quarta-feira, 22 de julho de 2026

Anvisa aprova medicamentos pediátricos para lúpus e esclerose múltipla

 
Passam a ser liberados o belimumabe e o ocrelizumabe

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira (20), a ampliação do tratamento de lúpus e esclerose múltipla para para crianças e adolescentes por meio de medicamentos. A medida foi publicada no Diário Oficial da União.

Para crianças a partir de 5 anos de idade com lúpus eritematoso sistêmico (LES) ativo, o Benlysta (belimumabe), da GSK Brasil, passa a ser indicado como tratamento complementar. O medicamento é destinado a pacientes que apresentam alto grau de atividade da doença, e que já estejam em tratamento padrão, com corticosteroides, antimaláricos, anti-inflamatórios não esteroides ou outros imunossupressores.

A medida abrange as alternativas em caneta aplicadora/autoinjetora, visando reduzir a necessidade de deslocamentos a centros de infusão e o conforto dos pacientes. A formulação intravenosa do medicamento já estava aprovada para pacientes pediátricos

Outro medicamento que teve ampliação de uso em pacientes a partir de 12 anos e 40 kgs é o Ocrevus (ocrelizumabe), da Roche, destinado ao tratamento da esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR). O produto é um anticorpo monoclonal recombinante, que contribui para a redução da atividade inflamatória associada à doença.

“O reconhecimento da indicação pediátrica do ocrelizumabe é uma notícia muito positiva para neurologistas, pacientes e familiares. Contar com uma terapia de alta eficácia a partir dos 12 anos de idade permite um tratamento mais precoce e direcionado da esclerose múltipla, com potencial para melhorar o prognóstico em longo prazo” afirma o neurologista e neuroimunologista do Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) Caio Disserol.

Sobre o lúpus

O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença inflamatória autoimune, que pode afetar múltiplos órgãos e tecidos, como pele, articulações, rins e cérebro. Em casos mais graves, se não tratada adequadamente, pode levar ao óbito. Entre os principais sintomas estão febre, rigidez muscular e inchaços, lesões na pele que surgem ou pioram quando expostas ao sol, linfonodos aumentados e queda de cabelo.

Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, a doença afeta entre 150 mil e 300 mil pessoas no Brasil, principalmente mulheres entre 20 e 45 anos. O diagnóstico é feito a partir de uma série de exames médicos, como hemograma, biópsia renal, exame de urina, entre outros. O tratamento é principalmente paliativo.

Sobre a esclerose múltipla

Já a esclerose múltipla é uma doença inflamatória crônica e autoimune do sistema nervoso central. O sistema imunológico ataca a mielina que reveste e protege as fibras nervosas, prejudicando a comunicação entre o cérebro e o restante do corpo.

Na forma remitente-recorrente, a doença é caracterizada por episódios de novos sintomas neurológicos ou agravamento dos já existentes, seguidos por períodos de recuperação parcial ou completa. A manifestação dos sintomas antes dos 18 anos é considerada uma condição rara e mais grave da doença.

Entre os sintomas mais comuns estão fadiga extrema, dormência, formigamento, alterações visuais (como visão turva ou dupla), fraqueza muscular, desequilíbrio e dificuldade de controle da bexiga. As causas envolvem predisposição genética e fatores ambientais que funcionam como gatilhos, como infecções virais, tabagismo e obesidade. O diagnóstico é feito por um neurologista junto a exames complementares.

FONTE: Agencia Brasil

terça-feira, 21 de julho de 2026

Sinais do câncer colorretal devem ser checados com rapidez; saiba mais

 

Pesquisa indica que parte dos brasileiros adia ida ao médico

Apesar de reconhecerem que sintomas como presença de sangue nas fezes e mudança no fucionamento do intestino por mais de um mês podem ser graves, os brasileiros podem estar adiando a busca por assistência médica. A presença desses dois sinais está entre os principais indicativos do câncer colorretal e deve ser investigada o quanto antes.

Esse é o alerta de um levantamento divulgado pelo Hospital A. C. Camargo e da Nexus, que ouviu mais de 2 mil pessoas sobre o câncer colorretal e seus sintomas.

