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quinta-feira, 6 de março de 2025

Gelo nas regiões polares atinge a menor extensão já registrada

 








No Ártico, tamanho ficou 8% abaixo da média para o mês de fevereiro

A extensão global do gelo marinho atingiu um novo mínimo histórico no início de fevereiro de 2025 ficando durante todo o mês abaixo do recorde anterior, batido no mesmo período de 2023. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (6), pelo Serviço Copernicus para Mudanças Climáticas da União Europeia, e combina a medição por satélite do Ártico e Antártico, nos Polos Norte e Sul respectivamente.

O gelo marinho do Ártico ficou 8% abaixo da média para o mês, atingindo a menor extensão já registrada neste período em que costuma estar próximo a extensão máxima, após uma sequência de três recordes consecutivos nos últimos meses.

Já o gelo marinho Antártico atingiu a quarta extensão mensal mais baixa para fevereiro, ficando 26% abaixo da média. Ao contrário do Polo Norte, nesse período do ano, a extensão de gelo do Pólo Sul está próxima de atingir o mínimo anual e, caso não haja um novo recorde em março, esta será a segunda menor extensão de gelo já registrada em todos os meses na Antártica.

Temperatura

De acordo com a análise de dados do Copernicus, o mês de fevereiro de 2025 registrou temperatura média do ar na superfície de 13,36 graus Celsius (°C), o que representa alta 0,63°C em relação à média para o mês, calculada a partir de 1991 até 2020. Esse foi o terceiro registro mais quente para o mês.

Quando comparado ao período pré-industrial (1850-1900), fevereiro de 2025 ficou 1,59°C acima da média. Foi o 19º mês, dos últimos 20 meses, em que a temperatura média global do ar ficou 1,5°C acima do nível pré-industrial.

“Uma das consequências de um mundo mais quente é o derretimento do gelo marinho, e o recorde ou quase recorde de baixa cobertura de gelo marinho, em ambos os polos, empurrou a cobertura global de gelo marinho para um mínimo histórico”, explica Samantha Burgess, responsável estratégica pelo clima no Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF, na sigla em inglês).

A temperatura média da superfície do mar para fevereiro foi de 20,88ºC, considerando as zonas temperadas e intertropical, a cerca de 10 metros de profundidade. De acordo com o Copernicus, esse é o segundo valor mais alto para o mês, ficando apenas 0,18°C abaixo da temperatura medida no mesmo mês de 2024.

Seca

No segundo mês de 2025, a Europa registrou chuvas predominantemente abaixo da média e também índice de umidade do solo abaixo da média em grande parte da Europa Central e Oriental, no Sudeste de Espanha e na Turquia.

Segundo os dados do Copernicus, o tempo também esteve mais seco do que a média na maior parte da América do Norte, no Sudoeste e Centro da Ásia, na parte oriental da China e na maior parte da Austrália e da América do Sul, tendo a Argentina registrado incêndios florestais.

Fonte: Agência Brasil

terça-feira, 24 de setembro de 2024

"A doença da Terra é a humanidade", alerta climatologista Carlos Nobre

 











Mudanças climáticas e aquecimento global podem destruir o planeta

O planeta Terra corre um grande risco e é necessário que as pessoas se unam em uma importante missão: combater a emergência climática, o maior desafio que a humanidade já enfrentou. Para isso, um grupo de cientistas, estudiosos e políticos se uniu à iniciativa Guardiões do Planeta.

Considerado um dos maiores climatologistas do planeta, o cientista Carlos Nobre faz parte da iniciativa e, em entrevista à jornalista Adrielen Alves, falou sobre um documento apresentado em Nova York, na semana climática, intitulado Saúde Planetária.


"A ideia é exatamente essa, somos guardiões combatendo o crime, combatendo o risco de nós gerarmos o 'ecocídio', um suicídio planetário. Então, é um grupo de pessoas, alguns cientistas, como eu, mas também grandes políticos, que mostram que o planeta está correndo um risco tão grande que nós precisamos colocar isso como nossa principal missão".

O pesquisador, colaborador do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo e co-presidente do Painel Científico para a Amazônia, alerta para os perigos do aquecimento global, para a importância da reversão da emissão de gases que provocam o efeito estufa e aponta para alternativas para mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

A entrevista faz parte da produção em andamento do podcast S.O.S! Terra chamando!, uma parceria da Rádio MEC, Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e da Fundação Oswaldo Cruz.

Rádio MEC - Não poderia começar de outra forma essa entrevista. Em Brasília, temperaturas altas, a umidade do ar baixa, e além disso convivemos com incêndios nos últimos dias, inclusive na Floresta Nacional. A situação é crítica aqui no Cerrado, mas a gente sabe que a situação é crítica também em outros biomas. Justamente porque estão todos interligados?

