Mostrando postagens com marcador SAÚDE. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador SAÚDE. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Retinopatia: doença ocular afeta um em cada três diabéticos

 
Campanha do Conselho Brasileiro de Oftalmologia orientará população

Uma em cada três pessoas com diabetes no Brasil desenvolverá, em algum momento da vida, retinopatia diabética – uma das principais causas de perda visual evitável entre adultos em idade produtiva. Os dados são do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).
Com o objetivo de conscientizar a população em geral e, sobretudo, quem convive com o diabetes, a entidade organizou uma série de dicas que ajudam a compreender mais sobre a prevenção, o diagnóstico e o tratamento da doença.
As orientações serão compartilhadas ao longo da campanha 24 Dias pelo Diabetes, que começa no próximo domingo (1º) e segue até o fim de novembro.
A campanha destaca que a retinopatia diabética ocorre quando níveis elevados de açúcar no sangue, ao longo dos anos, danificam pequenos vasos sanguíneos da retina, localizada no fundo do olho e responsável por captar a luz e enviar as imagens ao cérebro.
A presidente do CBO, Maria Auxiliadora Frazão, destacou que as alterações podem evoluir de forma silenciosa, sem provocar sintomas nas fases iniciais, o que pode atrasar o diagnóstico da doença. “Estamos falando de uma doença que cega, mutila e tira muitas pessoas do mercado de trabalho.”

“Todos temos que ter o comprometimento e a responsabilidade social de divulgar informações. É um problema grave de saúde pública e que tem altíssimo impacto no INSS [Instituto Nacional do Seguro Social], nas políticas públicas e nas políticas econômicas.”

Riscos

Os dados mostram que a retinopatia diabética atinge de 24% a 39% das pessoas com diabetes no país. O risco aumenta conforme o tempo que o paciente vive com diabetes – após 20 anos, por exemplo, 90% dos pacientes com diabetes tipo 1 e 60% dos com tipo 2 terão algum grau de retinopatia.
Com diagnóstico e tratamento precoces, o risco de cegueira, de acordo com o CBO, pode cair para menos de 5%.


Exame de fundo de olho é um dos principais meios de detecção da doença. CBO/Divulgação

Prevenção

Para evitar que o problema se agrave, a orientação é que pessoas com diabetes incluam na rotina de cuidado visitas regulares ao médico oftalmologista – mesmo antes do aparecimento de sintomas.

“Ausência de sintomas não quer dizer que já não tenhamos alterações instaladas. A única forma de prevenir isso é acesso ao exame oftalmológico”, alertou a presidente do CBO, ao lembrar que, após 10 ou 20 anos do diabetes instalado, já pode haver comprometimento da visão.

O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Retinopatia Diabética, publicado pelo Ministério da Saúde, prevê que um dos principais recursos para identificar a retinopatia diabética é a fundoscopia, conhecida popularmente como exame de fundo de olho.
O procedimento, segundo o CBO, permite ao médico oftalmologista observar a retina e os vasos sanguíneos, identificando alterações que possam ter surgido ainda quando o paciente ainda enxerga normalmente. A avaliação pode incluir a dilatação das pupilas para facilitar a visualização das estruturas internas do olho.

O protocolo determina que o exame deve ser feito no momento do diagnóstico para quem tem diabetes tipo 2. No caso de pacientes adultos com diabetes tipo 1, o rastreamento deve começar cinco anos após o diagnóstico.

Em crianças e adolescentes, o primeiro exame deve ser considerado até cinco anos após o início da doença ou no começo da puberdade.

“Para quem não tem retinopatia ou apresenta a forma leve, o acompanhamento costuma ser anual. Nos casos moderados ou graves, as revisões precisam ser mais frequentes”, reforçou o CBO.

Mulheres com diabetes que estejam grávidas ou que planejem engravidar, de acordo com a entidade, também precisam passar por avaliação. O exame deve ser feito a cada trimestre da gestação e no primeiro ano após o parto.
Mulheres com diabetes gestacional, condição caracterizada pelo aumento dos níveis de glicose no sangue durante a gravidez e que pode desaparecer após o nascimento do bebê, geralmente não precisam fazer a triagem específica para retinopatia diabética.

Cuidados

O CBO reforça que boa parte da prevenção da retinopatia diabética ocorre fora do consultório – atitudes como manter a glicemia e a pressão arterial sob controle reduzem consideravelmente o risco de surgimento da doença e retardam a progressão.
A lista de hábitos saudáveis descrita pela entidade inclui:consumir mais fibras (aveia, feijão, lentilha, arroz integral), além de verduras e legumes;
reduzir o consumo de açúcar, sal, embutidos e alimentos ultraprocessados;
evitar o fumo e o consumo excessivo de álcool;
manter um peso saudável;
dormir bem;
reservar momentos de lazer e descanso.

Assistência

No Sistema Único de Saúde (SUS), o tratamento inicia em uma unidade básica de saúde (UBS) ou por meio da Estratégia Saúde da Família (ESF). Ambas encaminham o paciente ao profissional por meio da regulação do município ou do estado.

Já no atendimento ofertado por planos de saúde, o paciente agenda a consulta com um médico oftalmologista credenciado, conforme as regras do plano contratado. No rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), há previsão de cobertura para diversos exames e procedimentos oculares.

“O que a gente quer é ampliar o acesso e fazer com que os pacientes sejam examinados, para que possamos acompanhá-los por meio do médico, do endocrinologista e também do oftalmologista”, concluiu Maria Auxiliadora.

FONTE: Agencia Brasil

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Mudanças climáticas já causam aumento de doenças infecciosas no país

 
Dengue e febre do oropouche são exemplos

Desde a década de 1980, o Brasil registra surtos comprovados de dengue, mas só em 2007 o Rio Grande do Sul teve um caso que não tenha sido importado de outra parte do país. A explicação é simples: como o mosquito Aedes aegypti, que transmite a doença, vive melhor em regiões quentes e úmidas, o clima funcionava como uma barreira de proteção.
Essa defesa natural ficou no passado. Em 2024, ano em que o Brasil registrou um número recorde de casos da doença, o Rio Grande do Sul teve quase 210 mil infecções confirmadas e 281 mortes.
Na Bahia, estado acostumado a temperaturas mais elevadas e com 3 milhões de habitantes a mais, os casos confirmados foram cerca de 163 mil, com 188 óbitos.
Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostra que isso não ocorre apenas no Rio Grande do Sul. De 2006 a 2024, o número de microrregiões brasileiras com níveis epidêmicos de dengue mais do que dobrou, de 110 para 292, extensão que representa metade do país (54%).
As outras microrregiões (46%) apresentaram incidência de média a baixa, com risco esporádico ou incerto.
A principal explicação para essa mudança está no clima. A pesquisa identificou que a maior frequência de anomalias térmicas é o indicador climático que explica melhor o aumento das taxas de incidência de dengue no longo prazo. O conceito se refere ao registro de temperaturas muito diferentes das habituais em um local por determinado período de tempo.
"O que se observa é que o processo de expansão da área de transmissão da dengue parece ser irreversível. Uma vez introduzidos, o vírus e o vetor, é improvável que se retorne a um cenário de transmissão zero", alertam os autores.
De acordo com o infectologista Celso Granato, membro da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial, o espalhamento da dengue é uma das maiores provas de como as mudanças climáticas podem incidir sobre as doenças infecciosas.
A doença tropical tem chegado não somente a regiões mais frias do Brasil, como a países do Hemisfério Norte. Neste momento, a região continental dos Estados Unidos vive o maior surto de dengue da sua história. Casos autóctones também foram registrados neste ano na França e na Itália.
Granato explica que todas as etapas da vida do mosquito transmissor da dengue são afetadas pelo clima.
"Eles colocam ovos com uma casca muito resistente, que podem permanecer por anos na natureza e se romper quando tem umidade e temperatura alta. E esses mosquitos já podem nascer infectados, porque há a transmissão da fêmea para os ovos".
A temperatura também altera o comportamento dos mosquitos já adultos.
"Quando está muito calor, eles têm que bater a asinha mais rapidamente para conseguir voar. Então, eles gastam mais energia e precisam picar mais para se alimentar e acabam transmitindo mais a doença também".