Segundo as respostas colhidas no estudo, oito em cada dez entrevistados declararam ter consciência de que esses dois sintomas podem ser graves. Cerca de 67% dos entrevistados concordam que esses sintomas podem indicar a doença, e 24% concordam muito com essa afimação. Ainda assim, quase metade não procura assistência médica com rapidez.

A pesquisa indicou que 9% dos entrevistados já notaram a presença de sangue nas fezes. Desses, 59% buscaram atendimento médico imediatamente, mas 40% não tiveram essa reação:19% não fizeram nada e esperaram o sintoma passar;
10% aguardaram dias ou semanas antes de procurar um médico;
7% recorreram a remédios caseiros ou mudanças na alimentação;
3% foram à farmácia buscar medicação por conta própria;
1% pesquisou na internet antes de buscar orientação profissional.

Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes

Dois em cada três entrevistados (67%) nunca ouviram falar do exame “Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes” (PSO), o principal recurso para identificar sinais da doença antes de sintomas evidentes. Apenas 11% já realizaram o exame, enquanto 21% conhecem o procedimento, mas nunca o fizeram.

O desconhecimento chega a 85% entre os mais jovens, de 16 a 24 anos, e também é maior do que a média entre homens (76%), pessoas com menor renda (73%) e que estudaram apenas até o ensino fundamental (72%).

A pesquisa também mostra que apenas 21% dos entrevistados conhecem alguém que já teve a doença, sendo 15% um parente muito próximo e 6% um amigo ou conhecido. Outros 75% disseram que nunca tiveram contato com pacientes desse tipo de câncer.

Diagnóstico precoce

O líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A. C. Camargo Cancer Center, Samuel Aguiar, reforçou que, diante do aumento de casos da doença no Brasil, é importante não ignorar sinais como sangramento, alteração no ritmo intestinal, dor abdominal persistente e perda de peso sem causa aparente.

“Também é necessário realizar exames preventivos a partir dos 45 anos ou antes, conforme orientação médica e histórico familiar. O diagnóstico precoce do câncer colorretal está diretamente ligado a taxas de cura mais elevadas, o que reforça o papel de exames simples, como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia, na detecção da doença ainda em estágio inicial”, ressaltou Aguiar.

De acordo com dados o Instituto Nacional de Câncer (INCA), 53.810 novos casos de câncer colorretal por ano no Brasil para o triênio 2026-2028, o que o torna o segundo tumor com maior incidência entre os brasileiros. Esse tipo de câncer é o mesmo que levou á morte da cantora Preta Gil, em julho do ano passado, depois de dois anos de tratamento.

FONTE: Agencia Brasil

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Ingestão de água é importante no inverno para evitar doença dos rins

 
Idosos são alvo principal do alerta da Secretaria de Saúde do Rio

A queda da temperatura no inverno pode trazer consequências sérias para a saúde dos rins, devido a uma mudança de comportamento nessa estação do ano.

Com menor sensação de sede, as pessoas, principalmente idosas, acabam reduzindo a ingestão de água durante o inverno, o que favorece a ocorrência doenças como cistites e até a formação de cálculos renais, alerta a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro.

A pasta informa que realiza diagnóstico e tratamento de enfermidades renais nas unidades do Rio Imagem Centro e em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O acesso é feito por meio de encaminhamento médico, dentro do Sistema Único de Saúde (SUS).

Sintomas

As pessoas ao perceberem dor intensa na região lombar, dificuldade para urinar, sangue na urina, infecções urinárias recorrentes, perda involuntária de urina ou alterações no fluxo urinário, devem procurar atendimento na unidade básica de saúde.

De acordo com a orientação da secretaria, “a avaliação médica é fundamental para identificar a causa do problema e definir a necessidade de exames especializados”.

Exames

No Rio Imagem, o paciente com sintomas urinários, como incontinência, bexiga hiperativa e dificuldade para urinar, pode dispor de exames de urodinâmica, que avalia o funcionamento da bexiga e da uretra.