Carlos Nobre - Porque o Brasil tem as maiores florestas tropicais do planeta. A Floresta Amazônica, a Mata Atlântica, tem também a savana tropical mais importante do planeta. O Cerrado é a savana tropical com a maior biodiversidade do planeta com uma quantidade muito grande de carbono armazenado, no solo, na matéria orgânica do solo. Isso é muito importante para a estabilidade climática do planeta, todos os biomas brasileiros. E infelizmente nós atingimos agora já nos últimos 14, 15 meses o recorde de temperatura do planeta, atingimos aí 1,5 grau mais quente do que antes do aquecimento global, nós temos que ir 120 mil anos atrás para ter essa temperatura, foi o último período interglacial. E isso foi atingido de uma forma muito rápida nos últimos anos e fez com que os eventos extremos, como secas, como ondas de calor, como chuvas, como nós temos no Rio Grande do Sul, em maio, e vários outros eventos de chuvas extremos em todo o planeta. E infelizmente, no Brasil, na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal, uma seca histórica com calor também. Infelizmente mais de 97% dos incêndios são humanos. É crime! Lógico, uma onda de calor, uma seca dessa, torna a vegetação muito mais inflamável. Quando se tem um incêndio, ele cobre e vai numa área muito maior se não tivesse uma onda de calor e uma seca dessa magnitude, foi recorde. Mas infelizmente no Brasil, o crime está colocando fogo, e o Brasil tem que rapidamente caminhar para proibir que a agricultura e a pecuária usem fogo. A agricultura e pecuária sustentáveis e modernas, produtivas, não usam fogo. Então, realmente, um enorme desafio na questão do fogo, como você falou, poluição muito grande em Brasília, estamos tendo as piores poluição do ar devido a essas queimadas, então nós temos realmente um enorme desafio, por um lado com combater as mudanças climáticas, buscar, aumentar muito a nossa capacidade de adaptação, preservar todos os nossos ecossistemas, ser o país com maior projeto de restauração florestal, mas também combater esse crime que, por razões até difícil de entender, você resolveu colocar fogo em tudo aqui no Brasil.

Rádio MEC - Sim, no podcast S.O.S! Terra Chamando! A gente aborda as questões relacionadas ao antropoceno, que é uma classificação controversa, porque a geologia não classifica que nós mudamos de época geológica. Mas outras ciências e áreas do saber, inclusive, as que estudam o sistema Terra, entendem, sim, que, pela ação humana, temos alterado, de forma rápida, o meio ambiente. Por um lado, nós temos essa ação, que é chamada de antropoceno, por outro lado, temos essa, como o senhor acabou de citar, ação criminosa, que é de alguém que vai lá e ateia fogo na mata. E existe também uma defesa de que a responsabilidade de mitigar esses efeitos das mudanças climáticas é de todos nós, humanos. Qual sua avaliação sobre isso?

Carlos Nobre - Sem a menor dúvida, foi até um pouco decepcionante que associações de geólogos não aprovaram totalmente alguma coisa, que foi previsto por cientistas climáticos antes, há cerca de 20 anos, nós entramos no outro antropoceno, uma nova “era’’ do planeta, no sentido de que não foram vulcões ou terremotos ou outras coisas que liberaram grandes quantidades de gás que provocam efeito estufa. Fomos nós mesmos! Nós é que jogamos uma quantidade tão grande! Por exemplo, já aumentamos a concentração de gás carbônico, para o principal gás do aquecimento global em 50%, e então, o que nós estamos fazendo com o planeta, a mudança climática? Nós estamos fazendo uma temperatura, e se continuarmos vai ser um um clima que não existe há milhões de anos. Nós estamos em um nível que só existia nos últimos períodos interglaciais, e 1 milhão de anos, algumas vezes, 10 mil, 20 mil anos atrás, que tinha essa temperatura de hoje. Se a gente chegar a 3 graus mais quente, nós temos que ir numa faixa de 4 a 5 milhões de anos atrás. O nosso antepassado, o homo erectus, um primata que ficou ereto, caminhando com as pernas, 2, 3 milhões de anos atrás, e nós o homo sapiens, 200 a 250 mil anos atrás, nunca o clima do planeta passou desses limites que nós já estamos passando agora. Então é realmente, antropoceno. E aí sim, nós temos que ver que nós é que modificamos o clima do planeta de uma maneira muito perigosa, nem o nosso corpo está adaptado por um clima muito mais quente, o estresse térmico. Se nós aquecemos três, quatro graus do planeta, muitas regiões equatoriais e mesmo nas latitudes médias nos meses de verão, a temperatura e umidade passarão do limite do corpo humano. Nós não conseguiremos transpirar mais. E aí, bebês e idosos e idosas, só vivem meia hora [30 minutos] com esse estresse térmico. Adultos saudáveis, 2 horas. Então nós podemos tornar muito do planeta inabitável, se nós continuarmos. É assim, é antropoceno, a primeira vez que uma espécie, nós homo sapiens, estamos causando um risco tão grande que se a temperatura passar de 4 graus até o próximo século, nós vamos gerar a sexta maior extinção de espécies do planeta. Se no meio de século 22, com mais 8 a 10 graus, pronto, vai ter a sexta extinção de espécies, que nós é que teremos causado. É um enorme risco, maior desafio que a humanidade já enfrentou. E nós temos realmente que combater essa emergência climática, nós temos que reduzir muito rapidamente as emissões, muito quase que a jato, reduzir ou zerar as emissões, criar gigantescos projetos de restauração florestal para remover uma grande quantidade de gás carbônico da atmosfera quando as florestas estão recrescendo. E é isso, e é lógico, junto com isso, buscar aumentar muito a resiliência de todas as populações com relação a esses extremos climáticos que não têm mais volta.