Febre do Oropouche

Mas a dengue não é a única doença afetada pelas mudanças climáticas. A febre do Oropouche, que circulava quase exclusivamente na Região Amazônica até 2023, causou mais de 12 mil infecções no ano passado, em 23 estados e no Distrito Federal.
A relação com o clima ainda está sendo investigada, mas especialistas acreditam que mudanças nos padrões de temperatura e chuvas, em conjunto com a degradação ambiental, tenham contribuído para a expansão da doença.
Granato chama atenção ainda para surtos que podem ocorrer após eventos extremos, como secas e enchentes, que têm se tornado mais frequentes com as mudanças climáticas. O alerta aumenta com a previsão de que o Brasil seja afetado pelo fenômeno El Niño, que favorece esses eventos.

Mosquito causador da febre do Oropouche Foto: Sociedade Brasileira de medicina tropical/Divulgação

"No Rio Grande do Sul, após o desastre das chuvas, aumentou muitas vezes a frequência de leptospirose", exemplifica.

A doença é causada por uma bactéria transmitida principalmente pela urina de ratos, que é espalhada durante enchentes.

"A água da enxurrada também se mistura com o esgoto e pode contaminar a que as pessoas vão beber ou lavar seus alimentos. Há um grande risco de se contaminar com bactérias que causam problemas gastrointestinais e com vírus, como o da hepatite A", complementa o infectologista.

Já as secas representam um perigo diferente e pouco conhecido: "Quando a gente tem incêndio, os animais que dependem da floresta migram para as casas das pessoas que moram perto, principalmente pequenos mamíferos, que têm uma série de doenças que podem passar para o ser humano".
O exemplo mais preocupante é o hantavírus. A cepa que circula no Brasil causa uma síndrome cardiopulmonar bastante grave. Desde 2016, 530 infecções foram confirmadas no país, com 212 mortes, uma taxa de letalidade de 40%.

"A gente tem vários exemplos anteriores, na Bolívia e no Paraguai, por exemplo. Quando ocorrem queimadas, os roedores infectados entram na casa das pessoas e causam essa doença", alerta Granado.

Fungos

Outra ameaça pouco conhecida é a das doenças fúngicas. Na última edição do Congresso Brasileiro de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial, a professora da Universidade Federal do Espírito Santo Sarah Gonçalves Tavares alertou que as mudanças climáticas estão levando os fungos a se adaptarem e, com isso, alguns passam ser nocivos aos humanos.

"A gente tem uma temperatura corporal média de 37 graus Celsius, e 95% dos fungos que estão no ambiente não conseguem crescer nessa temperatura. Mas a temperatura do meio-ambiente tem aumentado, e os fungos estão se adaptando a isso. Então, essa barreira que a gente tem acaba sendo rompida".

A professora explica que a mudança de temperatura é uma das "engrenagens" desse processo, assim como o aumento de raios ultravioleta e outras alterações ecológicas, que se somam e propiciam a emergência de determinados fungos como patológicos.

"A gente tem micro-organismos que estavam no meio ambiente e não eram causadores de doenças em seres humanos, mas eles foram se adaptando a vários tipos de estresse ao longo do tempo e começaram a surgir, principalmente, em pacientes em tratamento intensivo".


A professora da UFES Sarah Gonçalves Tavares. Foto: Sarah Tavares/ Arquivo Pessoal

O maior exemplo é a Candida auris, identificada pela primeira vez na década de 1990 em áreas alagadas de países asiáticos, depois em regiões rurais e, por fim, em cidades. Ele apresenta duas características muito perigosas: consegue sobreviver em altas temperaturas e resistir por muito tempo no meio ambiente.
"Uma pessoa sadia dificilmente vai desenvolver uma infecção por esse tipo de fungo, mas os pacientes imunodeprimidos são vulneráveis", complementa Sarah. Por isso, os surtos de Candida auris têm acontecido em unidades hospitalares, com letalidade entre 40 e 60%".


Fungo do tipo Aspergilus . Foto: Sarah Tavares/ Arquivo Pessoal

O primeiro registro de infecção pelo fungo no Brasil foi em 2020, na Bahia. De lá para cá, foram 24 ocorrências em 15 estados, todas em unidades de saúde. Dos 146 pacientes colonizados, 56 morreram. Quando o fungo chegou a corrente sanguínea, provocando infecção generalizada, a letalidade chegou a 82%.

Um exemplo mais recente é o Trichophyton indotineae, uma espécie de fungo que causa problemas de pele, identificada pela primeira vez em 2022.

"Ele já emergiu com resistência a antifúngicos, porque provavelmente estava exposto a isso no meio ambiente, e o remédio acaba selecionando cepas isoladas que são resistentes", conta a professora da Ufes.
Fungos resistentes não respondem aos tratamentos tradicionais, logo, são muito mais difíceis de serem combatidos. As mudanças climáticas também interferem indiretamente nesse processo: eventos extremos aumentam a vulnerabilidade das plantações, o que leva os agricultores a aplicarem mais fungicidas, acelerando a seleção de cepas resistentes.
Alterações ambientais causadas pelo clima também podem contribuir para a dispersão de fungos que normalmente existem em áreas delimitadas. Um exemplo é o Aspergillus, que se desenvolve melhor em regiões quentes e úmidas, e tem avançado para outros lugares, após mudanças nos padrões de temperatura e umidade, inclusive no Brasil.

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Desinformação faz com que só 5% das crianças sejam protegidas da covid

 
Doença fez 15 vítimas com até 2 anos em 2026

A covid-19 causou mais de 1 mil internações e 25 mortes de crianças e adolescentes no Brasil em 2026. Mesmo assim, apenas 5% das crianças pequenas do país estão protegidas com as três doses da vacina contra a doença, segundo o Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde.

O diretor do PNI, Eder Gatti, afirma que o país tem estoques do imunizante e contratos para manter o abastecimento em dia e atribui o percentual alarmante aos ataques contra a vacina feitos durante a pandemia, inclusive por membros do governo da época.

Desde 2024, o imunizante é recomendado no calendário básico de vacinação aos 6, aos 7 e aos 9 meses de idade, mas as aplicações podem ser feitas antes dos 5 anos. Apesar disso, grande parte da população tem optado por não vacinar seus filhos, por acreditar em alegações falsas.

Como resultado dessa enorme hesitação vacinal, o Brasil continua registrando mortes por covid-19 na população infantil. Este ano, mais de 1,1 mil crianças menores de 14 anos precisaram ser hospitalizadas com quadros respiratórios graves causados pelo coronavírus. Entre as 25 que morreram, 15 eram menores de 2 anos.

Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, o diretor do PNI disse que o mundo inteiro tem enfrentado o desafio de vacinar as crianças contra a covid-19, por causa da desinformação disseminada contra os imunizantes, que são a principal forma de proteção contra a doença.
"Tem que pôr na conta de quem de fato deve. A gente compra as vacinas, distribui e cumpre nossa obrigação constitucional, só que há o desincentivo da população para se vacinar. Inclusive, qualquer vacina de covid que é perdida hoje, a culpa é do discurso antivacina. E essa cifra tem que ser colocada na mesa."

