sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Anvisa aprova primeiro medicamento de GLP-1 oral para obesidade

 
Wegovy só era disponível no Brasil em forma de caneta injetável

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta quarta-feira (4), o registro para o medicamento Wegovy (semaglutida) com administração por via oral. O remédio só era disponível no Brasil na forma de solução injetável para administração subcutânea.

A nova apresentação prevê administração de comprimidos uma vez ao dia, com escalonamento progressivo de dosagem, iniciando com 1,5 miligramas (mg) e avançando para 4 mg e 9 mg, até atingir a dose diária de manutenção recomendada, fixada em 25 mg.

O medicamento deve ser tomado em jejum, com pequena quantidade de água, aguardando-se pelo menos 30 minutos antes da ingestão de alimentos, bebidas ou outros medicamentos.

O produto é indicado para o tratamento da obesidade e do sobrepeso (associado a comorbidades) em adultos, como complemento a uma dieta saudável e à prática de atividade física.

O medicamento é o primeiro agonista do hormônio glucagon tipo 1 (GLP-1) em formato oral aprovado para uso no país.

"A semaglutida atua na regulação do apetite e da ingestão alimentar, promovendo redução do peso corporal e melhora de parâmetros metabólicos associados à obesidade", diz a Anvisa.

Terapia
Para a agência reguladora, a chegada da nova apresentação traz mais flexibilidade terapêutica aos pacientes e profissionais de saúde, o que inclui a possibilidade de transição entre as formulações oral e subcutânea, quando clinicamente apropriado, de acordo com as orientações aprovadas em bula.

A aprovação do registro teve como principal sustentação os resultados do estudo clínico pivotal de fase 3, denominado OASIS 4, que avaliou a eficácia da semaglutida oral na dosagem de 25 mg em adultos com obesidade ou sobrepeso associado a comorbidades.

Durante a pesquisa, que acompanhou os participantes ao longo de 64 semanas, o grupo tratado com a medicação registrou uma perda média de peso corporal superior a 13%. Além do desempenho significativamente superior ao do grupo placebo, o tratamento promoveu melhora em diversos marcadores de saúde cardiometabólica dos pacientes.

Doença crônica
A obesidade é uma doença crônica, progressiva e multifatorial, associada ao aumento do risco de diversas condições clínicas, incluindo diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial, dislipidemia, doença cardiovascular e apneia obstrutiva do sono.

quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Modelo do SUS de resposta às mudanças climáticas será levado à COP31

 
Encontro será na cidade de Antália, entre os dias 9 e 20 de novembro

A estrutura criada no Brasil em resposta aos efeitos da mudança climática na saúde das pessoas será apresentada na Turquia, durante a 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31). E encontro ocorrerá na cidade de Antália, entre os dias 9 e 20 de novembro.


Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante coletiva sobre a preparação do Brasil para a COP31, na Turquia, e as ações do país para fortalecer a resiliência climática na saúde. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil


Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, serão apresentadas as mudanças promovidas no Sistema Único de Saúde em todo o país, para adequar o atendimento e tornar as unidades em espaços de acolhimento adaptados e resilientes aos efeitos das mudanças climáticas.

“A crise climática é, sobretudo, uma crise de saúde pública. O tema da saúde, certamente, é o tema mais sensível, que pode ser o mais mobilizador para a sociedade como um todo agir sobre as ações necessárias para evitar as mudanças climáticas e também adaptar os sistemas de saúde”, diz o ministro.

Entre as ações que serão apresentadas na COP31 estão investimentos de R$ 9,8 bilhões no programa AdaptaSUS, até 2035, que está viabilizando a construção de 2.795 unidades básicas de saúde resilientes, a entrega de 4.056 novas ambulâncias do SAMU, além da instalação de 783 soluções de água potável em Terras Indígenas e a implantação de 20,8 mil cisternas no semiárido do Nordeste e Sudeste do país.

Os resultados da Força Nacional do SUS, criada em 2011 também serão apresentadas como um modelo de resposta emergencial, principalmente para reforço aos equipamentos de saúde existentes.

Apenas nos últimos quatro anos, 25 estados receberam o reforço de 2.423 profissionais mobilizados em 86.918 atendimentos. Das 104 missões nessas localidades, a que foi realizada no Rio Grande do Sul, por causa das enchentes ocorridas em 2024, foi a maior, com o empenho de 763 profissionais, que realizaram 29.019 atendimentos.

Foram criadas ainda cinco novas bases da Força Nacional do SUS para descentralizar o apoio às redes de saúde, alcançando as outras quatro regiões do Brasil além do Centro-Oeste que já é atendido pela capital federal.

