cumprem o valor do piso nacional do magistério, definido em R$ 1.451 para 2012. Os dados foram repassados por sindicatos da categoria em cada unidade da Federação.
De acordo com a pesquisa, apenas São Paulo, Pernambuco, o Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Goiás e o Distrito Federal pagam aos seus professores o piso nacional definido por lei. Aprovada em 2008, a Lei do Piso estabeleceu uma remuneração mínima que deve ser paga aos professores com formação em nível médio e que atuam em escola pública com jornada semanal de 40 horas.
Os dados dos sindicatos contradizem as informações divulgadas pelas secretarias de Educação. Levantamento feito pela Agência Brasil, com informações repassadas pelos governos estaduais, aponta um número menor de estados que ainda não cumprem o valor do piso para 2012: nove ao total.
Uma das divergências entre a categoria e os governos estaduais é o entendimento do conceito de piso. De acordo com a lei, o valor do piso refere-se apenas ao vencimento inicial e não pode incluir na conta outras gratificações que compõem a remuneração total. Segundo os sindicatos, algumas secretarias de Educação estão divulgando valores que não se referem ao piso, mas à remuneração total.
A CNTE também identificou, no levantamento, quais estados cumprem outro dispositivo da Lei do Piso que determina que um terço da jornada do professor deverá ser reservada para atividades extraclasse. Isso significa que o profissional teria que cumprir apenas 66% da sua carga horária em sala de aula. O restante do tempo seria dedicado a atividades como planejamento de aulas, correção de provas e cursos de formação.
Segundo a entidade, 18 estados ainda descumprem essa determinação. Apenas o Acre, Amapá, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, a Paraíba, Rondônia, Sergipe seguem a regra sobre a reserva de jornada para atividades extraclasse.
Agência Brasil 12/03/2012

sexta-feira, 2 de março de 2012

DÚVIDAS DE UM PROFESSOR

A luta por recursos vinculados para a educação nas constituições Federal dos estados e nas leis orgânicas dos municípios partiu dos professores públicos em seu movimento sindical, ganhou apoio social e virou lei. E os professores acharam que tinham resolvido a questão dos recursos para financiar a educação brasileira.

Logo descobriram que não era bem assim. Governos não cumprem com o mínimo constitucional e fica por isso mesmo.

Não há nenhum processo de impeachment de governante ou de pedido de intervenção federal por descumprimento da Constituição nesse aspecto. Por quê?

Os professores acreditam que o Brasil não chegará a ser uma nação desenvolvida sem educação básica de qualidade e olham perplexos para seus governantes se perguntando se é verdade que a educação é prioridade para o desenvolvimento do país e que este não depende mais de mão de obra barata e matéria-prima abundante e que os novos processos produtivos requerem pessoas com conhecimentos, habilidades e atitudes que os tornem competentes para atuarem na chamada "sociedade do conhecimento"? Ou isso não passa de discurso?

Desconfiados, os professores passaram a lutar por um Piso salarial determinado em lei. Veio a conquista. (Convenhamos que R$ 1.450,00 para a função social de professor é um mínimo para começar a valorizar a profissão. Muitos técnicos de nível médio ganham mais que isso.)

E, até agora, o Piso mais pisou que elevou a autoestima dos professores. E a perplexidade aumenta quando eles veem um governante aliado do governo federal, que prometeu buscar ajuda e pagar o Piso, enviar ao parlamento um projeto de lei que descumpre a lei federal.

O que fará o parlamento? Aprovará a ilegalidade? Ou, cumprindo sua função de fiscalizar o poder Executivo, devolverá o projeto para não cometer junto a ilegalidade? Quem sabe o parlamento, mesmo considerando que o governante ajudou a elaborar a lei, aprova o projeto e explica para a sociedade as suas razões. Será que terá uma boa explicação?

Estou cheio de dúvidas. O que dizer aos alunos sobre isso? Afinal, a educação moderna deve ser contextualizada e todos os professores na sala de aula devem abordar os assuntos da atualidade. Professor de Matemática pode desenvolver cálculos usando os números do Piso salarial e o custo da cesta básica. De Português, trabalhar com o texto da lei. De Geografia e História, comparar estados que cumprem a lei e que não cumprem e ainda o papel do parlamento. Os de Ciências Físicas e Biológicas... por favor, sejam criativos e me deixem cá com minhas dúvidas. Elas são muitas...

Martim Saraiva Barboza ex-superintendente de Educação Profissional do Estado
Jornal Correio do Povo 02/03/2012

quinta-feira, 1 de março de 2012

Marco Maia criará comissão para discutir piso salarial do professor


O presidente da Câmara, Marco Maia, disse hoje que criará uma comissão para discutir o piso salarial do professor. O anúncio foi feito a representantes da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e a deputados da Frente Parlamentar em Defesa do Piso dos Professores que se reuniram com Maia.