Eder acrescenta que o imunizante contra a covid-19 aplicado em crianças tem uma especificidade: os frascos são armazenados congelados e precisam ser descongelados antes da aplicação. No entanto, depois do descongelamento, a validade da vacina cai para dez semanas e, se ela não for usada neste tempo, precisa ser descartada.

Vacina é monitorada e segura

A vacinação contra a covid-19 em crianças no Brasil começou em janeiro de 2022, quase um mês depois da autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e em meio a embates entre entidades médicas e o governo federal.
O Ministério da Saúde, à época, chegou a propor que a vacina só fosse aplicada com prescrição médica. O ex-presidente Jair Bolsonaro também declarou que não vacinaria sua filha Laura, de 11 anos, e que isso não era necessário diante de um "suposto baixo índice de mortes infantis por covid".
De 2020 a 2022, principais anos da pandemia, mais de 23 mil crianças de até 11 anos desenvolveram Síndrome Respiratória Aguda Grave por covid-19 e 1.067 morreram. Por outro lado, uma pesquisa da Universidade de São Paulo, com dados de 24 cidades brasileiras, mostrou que a vacina reduziu em 97% os casos graves em crianças.
Além disso, a covid-19 também pode causar, especificamente em crianças, a Síndrome Inflamatória Multissistêmica, uma reação inflamatória grave que acomete vários órgãos. De 2020 a 2023, o Brasil registrou 2.115 casos, com 142 óbitos entre crianças e adolescentes.
Uma pesquisa feita pelo IBGE em 2023 mostrou que, mesmo durante a emergência sanitária, 15% das crianças e adolescentes, de 5 a 17 anos, não foram vacinados. Quase 40% dos responsáveis alegaram “medo de reação adversa ou de injeção”, 22% achavam que ela não era necessária e 18% afirmaram não confiar no imunizante.

Eder Gatti reforça que todos esses receios são infundados: "De fato, a gente teve inovações com as plataformas de RNA mensageiro e vetor viral [tecnologias usadas nas vacinas de covid-19], mas todas as vacinas passaram pelos testes de fase um, dois e três, e, desde então, há uma série de estudos de fase quatro mostrando tanto a efetividade quanto a segurança".

Todas as vacinas aplicadas pelo Sistema Único de Saúde são monitoradas continuamente, e qualquer suspeita de reação grave é investigada, o que pode motivar mudanças na estratégia ou até a suspensão do uso, como aconteceu com a vacina da dengue.

Entre as mais de 6 milhões de doses aplicadas em crianças durante a pandemia, não houve nenhum registro de óbito e 92% das reações notificadas foram leves e esperadas, como febre e dor no local da aplicação.
Além disso, reações temidas como miocardite e trombose ocorrem em proporções muito maiores nas pessoas contaminadas pela covid-19 do que em pessoas vacinadas contra a doença, destaca o Ministério da Saúde.
"Se você procurar os trabalhos científicos sobre a vacina tríplice viral, que veio nos anos 80, você vai encontrar uns 5 mil. Se você pegar a vacina da febre amarela, que é da década de 30, vai ser a mesma coisa. Mas se você procurar sobre a vacina da covid, você vai ter 20 mil trabalhos científicos. A gente pode dizer que essa é a vacina mais estudada de todas", enfatiza o diretor do PNI.

Como a grande maioria da população adulta do país se vacinou durante a pandemia, desde 2024, o governo federal passou a adotar uma estratégia de vacinação direcionada às crianças e aos grupos vulneráveis, como idosos, imunocomprometidos e pessoas com deficiência, que devem tomar reforço periódico.


A Secretaria de Saúde do DF promove um dia de vacinação infantil na Creche Sempre Viva, na cidade satélite de Ceilândia. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Balanço e desafios

Eder Gatti conversou com a Agência Brasil durante sua participação na 28ª Jornada Nacional da Sociedade Brasileira de Imunizações, realizada nesta semana no Rio de Janeiro. À frente do PNI desde 2023, ele destaca que o orçamento do programa quase dobrou nos últimos anos, passando de R$ 5 bilhões para quase R$ 10 bilhões previstos para o ano que vem.

Apesar do desafio na vacinação contra a covid-19, outros imunizantes do calendário infantil tem registrado aumento de cobertura. De acordo com Gatti, isso se deve principalmente à regularização dos estoques e às ações de microplanejamento, "estratégias para os municípios utilizarem melhor a estrutura que já têm, otimizando a vacinação na ponta", explica ele.
Em 2022, ano de retomada dos serviços básicos de saúde após a pandemia, 12 das 16 vacinas oferecidas no primeiro ano de vida estavam com cobertura inferior a 80%, e apenas uma atingiu a meta de 90%. No ano passado, sete imunizantes superaram 90% de cobertura.

No entanto, permanece o desafio de aumentar a aplicação de duas vacinas, que continuam com taxa inferior a 80%, e de outras sete, que registraram taxas entre 80 e 90%. Entre as últimas, está a segunda dose da tríplice viral, que protege contra o sarampo, doença altamente infecciosa que tem causado surtos em diversos países das Américas.


"A gente está falando não só de vidas salvas, mas de menos ocupação do sistema de saúde. O Programa Nacional de Imunização traz retorno à sociedade e deve ser muito preservado", defendeu Gatti.

Um exemplo disso é o resultado preliminar obtido após a incorporação da vacina contra o vírus sincicial respiratório para gestantes e do anticorpo monoclonal contra a doença para prematuros, no ano passado. Desde então, os casos de bronquiolite em bebês menores de seis meses já caíram mais de 50%.

O PNI também deu início, em 2024, à aplicação da vacina contra a dengue, primeiro em municípios com maior risco e depois em todo o país, com foco em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Quase 12 milhões de doses já foram aplicadas.

"Considerando a magnitude da dengue, ainda é cedo para termos resultados perceptíveis para a população, mas a gente já tem estudos de vida real que demonstram a eficácia da vacina. Tenho certeza que conformes nós ampliarmos a vacinação, teremos impacto na ocorrência da doença", avalia o diretor do PNI.

A ultima incorporação anunciada foi a mudança da vacina VPC10 para a VPC20, aumentando a proteção contra os tipos de bactéria pneumococo, que podem causar pneumonia, sepse e meningite. Este ano, o país registrou mais de 1 mil casos de meningite pneumocócica, com 320 mortes, o que o Ministério espera que diminua com o novo imunizante.

"Esses produtos foram incorporados seguindo todos os trâmites formais e necessários, com orçamento garantido. Mas não foi fácil, nós tivemos que negociar muito. A gente espera que não tenha retrocesso e que o PNI continue honrando com a sua história, porque já são mais de 50 anos trazendo bons resultados para o país", finalizou.

FONTE: Agencia Brasil

sábado, 24 de outubro de 2026

Pediatras alertam para riscos de brinquedos com IA

 
Intenção da SBP é reduzir os riscos de exposição indevida

Brinquedos que conversam com a criança, que são capazes de memorizar o que ela gosta e que até mesmo respondem com palavras de carinho e empatia fazem parte da realidade de boa parte das famílias no Brasil e no mundo e exigem olhar atento por parte de pais e responsáveis.

Diante do avanço da inteligência artificial (IA) e de sua aplicação em produtos lúdicos, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou um alerta sobre como escolher e acompanhar os efeitos da aplicação desse tipo de tecnologia junto a crianças e adolescentes.

Em nota, a entidade destacou que o objetivo do alerta é reduzir os riscos de exposição indevida. Segundo o documento, sistemas de IA generativa, por exemplo, reconhecem voz e imagem, recordam informações, adaptam respostas e mantêm conversas que não são inteiramente pré-programadas.

A SBP considera o tema urgente.

