segunda-feira, 15 de junho de 2026

SUS inclui nova terapia para pacientes adultos com leucemia mieloide

 
Tratamento servirá a casos agudos em que não cabe quimioterapia

O Ministério da Saúde passará a inserir, no Sistema Único de Saúde (SUS), o tratamento combinado de venetoclax com azacitidina para pacientes adultos com leucemia mieloide aguda recém-diagnosticada.

A combinação dos medicamentos é indicada a pacientes que, por condições clínicas, não são elegíveis ao tratamento padrão com quimioterapia intensiva, sendo mais uma alternativa de terapia para esse público.

De acordo com Portaria nº 30/2026, publicada nesta segunda-feira (15), a nova opção será disponibilizada na rede pública de saúde em 180 dias, conforme prevê norma federal que regula a incorporação de tecnologias no SUS.

A medida segue recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) e está alinhada ao Protocolo Clínico do Ministério da Saúde.

O relatório técnico que embasou a decisão ficará disponível para consulta pública no portal da Conitec.

Leucemia

Segundo o Ministério da Saúde, a leucemia é um tipo de câncer sanguíneo originado na medula óssea, tecido responsável por produzir glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas. Quando há alguma mutação genética, esses componentes podem se transformar em células cancerígenas.

Na forma aguda, a doença se torna ainda mais fatal se não tratada de forma precoce. O diagnóstico nos primeiros estágios e o encaminhamento especializado são essenciais para bons resultados do tratamento.

Essa é a forma mais comum da leucemia aguda em adultos e atinge, principalmente, pacientes idosos.

FONTE: Agencia Brasil

sábado, 13 de junho de 2026

Crise climática é o pior desafio da história humana, diz cientista

 
Para Stefano Mancuso, espécie está ameaçada por se isolar da natureza

A humanidade nunca enfrentou um desafio tão grande como a crise climática. Ainda assim, muitos parecem não ter entendido ainda a gravidade do problema, alertou o escritor e neurobiólogo italiano Stefano Mancuso nessa terça-feira (9), durante a inauguração do Centro de Ciências e Culturas Sesc RJ (CCCS) e da Galeria VÃO, no Rio de Janeiro.

"A crise climática é o problema mais grave que a humanidade já enfrentou em toda a sua história. Não se trata de uma crise passageira ou de um ciclo natural superável. Estamos diante de um risco real de extinção da nossa própria espécie se não mudarmos radicalmente a nossa relação com o planeta", lembrou o cientista.

Para Mancuso, a obsessão da humanidade em enxergar apenas a si mesma e ignorar a dependência em relação ao reino vegetal é uma das maiores ameaças à sobrevivência do planeta.

"Viver sob uma lógica de monocultura humana, como se pudéssemos existir isolados das outras espécies e sem depender diretamente delas, é uma ilusão perigosa que está nos conduzindo ao colapso", afirmou o cientista.

Professor da Universidade de Florença, Mancuso é uma das maiores referências mundiais em neurobiologia vegetal. Suas obras são publicadas no país pela Ubu Editora, que conta com os títulos A revolução das plantas — vencedor do Prêmio Galileo de divulgação científica em 2018 —, A incrível viagem das plantas, A planta do mundo, Nação das plantas e Fitópolis.

Ciência x opinião

Mancuso defendeu o papel do conhecimento acadêmico diante das transformações climáticas globais e criticou negacionistas que relativizam dados científicos sobre o aquecimento global.

"É uma tremenda estupidez tratar a ciência como se fosse apenas uma opinião, especialmente quando estamos discutindo a crise climática. A ciência trabalha com fatos, evidências e dados consolidados, não com pontos de vista subjetivos que podem ser aceitos ou descartados ao gosto de cada um", afirmou.

Como alternativa prática para conter o aquecimento urbano, o pesquisador defendeu medidas urgentes de renaturalização, como a substituição do asfalto por alternativas verdes. Segundo ele, é preciso agir rapidamente para remover coberturas impermeáveis e arborizar as cidades em massa.

"Temos que retirar 20% das ruas e do asfalto das cidades para dar espaço às plantas. As administrações municipais que fizerem isso primeiro serão as que vão evitar milhões de mortes e poupar gastos econômicos colossais. As outras serão obrigadas a fazê-lo daqui a dez anos, sob regime de emergência, gastando dez vezes mais e carregando na consciência as mortes que poderiam ter sido evitadas", concluiu.