De acordo com a coordenadora da frente, deputada Fátima Bezerra (PT-RN), a ideia é que a comissão consiga construir um acordo entre magistério, prefeitos, governadores e governo federal para só então o Plenário da Câmara poder votar a proposta que muda o cálculo do reajuste anual do piso (PL 3776/08). O projeto prevê que o reajuste passe a ser feito pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), usado para medir a inflação.
Pelas regras atuais, o aumento chegou a 22% neste ano, alcançando R$ 1.451 por mês para o professor. Em visita ao Congresso nesta semana, governadores e prefeitos de todo o País alegaram que muitos municípios e a maioria dos estados não seriam capazes de arcar com o salário do professor e por isso defenderam que o reajuste seja feito INPC.
Sem ganho real
O presidente da CNTE, Roberto Leão, argumenta, no entanto, que o aumento pelo INPC não traria ganho real para o salário do professor. Leão acredita que a comissão a ser criada por Marco Maia será capaz de encontrar um meio termo que valorize o magistério e, ao mesmo tempo, permita o equilíbrio orçamentário de prefeituras e estados.
Agência Câmara de Notícias 01/03/2012

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Estados e municípios que não reajustaram piso do magistério terão que pagar retroativo

Mais um ano letivo começou e permanece o impasse em torno da Lei do Piso Nacional do Magistério. Pela legislação aprovada em 2008, o valor mínimo a ser pago a um professor da rede pública com jornada de 40 horas semanais deveria ser reajustado anualmente em janeiro, mas muitos governos estaduais e prefeituras ainda não fizeram a correção.
Apesar de o texto da lei deixar claro que o reajuste deve ser calculado com base no crescimento dos valores do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), governadores e prefeitos justificam que vão esperar o Ministério da Educação (MEC) se pronunciar oficialmente sobre o patamar definido para 2012. De acordo com o MEC, o valor será divulgado em breve e estados e municípios que ainda não reajustaram o piso deverão pagar os valores devidos aos professores retroativos a janeiro.

O texto da legislação determina que a atualização do piso deverá ser calculada utilizando o mesmo percentual de crescimento do valor mínimo anual por aluno do Fundeb. As previsões para 2012 apontam que o aumento no fundo deverá ser em torno de 21% em comparação a 2011. O MEC espera a consolidação dos dados do Tesouro Nacional para fechar um número exato, mas em anos anteriores não houve grandes variações entre as estimativas e os dados consolidados.

“Criou-se uma cultura pelo MEC de divulgar o valor do piso para cada ano e isso é importante. Mas os governadores não podem usar isso como argumento para não pagar. Eles estão criando um passivo porque já devem dois meses de piso e não se mexeram para acertar as contas”, reclama o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Leão. A entidade prepara uma paralisação nacional dos professores para os dias 14,15 e 16 de março. O objetivo é cobrar o cumprimento da Lei do Piso.

Se confirmado o índice de 21%, o valor a ser pago em 2012 será em torno de R$ 1.430. Em 2011, o piso foi R$1.187 e em 2010, R$ 1.024. Em 2009, primeiro ano da vigência da lei, o piso era R$ 950. Na Câmara dos Deputados tramita um projeto de lei para alterar o parâmetro de reajuste do piso que teria como base a variação da inflação. Por esse critério, o aumento em 2012 seria em torno de 7%, abaixo dos 21% previstos. A proposta não prosperou no Senado, mas na Câmara recebeu parecer positivo da Comissão de Finanças e Tributação.

A Lei do Piso determina que nenhum professor pode receber menos do valor determinado por uma jornada de 40 horas semanais. Questionada na Justiça por governadores, a legislação foi confirmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no ano passado. Entes federados argumentam que não têm recursos para pagar o valor estipulado pela lei. O dispositivo prevê que a União complemente o pagamento nesses casos, mas desde 2008 nenhum estado ou município recebeu os recursos porque, segundo o MEC, não conseguiu comprovar a falta de verbas para esse fim.

“Os governadores e prefeitos estão fazendo uma brincadeira de tremendo mau gosto. É uma falta de respeito às leis, aos trabalhadores e aos eleitores tendo em vista as promessas que eles fazem durante a campanha de mais investimento na educação”, cobra Leão.
Agência Brasil 24/02/2012

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A escola e o professor na formação de um sujeito ético-político