“Em setembro de 2026, ganhou repercussão o anúncio do Muse Charm, dispositivo portátil da Meta comparado pela imprensa a um Tamagotchi com IA. Embora não seja um brinquedo para crianças, ele ilustra como agentes de IA passam a ocupar formas físicas, portáteis e personalizadas”, avaliou.

Emoções

O alerta chama a atenção para o fato de que a IA, apesar de usar linguagem afetiva ou empática, não é uma pessoa, e reforça que um brinquedo, uma vez conectado, pode ter microfone, câmera e acesso integral à internet, além de fazer coleta de dados e oferecer mecanismos de personalização e de engajamento.

Segundo a SBP, uma revisão publicada na revista Pediatrics destaca o risco de crianças desenvolverem percepções equivocadas da IA como amiga ou cuidadora a partir do contato com esse tipo de brinquedo.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), por sua vez, alertou para os chamados AI companions [companheiros de IA, na tradução literal]: brinquedos ou produtos que estimulam conversas em relacionamentos ao serem usados por crianças e adolescentes.

“Apesar da aparência inofensiva, são sistemas de IA que podem obter informações e causar prejuízos à saúde e dependência ao produto”, destacou a entidade.

Para a SBP, a pergunta não deve ser apenas o que o brinquedo faz, mas também como funciona, quais informações coleta, para que esses dados são utilizados e se ele incorpora mecanismos adequados de proteção à criança e ao adolescente.

Recomendações

No alerta, a entidade recomenda cautela na oferta de brinquedos com IA, sobretudo os que utilizam IA generativa, mantêm conversas abertas, coletam dados pessoais e simulam amizade, cuidado ou apoio emocional.

“Quando essas funcionalidades não trazem benefício claro, ou quando o funcionamento e os mecanismos de proteção carecem de transparência, a orientação é priorizar produtos e brinquedos sem esses recursos”, alerta.
Outra preocupação dos pediatras é compreender os efeitos à saúde mental e comportamental de longo prazo dessas novas formas de interação, ainda não suficientemente mapeadas.
“A incerteza científica não significa ausência de riscos e reforça a necessidade de proteção adequada à infância e à adolescência”, avalia.

O alerta propõe perguntas-chave para as famílias refletirem antes de comprar um desses produtos:

1. O que essa tecnologia acrescenta à brincadeira?
2. A criança participa ativamente ou o brinquedo faz quase tudo por ela?
3. Como o produto funciona (se usa IA generativa e se possui câmera, microfone ou conexão com a internet)?
4. A indicação etária e a supervisão parental estão claras?
5. O que acontece com os dados da criança e do adolescente?
6. O uso do brinquedo com IA expõe a criança a ações de perfilamento, publicidade, compras ou assinaturas associadas?
7. Como a interação é apresentada: o produto simula amizade, afeto, cuidado ou apoio emocional?
8. A criança entenderá, conforme a idade, que está interagindo com uma IA e não com uma pessoa?
9. Qual lugar essa experiência ocupa na rotina, em relação ao sono, ao movimento, à brincadeira livre, à leitura, ao contato com a natureza e à convivência familiar?

A SBP destaca que informações essenciais devem estar acessíveis, incluindo se o produto possui câmera ou microfone; se precisa de internet; quais dados registra e para quê; onde são armazenados; se são compartilhados com terceiros; se é possível apagá-los; e quais recursos vêm ativados por padrão.

“Se não estiverem acessíveis, a recomendação é não comprar e optar por outro produto ou brinquedo.”

Fabricantes

Outro ponto importante citado no documento é que fornecedores e empresas são obrigados a informar pais, responsáveis, crianças e adolescentes, independentemente da compra ter sido efetuada, sobre riscos e medidas de segurança, incluindo privacidade e proteção de dados.
Diante de coleta de dados não informada, conteúdo inadequado, falhas de segurança ou dificuldade de exercer seus direitos, a SBP orienta que as famílias podem: 

pedir ao fornecedor informações, correção ou eliminação dos dados da criança;

desistir, em até sete dias do recebimento de compras feitas fora de estabelecimento comercial;

utilizar canais de notificação do fornecedor;

reclamar no Procon, no consumidor.gov.br e na Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

FONTE: Agencia Brasil

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Anvisa aprova novo medicamento para câncer de pulmão avançado

 
Produto teve taxa de resposta objetiva de 29,2% na população avaliada

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou novo medicamento para o tratamento do câncer de pulmão. O Emrelis (telisotuzumabe vedotina) é indicado para pacientes adultos com câncer de pulmão de células não pequenas (CPCNP) com as seguintes características: não escamoso, localmente avançado ou metastático, com receptor do fator de crescimento epidérmico tipo selvagem, com alta superexpressão da proteína c-Met e que receberam terapia sistêmica previamente.

Em nota, a Anvisa destacou que o medicamento foi desenvolvido para reconhecer e se ligar seletivamente à proteína c-Met presente na superfície das células tumorais, permitindo a internalização do complexo e a liberação intracelular da monometilauristatina E, resultando em morte celular direcionada.

De acordo com a agência, a aprovação do Emrelis foi fundamentada sobretudo em resultados de um estudo conduzido em pacientes previamente tratados com CPCNP. O medicamento demonstrou taxa de resposta objetiva de 29,2% na população total avaliada. Entre os pacientes com alta superexpressão de c-Met, foi observada taxa de resposta de 34,5%, “associada a respostas duradouras e benefício clínico relevante em um cenário terapêutico com opções limitadas”.

Ainda segundo a Anvisa, o câncer de pulmão figura como uma das principais causas de mortalidade pela doença no mundo. O CPCNP representa aproximadamente 85% dos casos, sendo que cerca de 70% correspondem ao subtipo não escamoso, alvo da medicação aprovada.

“Pacientes com doença localmente avançada ou metastática (quando as células do tumor se propagam para outras partes do corpo) apresentam prognóstico desfavorável. Após a quimioterapia e imunoterapia, há uma limitada disponibilidade de terapias”, reforçou a agência.

Câncer de mama

A Anvisa também aprovou o registro do medicamento Poherdy (pertuzumabe), indicado para o tratamento de câncer de mama metastático e para câncer de mama em estágio inicial.

No caso da doença metastática, o uso é indicado em combinação com trastuzumabe e docetaxel, voltado para pacientes com câncer de mama HER2-positivo metastático ou localmente recorrente não operável, que não tenham recebido tratamento prévio com medicamentos anti-HER2 ou quimioterapia.

Já para pacientes com câncer de mama inicial, a indicação é o uso combinado com trastuzumabe e quimioterapia, para os seguintes casos:

tratamento neoadjuvante (antes da cirurgia) de pacientes com câncer de mama HER2-positivo localmente avançado, inflamatório ou em estágio inicial, com elevado risco de recorrência como parte de um esquema terapêutico completo para o câncer de mama inicial.

tratamento adjuvante (após a cirurgia) de pacientes com câncer de mama HER2-positivo em estágio inicial, com elevado risco de recorrência.

FONTE: Agencia Brasil

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Quedas: mais de 330 mil crianças foram internadas no Brasil em 10 anos

 
Dado consta em levantamento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)

Apenas no primeiro semestre de 2026, quase 15 mil crianças com menos de 10 anos foram internadas após acidentes envolvendo quedas. Entre 2016 e 2025, esse número soma 330 mil internações – média de 33 mil casos por ano.
Os dados constam de levantamento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) a partir de registros do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo a SBP, acidentes figuram entre as situações que mais exigem atenção de famílias e cuidadores, pois grande parte pode ser evitada por meio da adoção de medidas simples de segurança.

Prevenção

A orientação da entidade é investir na chamada identificação prévia de riscos que podem existir em cada ambiente onde a criança brinca, estuda e até mesmo circula. Nesse sentido, é preciso considerar as diferentes fases do desenvolvimento, com a adoção de cuidados adequados à idade e à capacidade da criança.