Rádio MEC - O senhor faz parte recentemente de um movimento chamado Guardiões Planetários, grupo de especialistas, cientistas e políticos engajados na defesa da Terra. Inclusive, os astrônomos também têm um movimento que se chama Astrônomos pela Terra. Muito se fala também em buscarmos alternativas no nosso Sistema Solar, em Marte, por exemplo. Um Planeta B seria uma possibilidade?

Carlos Nobre - Cientificamente, muitos têm a grande curiosidade de usar as modernas tecnologias espaciais. Os foguetes, os satélites para ir, chegar a visitar, já chegamos até a Lua, espera-se que nas próximas décadas se chegue até Marte, mas no sentido de estudar, entender como que os vários planetas do Sistema Solar evoluíram, isso é curiosidade científica. É completamente sem sentido imaginar que a condição climática vai tornar o nosso nosso planeta inabitável, o que eu falei, e aí se busca levar as pessoas para dentro de Marte, e criar lá um ambiente fechado com o clima que os humanos possam sobreviver, isso aí é absolutamente sem sentido. É uma busca de uma coisa que não precisa ter sentido, mas, de fato, os Guardiões Planetários, esse movimento, tem cientistas, tem ex-políticos, indígenas, grandes líderes. A ideia é exatamente essa, somos guardiões combatendo o crime, combatendo o risco de nós gerarmos o “ecocídio”, não? Suicídio planetário. Então, é um grupo de pessoas, alguns cientistas, como eu, mas também grandes políticos, que mostram que o planeta está correndo um risco tão grande que nós precisamos colocar isso como nossa principal missão de combater a emergência climática, como eu falei, o maior desafio que a humanidade enfrentou.

Rádio MEC - Sim, eu imagino que deva ser uma honra, um reconhecimento pela carreira que o senhor trilhou, que além das pesquisas, fazer parte dos relatórios do IPCC, enfim, algo que foi inclusive agraciado com o Prêmio Nobel da Paz, em 2007, mas por outro lado, eu imagino que seja uma responsabilidade muito grande. Então, quais são as iniciativas na prática, o que pode ser feito pela Terra diante de um mundo com desafios como negacionismo climático e científico?

Carlos Nobre - Nós temos que nos sentir encorajados, não podemos entregar o futuro do planeta, o futuro das nossas gerações, por exemplo, meus netos, não podemos entregar, não entregar um planeta com alguma possibilidade de sobrevivência do planeta. Os Guardiões Planetários entregamos, em Nova York, na semana climática, um documento chamado Saúde Planetária. Nós precisamos retomar, reforçar a saúde do planeta Terra, mostrar, quão perto nós estamos aí de uma doença fatal pro planeta Terra, e aquilo que eu falei, se a gente continuar aquecendo o planeta, no meio do próximo século a gente vai estar fazendo a sexta maior extinção de espécies do planeta, e a missão despreza a morte do planeta. Nós vamos lançar exatamente isso no documento, mostrando a importância e urgência de buscar soluções da saúde do planeta.

Rádio MEC - Muito alinhado inclusive com o tema do podcast que a EBC lança em parceria com a Fiocruz, o S.O.S! Terra Chamando! Diante do lançamento desse manifesto em Nova York, chamado Saúde Planetária. Se pudéssemos diagnosticar hoje, qual seria a doença do planeta Terra?

Carlos Nobre - Olha, a doença do planeta Terra somos nós, inclusive com toda a nossa ciência moderna, nós não temos percebido que nós estamos contaminando demais o planeta. Que o aquecimento global são os gases de efeito estufa de gás carbônico, metano, óxido nitroso, entre vários outros gases. Nós estamos [presentes] também no desenvolvimento industrial, no desenvolvimento da agricultura, nós geramos uma gigantesca quantidade de substâncias químicas que poluem, que levam a morte da biodiversidade, até mesmo poluem a qualidade do ambiente para nós, humanos. Veja a poluição das cidades. A poluição das cidades leva 6 a 7 milhões de mortes por ano. A poluição é a queima dos combustíveis fósseis que gera micropartículas de uma grande poluição. Esse grande avanço que a ciência, a tecnologia, trouxe para a vida dos humanos, é o que está levando ao mesmo tempo [à destruição], porque nós não nos preocupamos muito com todos os riscos, o que nós deixamos vazar, mas está levando um risco enorme para todas as populações, e é isso. Nós temos que realmente achar as soluções para tornar o nosso planeta sustentável para todas as espécies e para preservar a nossa vida.