Quem pensa que ser educador nos dias de hoje é algo simples engana-se por completo. O ato de educar é bastante reflexivo, pois é necessária conscientização da importante responsabilidade na formação dos alunos. Como formadores de opinião é necessário, além de diversos fatores, primar pela ética e pela coerência.
Além de inúmeras exigências que o educador carrega em sua profissão, lecionar traz como condição básica pesquisar, falar, proporcionar, vivenciar, ouvir, dialogar, debater, transformar... educando o indivíduo para a vida.
Por esta razão o educador carrega um fardo importantíssimo dentro de uma escola, devendo tornar-se cúmplice da aliança que fez com sua profissão, independentemente da situação difícil em que se encontra, pois sabemos que é uma profissão pela qual está sendo feita uma luta descomunal para que seja vista com seu devido valor pelos políticos e pela sociedade. E esta é uma batalha de anos e muito árdua, sendo que o aluno deve ser ciente desse caos educacional em que nos encontramos hoje.
Profissionalizar-se na área da educação permite ao professor, através da educação na escola, instruir seu aluno a pensar certo nos caminhos que a vida irá lhe propor e que este aluno consiga visualizar o que é válido e o que não é. Um destes caminhos é a visão ampla de uma política justa, correta.
As crianças de hoje serão os futuros políticos, donos de escolas, diretores, gestores de amanhã. E, se estes forem conscientes e agirem com ética e moral, por terem sido conscientizados por seus professores, serão mais zelosos com os benefícios voltados para a educação. Mas para isso é necessário preparar os cidadãos para serem sujeitos que saibam pensar, saibam questionar, raciocinar, duvidar, para assim poder construir seus próprios conceitos e conhecimento.
De falsas promessas o mundo já não precisa, o que mais necessitamos é de pessoas críticas, questionadoras a ponto de identificar um erro, criticar construtivamente, para que mais tarde, não só os educandos, como os educadores e as demais pessoas, não sintam as consequências de uma política mal-elaborada, e mal-questionada.
É necessário os alunos perceberem que nossa sociedade é repleta de falhas, possui muitas carências, e empenharem-se para modificar essa realidade, pois é preciso compreender que a escola nos propõe visualizar o caminho da coerência, da responsabilidade e da criticidade, formando assim seres politicamente evoluídos e convictos de seus valores e conceitos, com a capacidade de modificar e/ou transformar a sociedade a fim de aperfeiçoá-la e guinar nossa nação para o futuro ético. Pois tudo o que fizemos em sociedade tem uma dimensão política; a educação constitui-se, além de diversos fatores, na formação da consciência política.
O que o educador não pode fazer é acomodar-se, pois deverá mostrar aos seus alunos que o amanhã depende do hoje, e o presente quem constrói somos nós, sempre com ética, perseverança, garra e alegria, pois os políticos que hoje governam fomos nós quem os colocou em seus respectivos lugares profissionais!
Priscila Manzoni de Manzoni - Pedagoga
Fonte:Jornal Agora 30/01/2012

sábado, 8 de outubro de 2011

AULA CHATA É LEGAL

 O professor chega à sala de aula, sorridente, dá bom dia, abre o caderno de chamada e, brincalhão, diz: “chamaaaadaaaaa... a cobrar, para aceitá-la, continue na linha após a identificação”. Os alunos riem, um deles diz “só podia ser o ‘sor’ mesmo”, o gelo é quebrado, o mestre termina o dever burocrático e, ainda sorridente, vai começar a aula. Antes, porém, de ir ao quadro (negro, verde ou branco), ouve de um aluno, com a aprovação da maioria, a frase que lhe tira toda a base de sustentação: “Profe, faz uma aula diferente hoje, pra não ficar tão chata!” O mestre diminui seu sorriso, conta mentalmente até três e responde: “Caros alunos, bem-vindos ao mundo real. A realidade que os espera lá fora é chata, às vezes, assim como uma aula de língua portuguesa”.
Criou-se, nos últimos tempos, a ideia de que o professor deve ser como um apresentador de televisão, que precisa manter a audiência, tanto do auditório como dos telespectadores. É preciso conquistar os alunos, dizem muitos teóricos no assunto, já que há outras coisas mais interessantes fora da escola. Para tanto, se fazem necessários métodos inovadores, como a dança do “cada um no seu quadrado” ou incentivá-los a ler Paulo Coelho. Mesmo assim, porém, não se consegue agradar aos alunos, que querem cada vez mais liberdade e menos compromisso. Nesse diapasão, daqui a pouco iremos para a sala de aula com o bolso recheado de cédulas em forma de aviãozinho e gritaremos “quem quer dinheiro” para que os alunos prestem atenção nas lições. Isso se houver lições para ensinar.
A internet proporciona um mundo mais interessante para os nossos jovens, dizem. Até posso concordar, afinal de contas também reservo parte do meu tempo para pesquisas na rede mundial de computadores, e com resultados esplêndidos. No entanto, sabemos que eles não utilizam, na maioria dos casos, a web para aprender, mas sim para coisas mais fúteis, como compartilhar fotos, baixar a música do momento (geralmente de péssimo gosto), assassinar a língua portuguesa e muitos et ceteras. Sou contra as coisas fúteis? Não, até porque o entretenimento faz parte da nossa vida e eu mesmo já compartilhei fotos e assassinei a língua uma porção de vezes em redes sociais na internet (psiu, bem baixinho aqui: já fiz downloads de músicas de gosto duvidoso também). No entanto, na idade em que mais se deve aproveitar o tempo para aprender, os jovens desperdiçam a chance de conhecer o que de mais importante já foi realizado pelos nossos cientistas, filósofos, matemáticos, historiadores e escritores. E se nós, professores, abrirmos mão disso e nivelarmos por baixo o conhecimento, estaremos criando seres humanos medíocres, preocupados, mas nem tanto, tão somente em atingir a média para passar de ano.
As aulas não devem ser chatas? Por que não? Se o estudante está na escola para aprender, uma das lições é a de que nem sempre as coisas são prazerosas. Acordar às 6 horas da manhã para trabalhar não é nada agradável. Pegar ônibus lotado é um saco. Nem sempre se tem um chefe carismático. Conviver com gente chata é chato. As coisas não são, portanto, como queremos que sejam. O mundo não gira em torno do nosso umbigo. Essa é a realidade que nossos alunos vão enfrentar. E é isso, também, que devemos ensinar.