Veja as recomendações de prevenção da SBP para cada idade:

até 1 ano: 

Nunca deixar o bebê sozinho em locais altos, como cama, trocador, sofá ou cadeira. Preferir que brinque no chão, em ambiente protegido. Quando estiver aprendendo a sentar, manter supervisão próxima e usar proteção adequada para evitar quedas para trás. Ao carregar o bebê em escadas, apoiar-se no corrimão e evitar pisos molhados ou escorregadios. Não deixar o bebê sob os cuidados de outra criança;

1 a 4 anos: 

Instalar telas em janelas, sacadas e vãos desprotegidos e manter móveis e objetos longe desses locais. Evitar brincadeiras em superfícies molhadas ou escorregadias, principalmente em banheiros e áreas próximas a piscinas. Ao usar triciclos, patinetes ou skates, escolher equipamentos adequados à idade e ao peso, usar equipamentos de proteção e optar por locais seguros, nunca vias públicas. Redobrar a atenção com beliches e nunca deixar a criança sem supervisão de um adulto;

5 a 9 anos: 

Supervisionar brincadeiras em locais de maior risco, como árvores, muros, lajes e parques. Bicicletas, patinetes, skates e outros brinquedos de locomoção devem ser usados sempre com equipamentos de proteção, como capacete, joelheiras, cotoveleiras e tornozeleiras. Evitar o uso de celular e outras telas enquanto a criança estiver caminhando, brincando ou em movimento, especialmente em vias públicas, pois a distração aumenta o risco de acidentes.

Atenção redobrada

Os dados mostram que, entre 2016 e 2025, as quedas foram mais frequentes na faixa etária de 5 a 9 anos (193,8 mil casos). Nessa fase, segundo a SBP, as crianças começam a se movimentar mais, como correr, brincar em parques, usar brinquedos e praticar esportes, apesar de ainda estarem desenvolvendo habilidades de equilíbrio e coordenação motora.

Entre crianças de 1 a 4 anos, foram 110,1 mil hospitalizações. Entre menores de 1 ano, foram registrados 26,7 mil casos. Nessa faixa etária, a entidade destaca acidentes envolvendo quedas de leitos, que somaram 3,7 mil episódios.

Internações por estado

São Paulo lidera o ranking de internações por quedas entre crianças com menos de 10 anos: 71,7 mil notificações, de 2016 a 2025. Na sequência, aparece Minas Gerais, com 33,4 mil notificações. O estado da Bahia vem em seguida, com 27,2 mil episódios registrados.
Outras unidades da Federação que também apresentaram números elevados são:

Paraná (25,7 mil);
Ceará (20,3 mil);
Santa Catarina (16,9 mil);
Rio Grande do Sul (16,6 mil);
Rio de Janeiro (14,3 mil);
Pará (14,2 mil).

FONTE: Agencia Brasil

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Consultas por lesões pré-cancerígenas caem após vacina contra HPV

 
Vacinação impede surgimento de lesões que podem evoluir para câncer

As consultas por lesões pré-cancerígenas no colo do útero em adolescentes caíram quase 78% após o início da vacinação contra o HPV no Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com pesquisa publicada na revista científica Human Vaccines & Immunotherapeutics, esta é mais uma evidência da eficiência e importância do imunizante.

O papilomavírus humano, ou HPV, é o principal causador do câncer de colo do útero, que se desenvolve a partir de lesões não tratadas, as chamadas neoplasias intraepiteliais cervicais de alto grau. Ao prevenir a infecção pelo vírus, a vacinação contra o HPV também impede o surgimento das lesões que podem evoluir para câncer.

Desde 2014, o SUS oferece a vacina contra o HPV para crianças e adolescentes do sexo feminino. A cobertura foi ampliada também para o sexo masculino em 2017. Atualmente, ela é aplicada na faixa etária dos 9 aos 14 anos. A pesquisa mostra que essa inclusão mudou radicalmente a incidências das lesões.

Em 2011, 474 adolescentes de 15 a 19 anos foram atendidas no SUS por causa da doença, número que subiu para 603 em 2015, logo após o início da vacinação. No entanto, a queda foi vertiginosa nos anos seguintes, passando para 299 consultas em 2019 e para 136 em 2023.
A taxa de consultas a cada 100 mil adolescentes, indicador que equilibra as mudanças no tamanho da população, também caiu drasticamente de 7,1 em 2015 para 1,8 em 2023. Os pesquisadores salientam que esta é a única faixa etária que registrou quedas tão expressivas, o que coincide com o público vacinado em massa pelo SUS.
Os pesquisadores também avaliaram as primeiras consultas por causa de outras infecções sexualmente transmissíveis, e identificaram um movimento contrário. Entre adolescentes de 15 a 19 anos, a taxa de procura de serviços médicos saltou de 1,7 em 2015 para 10,8 em 2023.

"Esse resultado reforça que a redução dos casos de lesões de alto grau entre as adolescentes provavelmente não é consequência de mudanças seculares na saúde sexual ou na utilização dos serviços de saúde", avaliam.

A pesquisa também traz estimativas de quantas lesões podem ter sido evitadas, considerando a curva de casos antes da vacinação. De 2011 a 2019, foram 2.620 primeiras consultas em adolescentes. Mas esse total poderia ter sido de 7.688, se o SUS não oferecesse a vacina, cerca de 5 mil casos a mais.
Os dados analisados pelos pesquisadores da farmacêutica MSD foram coletados do Sistema de Informações Ambulatoriais de Saúde e se referem a primeiras consultas registradas com códigos de diagnóstico específicos para essas lesões, acompanhadas de pelo menos um procedimento pertinente.
O câncer de colo do útero é o terceiro tipo mais frequente entre as mulheres no Brasil, com cerca de 19 mil novos casos diagnosticados por ano. Também é um dos tipos mais mortais, com cerca de 7 mil óbitos registrados anualmente.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a doença pode ser erradicada em alguns anos, desde que os países consigam oferecer a vacinação com altas coberturas, exames de rastreamento na faixa etária indicada, para identificar a presença do vírus ou de lesões, e o tratamento adequado das neoplasias, antes que elas evoluam para câncer.

O estudo "representa um indicador promissor do impacto precoce da vacinação contra o HPV", reforçam os pesquisadores, mas "a manutenção desses avanços exigirá a preservação de altas coberturas vacinais", além do resgate dos jovens que não se vacinaram na época correta.
Eles também sugerem que o governo considere ampliar gradualmente a faixa etária coberta. Por enquanto, o Ministério da Saúde tem feito campanhas de resgate para jovens de até 19 anos que ainda não se vacinaram, e também disponibiliza o imunizante para públicos mais vulneráveis como pessoas que já tiveram lesões pré-cancerígenas, vítimas de violência sexual e usuários de profilaxia pré-exposição para prevenir o HIV.

O HPV também é uma causa importante de outros tipos de câncer, como de pênis, ânus, vagina e orofaringe. O vírus é bastante prevalente na população, e estima-se que 80% das pessoas terão contato com ele em algum momento da vida, mas apenas alguns subtipos têm potencial cancerígeno.

A vacinação é a melhor estratégia para prevenir o contágio, mas exames preventivos, como o papanicolau, e a avaliação adequada de verrugas e outros sinais pode evitar que lesões pré-cancerígenas evoluam para câncer.

fonte: Agencia Brasil

domingo, 18 de outubro de 2026

Saúde aprova protocolo para tratar crianças com hemofilia A

 
Medicamento emicizumabe será indicado a pacientes com até 6 anos

O Ministério da Saúde aprovou protocolo para uso do medicamento emicizumabe no tratamento de crianças até 6 anos com hemofilia A que não apresentam inibidores do fator VIII da coagulação sanguínea.
A medida consta de portaria publicada na edição desta quinta-feira (15) do Diário Oficial da União.
O documento estabelece critérios de diagnóstico, inclusão e exclusão de pacientes, além das condições de tratamento e dos mecanismos de regulação, controle e avaliação.
O protocolo tem abrangência nacional e deverá ser usado pelas secretarias de Saúde dos estados, do Distrito Federal e dos municípios para regular o acesso ao tratamento.

