sexta-feira, 17 de abril de 2026

Antigo Guia Telefônico de General Câmara

 Época  em que os telefones fixos eram maioria. Ao contrário dos dias atuais em que os telefones celulares são os mais utilizados.

Neste guia, editado pelo Jornal Opinião, podemos ter uma visão do comércio local e usuários de telefones fixos da comunidade camarense.














































































quarta-feira, 15 de abril de 2026

Escorpiões causaram 65% dos acidentes com animais peçonhentos no Brasil em 2025

 

Número de mortes dobrou em relação ao ano anterior; falta de saneamento básico e demora no atendimento às vítimas aumenta chances de picada e risco de morte


O Brasil registrou 225.695 casos de picadas por escorpiões em 2025. Segundo dados do Painel Epidemiológico do Ministério da Saúde*, o aracnídeo foi responsável por mais de 65% dos acidentes com animais peçonhentos (serpentes, aranhas, lagartas, escorpiões e abelhas) registrados no período. Embora a maioria das ocorrências sejam leves (89%), as crianças são a população mais vulnerável: dos 265 óbitos registrados em decorrência do envenenamento – o dobro do ano anterior –, mais de 20% envolveram menores de 10 anos.

Os números também revelam que as pessoas que se autodeclaram pardas foram as vítimas em 55% dos casos e em 62% das mortes, refletindo as desigualdades que atingem esse público. Segundo dados do Painel Cor ou Raça no Brasil do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 56,8% da população parda e 16,1% da população preta vivem em favelas e comunidades urbanas.



Esse fator é relevante porque a ausência de infraestrutura é um dos pontos determinantes para a proliferação de escorpiões no meio urbano, zona que concentra mais de 66% dos acidentes. O aracnídeo costuma ser encontrado em redes de águas pluviais e esgotos, ambientes propícios à multiplicação de baratas – seu principal alimento. Além disso, o acúmulo de lixo e entulhos complementa o cenário de risco.

No Brasil, o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus) é o responsável pela maioria dos casos graves de envenenamento. Isso acontece devido, principalmente, à sua fácil capacidade de adaptação a ambientes antropizados (ou seja, que foram significativamente alterados pela ação humana). Outro detalhe é que as fêmeas da espécie conseguem se reproduzir sozinhas, sem necessidade de acasalamento com um macho, por conta de um fenômeno conhecido como partenogênese – o que ajuda a explicar a rápida disseminação do animal.

Perfil das vítimas e distribuição dos acidentes

Em 2025, 51% das notificações envolveram pessoas do sexo feminino e 49% do sexo masculino. Entre as faixas etárias, destacam-se os adultos entre 20 e 29 anos, que somaram quase 34 mil registros ao longo do ano passado.

A mão e os dedos costumam ser as partes do corpo mais atingidas (41,26%), seguidos pelas pernas, pés e dedos dos pés (36,9%). Geralmente, os acidentes ocorrem durante a execução de atividades domésticas ou o manuseio de objetos em quintais e depósitos, o que reforça a importância do uso de equipamentos de proteção individual, como luvas grossas e calçados fechados.

Em relação à localidade, há uma forte concentração de casos no Sudeste e no Nordeste, que juntos são responsáveis por mais de 83% das notificações. Considerando os números absolutos, São Paulo e Minas Gerais lideram o ranking nacional, com 50.178 e 42.635 notificações, respectivamente.

No entanto, o maior impacto proporcional é em Alagoas, onde o coeficiente de incidência ultrapassa os 440 acidentes por 100 mil habitantes — parte desse número pode ser atribuída à ampla presença do escorpião-do-nordeste (Tityus stigmurus) na área.

Como agir em caso de picada por escorpião

O primeiro passo é procurar atendimento médico imediatamente após o acidente, mesmo que os sintomas iniciais pareçam leves, uma vez que os dados apontam que o tempo entre a picada e o atendimento médico é fator determinante para o desfecho clínico. A taxa de letalidade salta de 0,10 entre os pacientes atendidos na primeira hora, para 0,13 entre os que demoraram de uma a três horas para receber o socorro.

Também não se deve aplicar nenhum tipo de produto, nem realizar torniquete ou compressa de gelo no local, uma vez que o frio pode potencializar a sensação de dor. A recomendação é lavar o local com água e sabão e, se possível, aquecer a região com compressas mornas, que ajudam a aliviar o desconforto.