Cassionei Niches Petry
Professor e mestrando em Letras
com bolsa do CNPq
cassio.nei@hotmail.com
Fonte: Jornal Gazeta do Sul/Opinião/ 29/09/2011

sábado, 4 de junho de 2011

SOMOS A ÚLTIMA GERAÇÃO DE PROFESSORES?

O discurso da professora potiguar Amanda Gurgel no dia 10 de maio, na Assembleia Legislativa do RN, que ultrapassou um milhão e setecentas mil visualizações no canal YouTube e entrou na lista dos trending topics do Twitter, não é novidade.


Ela apenas foi corajosa ao expor os descasos e dramas vividos diariamente pelos profissionais da educação e denunciar a desvalorização histórica e sistemática dos mestres, que inclusive afasta aspirantes à profissão. Os educadores são submetidos a jornadas de trabalho exaustivas, muitas vezes cumpridas em mais de uma escola. São mal remunerados, expostos a agressões físicas e psicológicas e não têm tempo nem recursos para se qualificarem e, como se não bastasse, ainda são responsabilizados pelos problemas e precariedade do sistema público brasileiro de educação básica.

O pessoal da “turma de fora da sala de aula” associa qualidade de educação com professor em sala de aula. Quando há greve do magistério, a administração pública e seus aliados tentam convencer a população de que os professores são os responsáveis. O professor não é causa nem a solução da deficiência generalizada na educação pública brasileira, cujo sistema educacional entrou num ciclo vicioso difícil de ser rompido. Os órgãos públicos pagam salários vexatórios e, consequentemente, professores malpagos trabalham desmotivados, não conseguem desenvolver um trabalho de qualidade, utilizam pretextos para compensar o desapreço, tornam-se reféns de sindicatos e de interesses políticos e acabam como personagem antagonista de um processo no qual os estudantes são as maiores vítimas. O professor é “depositado” nas escolas e, com um quadro-negro e giz, tem a função de “salvar” o País. Piada, não?

No programa do Faustão (22/05), Amanda explicou a causa de tamanha deficiência na educação brasileira: “Na verdade a culpa é desse sistema que está estabelecido desde o Império”. O sistema educacional é o mesmo desde quando foi idealizado para atender ao modo de vida do século XVIII. O modo de vida mudou, mudou... e o sistema obsoleto foi mantido. Uma célebre frase da década de 90, proferida por um ministro da educação, vergonhosamente parece atual: “O aluno finge que estuda, o professor finge que ensina e nós fingimos que pagamos”... O descaso com a Educação acontece desde quando Cabral pintou por aqui; o poder público brasileiro nunca se preocupou em discutir uma mudança efetiva do sistema público de educação. Em nenhum governo a educação foi prioridade, assim como não foi prioridade mudar de sistema público de Educação Básica. Mudança de sistema é diferente de mudança no sistema. Já tivemos várias mudanças no sistema: o nome do primário mudou para ensino fundamental; as disciplinas obrigatórias, os métodos didáticos e os recursos tecnológicos mudaram diversas vezes; o nível de apoio material muda a cada programa que se implementa para subsidiar a falta de condições financeiras do País; enfim, mudam nomenclaturas e, na prática, nada muda, ou muito pouco. É preciso mudar de sistema, isto é, mudar a lógica arcaica de funcionamento do modelo de gestão da educação pública.

O País está passando por um grave problema: o défict de profissionais nas escolas. É um verdadeiro “apagão” de professores e as perspectivas não são nada animadoras: o número de formandos em cursos de licenciatura vem caindo ano a ano. O MEC busca formas de atrair futuros professores com chamadas televisivas a fim de “motivar” os jovens para a profissão. A intenção parece ser boa, porém, uma vitrine utópica. Soa como ironia, eu penso: Seja um professor e seja o que Deus quiser! Não questiono o valor do professor, uma das profissões mais importantes, além de indispensável: é um dos poucos profissionais pelas mãos dos quais todos, pelo menos uma vez na vida, passam. Uma propaganda “bonitinha” não atrairá pretendentes à profissão e tampouco disfarçará os inúmeros problemas que tornam a docência cada vez menos interessante.

