quinta-feira, 28 de maio de 2026

Anabolizantes podem levar à hipertofria cardíaca; saiba como prevenir

 
Morte de Gabriel Ganley chama atenção para uso de substâncias

A morte do influenciador e fisiculturista Gabriel Ganley, aos 22 anos, cujo atestado de óbito apontou um quadro de cardiomiopatia hipertrófica, reacendeu o debate sobre os impactos do uso de anabolizantes na saúde do coração.

Com 1,7 milhão de seguidores nas rede sociais, Ganley compartilhava sua rotina de treinos e já tinha revelado o uso de hormônios anabolizantes em sua preparação física. Ele foi encontrado morto em seu apartamento na Mooca, em São Paulo, no último sábado (23).

“Em muitos pacientes, o uso de anabolizantes em doses elevadas acaba levando à hipertrofia do coração. O coração cresce acima do normal porque ele também é um músculo. A hipertrofia que aumenta os músculos dos braços, das pernas, também aumenta o coração”, explica o cardiologista Herbert Lima Mendes, professor do Instituto de Educação Médica (Idomed).
O que são os anabolizantes?

Cada vez mais populares para o ganho de massa muscular e melhoria de performance física, os esteroides anabolizantes (EA) são drogas sintéticas que têm como função central a reposição de testosterona, o principal hormônio masculino.

Seu uso regular ocorre nos casos em que há déficit desse hormônio como, por exemplo, no envelhecimento. Entretanto, o uso sem supervisão médica para fins estéticos e de performance esportiva é proibido e altamente prejudicial à saúde.

Insuficiência cardíaca

A cardiomiopatia hipertrófica causa o espessamento anormal do músculo cardíaco, tornando-o mais rígido. Esse quadro dificulta o bombeamento de sangue e o relaxamento do coração, sendo uma das principais causas de morte súbita em jovens e atletas.

Lima Mendes destaca que, a longo prazo, o crescimento do coração pode causar a falha do órgão, levando a uma insuficiência cardíaca. Segundo o médico, entre atletas que usam anabolizantes é comum a ocorrência da chamada “Síndrome de Super Homem”.

“Os atletas dizem que isso acontece com os outros, não vai acontecer comigo. Eu não vou ter nada”, afirma.

O médico alerta, ainda, que a ânsia em apresentar resultados leva as pessoas a aumentarem a dose e o número de substâncias em uso e, por consequência, elevar o risco de morte.

“Infelizmente, muitas pessoas usam anabolizantes sem fazer avaliação cardiológica. E, quando descobrem alguma doença, já estão em uma fase que não dá para fazer nada”, diz o médico.

Fator genético

A médica Marcely Bonatto, diretora da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), esclarece que a cardiomiopatia é uma doença de fundo genético, acometendo um em cada 500 indivíduos.

“Muitas pessoas não sabem que têm por serem assintomáticas. Mas existe um grande pano de fundo de transmissibilidade genética. E essa doença pode se manifestar na segunda ou terceira década de vida”, afirma.

Independentemente do uso de anabolizantes, ela acredita que Gabriel Ganley podia ser portador da cardiomiopatia e desconhecer a condição.

Para ter certeza de que a morte do atleta foi causada exclusivamente pelo uso dessas substâncias, seria preciso avaliar exames cardíacos anteriores, a fim de detectar se ele tinha um coração estruturalmente normal que evoluiu para hipertrofia.

“Se for considerar só o laudo da declaração de óbito, a gente poderia pensar que ele tem cardiomiopatia hipertrófica e tinha essa predisposição. Talvez já tivesse alterações e o anabolizante foi só um fator agravante, desencadeante da consequência. Mas não a causa absoluta”, afirma a médica.

FONTE: Agência Brasil

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Anvisa aprova primeira caneta análoga ao Ozempic para diabetes

 
Versão brasileira Ozivy foi aprovada em teste de eficácia e segurança

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou nesta terça-feira (26) o registro do medicamento Ozivy. O produto é a primeira caneta de semaglutida sintética análoga ao produto biológico liberado para comercialização no Brasil.

O composto usa o mesmo princípio ativo do Ozempic, que teve a patente expirada em 20 de março.