Apesar do grande número de picadas que ocorreram em 2025 no Brasil, pouco menos de cerca de 5% dos acidentados precisaram receber o soro antiescorpiônico ou o soro antiaracnídico – ambos podem ser utilizados para o tratamento de quadros moderados ou graves de envenenamento causado por escorpiões do gênero Tityus. Produzidos pelo Instituto Butantan, os antivenenos são disponibilizados gratuitamente à população por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

* Dados coletados em 27/3/2026
FONTE: Instituto Butantan
Esta matéria foi validada pela bióloga e assistente técnica de apoio à pesquisa do Biotério de Artrópodes do Instituto Butantan Denise Candido.

terça-feira, 14 de abril de 2026

Vírus sincicial também traz risco para idosos, alertam especialistas

 
Casos do VSR devem aumentar no segundo trimestre

O aumento dos casos de influenza A tem causado preocupação, mas esse não é o único agente infeccioso que ameaça a saúde dos brasileiros. No primeiro trimestre deste ano, de acordo com dados do Ministério da Saúde, 18% dos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) com identificação viral confirmada foram causados pelo vírus sincicial respiratório (VSR), uma infecção ainda pouco conhecida.

Neste segundo trimestre, a expectativa é de aumento. De fevereiro a março, o VSR correspondeu a 14% dos casos de síndrome com vírus confirmados, de acordo com o Boletim Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

De março a abril, essa proporção subiu para 19,9%. Em 2025, por 23 semanas consecutivas, de março a agosto, o VSR foi o vírus mais prevalente.

Já dados de laboratórios privados sobre pacientes com quadros leves e graves, mostram que, na semana encerrada em 4 de abril deste ano, 38% dos testes positivos para algum vírus acusaram o VSR. Essa proporção é 12 pontos maior do que a verificada na primeira semana de março, de acordo com informações reunidas pelo Instituto Todos pela Saúde.

Dados subestimados

Para a pneumologista e professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Rosemeri Maurici, esses números são apenas "a ponta do iceberg" e o risco do VSR é subestimado, especialmente em adultos e idosos.

Ela explica que a testagem contra o VSR só começou a ser feita em maior escala, no Brasil, a partir da pandemia de covid-19, por isso, o impacto real da doença ainda não é totalmente conhecido.


"Muitos hospitais internam pacientes com síndrome respiratória aguda agrave, e eles até morrem, sem saber qual o agente que causou, porque não testaram ou testaram fora do prazo que é identificável."

Dos cerca de 27,6 mil casos de SRAG registrados no primeiro trimestre deste ano, por exemplo, em apenas um terço, ou seja, em 9.079, o vírus causador foi identificado. E quase 17% não foram sequer testados.

Além disso, como o VSR é o principal causador da bronquiolite, uma inflamação nos pulmões que acomete principalmente os bebês, muitas pessoas acham que o vírus não atinge adultos.

De fato, dos 1.651 casos graves de infecção por VSR registrados de janeiro a março, 1.342 foram em menores de dois anos. Entre pessoas com mais de 50 anos, apenas 46 casos foram confirmados.

Mas a médica ressalva que, em pacientes adultos, a carga viral do VSR diminui após 72 horas da infecção, o que dificulta a detecção do vírus. Já as crianças demoram mais para eliminar o invasor, o que propicia janela maior de diagnóstico. Para ela, isso também influencia as estatísticas.

Comorbidades

Os dados de mortes, por outro lado, mostram uma relação bem menos desigual: foram 27 no total este ano, sendo 17 em bebês de até 2 anos, e sete entre idosos com 65 anos ou mais. De acordo com a geriatra Maisa Kairalla, o envelhecimento pesa nessa conta, assim como as comorbidades adquiridas ao longo da vida.

"Só com o avanço da idade, a gente já tem a imunosenescência, que é o declínio do sistema imunológico, ou seja, mais chance de ter doenças infecciosas. Acontece que, no Brasil, também se envelhece com doenças crônicas.”

Segundo a pneumologista, a essa população se soma muitos pacientes que por muito tempo fumaram e ingeriram bebida alcoólica.

Idosos mais propensos

Por esse conjunto de fatores, os idosos são mais propensos a desenvolver quadros mais graves de diversas doenças. Mas dados da literatura médica apresentados por Maísa, mostram que o VSR representa um risco especial.

O paciente idoso com VSR tem 2,7 vezes mais chance de desenvolver pneumonia, e duas vezes mais chances de precisar de UTI e intubação e de vir a óbito, na comparação com a influenza.

As duas especialistas participaram na última terça-feira (7), do seminário "Impacto do VSR na população 50+", organizado pela farmacêutica GSK para jornalistas, em São Paulo. O evento também debateu algumas condições de saúde que inspiram ainda mais cuidados entre esse público.

O cardiologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo Múcio Tavares ressaltou que mais de 60% dos casos graves associados à infecção pelo vírus essencial respiratório ocorrem em pacientes com alguma doença cardiovascular.

"As doenças virais respiratórias costumam levar a eventos cardiovasculares e cérebro-vasculares, como infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e piora da insuficiência cardíaca. Isso tudo acontece porque a infecção viral causa uma inflamação sistêmica no organismo", explicou.

O endocrinologista Rodrigo Mendes também alertou para a maior vulnerabilidade dos pacientes com diabetes, pois a maior concentração de glicose no sangue torna o paciente mais suscetível a infecções e agravamentos.