Os poucos atrativos acabam diluídos diante da desvalorização do magistério, infraestrutura precária, assédio moral e ausência de plano de carreira, sem contar nas dificuldades com material didático e tecnologias e trabalho extra para casa. Dizem que temos de trabalhar por “amor à camisa” ou “vestir a camiseta”. Tudo bem, mas é bom lembrar que o “amor à camisa” não paga contas, cursos de atualização, consultas e terapias decorrentes do excesso de descaso… Fica para refletir: algum político trabalharia “por amor à camisa” com um salário de três dígitos? Quem sabe, com menos holofotes, menos maquiagem e mais planejamento sério e execução, os professores não tenham um destino mais auspicioso…
Raquel Eloísa Eisenkraemer/Prof. doutoranda da rede mun. de ensino
Fonte:Jornal Gazeta do sul 03/06/2011

segunda-feira, 23 de maio de 2011

AMANDAS E AMÉLIAS

A professora Amanda Gurgel, do Rio Grande do Norte, virou sucesso instantâneo na Internet após, em uma audiência pública, chamar a atenção dos parlamentares e dos responsáveis pela educação do seu estado para o completo descaso com o setor. A mestra mostrou seu contracheque, que não chega a R$ 1 mil, mesmo com curso de pós-graduação, e expôs o sucateamento dos serviços educacionais, denunciando as péssimas condições de trabalho para o magistério e a falta de uma infraestrutura mínima para o aprendizado.
Em sua intervenção, a docente deixou claro que jamais a educação, em qualquer nível de governo, foi prioridade. Acusou que durante as campanhas eleitorais, o segmento é sempre alvo de uma atenção que nunca sai do papel. Aduziu que os principais especialistas no setor, os próprios professores, nunca são ouvidos na hora de se formularem as políticas públicas e se definir o montante de recursos a ser alocado no sistema educacional. Falou das agruras do cotidiano de uma classe que não recebe a valorização devida, não obstante ser decisiva para os destinos do país, bem como para seu desenvolvimento.
A repercussão da intervenção da professora Amanda mostra que ela assumiu um papel ativo na defesa de uma educação pública e de qualidade, ao lado de toda sua categoria. Em sua grande maioria, a nobre classe dos que ensinam é formada por mulheres, que estão suplantando o estigma de serem Amélias, como na canção de Mário Lago e Ataulfo Alves, a personagem eternizada na sua bonomia e passividade.
A escola de que o povo brasileiro precisa tem de aliar qualidade técnica com senso crítico. Nesse processo, não poderá prescindir da participação daqueles que estão na linha de frente dos procedimentos de aprendizagem. É preciso rever o conceito de que educação é despesa e não investimento. Para inverter a lógica atual, precisamos de mais Amandas e menos Amélias.
Fonte:Jornal Correio do Povo 23/05/2011

quarta-feira, 11 de maio de 2011

PROFESSORA QUE RECEBEU PRÊMIO NACIONAL PROVA QUE VALORIZAÇÃO É VITAL NA EDUCAÇÃO

Educadora gaúcha estimula alunos a compor músicas em sala de aula

Desde que conquistou o Prêmio Victor Civita Educador Nota 10, uma das maiores distinções concedidas a quem comanda o quadro-negro no país, a gaúcha Áudrea da Costa Martins, 36 anos, é a prova viva de que valorizar o mestre — o bom mestre — é vital para superar os desafios da educação.
Formada em música pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Áudrea estreou como docente em 2006, na Escola Municipal São João Batista, em São Leopoldo. Na época, não sabia ao certo por onde começar. Mas já carregava uma certeza:
— Eu era a primeira professora de música do colégio, que nem instrumentos tinha. E queria fazer a diferença.
Para tanto, a porto-alegrense apostou no inesperado. Em suas aulas, estimulou a gurizada a compor suas próprias melodias e canções. No início, chegou a levar os instrumentos de casa. Depois, a escola conseguiu arrecadar dinheiro para resolver o problema.

A adesão foi imediata, e Áudrea, em pouco tempo, tornou-se a professora mais popular do colégio. Certo dia, pediu às crianças que escrevessem versos de terror para serem musicados. Foi uma festa. Em outra ocasião, resolveu brincar com música eletrônica. Resultado: ganhou de vez o coração dos pupilos.
Sem ninguém saber, em 2009, ela criou coragem e se inscreveu no prêmio da Fundação Victor Civita. Para deleite de todos, superou os concorrentes. Com tudo pago e o peito estufado de orgulho, foi receber o troféu em São Paulo. Pela TV, seus colegas viram tudo.
— Foi uma choradeira. Nunca nos sentimos tão valorizados. A Áudrea merecia isso, porque o trabalho dela contribuiu para melhorar o rendimento dos alunos — conta a diretora, Márcia Henning.
Juliana Bublitz

juliana.bublitz@zerohora.com.br
Fonte;Jornal Zero Hora 11/05/2011

quarta-feira, 4 de maio de 2011

DOCENTES PODEM FAZER LICENCIATURA

Professores da rede pública de Educação Básica podem realizar, até o dia 22/5, pré-inscrições para cursos de licenciatura presenciais, por meio do Plano Nacional de Formação dos Professores da Educação Básica (Parfor Presencial). As inscrições serão validadas entre 23/5 e 10/6, pela Secretaria de Educação, estadual ou municipal, onde o professor em exercício está vinculado.