“Uma das opções terapêuticas oferecidas é a litotripsia extracorpórea por ondas de choque, procedimento minimamente invasivo, que fragmenta as pedras nos rins para facilitar sua eliminação pela urina”, informa a secretaria.

Acesso ao tratamento

O acesso às unidades do Centro e da Baixada ocorre por encaminhamento da Atenção Primária, após atendimento em uma Clínica da Família ou unidade básica de saúde da rede municipal.

A secretaria recomenda atenção especial à alimentação. Embora o frio não seja a causa direta dessas doenças, hábitos típicos da estação aumentam o risco.

“De uma forma geral, é importante aumentar a ingestão de água - dois a três litros por dia - praticar atividade física e evitar alimentos ricos em sódio e ultraprocessados”.


FONTE: Agencia Brasil

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Projeções indicam até 127 dias de calor extremo por ano até 2075

 

Temperatura máxima média do Brasil vai subir 1,7ºC, diz estudo

Projeções climáticas da i4sea indicam que o Brasil terá até 127 dias de calor extremo por ano até 2075, frente aos 6 dias atuais.

Para chegar ao resultado a i4sea aplicou ao território brasileiro mais de 26 modelos climáticos globais — entre eles o MPI-ESM1-2-HR, do Instituto Max Planck de Meteorologia — e hiper localizou os resultados para um horizonte até 2075.A i4sea é uma plataforma de inteligência climática que apoia empresas com ativos e operações impactados pelo clima em decisões estratégicas e operacionais. 

Segundo o estudo, a temperatura máxima média do país sobe 1,7 graus Celsius (°C), com aquecimento que chega a 7°C em algumas regiões.

O recorte regional do levantamento aponta a Região Norte como a mais exposta em 2075, com aumento médio de 2,8°C na temperatura máxima e projeção de 193 dias de calor extremo por ano.

Rondônia lidera o ranking estadual, com alta projetada de 3,95°C. “Em paralelo, o estudo indica uma tendência de até 13 ondas de calor anuais no país o que muda a forma como setores como energia, infraestrutura, saúde e logística precisam pensar continuidade operacional”, diz a i4sea.

O Centro-Oeste aparece em seguida, com aumento projetado de 2°C e salto de 5 para 107 dias de calor extremo por ano. Já no Sul, onde o aumento médio é mais contido (1,1°C), os dias de calor extremo passam de 4 para 38 por ano.

Acre e Roraima aparecem logo atrás de Rondônia no ranking estadual, com aumentos projetados de 3,36 °C e 3,16 °C, respectivamente. Em Roraima, a projeção indica até 250 dias de calor extremo por ano até 2075, ou seja, cerca de dois terços do ano sob essa condição.

O diretor presidente da empresa, Mateus Lima, afirma que o papel da plataforma é entregar para o tomador de decisão um cenário climático tão claro quanto qualquer outro indicador de planejamento estratégico como receita, câmbio, mão de obra.

"O que os dados mostram é que o calor deixará de ser um evento sazonal para virar uma variável permanente do plano de negócios. Quem incorpora isso agora ganha tempo para adaptar infraestrutura, processos e proteger as pessoas que fazem a operação acontecer", afirmou Lima.

FONTE: Agencia Brasil

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Crianças são mais vulneráveis a envenenamento por picada de escorpião

 

Casos recorrentes de envenenamento sistêmico grave por peçonha de escorpião, como o da menina Valentina Nobre Lima, de 11 anos, que morreu após ser picada ao calçar o sapato no Distrito Federal, chamam a atenção para a vulnerabilidade de crianças.

Após o acidente, a família procurou o Corpo de Bombeiros, mas só teve acesso ao soro antiescorpiônico em um hospital regional. De lá, a criança foi encaminhada para uma unidade de terapia intensiva (UTI). Valentina foi intubada e permaneceu em coma induzido por 24 dias. Ela faleceu no último domingo (5).

No Brasil há mais de 170 espécies de escorpião e os efeitos das picadas podem ser mais ou menos perigosos, conforme a espécie e quem recebe o veneno. O escorpião-amarelo, com ampla distribuição em todas as macrorregiões do Brasil, é o responsável pelos acidentes mais graves.