Rádio MEC - Eu gostaria de relembrar uma fala do senhor, em 2008, quando disse que um dos maiores desafios para a questão da Amazônia seria encontrar um modelo que fugisse da exploração da soja, madeira e pecuária. E agora retomando também com essa ação, esse termo usado “floresta em pé”, em que o senhor fala sobre o projeto Amazônia 4.0, em que vai agregar o saber ancestral e a tecnologia. Algo mudou em relação aos desafios para a Amazônia?

Carlos Nobre - Sem dúvida, a Amazônia tem a maior biodiversidade do planeta, uma evolução de dezenas e dezenas de milhões de anos. E os indígenas chegaram na Amazônia 12, 14 mil anos atrás, e eles sempre utilizaram o conhecimento muito bem para tudo, para a saúde deles, para alimentação, no transporte, os produtos da biodiversidade. Os indígenas, nesses 12, 14 mil anos, utilizaram e utilizam ainda mais de 2,3 mil produtos da biodiversidade, por exemplo, 250 frutas alimentares, 1.450 plantas medicinais. Eles aprenderam a conviver muito bem com a floresta. Nós não! Nós trouxemos uma outra ideia quando chegamos aqui: os europeus, os portugueses, os espanhóis, chegaram aqui na Amazônia, e chegaram em todo o mundo da América do Sul, não enxergando o potencial que as florestas tinham. A floresta Amazônica tem a maior biodiversidade do planeta. E agora, nós já demonstramos estudos que utilizar os produtos da biodiversidade com a “floresta em pé”, chamados sistemas agroflorestais, que os indígenas começaram a desenvolver há 5, 8 mil anos atrás, tem um potencial muito melhor, emprega um número muito maior de empregados comparados com o pecuária, empregando 20 vezes mais do que pecuária, e também tem uma rentabilidade três a sete vezes maior que a pecuária. Portanto, melhora a vida das pessoas e todos esses produtos da biodiversidade fazem muito bem para a saúde também. Esse modelo mantém a Amazônia floresta em pé, cria sistemas de agrofloresta, e o Amazônia 4.0 é trazer um pouco das modernas tecnologias, que a gente chama bioindustrialização, agregar valor aos produtos da biodiversidade.

Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 26 de agosto de 2024

Confira as orientações para amenizar efeitos da fumaça na saúde


Fechar portas de janelas está entre as recomendações

Além das ações de combate aos incêndios que vêm ocorrendo em diversas regiões do país, é preciso que a população esteja orientada sobre como se proteger e evitar, sempre que possível, a exposição aos poluentes e à fumaça intensa e à neblina, causadas pelo fogo.
Entre as recomendações do Ministério da Saúde estão o aumento da ingestão de água e de líquidos, como medida para manter as membranas respiratórias úmidas e, dessa forma, ficarem mais protegidas. O tempo de exposição deve ser reduzido ao máximo, devendo manter a permanência em local ventilado dentro de casa, se possível com ar condicionado ou purificadores de ar. Para reduzir a entrada da poluição externa, durante os horários com elevadas concentrações de partículas, as portas e as janelas devem ser mantidas fechadas. As atividades físicas devem ser evitadas em horários de elevadas concentrações de poluentes do ar, e entre o meio dia e as 16h, quando as concentrações de ozônio são mais intensas.

É recomendável ainda a utilização de máscaras do tipo cirúrgica, pano, lenços ou bandanas para diminuir a exposição às partículas grossas, especialmente para populações que residem próximas às áreas de focos de queimadas. A medida reduz o desconforto das vias aéreas superiores. Já máscaras de modelos respiradores tipo N95, PFF2 ou P100 são adequadas para reduzir a inalação de partículas finas.

As recomendações devem ser seguidas por toda a população e a atenção deve ser redobrada em crianças menores de 5 anos, idosos maiores de 60 anos e gestantes.

Ao sinal de sintomas respiratórios ou outras ocorrências de saúde a pasta indica a busca imediata de atendimento médico. “Pessoas com problemas cardíacos, respiratórios, imunológicos, entre outros, devem buscar atendimento médico para atualizar seu plano de tratamento, manter medicamentos e itens prescritos pelo profissional médico disponíveis para o caso de crises agudas, buscar atendimento médico na ocorrência de sintomas de crises e avaliar a necessidade e segurança de sair temporariamente da área impactada pela sazonalidade das queimadas”, completou.

Sob a coordenação do Ministério da Saúde, o monitoramento de áreas que sofrem a influência da queima de biomassa é um dos campos de atuação da Vigilância em Saúde Ambiental e Qualidade do Ar (VIGIAR) e da Sala de Situação Nacional de Emergências Climáticas em Saúde.

Os dados desse monitoramento são enviados, semanalmente, pelo Ministério da Saúde aos estados e ao Distrito Federal no Informe Queimadas, com orientações para evitar a exposição da população às condições adversas.