Rio de Janeiro (RJ), 09/06/2026 - O escritor e neurobiólogo italiano Stefano Mancuso realiza palestra na abertura do Centro de Ciências e Culturas Sesc RJ - CCCS e da Galeria VÃO, na Avenida presidente Vargas. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil - Rovena Rosa/Agência Brasil

Cidades na floresta

Para ilustrar que a convivência equilibrada entre a urbanização e a natureza é possível, o cientista citou as antigas civilizações na Amazônia.

"As cidades antigas da Amazônia nos mostram um caminho fascinante. Elas não destruíam a floresta para existir: eram criadas dentro da própria floresta, em conexão íntima com ela. É a prova histórica de que o ser humano é capaz de projetar espaços habitáveis que coexistem com a biodiversidade, em vez de aniquilá-la como fazemos na arquitetura moderna", disse.

Como os vegetais representam a maioria da biomassa do planeta, o neurobiólogo sustenta que a sobrevivência humana depende da capacidade de compreender as plantas não como recursos passivos, mas como sujeitos inteligentes.

De acordo com as pesquisas de Mancuso, as plantas apresentam inteligência descentralizada e cooperativa. A tomada de decisões no reino vegetal ocorre de maneira distribuída por todo o organismo, principalmente em suas raízes. Esse modelo horizontal é apontado pelo autor como uma lição de organização coletiva para as sociedades humanas frente às crises contemporâneas.

Caminho dos tribunais

O cientista italiano também apontou caminhos práticos para forçar governantes e grandes corporações a adotarem uma agenda verde real, destacando que o ativismo puramente discursivo não é suficiente.

"Os tribunais têm hoje papel fundamental para garantir que as mudanças aconteçam. A via jurídica, por meio de processos contra governos omissos e empresas poluidoras, tem se mostrado um dos instrumentos mais eficientes e realistas que temos para exigir o cumprimento de metas climáticas e a preservação do meio ambiente", argumentou.

Rio de Janeiro (RJ), 09/06/2026 - Abertura da exposição coletiva Revolução das Plantas, inspirada na obra homônima do escritor e neurobiólogo italiano Stefano Mancuso, na Galeria VÃO do Centro de Ciências e Culturas Sesc RJ - CCCS, na Avenida Presidente Vargas. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil - Rovena Rosa/Agência Brasil

Exposição

Durante visita ao Rio de Janeiro, o escritor inaugurou a primeira exposição da Galeria VÃO, intitulada "Revolução das Plantas" em homenagem a um de seus livros.
A mostra reúne fotografias, instalações, pinturas e gravuras de artistas brasileiros, como Luiz Zerbini, Castiel Vitorino Brasileiro, Ana Kemper, Beta Azevedo, Isa Muriá, Moara Tupinambá, Renata Padovan e Rosana Palazyan, que exploram as intersecções entre natureza e tecnologia. A visitação pública é gratuita e ocorre de terça a domingo, das 10h às 17h.

De acordo com Moises Nascimento, coordenador do CCCS, o novo corredor cultural, vizinho de instituições como o CCBB e os museus de Arte do Rio (MAR) e do Amanhã, busca aproximar a sociedade da produção científica por meio da sensibilidade artística.

“A galeria nasce do desejo institucional de criar um espaço que cultive, na mesma proporção, a mediação e divulgação do conhecimento científico, a fruição artística e a reflexão crítica, fios costurados a partir do diálogo entre os programas Cultura e Educação do Sesc RJ, no intuito de pensar mundos contemporâneos nos quais caibam outros mundos, bem como as diversas formas de habitá-los”, disse ele.

FONTE: Agencia Brasil

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Diagnosticar cardiopatias congênitas cedo aumenta qualidade de vida. Dia Nacional de Conscientização sobre a Cardiopatia Congênita

 
Cerca de 30 mil crianças nascem por ano no Brasil com esse problema

Cerca de 30 mil crianças com algum tipo de malformação no coração nascem no Brasil a cada ano, segundo o Ministério da Saúde. Nesta sexta-feira (12), quando se celebra o Dia Nacional de Conscientização sobre a Cardiopatia Congênita, a coordenadora da Divisão de Cardiologia da Criança e do Adolescente do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), Renata Mattos, destaca que o acesso ao diagnóstico está aumentando no país.

“Aqui, na Região Sudeste, a gente tem mais acesso do que na Região Norte, por exemplo. Mas, de forma geral, a gente vê que o diagnóstico está sendo feito e o acesso ao tratamento está cada vez melhor”, avalia a cardiologista pediátrica, que é especialista em hemodinâmica de cardiopatias congênitas.