Atualmente já estão em funcionamento as bases do Rio de Janeiro, Salvador, Manaus, Porto Velho e Porto Alegre. Até o fim do ano, mais quatro entrarão em funcionamento nas cidades de Recife, Fortaleza, Campo Grande e Belém.

Outra iniciativa apresentada será a criação dos Centros de Informação em Saúde e Clima (CISCs), que monitoram dados de qualidade do ar e da água, variações de temperatura e extremos climáticos, com o objetivo de antecipar os riscos, identificar vulnerabilidade e preparar o sistema de saúde para os possíveis efeitos de cada evento.


“O El Niño no Brasil tem diferentes impactos regionais, por exemplo, e compreender isso é fundamental para a preparação. para a resposta a ele”, diz.

Agenda internacional

De acordo com Padilha, o Brasil também pretende reforçar as ações de cooperação global e financiamento climático, por meio da atuação no Grupo Baku, uma coalização para o clima e saúde, que reúne os países presidentes das últimas COPs – Brasil, Azerbaijão, Egito, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido.


“Austrália e Turquia também ingressaram na coalizão e já consolidam suas participações com uma agenda de atividades que já vem ocorrendo antes mesmo da COP31”, afirma o ministro.

O Plano de Ação em Saúde de Belém, lançado na COP30, é outra iniciativa do Brasil para a agenda de clima com o objetivo de reunir países em torno de adaptação e fortalecimento da atenção à saúde de populações vulneráveis.

Em um ano, a iniciativa já foi endossada por 40 países e tem o apoio de 50 organizações. Mais de 60 ações foram construídas e já integram a iniciativa.

Financiamento

Segundo o ministro, além de apresentar a “lição de casa” e fortalecer a cooperação internacional na área de saúde, o governo brasileiro também pretende avançar no debate sobre o financiamento internacional por empresas para o Plano de Ação em Saúde de Belém.

Na COP30, foram anunciados US$ 300 milhões para financiamento de projetos voltados a melhoria da atenção à saúde das populações. E o Brasil inscreveu algumas propostas de universidades e organizações sociais para melhoria de monitoramento da qualidade do ar e de melhoria dos sistemas de atenção.


“A expectativa agora é que nessa COP31 vai ter uma mesa, da qual eu vou participar, na qual será apresentado os programas que foram aprovados para serem financiados com esse valor de 300 milhões de dólares”, diz.

O anuncio de novos financiamentos são esperados para Antália, assim como a entrega de um documento orientativo para os países buscarem financiamento das agências internacionais e bancos de fomento, com o objetivo de financiar a adaptação dos sistemas nacionais de saúde.

FONTE: Agencia Brasil

Painel permite analisar mudanças climáticas no Brasil e América Latina

 
Ferramenta lançada pelo governo integra a plataforma AdaptaBrasil

O governo federal e a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) lançaram nessa terça-feira (3) um painel que permite explorar como as mudanças climáticas podem alterar a temperatura e o regime de chuva no Brasil e na América Latina nas próximas décadas.

A ferramenta integra o AdaptaBrasil, plataforma que reúne indicadores de risco climático para os 5.570 municípios brasileiros, considerando fatores como ameaças climáticas, exposição e vulnerabilidade. Essas informações ajudam a identificar áreas mais suscetíveis aos impactos das mudanças climáticas e a orientar decisões sobre medidas de adaptação. Com o novo painel, a plataforma passa a oferecer também mapas com projeções de mudanças na temperatura e na precipitação sob diferentes níveis de aquecimento global.

Durante o lançamento, o secretário de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente, Aloisio Melo, disse que o governo federal tem trabalhado para tornar a adaptação à mudança do clima uma agenda prioritária, estratégica e transversal.

“Esse processo de atualizar o Plano Clima e de fazer um plano de adaptação muito mais robusto e transversal, por meio de 16 planos setoriais e temáticos, foi um esforço para traduzir e dar concretude a essa agenda tão fundamental para o desenvolvimento do país”.

Melo explicou que a medida envolve a forma como enfrentamos nossas vulnerabilidades socioeconômicas, que são históricas, mas foram agravadas nesse contexto em que a mudança do clima se materializa, se faz presente e desafia as várias agendas e políticas de desenvolvimento setoriais.”

O coordenador-geral de Ciência do Clima do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Márcio Rojas da Cruz, destacou que o governo federal está disponibilizando, por meio do AdaptaBrasil, informações relevantes no contexto da adaptação.