Segundo Joelma Gonçalves Martin, especialista da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), as crianças são mais vulneráveis à substância injetada pelo escorpião, por serem menores, com menos massa corporal que um adulto.

“É um veneno extremamente agressivo. A criança é picada, recebe a mesma quantidade de veneno que um adulto receberia, mas nela o veneno se distribui por um organismo que tem um peso corporal menor. Então isso vai resultar numa dose de toxina por quilo de peso maior nas crianças, do que no adulto”, explica a pediatra.

Sintomas

De acordo com Joelma, o veneno do escorpião possui toxinas que atuam no sistema nervoso, causando diferentes sintomas que afetam principalmente o coração e o sistema neurológico.

“Essas substâncias podem causar ataque cardíaco importante, podem levar à hipertensão, levar à edema agudo de pulmão. E, no caso do coraçãozinho da criança e do sistema nervoso isso é mais intenso, já que as crianças têm menor reserva fisiológica para suportar essas alterações”, diz.

De acordo com a pediatra, o agravamento do quadro logo apresenta outros sinais como taquicardia, sudorese, sinais de pressão alta, de pressão baixa, convulsão, agitação psicomotora, sonolência, falta de resposta neurológica, bradicardia (batimentos lentos), dor abdominal e falta de ar.

“A intensidade dos sintomas da picada do escorpião vai depender, claro, da quantidade de veneno que foi inoculada e da idade do paciente, sendo que as crianças têm sintomatologia mais grave”, reforça Joelma Martin.

Atendimento

Os sinais da picada na pele são pouco visíveis, mas a dor intensa é um forte sinal de que a picada existiu e que é necessário rapidez na resposta médica especialmente de crianças, idosos e pessoas imunodeprimidas.

“É muito importante que nós tenhamos nos municípios um mapeamento de onde é o serviço mais próximo que tenha o soro antiescorpiônico, para que os pacientes possam ser imediatamente encaminhados para lá, porque efetivamente o tempo de recebimento deste soro é responsável pela melhor resposta”, explica a pediatra.

De acordo com informações divulgadas pelo Centro de Informação e Assistência Toxicológica o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) ou o Corpo de Bombeiros (193) podem ser acionados para transportar o paciente até os hospitais de referência para soroterapia de acidentes por animais peçonhentos.

Cada Secretaria Estadual de Saúde é responsável por manter atualizada a lista desses hospitais.

Segundo Joelma Martin é importante ter essa informação antes mesmo do acidente acontecer, para evitar perder tempo na busca por outros serviços de saúde que não possuam o soro antiescorpiônico.

“Higienizar o local [da picada]. Eventualmente, pode dar um remédio com analgésico via oral, que costuma ser pouco eficaz, mas é para minimizar um pouquinho a dor. Levantar o membro [que recebeu a picada], também pode ser complementos do tratamento importantes, mas que não devem atrasar o encaminhamento ao hospital”, diz a pediatra.

Prevenção

Como as crianças são mais vulneráveis aos casos graves de envenenamento, é necessário redobrar a prevenção entre elas.

“Orientar as crianças a chacoalhar os sapatinhos que estão ali debaixo da cama, as roupas que estão paradas há muito tempo, não irem brincar em lugares com muitos buracos na parede, com muitos resíduos, acúmulos de material de construção, trilhos de trem. Essas coisas todas retém ou escondem o escorpião”, destaca Joelma.

O manual do Ministério da Saúde que trata de acidentes por escorpiões, alerta que a limpeza de ambientes é fundamental para evitar a presença de insetos que sirvam de alimento ao escorpião. O uso de soleiras, telas e vedações de ralos, pias em taque fora de uso também são barreiras.

Afastar camas e berços das paredes e evitar que roupas de cama, mosquiteiro e outros tipos de panos encostem no chão, para evitar a subida do escorpião. E quando identificar a sua presença, comunicar a vigilância ambiental.

“Gostaria de enfatizar que os escorpiões se multiplicam por partenogênese, portanto eles têm os filhotinhos sozinhos mesmo. Quando uma pessoa encontra um escorpião, em geral, existe uma família deles por perto”, conclui a pediatra.