Fonte: Agência Brasil

sábado, 18 de agosto de 2012

Rio Acre atinge níveis cada vez mais extremos na seca e na cheia













Estudos hidrológicos feitos por técnicos da Secretaria de Meio Ambiente do Acre (Sema) em parceria com a Agência Nacional de Água (ANA) demonstram que o Rio Acre tem apresentado níveis cada vez mais extremos, tanto nas enchentes quanto nas secas. Em 2011, o rio atingiu uma lâmina d’água de 1,5 metro, a segunda pior em 40 anos. A tendência é que a seca deste ano, que vai de agosto a outubro, a situação seja ainda pior.
A assessora técnica e engenheira florestal da Sema, Vera Reis, disse que as medições do nível do rio chegaram a 2,05 metros no início da estiagem. “Até meados de setembro, a tendência é que ele continue baixando”, acrescentou.
Segundo a técnica, os estudos apontam que as “alterações extremas” do Rio Acre são causadas pelo desmatamento, por ocupações irregulares, pelas queimadas e pela expansão das estradas. No período de estiagem, o rio é abastecido por lençóis freáticos que ficam comprometidos por essas ações.
“Nesta fase temos problemas de desabastecimento fortíssimo”, ressaltou Vera Reis. “Todas essas ações predatórias, além de outras, comprometem a vazão do Rio Acre ajudando na provocação de cheias que atingem boa parte da capital acriana”, disse.
Outro problema é a pouca informação sobre o comportamento hidrológico do rio. Em 2011, por exemplo, os técnicos da Sema consideravam que não haveria estiagem forte devido o longo período de cheia do rio, com fase crítica em abril. “Em 11 de setembro, tivemos a maior seca dos últimos 40 anos”, contou Vera Reis.
Em janeiro de 2012, o alagamento atingiu 17,6 metros, enquanto que o nível médio é 7,5 metros. O estado de alerta, segundo a técnica, é dado quando o nível do rio atinge 13,5 metros, momento em que água começa a entrar e alagar casas de moradores em bairros ribeirinhos.
Para melhorar a avaliação preventiva de cheias e secas, foi montada uma Unidade de Situação na Universidade Federal do Acre. Em parceria com a ANA, a unidade deve iniciar o funcionamento a partir deste ano, estima a técnica.
“Esta unidade moderniza nossa rede de hidrometeorologia que recebe informações sobre ocorrências de chuvas, níveis do rio e quando elas atingirão as cidades”, disse Vera Reis. O monitoramento permitirá aos bombeiros e à Defesa Civil adotar medidas preventivas capazes de minimizar as consequências das enchentes.
Estão sendo tomadas também medidas de conservação e preservação do Rio Acre. Entre elas, a recuperação de nascentes e plantio de mudas frutíferas em habitações ribeirinhas. A técnica informou que já foram plantadas 3 milhões de mudas para a recuperação de matas ciliares e nascentes do rio.
A falta de saneamento básico em bairros na beira do rio, como o Taquari na capital Rio Branco, é outro desafio a ser enfrentado. Ao visitar o bairro, a reportagem da Agência Brasil constatou derramamento de esgoto não tratado nas margens do rio. Os moradores não têm água potável, nem rede de esgoto.
Dada a forte estiagem em alguns pontos, é possível atravessar a pé o rio de uma margem à outra. A dona de casa e moradora do Taquari, Maria das Dores de Santana, 67 anos, reconhece que, apesar da poluição, usa a água do rio para cozinhar.
“Às vezes, eu uso a água do rio para cozinhar. Eu trato, coloco hipoclorito e uso. Graças a Deus até hoje não deu problema de saúde”, contou a moradora, que no período das cheias foi obrigada a deixar a casa onde vive. Para beber, ela disse que a filha compra galões de água potável.
Antônio Ferreira de Oliveira, pedreiro, 35 anos, também mora no bairro. Porém, pagou cerca de R$ 400 para construir um poço, chamado de cacimbão. Ribeirinho desde que nasceu, Antônio reconhece que “antigamente” o comportamento do rio nos períodos de chuvas e de estiagem não era tão severo.
“Ninguém sabe o que está acontecendo, o clima tá muito quente, amigo”, disse Antônio. O vizinho dele, Raimundo Lima Rebouças, 67 anos, teme que seu poço fique seco em um mês por causa do agravamento da seca. Diante da falta de água, o auxiliar de portaria de uma escola pública disse que compra 500 litros do caminhão-pipa.  A quantidade dá para beber, cozinhar, tomar banho e lavar roupa durante quatro ou cinco dias.
A cada compra, Raimundo Lima desembolsa R$10. Para quem tem caixa d'água com capacidade de mil litros, o custo dobra – o que movimenta uma verdadeira indústria de caminhões-pipa que vendem água nas comunidades pobres.




Agência Brasil 

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Seca do Rio Taquari encarece em 50% o transporte de soja

Os reflexos da seca na região do Rio Taquari vão além das margens secas. Há seis meses falta água para que embarcações cruzem os canais transportando soja, fertilizante e areia entre o vale e outros portos do Estado.