O objetivo do Parfor Presencial é garantir a formação acadêmica aos professores, exigida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, e promover a melhoria da qualidade da Educação Básica. O Parfor Presencial é uma ação organizada e financiada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes/MEC).

Interessados podem acessar a Plataforma Freire, no portal do MEC (http://www.mec.gov.br/), e obter informações sobre vagas e cursos. Aqueles que nunca acessaram esse sistema devem cadastrar o currículo. Em caso de dúvidas, ligar para 0800-616161, na opção 7 e acessar Fale Conosco.
Fonte:Jornal Correio do Povo 04/05/2011

quinta-feira, 21 de abril de 2011

INSTITUIÇÕES GAÚCHAS SÃO DESTACADAS

Escolas gaúchas obtiveram as melhores colocações na premiação de ontem, em São Paulo (SP), do "Programa pelo Direito de Ser Criança". Práticas escolares criativas e de valorização do brincar no processo de aprendizagem foram destacadas na promoção de OMO Unilever em parceria com o Instituto Sidarta. Entre as mais de 4 mil instituições participantes do concurso nacional, 31 delas receberam prêmios em equipamentos, brinquedos e uma praça infantil completa para instalar na escola, além de poder indicar outra instituição para ser também contemplada com pracinha. O concurso, que envolveu escolas públicas e privadas de 895 cidades, procurou evidenciar excelentes ações pedagógicas em prol do brincar e do aprender pela experiência.

Na categoria "Aqui se Aprende", que envolve atividades diferenciadas do Ensino Fundamental, venceu a Escola Municipal Carlos Frederico Schubert, de Montenegro, seguida da Escola Amigos do Verde, de Porto Alegre. Na categoria de Educação Infantil "Aqui de Brinca", o 1 lugar foi do Colégio João XXIII, de Porto Alegre. Ainda entre as dez primeiras colocações nacionais de Ensino Infantil e Fundamental estiveram as instituições gaúchas Escola Municipal Nairo José Prestes, de Guaporé; Colégio Santa Inês, de Porto Alegre; e Escola Municipal Núcleo Habitacional Getúlio Vargas, de Pelotas.
No evento, que reuniu cerca de 300 educadores representantes das escolas melhores classificadas, a gerente de Marketing de OMO Unilever, Paula Lopes, explicou que a iniciativa cultural tem o objetivo de valorizar o brincar no desenvolvimento das crianças, reconhecendo ações de aprendizagem de forma lúdica. Ela lembrou que, em 2008, quando o programa foi criado, cerca de 500 escolas de São Paulo estiveram concorrendo. Este ano, o número surpreendeu expectativas.
Fonte:Jornal Correio do Povo 21/04/2011

terça-feira, 19 de abril de 2011

AS ORIGENS DO DESRESPEITO

Gostamos de ser ouvidos. Temos a necessidade intrínseca de ser notado, de ser percebido pelo outro. Por isso, falar para as paredes, como se diz coloquialmente, machuca tanto quanto um tapa, e provoca no orador uma sensação de desânimo quase intransponível. Superar a indiferença do outro exige-nos sabedoria, muita paciência e um controle emocional enorme. Não é por acaso que os livros de autoajuda costumam vender, como receita infalível para conquistar as pessoas, o ato de saber ouvi-las. Ouça atentamente uma pessoa e ela jamais o esquecerá. Por natureza, o homem tem uma propensão maior para o falar do que para o ouvir. Falando externamos as nossas inquietudes, as nossas preocupações e pomos para fora tudo aquilo que nos incomoda. A fala é uma válvula de escape, um alívio imediato, por isso optamos antes pelo falar do que pelo ouvir.
Mas a fala também é o instrumento maior do professor. Geralmente é por intermédio da fala que o professor externa o conteúdo da sua disciplina. A fala constitui assim um instrumento valioso para o repasse de conhecimento. Entretanto, falar apenas não basta. Ouvir, num processo de aprendizagem, também é importante, uma vez que a dúvida e a inquietude do aluno podem exigir um redirecionamento da argumentação, podem influenciar na mudança de uma técnica, enfim, podem significar a necessidade de uma transformação postural e didática completa.
Há poucos dias, um conflito em sala de aula entre um professor e uma aluna, numa cidade do norte gaúcho, acabou se transformando em manchete de jornal por ter virado caso de polícia em função de uma suposta agressão por parte do professor. A aluna – classificada pelo professor como uma líder negativa – perturbava a sua aula levantando-se constantemente, desconcentrando, assim, a turma e o próprio professor. Resultado, a implicância surgiu de ambos os lados. No clima do tu fala e eu não te escuto, tu mandas e eu não te obedeço, o desfecho foi o pior possível: a falta completa de comunicação. Um orador sem ouvinte, uma boca sem ouvidos é o fim da interlocução e o início da barbárie. A falta de um dos três elementos básicos da comunicação, o orador, o meio e o ouvinte, tem sido, em todos os tempos, a causa raiz das maiores guerras que assolaram a humanidade. É, também, dessa falta de comunicação bilateral na sala de aula que surgem o desrespeito e os principais bloqueios no binômio ensino-aprendizagem. O episódio de Passo Fundo é um exemplo clássico de falta de entendimento e compreensão de ambas as partes.