FONTE: Agencia Brasil

terça-feira, 14 de julho de 2026

SUS oferta insulina glargina para crianças, adolescentes e idosos

 
Mais moderno, remédio tem dose diária única

O Ministério da Saúde está substituindo gradualmente a insulina NPH pela glargina no Sistema Único de Saúde (SUS). A medida beneficiará pacientes de 2 a 18 anos incompletos com diabetes tipo 1 e pessoas com 70 anos ou mais diagnosticadas com diabetes tipo 1 ou tipo 2.

Até essa segunda-feira (13), o Ministério da Saúde já havia encaminhado mais de 254 mil tubetes de insulina glargina a 16 estados. Também foram distribuídas 52.350 canetas reutilizáveis para a aplicação do medicamento. Todas as unidades da Federação devem receber o medicamento até o fim de julho.

O acesso ao medicamento ocorrerá mediante avaliação clínica e prescrição médica, com oferta nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de todo o país.

Considerada opção terapêutica mais moderna, a insulina glargina tem ação prolongada e, na maioria dos casos, requer apenas uma aplicação diária.

Outros esquemas de tratamento podem exigir até três aplicações no mesmo período.

Segundo o ministério, o uso da insulina glargina proporiona controle mais estável da glicemia e reduz o risco de episódios de hipoglicemia.

A expectativa é que a mudança proporcione mais segurança e qualidade de vida aos pacientes atendidos pelo SUS.

Acesso

Para acessar a insulina glargina, o paciente deve procurar a UBS mais próxima de sua residência com a receita médica devidamente emitida e carimbada.

No caso de crianças e adolescentes, pais, responsáveis ou cuidadores também podem pedir a substituição da insulina NPH pela nova opção terapêutica.

Os usuários serão atendidos por uma equipe multiprofissional, responsável por avaliar o quadro clínico e verificar a possibilidade de transição do tratamento.

Junto com a insulina glargina, será disponibilizada uma caneta reutilizável para aplicação, com validade de três anos, além das agulhas necessárias para a administração do produto.

FONTE: Agencia Brasil

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Alunas vencem concurso internacional com projeto sobre câncer de mama

 
É a primeira vez que uma equipe brasileira vence o ISS Journey

Equipe brasileira formada por alunas do 8º e 9º ano do Colégio Ser, de Jundiaí, no interior paulista, conquistou o primeiro lugar no ISS Journey, programa internacional que desafia estudantes a desenvolverem experimentos científicos para serem realizados em condições de microgravidade.

Nesta edição, mais de 70 equipes brasileiras participaram da competição e apenas dez chegaram à fase final. Esta foi a primeira vez que uma equipe brasileira vence, agora composta pelas alunas Beatriz Marques Herculano (14 anos), Giovanna Machado Tasso (14 anos), Lavínia Carboni Berti (14 anos) e Sara Lourenço Panico (15 anos), .

As alunas apresentaram a pesquisa com foco no câncer de mama e o projeto irá para experimento na Estação Espacial Internacional (ISS), em uma missão prevista para setembro e outubro de 2026. O ISS Journey é promovido pela International School, programa de ensino bilíngue da Arco Educação, em parceria com a The Michaelis Foudation. O objetivo é conectar estudantes à ciência espacial por meio da elaboração de experimentos reais que podem gerar contribuições para a pesquisa científica.

Chamado Análise de células mesenquimais no secretoma e do ducto mamário, o projeto vencedor busca investigar como a ausência de gravidade influencia a comunicação entre células relacionadas ao câncer de mama por meio do secretoma, conjunto de substâncias liberadas pelas células para se comunicar.

A expectativa é compreender se as alterações provocadas pela microgravidade podem abrir novos caminhos para pesquisas e tratamentos da doença, que afeta uma em cada oito mulheres ao longo da vida.

O experimento desenvolvido pelas estudantes será enviado à Estação Espacial Internacional (ISS), onde será realizado em condições de microgravidade. Paralelamente, um experimento controle será conduzido na Terra para permitir a comparação dos resultados.