O pedido de registro do medicamento, em nome da fabricante EMS/SA, chegou em 2023 e passou pelo processo técnico de comprovação de eficácia, segurança e qualidade feita por meio do registro na Anvisa.

Indicação aprovada

Ozivy poderá ser usado para o tratamento de adultos com diabetes tipo 2, como adjuvante a dieta e exercícios.

O produto será apresentado como solução injetável, em caneta preenchida para uso semanal. A forma de conservação do novo produto é diferente do medicamento originador (Ozempic). Ele deve ficar armazenado em geladeira antes e depois de iniciado o tratamento.

O Ozivy não é um medicamento genérico, pois não há genérico de produtos biológicos conforme regulação brasileira. O composto é classificado como medicamento novo, sendo um análogo sintético de produto biológico.

FONTE: Agência Brasil

sábado, 23 de maio de 2026

SUS: lei garante atendimento a crianças e adolescentes em saúde mental

 
Nova norma inclui no ECA acesso integral e gratuito

Crianças e adolescentes passam a ter garantido, por lei, o acesso a programas de saúde mental no Sistema Único de Saúde (SUS). A medida está prevista na Lei nº 15.413, que altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

A nova legislação, publicada no Diário Oficial da União, inclui no ECA dispositivo específico que assegura a oferta de ações de prevenção e tratamento de agravos à saúde mental voltadas ao público infantojuvenil.

O atendimento deverá abranger desde a atenção psicossocial básica e especializada até serviços de urgência, emergência e internação hospitalar.

O texto também determina que os profissionais envolvidos recebam formação específica e contínua, com foco na identificação de sinais de risco e no acompanhamento adequado dos pacientes.

Outro ponto da lei é a garantia de acesso gratuito ou subsidiado a recursos terapêuticos para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade que estejam em tratamento. O atendimento deverá seguir linhas de cuidado adaptadas às necessidades específicas desse público.

FONTE: Agência Brasil

sexta-feira, 22 de maio de 2026

SUS adota novo exame para rastrear câncer colorretal na população

 
Público-alvo abrange pessoas assintomáticas entre 50 e 75 anos

O Ministério da Saúde anunciou nesta quinta-feira (21) a incorporação de um novo protocolo nacional para rastreamento do câncer colorretal no Sistema Único de Saúde (SUS). O Teste Imunoquímico Fecal (FIT, na sigla em inglês) passa a ser o exame de referência para homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos de idade. Segundo a pasta, o teste apresenta sensibilidade entre 85% e 92% para identificar possíveis alterações.

A estratégia pode ampliar o acesso de mais de 40 milhões de brasileiros à prevenção e à detecção precoce da doença, segundo o ministério.

Esse tipo de câncer é o segundo mais frequente no Brasil, excluindo os tumores de pele não melanoma. A estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) para cada ano do triênio 2026-2028 é de 53,8 mil novos casos.

Um estudo recente estimou um aumento de quase três vezes nas mortes por esse tipo de câncer até 2030. Uma das razões que explicam a grande mortalidade da doença é o fato de a maioria dos pacientes só descobrir o câncer em estágios avançados, justamente o que o rastreamento organizado quer impedir.

O FIT é um exame de fezes que detecta pequenas quantidades de sangue oculto, invisíveis a olho nu, que podem ser sinal de pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer no intestino. Diferentemente dos exames antigos de sangue oculto nas fezes, o FIT utiliza anticorpos específicos para identificar sangue humano, o que aumenta a precisão do teste.

O paciente recebe um kit para coleta em casa. Depois, o material é enviado para análise laboratorial. Caso o resultado detecte sangue oculto, o paciente será encaminhado para exames complementares. A colonoscopia é considerada o padrão-ouro para avaliação do intestino porque permite visualizar diretamente o cólon e o reto, além de retirar pólipos durante o procedimento, evitando que algumas lesões evoluam para câncer.

O exame FIT não exige preparo intestinal, não precisa de dieta restritiva antes da coleta, pode ser feito com apenas uma amostra, é menos invasivo e tem maior adesão da população.

A diretriz com as orientações para essa nova testagem foi elaborada por especialistas e recebeu parecer favorável da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), em março deste ano.

FONTE: Agência Brasil