“São as primeiras informações necessárias para se começar a pensar em adaptação. Não se pensa em adaptação sem, antes de mais nada, começar a vislumbrar como será o nosso futuro do ponto de vista climático”, apontou.

Indicadores

O painel reúne indicadores de temperatura e precipitação, incluindo os relacionados a eventos extremos, para quatro níveis de aquecimento global: 1,5°C, 2°C, 3°C e 4°C. Os mapas também permitem comparar as mudanças projetadas em diferentes condições de aquecimento e identificar como elas se distribuem geograficamente.

De acordo com o gerente de soluções da RNP, Christian Miziara, o painel tem a possibilidade de comparar diferentes níveis de aquecimento global. “Em uma única interface, é possível visualizar indicadores de temperatura e precipitação, considerando os cenários de aquecimento. Isso ajuda a compreender como as ameaças climáticas podem se comportar à medida que a temperatura global aumenta”, disse.

Para o pesquisador sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Jean Ometto, o novo painel permite à sociedade acessar as projeções climáticas. “As projeções climáticas são um aspecto central, dentro do cálculo de risco, para que possamos planejar. Isso tudo, obviamente, embute uma incerteza, mas a ciência vai buscando justamente trazer a informação mais clara, mais robusta e mais transparente possível para que se possa trabalhar com planejamento”.

O pesquisador do INPE Gilvan Sampaio fez a apresentação do painel. Ele explicou que a plataforma está em sua primeira versão, tem navegação simples e que o instituto tem trabalhado para que seja possível baixar os dados sobre o clima por área e biomas. “Nós vamos incluir outras variáveis, como umidade relativa, vento, radiação e que são importantes também para os grupos de pesquisa, pesquisadores e para os diversos usuários, inclusive a população, para ter uma informação confiável sobre a mudança do clima”, avaliou.

FONTE: Agencia Brasil



quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Campanha alerta para doença em diabéticos que pode causar cegueira

 
Retinopatia é diagnosticada em um em cada três diabéticos

partir do dia 1º, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) inicia a campanha 24 Dias pelo Diabetes. O objetivo é conscientizar a população em geral e, sobretudo, quem vive com diabetes, sobre a prevenção, o diagnóstico e o tratamento da retinopatia diabética.

A doença figura como uma das principais causas de perda visual evitável entre adultos em idade produtiva. Dados da entidade mostram ainda que uma em cada três pessoas com diabetes no Brasil, em algum momento da vida, vai desenvolver o quadro de retinopatia diabética.

A campanha destaca que a retinopatia diabética ocorre quando níveis elevados de açúcar no sangue, ao longo dos anos, danificam pequenos vasos sanguíneos da retina, localizada no fundo do olho e responsável por captar a luz e enviar as imagens ao cérebro.

Riscos

Os dados mostram que a doença atinge de 24% a 39% das pessoas com diabetes no país. O risco aumenta conforme o tempo que o paciente vive com diabetes, após 20 anos, por exemplo, 90% dos pacientes com diabetes tipo 1 e 60% dos com tipo 2 terão algum grau de retinopatia.

A boa notícia é que, com diagnóstico e tratamento precoces, o risco de cegueira, de acordo com o CBO, pode cair para menos de 5%.

Para evitar que o problema se agrave, a orientação é que pessoas com diabetes incluam na rotina de cuidado visitas regulares ao médico oftalmologista, mesmo antes do aparecimento de sintomas.

O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Retinopatia Diabética, publicado pelo Ministério da Saúde, prevê que um dos principais recursos para identificar a retinopatia diabética é a fundoscopia, conhecida popularmente como exame de fundo de olho.

O procedimento, segundo o CBO, permite ao médico oftalmologista observar a retina e os vasos sanguíneos, identificando alterações que podem surgir mesmo quando o paciente ainda enxerga normalmente. A avaliação pode incluir a dilatação das pupilas para facilitar a visualização das estruturas internas do olho.

Cuidados

O CBO reforça que boa parte da prevenção da retinopatia diabética acontece fora do consultório, em atitudes como manter a glicemia e a pressão arterial sob controle que reduzem consideravelmente o risco de surgimento da doença e retardam a progressão.

A lista de hábitos saudáveis descrita pela entidade inclui: 

- consumir mais fibras (aveia, feijão, lentilha, arroz integral), além de verduras e legumes.

- reduzir o consumo de açúcar, sal, embutidos e alimentos ultraprocessados.

- evitar o fumo e o consumo excessivo de álcool.

- manter um peso saudável.