Sérgio Peixoto Mendes/Filósofo
sergio_tell@ig.com.br
Fonte:Jornal Gazeta do Sul 19/04/2011

quinta-feira, 10 de março de 2011

A HORA DOS PROFESSORES

As aulas vão começar de fato? a vez de os professores do ensino fundamental e médio retomarem o trabalho estafante, heroico e de baixa remuneração que executam todos os dias com amor, na maioria esmagadora, afinco e criatividade. O professor de escola tem todos os méritos. Falar em meritocracia em relação a eles é redundância. Ou covardia. Um novo regime de mérito, pois cada professor deveria receber medalha todo ano por mérito e sacrifício, só deverá ser implantado depois que for aplicado a políticos, secretários de Estado e outros espertos que ficam soltando esse tipo de maldade. Universidade privada de qualidade, como a PUCRS, paga o mesmo salário para todos os seus professores de acordo com a titulação e a carga horária. Não somos jogadores de futebol para ganhar conforme o número de gols marcados.
A  vez é professores. Mas precisa ser também a hora deles. O então ministro da Educação, Tarso Genro, homem fino, culto e elegante, teve uma ideia maravilhosa: a lei federal do piso do magistério, cuja constitucionalidade foi contestada por cinco estados, entre os quais o Rio Grande do Sul. O STF vai se pronunciar em breve. Tarso Genro manifestou ao Supremo Tribunal Federal a desistência do Rio Grande na questão. Foi uma atitude digna. Aconteceu, depois de alguma hesitação, o primeiro encontro do governador com o Cpers, que está determinado a não enfraquecer a luta por simpatia com o governo. Tarso confirmou que está disposto a começar a pagar o piso. Uma proposta será apresentada em breve. Atrevo-me a dizer que o governador deve fazer mais: pagar imediatamente a integralidade do piso. Basta seguir o Brasil. A maioria dos estados já faz isso.
Tarso não pode viver com essa contradição, ter concebido uma lei que muitos aplicam e o seu Estado não. Não há dinheiro? A bela ideia do ministro Tarso já previa ajuda federal para que os estados pudessem cumpri-la. A linha agora, além de tudo, é direta com Brasília. Ligue, governador, ligue para a "mineirucha" Dilma Rousseff, que ela não deixará de atendê-lo, nos dois sentidos da palavra. Tenho o número dela aqui, mas não creio que o senhor precise dele, pois deve ter outros atualizados. Governador, ouça o que estou lhe dizendo humildemente, o magistério não pode esperar mais; é um povo sofrido, dedicado, maltratado, de baixíssimo poder aquisitivo. Por favor, governador, dê condições para que os professores possam comprar livros e ir ao cinema ver "Cisne Negro".
Governador, o senhor que não é homem de meias medidas, não submeta o magistério a uma agonia lenta nem a uma recuperação em doses homeopáticas. Faça o grande esforço, com ajuda federal, e pague os professores, que educam, apesar de limitações e falta de recursos, nossos filhos, netos, sobrinhos e irmãos, dando-lhes a consciência de cidadania sem a qual inexiste comprometimento e humanismo. Desculpe, governador, se fui pomposo. A penúria do magistério - permita-me o clichê, o senhor que conhece alta literatura e abomina lugares-comuns - me corta o coração. Ouse, governador, ouse.

Juremir Machado da Silva
juremir@correiodopovo.com.br
Fonte:Jornal Correio do Povo  10/03/2011