"Muitas vezes, o paciente está com a doença controlada e o tratamento estável há algum tempo. Aí ele contrai uma infecção, que gera uma resposta inflamatória exacerbada e ele não só precisa ser hospitalizado como também passa a precisar de um tratamento mais complexo", acrescenta.

Outro grupo de alto risco é o das pessoas com doenças respiratórias crônicas como asma grave e doença pulmonar obstrutiva (DPOC). De acordo com a professora da UFSC, Rosemeri Maurici, o impacto de uma internação em UTI aumenta em 70% a probabilidade desses pacientes morrerem em até três anos.

"Além disso, ele começa a sofrer a perda da função pulmonar de forma acelerada. E esses pacientes, uma vez internando, a probabilidade de eles internarem novamente é muito grande."

Vacinação

O VSR, e especialmente o agravamento da infecção, pode ser prevenido com vacinação, mas os imunizantes contra o vírus para a população adulta, por enquanto, estão disponíveis apenas na rede privada.

Por enquanto, o Programa Nacional de Imunizações do Sistema Único de Saúde oferece apenas a vacina para gestantes, com o objetivo de proteger os bebês nos primeiros meses de vida.

A imunização é recomendada por entidades médicas, como a Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), para pessoas de 50 a 69 anos com comorbidades e para todos os idosos a partir dos 70 anos.

A professora da UFSC Rosemeri Maurici, que também é coordenadora da Comissão de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia sugere que as sociedades médicas indiquem os grupos prioritários à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS-Conitec, responsável por recomendar a adoção de novas terapias ao Ministério da Saúde.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Câncer de cabeça e pescoço é o terceiro mais comum no Brasil

 
Especialistas alertam para sintomas como rouquidão e feridas na boca

Depois do anúncio do narrador esportivo Luis Roberto, de 64 anos, sobre seu diagnóstico de neoplasia localizada na região cervical, o tema tem chamado a atenção e levantado alertas e dúvidas.

Neoplasia é o termo médico para descrever o crescimento anormal de células que não morrem no momento certo. Quando localizada na região cervical, significa a formação de tecidos na laringe, faringe ou tireoide, que desencadeia em tumores que podem ser benignos ou malignos.

Segundo o Ministério da Saúde, quando somados todos os tipos, o câncer de cabeça e pescoço configura o terceiro mais incidente no Brasil, com ocorrência maior entre os homens.

Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), indicam que 80% dos tumores de cabeça e pescoço são diagnosticados em estágios avançados, o que desfavorece os prognósticos. A maioria dos casos são tumores na hipofaringe, orofaringe, cavidade oral e laringe.

O vice-líder do Centro de Referência em Tumores de Cabeça e Pescoço do A.C. Camargo Cancer Center, Thiago Bueno, explica que uma verruga, por exemplo, é um crescimento anormal de células, mas que não faz metástase, então é algo benigno.

"O crescimento anormal de células que invade os tecidos locais e outros pontos, é maligno. A maioria dos cânceres no pescoço não se originam diretamente nessa região. Geralmente, nascem em algum outro lugar que chamamos grosseiramente de cabeça e pescoço e as células vão para os linfonodos do pescoço, popularmente chamadas de ínguas”, explicou.

Causas e sintomas

De acordo com o médico, os principais fatores de risco para a doença são o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, exposição ao tabagismo e infecção por HPV, além do histórico familiar.

Entre os sintomas estão sensação de corpo estranho na região, dor, sangramento e dificuldade para engolir, além de cansaço persistente, perda de peso sem explicação, febre prolongada, suor noturno e desconforto persistentes.

Bueno alertou para o fato de que não é comum fazer exames preventivos ou anuais para detecção desses tipos de tumores, como ocorre por exemplo com mama e próstata.

“Nós não temos um exame de detecção precoce, não tem algo que façamos uma vez por ano. Então, nós profissionais, tentamos conscientizar a população sobre potenciais sinais e sintomas que levem a procurar atendimento médico para possibilitar o diagnóstico”.

O médico alerta que ao sinal de qualquer nódulo na região do pescoço e qualquer lesão (afta ou ferida) na boca ou garganta que não desapareça ou cicatrize espontaneamente em até 15 dias, sangramentos por via oral, rouquidão persistente, dor para engolir deve-se procurar atendimento médico.

Diagnóstico e tratamento

A investigação da doença é feita por meio de uma série de exames de imagem, como tomografia e ressonância magnética, seguidos por biópsia. Após o diagnóstico, o tratamento costuma ser multidisciplinar e pode incluir cirurgia, radioterapia, imunoterapia ou quimioterapia, dependendo da gravidade.

“Na maioria dos casos as chances de cura são favoráveis. Para cada paciente estabelecemos uma estratégia de tratamento que nos traga as melhores chances de cura, com o mínimo de efeitos colaterais possíveis. Atualmente os tratamentos são muito modernos e as sequelas são pouco frequentes. Embora possam acontecer, a intensidade é pequena e não interfere na qualidade de vida”, afirmou.

FONTE: Agência Brasil