- dormir bem.

- reservar momentos de lazer e descanso.

FONTE: Agencia Brasil

terça-feira, 3 de novembro de 2026

Novas regras de atendimento ao consumidor começam a valer

 
Novo decreto do SAC exige contato direto por telefone e outros canais

A partir desta segunda-feira (2), os canais de atendimento telefônicos e eletrônicos - Serviço de Antendimento ao Consumidor (SAC) - das empresas estão obrigados a funcionar em contato direto com os consumidores.

O decreto do governo federal com as mudanças foi publicado em 13 de outubro e exige a garantia de atendimento humano tanto por telefone quanto nos canais eletrônicos, das 8h às 20h, todos os dias da semana, inclusive nos finais de semana e feriados.

A norma define ainda que os fornecedores deverão manter pelo menos um canal eletrônico em funcionamento 24 horas por dia, sete dias, além de prazos para resposta e cancelamento. Entre os canais eletrônicos estão os chats oferecidos em sites ou aplicativos e os serviços de mensagens instantâneas.

Os novos parâmetros de atendimento valem para aos fornecedores de produtos e serviços regulados governo federal. Entram nessa categoria operadoras de telefonia e de planos de saúde, empresas aéreas, concessionárias de energia e empresas do setor financeiro, como bancos e fintechs.

As normas incluem as plataformas digitais de intermediação de produtos e serviços, serviços de transporte remunerado privado individual de passageiros e serviços de entrega de produtos ou mercadorias. As empresas terão que apresentar dados à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon).

“Sistemas automatizados e ferramentas de inteligência artificial poderão ser utilizados na triagem, na distribuição interna e na resolução das demandas, mas não poderão impedir ou afastar a opção de atendimento em tempo real por uma pessoa durante esse período”, diz a Senacon.

O decreto determina atendimento prioritário e adequado às necessidades das pessoas idosas. Os canais de SAC (Sistema de Atendimento ao Consumidor) deverão ainda observar requisitos de acessibilidade para pessoas com deficiência, conforme regras a serem estabelecidas pelos órgãos e entidades reguladores competentes.
Tempo de espera e prazos de resolução

Segundo o decreto, o contato com uma pessoa nos atendimentos telefônicos deve ocorrer em até 20 segundos em pelo menos 80% das demandas atendidas. Nas outras o tempo máximo de espera será de cinco minutos.

Se a ligação for interrompida acidentalmente antes da conclusão do atendimento, o fornecedor deverá retornar a chamada em até cinco minutos, aproveitar as informações já fornecidas pelo consumidor e informar o número de protocolo anteriormente atribuído, quando houver.

O consumidor também não poderá ser obrigado a reiniciar o atendimento ou realizar novos contatos para tratar da mesma solicitação e não poderá ser encaminhado para outro canal, exceto quando o atendimento presencial for indispensável à resolução do problema.

Com atendimento obrigatoriamente gratuito, o encaminhamento para uma pessoa não poderá ser condicionado ao fornecimento prévio de número de contrato, CPF ou outros dados do consumidor. Também está proibida a veiculação de publicidade durante o atendimento e no período de espera.

“As demandas não urgentes deverão ser respondidas em até sete dias corridos. A resposta deverá ser clara, objetiva, conclusiva e abordar todos os pontos apresentados pelo consumidor. As demandas que envolvam risco relevante ao consumidor terão tratamento prioritário e atendimento imediato, a qualquer tempo. Caberá às agências ou aos órgãos reguladores competentes definir as situações consideradas urgentes”, explica o Senacon.
Cancelamento no SAC e nos canais de contratação

Segundo a nova norma, a opção de cancelamento do produto ou do serviço deverá estar disponível em todos os níveis de atendimento do SAC, inclusive no primeiro, tanto nos canais telefônicos quanto nos canais eletrônicos. Todos os meios e canais disponibilizados para a contratação também deverão permitir o cancelamento.

“Nesses canais, a opção deverá ser oferecida no mesmo menu eletrônico utilizado para contratar ou, quando houver atendimento humano, pela mesma equipe de atendentes responsável pela contratação. O consumidor não poderá ser direcionado a outro menu, atendente ou canal para realizar o cancelamento”, afirma o Senacon.

O decreto garante ainda ao consumidor acesso gratuito ao histórico de suas demandas. O histórico deverá ser fornecido mediante solicitação em até cinco dias úteis. As gravações das chamadas telefônicas e as mensagens trocadas nos canais de SAC deverão ser mantidas por, no mínimo, 90 dias.

FONTE: Agencia Brasil