Benefícios

O tratamento é considerado menos invasivo. Ao contrário da terapia tradicional com fator VIII, que exige infusões nas veias, o emicizumabe é aplicado por via subcutânea, de forma menos invasiva.
O tratamento, de acordo com o ministério, diminuiria também a frequência dos sangramentos.

Informação

De acordo com a portaria, o paciente ou o responsável legal deverá ser informado sobre os potenciais riscos, efeitos colaterais e eventos adversos relacionados ao uso do emicizumabe.
O protocolo completo ficará disponível no site do Ministério da Saúde, na área destinada aos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT).

Atendimento

Os gestores estaduais, distrital e municipais do Sistema Único de Saúde (SUS) deverão organizar a rede assistencial, definir os serviços de referência e estabelecer os fluxos necessários para o atendimento dos pacientes em todas as etapas previstas pelo protocolo.

FONTE: Agencia Brasil

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Hepatites virais: saiba como se manifestam os diferentes tipos da doença e conheça as formas de prevenção

 

Fadiga, febre, mal-estar, enjoo e pele amarelada estão entre os sintomas mais conhecidos das hepatites virais. O problema é que muitas pessoas infectadas nunca chegam a apresentar esses sinais. Sem diagnóstico, a doença pode evoluir silenciosamente por anos enquanto provoca danos progressivos ao fígado.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 304 milhões de pessoas no mundo vivem com hepatite B ou C – formas que frequentemente evoluem para infecções crônicas e complicações graves. Juntos, esses dois vírus são responsáveis por mais de um milhão de mortes anualmente em todo o globo.

No Brasil, foram confirmados mais de 800 mil casos de hepatites virais e cerca de 45 mil óbitos associados aos tipos A, B, C e D entre os anos 2000 e 2024, de acordo com o Boletim Epidemiológico Hepatites Virais 2025, do Ministério da Saúde.

“Um dos principais obstáculos para o controle das hepatites é a baixa taxa de diagnóstico. Como muitas pessoas não têm ideia de que convivem com a doença, elas acabam transmitindo o vírus sem saber”, alerta o gestor médico de Desenvolvimento Clínico do Instituto Butantan Eolo Morandi.

As hepatites virais mais comuns são causadas pelos vírus A, B e C, mas existem ainda os tipos D e E. Embora todas possam causar inflamação do fígado, elas diferem em aspectos importantes, como formas de transmissão, gravidade e métodos de prevenção.

As hepatites virais mais comuns são causadas pelos vírus A, B e C, mas existem ainda os tipos D e E. Embora todas possam causar inflamação do fígado, elas diferem em aspectos importantes, como formas de transmissão, gravidade e métodos de prevenção.


(Foto: Bruna Custodio/Comunicação Instituto Butantan)

Hepatite A: quando o problema está na água e nos alimentos

O vírus da hepatite A é transmitido principalmente pela via fecal-oral. De forma geral, a infecção acontece pelo consumo de água ou alimentos contaminados com resíduos fecais, contato pessoal próximo – comum em ambientes como creches ou instituições de longa permanência – e práticas sexuais que envolvam contato oral-anal.

Segundo o boletim do Ministério da Saúde, as regiões Nordeste e Norte concentraram a maior parte dos casos confirmados de hepatite A no Brasil entre 2000 e 2024. Recentemente, houve um aumento na taxa de incidência da doença impulsionado pelas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, onde a doença passou a se concentrar mais na população adulta, especialmente entre os homens.

“Trata-se de uma doença que está bastante relacionada a condições precárias de saneamento básico e higiene, fatores que acabam facilitando a circulação do vírus no ambiente”, pontua Eolo Morandi.

Os sintomas mais comuns da hepatite A incluem fadiga, mal-estar, febre, dores musculares, enjoo, vômitos, dor abdominal e diarreia. Em alguns casos, podem surgir sinais de comprometimento hepático, como urina escura, fezes claras e icterícia – coloração amarelada da pele e da parte branca dos olhos.

Diferentemente dos tipos B e C, a hepatite A não costuma evoluir para infecção crônica. Segundo Eolo Morandi, a doença geralmente apresenta caráter benigno e autolimitado, com recuperação espontânea na maioria dos casos. Pessoas acima dos 50 anos, entretanto, podem apresentar maior risco de evoluir para formas mais graves.

Não existe tratamento específico para a doença. No geral, é recomendado repouso e a adoção de uma dieta equilibrada, com reposição de líquidos. Também é fundamental evitar a automedicação, pois medicamentos desnecessários podem ser tóxicos ao fígado já inflamado.

A vacinação é considerada a principal ferramenta de prevenção da doença. O Instituto Butantan fornece a vacina contra hepatite A ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), que é aplicada em dose única aos 15 meses de vida. O

Recentemente, o Ministério da Saúde ampliou a oferta de duas doses para grupos específicos, como usuários de Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP) e pessoas com doenças hepáticas crônicas.

Boas práticas de higiene, como lavar as mãos frequentemente, higienizar alimentos crus com solução clorada e consumir apenas água potável ou tratada, e adotar medidas de proteção durante as relações sexuais também são maneiras de prevenir a doença.



(Foto: José Felipe Batista/Comunicação Instituto Butantan)

Hepatite B: cuidado com sangue e atenção às relações sexuais

A transmissão da hepatite B ocorre por meio do contato com sangue ou outros fluidos corporais infectados. Uma das formas mais comuns de infecção em áreas de alta endemicidade da doença é a perinatal (ou vertical), que acontece de mãe para filho durante o parto.

Outras maneiras de disseminação do vírus são pelo contato sexual sem proteção, compartilhamento de agulhas e seringas, transfusões de sangue não testado, acidentes com materiais perfurocortantes, além de tatuagens e piercings realizados com equipamentos contaminados.

Quando presentes, os principais sintomas observados costumam ser fadiga, febre, mal-estar, dor abdominal, náuseas, urina escura e icterícia.

“O maior desafio da hepatite B está na sua capacidade de se tornar crônica, quando o organismo não consegue eliminar o vírus”, explica o gestor médico do Instituto Butantan. Nesses casos, a infecção pode permanecer silenciosa por décadas antes de evoluir para complicações graves, como cirrose hepática e câncer de fígado.

O risco de cronificação varia bastante de acordo com a idade em que ocorre a infecção. De acordo com a OMS, cerca de 90% a 95% das crianças infectadas no primeiro ano de vida desenvolvem a forma crônica da doença, enquanto esse risco é inferior a 5% para quem adquire o vírus na idade adulta.

Por conta disso, a aplicação da primeira dose da vacina contra a hepatite B deve ser feita ainda nas primeiras 24 horas de vida. O Instituto Butantan também é responsável por ofertar o produto ao PNI. Para crianças, a recomendação do Ministério da Saúde é que elas recebam quatro doses do imunizante: ao nascer, aos 2, 4 e 6 meses de idade. Já para a população adulta, o esquema completo se dá com três doses.

Além da vacinação, a prevenção envolve o uso de preservativo durante as relações sexuais e a adoção de práticas seguras em procedimentos médicos, odontológicos e estéticos. No Brasil, a maior parte dos casos confirmados de hepatite B concentra-se nas regiões Sudeste e Sul.