A situação se agravou no último mês, quando a baixa do rio impediu que mesmo embarcações pequenas aportassem em Estrela. Somente estão passando pela barragem de Bom Retiro do Sul, barcos com dois metros de comprimento e, mesmo assim, sem a carga completa.
Em seu nível normal, o rio suporta a passagem de barcaças com 90 metros de comprimento e capacidade para 3 mil toneladas de soja. O farelo do grão, que sai da região rumo a Rio Grande, está sem circular em embarcações grandes desde novembro. Como reflexo, há aumento em 48% no custo de transporte substituindo a via fluvial pelas rodovias.
— Há dias que nenhum barco passa pelo rio e única esperança é que volte a chover — diz o administrador do Porto de Estrela, Homero Molina.
Acostumado com a chegada e saída de barcos que transportavam em médica 70 mil toneladas de areia, soja e fertilizantes por mês, o administrador vê a água do rio baixar sem movimento das embarcações. A navegação Aliança, principal operadora do porto, está deixando de faturar mais de R$ 1 milhão no transporte de cargas pelo Rio Taquari.
Os prejuízos também atingem as exportadoras de grão e farelo de soja, que estão arcando com as despesas extras para garantir a competitividade.
— Temos um gasto quase 50% maior com frete, além dos transtornos de logística dentro da empresa e da sobrecarga das rodovias — explica o gerente de produção da Camera Agroalimentos, Valdetar Biberg do Nascimento.

Areia é pouca e mais cara

Na barragem de Bom Retiro do Sul, onde a seca é mais crítica, o nível está 1,5 metro abaixo do normal na parte mais alta. A baixa histórica, não registrada nos últimos 40 anos, faz com que embarcações carregadas de areia no Jacuí, descarreguem ali ou em Taquari, a carga a ser levada até Estrela de caminhão.
— A situação é muito crítica. O custo da produção dobrou e começa a faltar areia para o mercado do Vale do Taquari — explica o sócio-administrador da Areia do Vale, Valdequio de Almeida.
A redução da areia que chega na empresa caiu de 20 mil toneladas mês para 10 mil toneladas pela baixa do rio. As pequenas embarcações que ainda chegam até Taquari ou Bom Retiro do Sul não navegam com a capacidade total, o que torna a areia item de luxo na região.
Maiores construtoras estão sendo privilegiadas com o material escasso e pagam, no mínimo, 25% a mais pelo produto.
Jornal Zero Hora 18/05/2012

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Vítimas de enchentes no Sudeste e de seca no Sul podem sacar Bolsa Família


Os moradores de municípios afetados pelas enchentes em Minas Gerais, no Rio de Janeiro e no Espírito Santo e pela seca no Rio Grande do Sul podem sacar o Bolsa Família antecipadamente. A Caixa Econômica Federal antecipou para hoje (18) o saque do benefício de janeiro nessas localidades. O pagamento, que é feito de forma escalonada, ao longo do mês, será todo concentrado nesta quarta-feira.
O pagamento de fevereiro também foi antecipado para o dia 14 do próximo mês. A medida beneficiará os municípios que decretaram estado de emergência: 153 em Minas Gerais, 22 no Rio de Janeiro, 11 no Espírito Santo e 142 no Rio Grande do Sul.
Quem perdeu os cartões e os documentos pessoais pode procurar as prefeituras para a emissão da Declaração Especial de Pagamento, que permitirá o saque em agência bancária. A declaração é um documento de caráter provisório, emitido quando ocorre situação de emergência como nos municípios mineiros, que permite o pagamento do benefício somente no mês de referência.
Agência Brasil 18/01/2012

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

MAPA DA ESTIAGEM

























Municípios em emergência: 166

Notificações preliminares de desastre: 42
Pessoas afetadas: 978.979

Previsão de chuva: Pancadas isoladas hoje e amanhã, podendo ser fortes em alguns pontos e com temporais localizados. Amanhã, as pancadas atingem mais pontos do Estado. Na sexta, chove na maioria das regiões com maiores volumes do Centro para o Norte, onde algumas localidades podem ter chuva forte.

Fogo: Risco extremo de incêndios em vegetação em grande parte do Estado.

Fonte: Defesa Civil




Meteorologia prevê chuva em áreas isoladas da Região Sul



O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet)  alerta para a ocorrência de chuva forte e trovoadas hoje (11) em áreas isoladas no leste de Santa Catarina, centro e leste do Paraná. No Rio Grande do Sul, onde os termômetros devem marcar 38 graus Celsius, pode chover, mas em áreas isoladas. O último boletim divulgado pela Defesa Civil ontem à noite mostra que o número de pessoas afetadas pela falta de chuvas no estado, que de manhã era de 531 mil, subiu, até o fim do dia, para 978.979. São 166 municípios em estado de emergência.
Uma comitiva, formada por secretários e técnicos do governo gaúcho, embarca  hoje para Brasília com o objetivo de agilizar a liberação dos R$ 18 milhões que a União se comprometeu a liberar para amenizar os prejuízos. O grupo deve pedir ao governo federal um reforço de mais R$ 20 milhões. Esses recursos deverão ser aplicados na construção de poços artesianos, em kits, em caixas d'água, alimentação para o gado, sementes para o plantio e ajuda humanitária.
No extremo oeste de Santa Catarina, uma das regiões afetadas pela estiagem, o sol aparece com aumento de nuvens a partir da tarde. O deslocamento de uma frente fria pelo Rio Grande do Sul vai provocar pancadas isoladas de chuva no oeste e meio-oeste. Há risco de temporais isolados, descarga elétrica e queda de granizo.
O Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia (Epagri) informa que a chuva prevista para esta quarta-feira não é suficiente para resolver os problemas de déficit e de abastecimento de água.  
Segundo a Defesa Civil, 67 municípios decretaram estado de emergência e 429.314 pessoas sofrem de alguma forma com a falta de chuva. O governo do estado tem repassado recursos para as cidades mais atingidas, para o transporte de água às famílias e animais, bem como a terceirização de equipamentos para a produção de silagem e outras atividades que possam amenizar de imediato a situação.
No Paraná, sobe para 19 o número de municípios monitorados pela Defesa Civil, localizados nas regiões oeste e sudoeste do estado. O total de pessoas afetadas é 108.942. Até o momento, nenhum município decretou situação de emergência, pois estão sendo feitos os trabalhos de avaliação dos danos.
Fonte:Agência Brasil 11/01/2012