A análise permitirá compreender como o ambiente espacial afeta a comunicação entre as células estudadas e poderá gerar informações relevantes para futuras pesquisas sobre o câncer de mama. Os resultados também podem contribuir para ampliar o conhecimento científico sobre os impactos da microgravidade em processos biológicos complexos.

Ao longo da jornada, as estudantes receberam mentoria especializada de um comitê científico da International School e apresentaram seus projetos durante o Science Days, evento que reuniu as equipes finalistas e especialistas da área.

Como parte da premiação, as alunas participaram na última semana de junho de uma imersão no Kennedy Space Center, nos Estados Unidos, onde tiveram contato com cientistas, especialistas da área aeroespacial e astronautas. A experiência ampliou a dimensão da conquista, que ultrapassa o âmbito escolar e passa a representar também a ciência brasileira em um cenário internacional.

FONTE: Agencia Brasil

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Hepatites virais: saiba como se manifestam os diferentes tipos da doença e conheça as formas de prevenção

 

Fadiga, febre, mal-estar, enjoo e pele amarelada estão entre os sintomas mais conhecidos das hepatites virais. O problema é que muitas pessoas infectadas nunca chegam a apresentar esses sinais. Sem diagnóstico, a doença pode evoluir silenciosamente por anos enquanto provoca danos progressivos ao fígado.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 304 milhões de pessoas no mundo vivem com hepatite B ou C – formas que frequentemente evoluem para infecções crônicas e complicações graves. Juntos, esses dois vírus são responsáveis por mais de um milhão de mortes anualmente em todo o globo.

No Brasil, foram confirmados mais de 800 mil casos de hepatites virais e cerca de 45 mil óbitos associados aos tipos A, B, C e D entre os anos 2000 e 2024, de acordo com o Boletim Epidemiológico Hepatites Virais 2025, do Ministério da Saúde.

“Um dos principais obstáculos para o controle das hepatites é a baixa taxa de diagnóstico. Como muitas pessoas não têm ideia de que convivem com a doença, elas acabam transmitindo o vírus sem saber”, alerta o gestor médico de Desenvolvimento Clínico do Instituto Butantan Eolo Morandi.

As hepatites virais mais comuns são causadas pelos vírus A, B e C, mas existem ainda os tipos D e E. Embora todas possam causar inflamação do fígado, elas diferem em aspectos importantes, como formas de transmissão, gravidade e métodos de prevenção.

Hepatite A: quando o problema está na água e nos alimentos

O vírus da hepatite A é transmitido principalmente pela via fecal-oral. De forma geral, a infecção acontece pelo consumo de água ou alimentos contaminados com resíduos fecais, contato pessoal próximo – comum em ambientes como creches ou instituições de longa permanência – e práticas sexuais que envolvam contato oral-anal.

Segundo o boletim do Ministério da Saúde, as regiões Nordeste e Norte concentraram a maior parte dos casos confirmados de hepatite A no Brasil entre 2000 e 2024. Recentemente, houve um aumento na taxa de incidência da doença impulsionado pelas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, onde a doença passou a se concentrar mais na população adulta, especialmente entre os homens.

“Trata-se de uma doença que está bastante relacionada a condições precárias de saneamento básico e higiene, fatores que acabam facilitando a circulação do vírus no ambiente”, pontua Eolo Morandi.

Os sintomas mais comuns da hepatite A incluem fadiga, mal-estar, febre, dores musculares, enjoo, vômitos, dor abdominal e diarreia. Em alguns casos, podem surgir sinais de comprometimento hepático, como urina escura, fezes claras e icterícia – coloração amarelada da pele e da parte branca dos olhos.

Diferentemente dos tipos B e C, a hepatite A não costuma evoluir para infecção crônica. Segundo Eolo Morandi, a doença geralmente apresenta caráter benigno e autolimitado, com recuperação espontânea na maioria dos casos. Pessoas acima dos 50 anos, entretanto, podem apresentar maior risco de evoluir para formas mais graves.