Considerada uma das principais causas de mortalidade infantil por malformações, a condição exige diagnóstico precoce e acompanhamento especializado para aumentar as chances de sobrevivência e a qualidade de vida dos pacientes.

A estimativa mundial é que em torno de 1% de todas as crianças nascidas vivas vão ter algum tipo de cardiopatia, sendo que, desse total, 30% precisam de atenção logo na primeira infância.

Renata Mattos explicou à Agência Brasil que o nome cardiopatia congênita engloba várias doenças, com diferentes níveis de gravidade.

“É qualquer malformação no coração da criança que acontece quando o bebê está se formando ainda dentro da barriga da mãe. Então, o coração se forma com algum tipo de estrutura errada”.

Diagnóstico fetal

A cardiologista pediátrica explica que, quando o problema é detectado ainda dentro da barriga da mãe, durante a gestação, é possível que haja cirurgias para corrigi-lo em alguns casos. Entretanto, é raro que haja indicação para tal.

“Na grande maioria das vezes, quando a gente faz o diagnóstico ainda dentro da barriga, no feto, isso serve principalmente para a gente planejar como vai ser o fim da gestação, como vai ser o parto”.

Se, por exemplo, se detecta um tipo de cardiopatia que pode precisar de tratamento assim que o bebê nascer, esse parto precisa ocorrer em um lugar que tenha uma UTI, para que seja realizada uma cirurgia ou cateterismo. Já se for uma doença menos grave, a mãe pode seguir a gestação normalmente e ter o parto como estava planejado.

Em algumas doenças muito graves, se não houver tratamento nos primeiros dias de vida, o bebê pode não sobreviver. Já as cardiopatias menos graves podem apresentar sintomas ou alguma repercussão mais tarde.

Atenção aos sinais

Quando o bebê não é diagnosticado com uma cardiopatia grave ao nascer, as famílias devem prestar atenção a alguns sinais que podem indicar problemas cardíacos.

Durante o acompanhamento com o pediatra, é preciso ver se a criança está crescendo e ganhando peso dentro da curva esperada para ela.

“Se houver muita dificuldade de ganhar peso, tem que investigar se não é alguma coisa cardíaca”, indica a cardiologista.

Também é preciso atenção ao bebê que não consegue mamar, que mama pouco e cansa ou que apresenta uma respiração muito acelerada ou cansada.

“São sinais de atenção para que os pais procurem atendimento cardiológico para o filho”.

Outro sintoma, no caso de problemas de oxigenação do sangue, é a criança ficar arroxeada, principalmente na ponta do nariz e nos lábios.

Já crianças mais velhas podem relatar, por exemplo, dor no peito ou sensação de palpitação, que pode ser causada por alguma arritmia.

Vida normal

É comum que as cardiopatias congênitas sejam solucionadas com um único procedimento. Mas, em outros casos, o paciente tem que fazer várias cirurgias em sequência, desde o nascimento até a vida adulta.

“Quando você diagnostica direitinho, a possibilidade de a pessoa ter uma vida normal é imensa”, afirmou Renata Mattos.

Os profissionais que tratam esses pacientes têm de ficar atentos porque, à medida que eles envelhecem, além da cardiopatia congênita, eles passam a ter “os problemas de adulto”, como hipertensão ou colesterol alto. A médica destaca que os pacientes com cardiopatias estão cada vez mais sobrevivendo, trabalhando e tendo uma vida normal, com acompanhamento médico.

“Antigamente, a gente achava que essas crianças não podiam fazer nada, não podiam fazer nenhum esporte, e isso não é verdade. Hoje em dia, a gente até estimula que esses pacientes façam exercícios”.

Três cirurgias

Nathan Senna Alves foi diagnosticado com cardiopatia congênita grave ao nascer. Sua tia, que era enfermeira, o levou ainda bebê para a instituição Pró Criança Cardíaca, que atende a crianças com esse problema de saúde há 30 anos.

“A doutora Rosa [fundadora da instituição] me acolheu desde que eu nasci. Fiz meu acompanhamento todo e, com 2 anos, tive que operar pela primeira vez. Sempre me tratei lá. Foi a minha segunda casa, desde que eu nasci”, disse Nathan Senna Alves, hoje com 30 anos, à Agência Brasil.

Aos 6 e aos 18 anos de idade, ele operou mais duas vezes, para trocar válvulas do coração. “Operei com 18 anos, no dia do meu aniversário, que é 19 de maio”.