(Foto: Chameleons Eye/Shutterstock)

Hepatite C: quando a cura é uma possibilidade

A hepatite C é responsável por mais de 75% dos óbitos associados às hepatites virais no Brasil. Sua principal forma de transmissão é pelo contato com sangue contaminado, geralmente por compartilhamento de agulhas e seringas. De acordo com dados da OMS, pessoas que usam drogas injetáveis representam 44% das novas infecções pelo vírus. Outras formas incluem procedimentos médicos e estéticos sem esterilização e, menos frequentemente, via sexual ou perinatal.

Assim como os outros tipos de hepatite, os sintomas são praticamente ausentes; e quando existem, incluem fadiga, náuseas, urina escura e icterícia. A infecção também pode evoluir para sua forma crônica, que se não for tratada pode progredir para fibrose avançada, cirrose e câncer de fígado.

Diferentemente das hepatites A e B, ainda não existe vacina contra a hepatite C. A prevenção baseia-se no controle de exposição ao sangue, redução de danos para usuários de drogas e testagem espontânea para diagnóstico precoce.

Apesar da ausência de imunizantes, a hepatite C tornou-se uma doença potencialmente curável graças aos avanços dos tratamentos antivirais – mesmo quando ela já alcançou a sua forma crônica. O protocolo de cuidado é feito com o uso de Antivirais de Ação Direta (AADs) ao longo de algumas semanas, e as taxas de cura são superiores a 95%. No Brasil, o tratamento é disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).


(Foto: Mateus Fiuza/Shutterstock)

Hepatites D e E: tipos menos comuns também são importantes

Embora sejam menos frequentes do que os tipos A, B e C, as hepatites D e E possuem características que as tornam relevantes para a vigilância em saúde pública.

A hepatite D, por exemplo, possui uma característica única entre as hepatites virais: ela só consegue infectar e se replicar em pessoas que também possuem o vírus da hepatite B. A transmissão ocorre, principalmente, pelo contato com sangue ou fluidos corporais contaminados.

No geral, a infecção por hepatite D se dá de duas formas: por coinfecção, quando a pessoa é infectada por ambos os vírus ao mesmo tempo; ou superinfecção, quando alguém que já tem hepatite B crônica é infectada pelo vírus D. A presença simultânea dos dois vírus acelera a progressão da doença e aumenta o risco de complicações graves, como cirrose e câncer de fígado.

Como o vírus da hepatite D precisa do vírus B para sobreviver, a vacinação contra a hepatite B ainda é o método mais eficaz de prevenção, oferecendo proteção indireta.

Já a hepatite E apresenta comportamento semelhante ao da hepatite A. A transmissão ocorre principalmente pela via fecal-oral, por meio do consumo de água ou alimentos contaminados.

Na maior parte dos casos, a infecção é autolimitada e desaparece espontaneamente em poucas semanas. A principal preocupação está nas gestantes, grupo em que o risco de complicações grave é significativamente maior, especialmente no terceiro trimestre. A hipótese é que a interação entre as alterações hormonais e imunológicas típicas da condição deixem as grávidas mais suscetíveis ao vírus e contribua para uma rápida replicação viral do vírus no organismo.


Avanços nacionais e objetivos globais para 2030

O Brasil tem avançado em algumas das principais frentes de combate às hepatites virais. No relatório global mais recente da OMS sobre o tema, o país foi citado como exemplo pelo progresso na prevenção da transmissão da hepatite B de mãe para filho, uma vez que a cobertura vacinal entre recém-nascidos saltou de 77% em 2023 para 98% em 2025.

A evolução também pode ser observada na mortalidade. Entre 2014 e 2024, a taxa de mortes associadas à hepatite B caiu 50% no país, enquanto os óbitos relacionados à hepatite C registraram redução de 60%.

Apesar dos progressos, o diagnóstico tardio continua sendo um dos principais obstáculos para o controle das hepatites virais. Para enfrentar esse desafio, a OMS estabeleceu como meta eliminar as hepatites como um problema global de saúde pública até 2030.

A estratégia prevê reduzir em 90% o número de novas infecções, diminuir em 65% as mortes relacionadas à doença, diagnosticar 90% das pessoas infectadas e garantir tratamento para 80% daqueles que necessitam de acompanhamento clínico – em relação aos níveis observados em 2015.

“O diagnóstico precoce é fundamental para interromper a cadeia de transmissão e evitar que a doença evolua para formas mais graves. Pelo menos uma coleta de sangue anual já contribui para uma pessoa saber se tem ou não a doença”, recomenda Eolo Morandi.

A conscientização da população também é considerada parte fundamental desse esforço. Por isso, desde 2010, a OMS promove o Dia Mundial de Luta contra as Hepatites, celebrado em 28 de julho. A data busca reforçar a importância da vacinação, da testagem e do acesso ao tratamento – ferramentas que podem evitar complicações graves e salvar milhões de vidas.



Referências

CANADIAN FAMILY PHYSICIAN. Hepatitis E infection during pregnancy
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Hepatite A
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Hepatite B
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Hepatite C
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Hepatite D
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Hepatite E
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Ministério da Saúde amplia vacinação contra hepatite A para usuários de PrEP
ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. Dia Mundial de Combate à Hepatite

FONTE: INSTITUTO BUTANTAN

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Anvisa aprova novo medicamento para tratar lúpus

 

Agência passa a recomendar o Gazyva (obinutuzumabe)

O medicamento Gazyva (obinutuzumabe), indicado para alguns casos de câncer, pode ser usado a partir de agora no tratamento do lúpus. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) passou a recomendar a substância para pacientes adultos com lúpus ativo moderado a grave, positivos para autoanticorpos, em uso de tratamento padrão.

Em nota, a Anvisa informou que o obinutuzumabe é um anticorpo monoclonal humanizado que promove eliminação massiva e prolongada dos linfócitos B, células que desempenham papel central nos processos fisiológicos anormais que levam ao desenvolvimento do lúpus.

A doença, segundo a agência, figura como uma condição autoimune, crônica e potencialmente grave, caracterizada pela produção desregulada de autoanticorpos que provocam inflamações em múltiplos órgãos e sistemas. Entre as áreas mais afetadas estão pele, articulações, rins, sistema sanguíneo e sistema nervoso central.

“Os benefícios demonstrados da nova indicação incluem redução da atividade da doença, menor ocorrência de exacerbações e redução sustentada da exposição a corticosteroides.”

A agência ressaltou ainda que, apesar da disponibilidade de terapias convencionais e biológicas para o tratamento da doença, existe uma parcela significativa de pacientes que permanece em estágio ativo constante.

“Essas pessoas sofrem com surtos recorrentes ou se tornam dependente do uso contínuo de corticosteroides – medicamentos que carregam efeitos colaterais importantes a longo prazo.”

Riscos

O Ministério da Saúde alerta que, se não tratado corretamente, o lúpus pode levar a complicações graves em diversos órgãos e tecidos do corpo humano, podendo provocar a morte do paciente. As principais complicações costumam ocorrer nos seguintes órgãos:

rins: a falência dos rins está entre as principais causas de morte por complicações do lúpus nos primeiros cinco anos após o diagnóstico. Alguns sintomas são comuns nessa fase são irritação, coceira generalizada, dores no peito, falta de ar, náuseas, vômito e edemas.

cérebro: se a doença tiver chegado ao cérebro, o paciente pode apresentar sintomas específicos como dor de cabeça, confusão, tontura, mudanças de comportamento, alucinações, acidentes vasculares cerebrais (AVC) e convulsões.

vasos sanguíneos: anemia, aumento no risco de sangramentos e inflamação dos vasos (vasculite) estão entre as principais complicações possíveis decorrentes do lúpus.

pulmões: o lúpus também pode levar à pleurisia, uma inflamação dos tecidos que revestem os pulmões e a caixa torácica. O quadro pode provocar muita dor durante a respiração.

coração: em alguns casos, pode ocorrer também a inflamação dos músculos do coração e das artérias, aumentando significativamente as chances de infarto.
FONTE: Agencia Brasil

Senado aprova fim da escala 6x1 e redução da jornada de trabalho

 
Decisão é vista como maior vitória de trabalhadores desde Constituinte

Em uma decisão histórica, o plenário do Senado Federal aprovou na noite desta quarta-feira (14), em votação em dois turnos, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 221/2019, que põe fim à escala 6x1 de trabalho, aquela em que o empregado trabalha seis dias por um de folga na semana.