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Governo apura prejuízos com a quebra de safra e discute proteção aos produtores


Os ministérios da Agricultura e da Fazenda vão apurar os prejuízos da quebra de safra causada por secas e enchentes no país para colocar em prática mecanismos de proteção aos produtores, como a prorrogação de dívidas rurais e o pagamento de indenizações para quem contratou o seguro rural.
Segundo o Ministério da Agricultura, também foi discutida em reunião interministerial feita hoje (9) a criação de novos mecanismos de proteção aos produtores rurais que tenham sua renda afetada por situações de emergência.
O encontro ocorreu na Casa Civil e teve a presença dos ministros da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, do interino da Fazenda, Nelson Barbosa, da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho. De acordo com Mendes Ribeiro, “novos mecanismos de socorro” serão buscados com “a maior rapidez possível” para beneficiar tantos os produtores com capacidade de pagamento quanto os que enfrentam dificuldades para quitar seus financiamentos ou tiveram alguma perda de infraestrutura.
Neste início de ano, o excesso de chuvas está afetando os estados do Sudeste, principalmente Minas Gerais. Já a falta de chuvas traz prejuízos a produtores rurais do Nordeste e do Sul, onde diversos municípios decretaram situação de emergência.
Agência Brasil 09/01/2012

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Seca: governo garante que agricultores do Sul inscritos no Pronaf vão receber seguro


Curitiba - O Ministério do Desenvolvimento Agrário garantiu hoje (6) que os agricultores da Região Sul inscritos no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) estão assegurados contra as perdas provocadas pela estiagem. A seca está causando prejuízos para os três estados – Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
Segundo o secretário da Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Laudemir Müller, os agricultores têm direito ao Seguro da Agricultura Familiar (Seaf). O agricultor indenizado receberá 100% do valor financiado mais uma renda até R$ 3,5 mil.
A orientação é que as comunicações de Ocorrência de Perdas (COPs) sejam feitas na agência bancária onde foi contratada a operação de crédito amparada pelo Seaf. No ato da comunicação, o agricultor deve apresentar ao banco os comprovantes de aquisição de insumos. De acordo com o ministério, os agentes financeiros, as cooperativas e os serviços de assistência técnica e extensão rural estaduais já tomaram as medidas cabíveis para assegurar condições adequadas para que os agricultores Preencham as COPs.
Os peritos estão vistoriando das lavouras dos agricultores que fizeram as comunicações. Segundo o secretário, só no Rio Grande do Sul, são 223 mil agricultores familiares com seguro agrícola nesta safra (2011-2012), o valor segurado chega a R$ 1,5 bilhão. Até ontem (5), foram feitas 12 mil comunicações de perda no estado. “Os agricultores que identificarem perda acima de 30% devem procurar o agente financeiro onde o financiamento foi feito. Esse agente acionará os técnicos e eles irão até a lavoura para fazer o laudo e identificar o tamanho da perda", explica Müller.
De acordo com o último boletim da Defesa Civil, a estiagem atinge 388.040 pessoas no estado. Já são 71 municípios em estado de emergência, e o número de municípios com notificação preliminar de desastre chega a 37.
Em Santa Catarina, a Defesa Civil informa o aumento no número de municípios em situação de emergência para 50. Até o momento, 382.965 pessoas sofrem com a falta de chuvas no estado. O governo do estado está prestando atendimento aos municípios mais atingidos, como Chapecó.
No Paraná, o prejuízo financeiro chega a R$ 1,52 bilhão, decorrente da quebra da produção da safra de grãos de verão, estimada em 11,5%. A previsão era colher 22,13 milhões de toneladas. De acordo com a Defesa Civil, oito municípios – Capitão Leônidas Marques, Pranchita, Santo Antônio do Sudoeste, Nova Esperança do Sudoeste, Pinhal de São Bento, Rio Bonito do Iguaçu, Bom Jesus do Sul e Barracão – enviaram notificação preliminar de desastre. As solicitações estão sendo analisadas e nesses municípios poderá ser decretado estado de emergência.
Agência Brasil 06/01/2012

domingo, 11 de dezembro de 2011

Meio ambiente sofre com a seca

Engana-se quem pensa que a estiagem provoca apenas problemas econômicos e de abastecimento. A queda no nível dos rios atinge drasticamente o meio ambiente. Isso deve-se a um efeito em cadeia que ocorre quando há seca. O coordenador executivo do Instituto Martim Pescador, Pedro Teixeira, explica que a estiagem faz com que a água fique em um volume menor, dificultando a captação para o consumo. E quando isso ocorre é necessário utilizar substâncias para purificá-la.