Não existe tratamento específico para a doença. No geral, é recomendado repouso e a adoção de uma dieta equilibrada, com reposição de líquidos. Também é fundamental evitar a automedicação, pois medicamentos desnecessários podem ser tóxicos ao fígado já inflamado.

A vacinação é considerada a principal ferramenta de prevenção da doença. O Instituto Butantan fornece a vacina contra hepatite A ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), que é aplicada em dose única aos 15 meses de vida. O

Recentemente, o Ministério da Saúde ampliou a oferta de duas doses para grupos específicos, como usuários de Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP) e pessoas com doenças hepáticas crônicas.

Boas práticas de higiene, como lavar as mãos frequentemente, higienizar alimentos crus com solução clorada e consumir apenas água potável ou tratada, e adotar medidas de proteção durante as relações sexuais também são maneiras de prevenir a doença.

(Foto: José Felipe Batista/Comunicação Instituto Butantan)

Hepatite B: cuidado com sangue e atenção às relações sexuais

A transmissão da hepatite B ocorre por meio do contato com sangue ou outros fluidos corporais infectados. Uma das formas mais comuns de infecção em áreas de alta endemicidade da doença é a perinatal (ou vertical), que acontece de mãe para filho durante o parto.

Outras maneiras de disseminação do vírus são pelo contato sexual sem proteção, compartilhamento de agulhas e seringas, transfusões de sangue não testado, acidentes com materiais perfurocortantes, além de tatuagens e piercings realizados com equipamentos contaminados.

Quando presentes, os principais sintomas observados costumam ser fadiga, febre, mal-estar, dor abdominal, náuseas, urina escura e icterícia.

“O maior desafio da hepatite B está na sua capacidade de se tornar crônica, quando o organismo não consegue eliminar o vírus”, explica o gestor médico do Instituto Butantan. Nesses casos, a infecção pode permanecer silenciosa por décadas antes de evoluir para complicações graves, como cirrose hepática e câncer de fígado.

O risco de cronificação varia bastante de acordo com a idade em que ocorre a infecção. De acordo com a OMS, cerca de 90% a 95% das crianças infectadas no primeiro ano de vida desenvolvem a forma crônica da doença, enquanto esse risco é inferior a 5% para quem adquire o vírus na idade adulta.

Por conta disso, a aplicação da primeira dose da vacina contra a hepatite B deve ser feita ainda nas primeiras 24 horas de vida. O Instituto Butantan também é responsável por ofertar o produto ao PNI. Para crianças, a recomendação do Ministério da Saúde é que elas recebam quatro doses do imunizante: ao nascer, aos 2, 4 e 6 meses de idade. Já para a população adulta, o esquema completo se dá com três doses.

Além da vacinação, a prevenção envolve o uso de preservativo durante as relações sexuais e a adoção de práticas seguras em procedimentos médicos, odontológicos e estéticos. No Brasil, a maior parte dos casos confirmados de hepatite B concentra-se nas regiões Sudeste e Sul.

(Foto: Chameleons Eye/Shutterstock)

Hepatite C: quando a cura é uma possibilidade

A hepatite C é responsável por mais de 75% dos óbitos associados às hepatites virais no Brasil. Sua principal forma de transmissão é pelo contato com sangue contaminado, geralmente por compartilhamento de agulhas e seringas. De acordo com dados da OMS, pessoas que usam drogas injetáveis representam 44% das novas infecções pelo vírus. Outras formas incluem procedimentos médicos e estéticos sem esterilização e, menos frequentemente, via sexual ou perinatal.

Assim como os outros tipos de hepatite, os sintomas são praticamente ausentes; e quando existem, incluem fadiga, náuseas, urina escura e icterícia. A infecção também pode evoluir para sua forma crônica, que se não for tratada pode progredir para fibrose avançada, cirrose e câncer de fígado.

Diferentemente das hepatites A e B, ainda não existe vacina contra a hepatite C. A prevenção baseia-se no controle de exposição ao sangue, redução de danos para usuários de drogas e testagem espontânea para diagnóstico precoce.