quinta-feira, 3 de março de 2011

PROFESSOR DE ESCOLA PÚBLICA PODERÁ FAZER CURSO SUPERIOR E PAGAR COM AULAS

Cerca de 381 mil professores da educação básica – 16% dos que atuam em sala de aula – estão matriculados em cursos superiores, seja para conseguir o primeiro diploma ou complementar a formação. O Ministério da Educação (MEC) quer incrementar esse número e decidiu ampliar benefícios do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) para profissionais que já atuam na rede pública.
Desde o ano passado, o programa permite a estudantes de cursos de licenciatura pagar o financiamento atuando em escolas da rede pública após a formatura. Cada mês trabalhado em regime de 20 horas semanais abate 1% da dívida – o que permite quitar o valor em oito anos e quatro meses sem custo financeiro.
A partir de uma portaria publicada hoje (3) no Diário Oficial da União, a medida será estendida a professores que já atuam na rede pública e querem cursar alguma licenciatura. Para aqueles que já estão na carreira, o tempo em que estiver fazendo o novo curso e trabalhando em escola pública passa a contar para o abatimento da dívida.
Levantamento feito pelo MEC em 2009 identificou que 600 mil professores que atuavam na educação básica não tinham a formação mínima adequada – ou não tinham diploma em nível superior ou eram formados em outra áreas que não as licenciaturas.
O cruzamento feito entre os dados dos censos da Educação Básica e Superior, que identificou 381 mil professores em busca do diploma, mostra que a maioria – 192 mil – está matriculada em cursos de pedagogia. Em seguida aparecem as licenciaturas em letras (44 mil), matemática (19 mil), história (14 mil), biologia (14 mil) e geografia (10 mil). Do total, 67% estão em instituições privadas.
De acordo com o ministro da Educação, Fernando Haddad, não é possível indicar se esses profissionais estão em busca de uma primeira ou de uma nova graduação. O MEC pretende depurar os dados para conhecer melhor esse público. “Mas os números nos surpreenderam positivamente. Nos dois casos [de o professor ter ou não nível superior], a busca pela formação é positiva”, disse.
Há ainda docentes matriculados em cursos que não são diretamente relacionados à prática pedagógica como direito (8 mil), administração (5 mil) e engenharia (3 mil).

Fonte:Jornal Agora edição 03/03/2011

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

MESTRES E ALUNOS

“Faz parte da humanidade de um mestre advertir seus alunos contra ele mesmo”, escreveu o filósofo Nietzsche (1844-1900) em sua obra Aurora. Pode parecer absurdo esse aforismo, mas são provocações como essa que despertam em nós, professores, reflexões sobre o que já fizemos e sobre o que podemos fazer agora na volta às aulas.

O título da obra nietzschiana vem a calhar para essa reflexão, se nos utilizarmos de algumas imagens bem desgastadas, mas válidas ainda. Aurora é aquele momento de claridade no horizonte, anunciando o nascer do sol. Pode simbolizar a passagem da ignorância (a escuridão) para a luz (o conhecimento). Não por acaso durante muito tempo foi usado, de uma forma equivocada, o significado da palavra “aluno” como “aquele que não tem luz”, “que vive nas trevas”. No entanto, é certo que a criança chega à escola já sabendo uma porção de coisas, ainda mais com o crescimento das novas – já nem tão novas assim – tecnologias. Segundo os linguistas, na verdade, aluno significa “criança de peito, lactente”, ou seja, é aquele indivíduo que precisa ainda receber os cuidados necessários como a nutrição e a proteção. Nesse caso, a escola deve fornecer a ele o alimento diferenciado, o qual não recebe em casa, que é o saber acumulado pela humanidade. E também deve protegê-lo num ambiente acolhedor para que ele se sinta como se estivesse no seio da sua própria família.

A aurora também representa um novo dia, por conseguinte, a renovação. Cada ano letivo é um ano diferente. A escola é uma das poucas instituições da sociedade que lutam contra o “mais do mesmo”. Como o deus Jano – porteiro do céu na mitologia romana, que tinha duas cabeças, uma olhando para a frente e outra para trás – planejamos os próximos meses, através de novas ideias e teorias que serão postas em prática, mas não esquecemos o passado, que nos ensina com os erros e os acertos.

Mas o que, afinal, o filósofo quis dizer com seu aforismo? Que devemos orientar o aluno a ir contra nós, professores? Minha interpretação bem pessoal e otimista é de que devemos orientar o aluno a não se deixar ser um adulto como os que temos hoje, que estão destruindo o mundo. A humanidade do mestre estaria em nutrir o aluno para que ele siga um caminho diferente, sendo criativo e questionador das verdades estabelecidas, contribuindo, assim, para um mundo melhor, atitude que nós, adultos, não estamos conseguindo fazer. O discípulo deve, para tanto, superar o mestre. Já numa interpretação pessimista... bem, deixemos o pessimismo pra lá.

Fonte: Cassionei Niches Petry/Professor
Jornal Gazeta do Sul  22/02/2011
cassio.nei@hotmail.com

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

PORTAIS DISPONIBILIZAM MATERIAIS EDUCATIVOS

O portal Domínio Público (http://www.dominiopublico.gov.br/) cadastra cerca de 3 mil obras de arte e literatura por mês. O site, de responsabilidade do Ministério da Educação (MEC), disponibiliza 187.533 arquivos para download gratuito de obras literárias, artísticas e científicas que já são de domínio público. O Portal do Professor  pode ser buscado pela página do MEC, registra números iguais de acesso. As aulas prontas, de variados assuntos, postadas por professores, são os materiais mais acessados.
Fonte:Jornal Correio do Povo 16/02/2011