Foram 75 votos a favor da PEC e apenas um contrário, em ambos os turnos.

O quórum exigido para uma emenda constitucional era de pelo menos 49 votos favoráveis. O número de parlamentares com presença registrada em plenário chegou a 77 dos 81 senadores, segundo o painel de votação.

O texto prevê descanso remunerado obrigatório de dois dias por semana, em jornada máxima de 5x2, sem redução salarial, e também reduz a atual jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com uma regra de transição total de 14 meses.

A mudança representa um marco na luta por direitos trabalhistas desde a Constituição de 1988, quando a jornada foi reduzida de 48 para 44 horas semanais, e concede um dia a mais de descanso para que trabalhadores com carteira assinada possam descansar, ampliar o convívio com a família e ter mais tempo de lazer e estudos.

Pelo texto, 60 dias após a promulgação da emenda constitucional as empresas deverão adotar a escala 5x2 e reduzir a jornada máxima para o máximo de 42 horas semanais de trabalho. Depois de mais 12 meses, a jornada será reduzida para 40 horas semanais.


"Eu tenho certeza que, desde a Constituinte de 1988, esta é a maior conquista dos trabalhadores brasileiros", afirmou o senador Omar Aziz (PSD-AM), relator da matéria na Casa legislativa.

Ele manteve o mesmo texto aprovado pelos deputados há cinco meses, de forma que a proposta não precisará retornar à Câmara e poderá seguir diretamente para a promulgação.

A votação em primeiro e segundo turnos na mesma noite foi possível após a aprovação, em votação simbólica, de um requerimento de calendário especial, feito por líderes partidários, que dispensou a exigência de novas sessões deliberativas para análise da proposta.

Aprovada pela Câmara dos Deputados em maio, a PEC chegou em agosto ao Senado, onde passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e foi levada à discussão em plenário na semana passada, após compromisso firmado pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).


Brasília-DF - 14/10/2026 - Sessão do Senado que votou o fim da escala 6X1. Foto: Lula Marques/Agência Brasil.

Debate em plenário

A sessão deliberativa começou pouco depois das 14h e se estendeu até por volta das 22h, quando o resultado da votação foi revelado. Praticamente todos os senadores que subiram à tribuna se declararam favoráveis à proposta, mesmo com críticas pontuais.

"Estamos escrevendo este capítulo ao lado de cada trabalhador que acorda antes do sol nascer, de cada mãe e cada pai que querem acompanhar o crescimento de seus filhos, de quem deseja estudar, cuidar da saúde, encontrar os amigos, estar com a família ou descansar", afirmou a senadora Tereza Leitão (PT-PE), líder do governo no Senado.

"A jornada de 44 horas semanais vigora desde a Constituição de 1988 e não reflete mais a realidade do mundo do trabalho, profundamente transformado pela tecnologia, pela automação, por novas normas e formas de organização produtiva", comentou o senador Eduardo Braga (MDB-AM).

Citando dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a senadora Leany Lemos (PSD-DF) destacou que 36,2 milhões de vínculos de trabalho com carteira assinada possuem jornada contratada superior a 40 horas semanais no Brasil, o que equivale a praticamente 80% dos vínculos celetistas analisados.

"Ou seja, somente 20% dos trabalhadores formalizados no país não trabalham na jornada 6x1. Esses dados permitem dimensionar o alcance da redução da jornada e identificar os setores mais afetados", pontuou.

Em seu pronunciamento em plenário, o senador Paulo Paim (PT-RS) disse que não tinha como conter a emoção.

"Quando eu olho para trás, para 30, 40, 50 anos, eu me sinto aqui, agora, um menino negro e pobre que esperou 50 anos para este momento acontecer. Quem operou, trabalhou, em fundições, em fábricas, em marcenarias, em fábricas de barro e de vasos, como eu e tantos trabalhadores, sabe que este momento é especial", afirmou.

Mesmo favorável à PEC, o senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) alertou sobre os riscos de a medida aumentar o custo do trabalho e causar impactos a micro e pequenas empresas, que contratam boa parte da força de trabalho que atua na escala 6x1.

"Não podemos permitir que essa conquista se torne, a médio e longo prazos, em prejuízo para quem queremos proteger", observou. Apesar de, ao longo do debate, ter sido contrário à proposta, o Partido Liberal (PL) liberou a bancada para a votação.

Empresário, o senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO) informou já ter eliminado a escala 6x1 em suas empresas, o que ampliou a oferta de mão-de-obra e aumento da produtividade.

"A única maneira que nós encontramos de resolver a falta de mão-de-obra, que há muitos anos assola esse país, não é de agora, foi flexibilizar o fim dessa jornada, que nas nossas empresas acontece há mais de 5 anos", disse o parlamentar.

O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) foi o único a votar contra a proposta.

Durante discurso na tribuna do Senado, o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, criticou a ausência dos senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Rogério Marinho (PL-RN) na sessão destinada à votação da proposta.

"Eu olho para o painel do Senado e ainda não vejo a presença do senador Flávio Bolsonaro, nem do coordenador de campanha dele, o senador Rogério Marinho. Eles haviam dito primeiro que eram contra [o projeto]. Diziam eles que era eleitoreiro, mas mudaram de posição", afirmou.

Flávio cumpriu agenda de campanha no Rio Grande do Sul ao longo do dia, mas registrou a presença em plenário para votar a matéria de forma remota. No painel de votação, Flávio Bolsonaro registrou voto favorável à PEC. Marinho não registrou presença na votação, constando como ausente.

Milhões de beneficiados

Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), elaborada com base em dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), apontou que 80% dos vínculos com jornadas superiores a 40 horas semanais tinham salários contratuais de até dois salários mínimos (atualmente em R$ 3.242). O percentual chegava a 90% quando considerado o limite de três salários mínimos (R$ 4.863).

Os vínculos com contratos de até 40 horas semanais registravam remuneração mensal média de R$ 6.211,16. Já os trabalhadores contratados para jornadas de 44 horas recebiam, em média, cerca de 42,3% desse valor, ou seja, cerca de R$ 2.627,32.

A escolaridade também aparece associada à duração da jornada. Mais de 83% dos vínculos de trabalhadores com ensino médio completo ou escolaridade inferior tinham jornadas superiores a 40 horas semanais. Entre aqueles com ensino superior completo, a proporção era de 53%.

Uma outra pesquisa apontou que o fim da escala 6x1 e a redução da jornada máxima de trabalho para 40 horas semanais deve beneficiar 26,8 milhões de trabalhadores. O número reúne 22 milhões de trabalhadores formais, o equivalente a 54% dos empregados com carteira assinada, e aproximadamente 4,8 milhões de trabalhadores informais que atualmente cumprem jornadas superiores a 40 horas por semana.

Os dados são de um levantamento do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), elaborado com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE, referente a 2025. Segundo o estudo, mais da metade dos trabalhadores formais brasileiros ainda trabalham acima da jornada de 40 horas semanais.

FONTE: Agencia Brasil