Além disso, com o nível mais baixo, a presença de lixo fica mais evidente. E, como não é arrastado pela correnteza, acaba se prendendo no fundo. Outra situação complicada é em relação à concentração do esgoto. "Imagine se diariamente são despejados 100 litros de esgoto em mil litros de água do rio. Porém, com a seca, os 100 litros de esgoto são jogados em 500 litros de água. Assim, a concentração é muito maior e o nível da qualidade cai muito", compara Teixeira.

Essa situação reflete diretamente na qualidade da água para os peixes. A estiagem faz com que eles tenham mais dificuldade em respirar. Muitos morrem.

No trecho do rio Gravataí, na divisa entre Porto Alegre e Canoas, o cenário é de tristeza. A água chega a estar quase preta, em função da quantidade de impurezas. Há lixo em praticamente toda a extensão. Além disso, o mau cheio é forte em função da poluição. Quem trabalha ou mora próximo enfrenta dificuldades e vê com desalento a situação do manancial, que mais parece um valão. É grande também a quantidade de peixes que não conseguem sobreviver no Gravataí e, depois de mortos, ficam boiando nas águas.


Uma década de estiagem no RS

Levantamento da Defesa Civil aponta que 91% dos municípios foram afetados nesse período. Metade Sul lidera ocorrências

As estiagens já prejudicaram, no mínimo, 91% dos municípios gaúchos na última década. O dado faz parte de levantamento exclusivo da Defesa Civil do Estado, que está em fase final de elaboração. A pesquisa tem como objetivo identificar as localidades mais afetadas e quais as políticas que podem dar sustentação para minimizar os prejuízos, em especial à economia, em função da falta regular de chuvas. Segundo o levantamento, dos 496 municípios gaúchos, 453 em alguma situação nos últimos dez anos ingressaram com processos na Defesa Civil informando situação de emergência ou calamidade pública.

O coordenador em exercício da Divisão de Convênios da Defesa Civil, Delamar Jobim, responsável pela pesquisa, informa que as ocorrências das estiagens são as mais frequentes no Estado - representam 48% do total -, se for feita comparação com as enchentes e os vendavais.

A Metade Sul aparece como a região mais afetada. Outra conclusão do levantamento preliminar é a sazonalidade em que a estiagem se dá no RS, com períodos em que a mudança climática é mais acentuada. Por exemplo, entre 2004 e 2005, quando o Estado viveu uma das suas piores secas, e nos dois anos seguintes a crise foi amenizada. O secretário estadual de Obras Públicas, Irrigação e Desenvolvimento Urbano, Luis Carlos Busato, ressalta que o fenômeno já faz parte do Rio Grande do Sul e dificilmente essa condição vai mudar.

"Na última década, enfrentamos oito secas e estamos prevendo que em 2012 o Estado passará por uma das suas piores estiagens e teremos que buscar fazer o máximo para amenizar os prejuízos. Agora, temos que atuar na prevenção", afirma ele, tendo como base regiões que já estão começando a ser afetadas, como a Campanha e o Vale do Sinos.

Em São Leopoldo, na Rua da Praia, que passa ao lado da margem do Sinos, o nível está mais baixo. É possível ver peixes mortos e outros agitados em busca de oxigênio. Isso deve-se à redução de água e à poluição. Para amenizar, foram instalados três aeradores - equipamentos que servem para fazer com que a oxigenação seja maior. Na manhã deste sábado, integrantes do Consórcio Pró-Sinos promoveram a transferência de peixes. Eles foram retirados de trecho onde o Rio dos Sinos estava abaixo do ideal e com pouca oxigenação para áreas mais altas.

Busato reconhece que o Estado avançou muito na área da prevenção à estiagem a partir da criação de uma secretaria especial na gestão anterior. Apesar disso, diz que ocorreram poucos avanços efetivos. Destaca que neste ano foram construídos 450 açudes que beneficiam em especial pequenos agricultores de 90 municípios. O investimento foi de R$ 4,9 milhões. Isso foi possível por meio de uma parceria, em que o Estado é responsável por 80% do custo da obra e o agricultor pelo restante. Atualmente, estão sendo construídos mais 302 açudes, em 56 municípios, com investimento de R$ 3,3 milhões. Ainda em dezembro, começará o processo de licitação para outros 433 em 105 cidades, somando R$ 11,5 milhões. Para incentivar agricultores, o governo, por meio do Banrisul, disponibilizará linha de financiamento. A expectativa do secretário é que sejam construídos 2 mil açudes por ano.
Fonte:Jornal Correio do Povo 11/12/2011