Nathan é casado, tem um filho de 12 anos e não teve complicações depois da terceira cirurgia. Atualmente, ele se trata na Policlínica Piquet Carneiro, vinculada à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

A cardiologista pediátrica Rosa Célia, criadora do projeto, contou à Agência Brasil que histórias como a de Nathan mostram a importância do acesso à saúde.

“Quando há diagnóstico precoce e acesso ao tratamento adequado, a cardiopatia congênita não precisa definir os limites de uma vida”.

Ao longo dessas três décadas, a instituição atendeu mais de 16 mil crianças e adolescentes e realizou 130 mil atendimentos, garantindo cuidado completo e gratuito às famílias assistidas.

Acompanhamento no SUS

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece acompanhamento integral às crianças com cardiopatia congênita, desde o ecocardiograma no pré-natal até cirurgias de alta complexidade.

Os principais pilares de atuação e prevenção no Brasil incluem:

Ecocardiograma Fetal: Exame recomendado pelo ⁠Ministério da Saúde para ser realizado entre a 24ª e 28ª semana de gestação para detectar anomalias antes do nascimento;

Teste do Coraçãozinho (Oximetria de Pulso): Triagem neonatal obrigatória realizada nos recém-nascidos ainda na maternidade, entre 24 e 48 horas de vida, para identificar precocemente cardiopatias críticas.

Linha de Cuidado do SUS: 

Pacientes diagnosticados são encaminhados para a rede especializada, onde podem receber tratamento clínico ou cirúrgico custeado integralmente pelo Sistema Único de Saúde.

FONTE: Agencia Brasil

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Quais sintomas ficar atento para quem tomou vacina do Butantan

 
Quem tiver vacinado há menos de 21 dias deve ficar atento a sintomas

Nesta segunda-feira (8), o Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A medida foi tomada após 42 pessoas apresentarem sintomas graves depois de terem sido vacinadas. Três foram internadas e duas faleceram.

Os casos de reação adversa e as mortes estão sendo investigados para saber se há uma relação de fato com a vacina.

O ministério alerta que a suspensão é uma medida de precaução e que as pessoas vacinadas estão protegidas contra a dengue.

"É importante lembrar que essa vacina tem eficácia comprovada. Todas essas pessoas que estão vacinadas, elas estão protegidas conforme a proteção que é dada pela vacina", destaca o diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Eder Gatti, em entrevista à Rádio Nacional.
O que fazer se tiver reação adversa

O diretor explica que aqueles que receberam a vacina nos últimos 21 dias estão em um período chamado viremia vacinal, quando ainda há presença da forma enfraquecida do vírus da dengue no sangue. Isso ocorre porque a vacina "imita" a infecção de forma controlada, ajudando o organismo a desenvolver os anticorpos contra a doença.

Desta forma, as pessoas vacinadas, nesse período, devem ficar atentas a algum sintoma semelhante a dengue, como os citados abaixo, e procurar atendimento médico. 

febre
dor no corpo
manchas no corpo
sinais de sangramento
vômito

"Se porventura tiverem algum desses sinais ou sintomas, elas devem procurar um serviço de saúde e devem procurar assistência", orienta Gatti.

Os vacinados há mais de 21 dias não necessitam buscar atendimento médico.

"As pessoas que foram vacinadas há mais de 21 dias estão fora de qualquer tipo de risco, e inclusive elas estão protegidas contra dengue", explica o diretor.

A vacina do Butantan evita em 65% a ocorrência de dengue e em mais de 80% casos graves da doença e de hospitalização.

"As pessoas que foram vacinadas e estão bem, passaram do período de 21 dias, não têm o que se preocupar", disse.

Até o dia 30 de maio, mais de 501 mil pessoas foram vacinadas com o imunizante, incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) em janeiro deste ano. Na primeira fase de implantação, foram vacinadas as populações de três municípios piloto: Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). Nessas localidades, o público-alvo é composto por adolescentes e adultos de 15 a 59 anos, que é a indicação aprovada para o Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Em março, também foi promovida uma ação de vacinação na região de Araguaína (TO). Em fevereiro, passaram a ser vacinados os profissionais de saúde da atenção primária.

Antes de ser adotada no SUS, a vacina passou por todos os ritos necessários para o uso no país. Na fase de testes, foram vacinadas mais de 11 mil pessoas e monitoradas por até cinco anos. Após os testes, a vacina foi autorizada pela Anvisa.

FONTE: Agencia Brasil