Apesar da ausência de imunizantes, a hepatite C tornou-se uma doença potencialmente curável graças aos avanços dos tratamentos antivirais – mesmo quando ela já alcançou a sua forma crônica. O protocolo de cuidado é feito com o uso de Antivirais de Ação Direta (AADs) ao longo de algumas semanas, e as taxas de cura são superiores a 95%. No Brasil, o tratamento é disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

(Foto: Mateus Fiuza/Shutterstock)

Hepatites D e E: tipos menos comuns também são importantes

Embora sejam menos frequentes do que os tipos A, B e C, as hepatites D e E possuem características que as tornam relevantes para a vigilância em saúde pública.

A hepatite D, por exemplo, possui uma característica única entre as hepatites virais: ela só consegue infectar e se replicar em pessoas que também possuem o vírus da hepatite B. A transmissão ocorre, principalmente, pelo contato com sangue ou fluidos corporais contaminados.

No geral, a infecção por hepatite D se dá de duas formas: por coinfecção, quando a pessoa é infectada por ambos os vírus ao mesmo tempo; ou superinfecção, quando alguém que já tem hepatite B crônica é infectada pelo vírus D. A presença simultânea dos dois vírus acelera a progressão da doença e aumenta o risco de complicações graves, como cirrose e câncer de fígado.

Como o vírus da hepatite D precisa do vírus B para sobreviver, a vacinação contra a hepatite B ainda é o método mais eficaz de prevenção, oferecendo proteção indireta.

Já a hepatite E apresenta comportamento semelhante ao da hepatite A. A transmissão ocorre principalmente pela via fecal-oral, por meio do consumo de água ou alimentos contaminados.

Na maior parte dos casos, a infecção é autolimitada e desaparece espontaneamente em poucas semanas. A principal preocupação está nas gestantes, grupo em que o risco de complicações grave é significativamente maior, especialmente no terceiro trimestre. A hipótese é que a interação entre as alterações hormonais e imunológicas típicas da condição deixem as grávidas mais suscetíveis ao vírus e contribua para uma rápida replicação viral do vírus no organismo.


Avanços nacionais e objetivos globais para 2030

O Brasil tem avançado em algumas das principais frentes de combate às hepatites virais. No relatório global mais recente da OMS sobre o tema, o país foi citado como exemplo pelo progresso na prevenção da transmissão da hepatite B de mãe para filho, uma vez que a cobertura vacinal entre recém-nascidos saltou de 77% em 2023 para 98% em 2025.

A evolução também pode ser observada na mortalidade. Entre 2014 e 2024, a taxa de mortes associadas à hepatite B caiu 50% no país, enquanto os óbitos relacionados à hepatite C registraram redução de 60%.

Apesar dos progressos, o diagnóstico tardio continua sendo um dos principais obstáculos para o controle das hepatites virais. Para enfrentar esse desafio, a OMS estabeleceu como meta eliminar as hepatites como um problema global de saúde pública até 2030.

A estratégia prevê reduzir em 90% o número de novas infecções, diminuir em 65% as mortes relacionadas à doença, diagnosticar 90% das pessoas infectadas e garantir tratamento para 80% daqueles que necessitam de acompanhamento clínico – em relação aos níveis observados em 2015.

“O diagnóstico precoce é fundamental para interromper a cadeia de transmissão e evitar que a doença evolua para formas mais graves. Pelo menos uma coleta de sangue anual já contribui para uma pessoa saber se tem ou não a doença”, recomenda Eolo Morandi.

A conscientização da população também é considerada parte fundamental desse esforço. Por isso, desde 2010, a OMS promove o Dia Mundial de Luta contra as Hepatites, celebrado em 28 de julho. A data busca reforçar a importância da vacinação, da testagem e do acesso ao tratamento – ferramentas que podem evitar complicações graves e salvar milhões de vidas.

Referências

CANADIAN FAMILY PHYSICIAN. Hepatitis E infection during pregnancy
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Hepatite A
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Hepatite B
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Hepatite C
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Hepatite D
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Hepatite E
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Ministério da Saúde amplia vacinação contra hepatite A para usuários de PrEP
ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. Dia Mundial de Combate à Hepatite


FONTE: Instituto Butantan