sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Dia de Combate ao Fumo: treinar não combina com fumar, destaca Inca

 

Instituto alerta para efeitos opostos desses hábitos sobre o organismo

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) promoveu, nesta quinta-feira (27), evento on-line em alusão ao Dia Nacional de Combate ao Fumo, lembrado em 29 de agosto. Neste ano, a campanha tem como tema “Atividade física e saúde: treinar não combina com fumar”.

A finalidade é destacar os efeitos opostos da prática de exercícios e do uso de produtos de tabaco e nicotina sobre o organismo.

Segundo o Inca, a atividade física fortalece os sistemas cardiovascular, respiratório e muscular, melhorando o condicionamento e a qualidade de vida. Já o tabagismo compromete essas funções, reduz o desempenho físico e aumenta o risco de doenças crônicas.

A prática de exercícios também pode ser uma aliada para o fim do tabagismo, ao ajudar a reduzir a vontade de fumar e os sintomas da abstinência.

Para a psicóloga e especialista no tratamento do tabagismo do Inca Vera Borges, a atividade física tem papel fundamental na melhora da saúde como um todo.

“Esse tema guarda a necessidade de alertar os fumantes de cigarros e de vapes que fazem atividade física e que acreditam que o exercício reduz o risco de adoecimento. Quaisquer das formas desse produto vai trazer prejuízo à saúde.”

Segundo Vera, todos os ganhos advindos da prática regular de uma atividade física são perdidos com os danos causados pelo tabagismo.

Dessa forma, o Inca busca prevenir o tabagismo e fortalecer comportamentos saudáveis, proteger ambientes livres dos produtos da nicotina e promover o fim do tabagismo.

“Treinar e fumar é incompatível, quando a gente pensa no cuidado à saúde.”

Cigarros eletrônicos

A campanha também tem como foco informar sobre os danos causados pela dependência à nicotina no universo dos adolescentes e jovens, além de alertar sobre a experimentação de dispositivos eletrônicos para fumar, os vapes, e outros derivados do tabaco.

De acordo com a especialista, esse público é levado a acreditar que os eletrônicos são produtos menos danosos ao condicionamento físico. Atualmente, ela alerta que o uso de sachês de nicotina é promovido nas redes sociais por influenciadores e atletas como um estimulante natural de bem-estar.

Segundo a psicóloga, enquanto a atividade física fortalece os sistemas cardiovascular, respiratório e muscular, o uso do tabaco compromete essas funções, reduz o desempenho físico e eleva o risco de doenças crônicas.

“Fumantes têm menor resistência física, fadiga precoce, recuperação mais lenta após os treinos e maior risco de lesões ou complicações cardiovasculares durante atividades intensas.”

Os benefícios da atividade física ficam comprometidos diante do uso de tabaco e nicotina com danos à saúde por meio de mecanismos como: 
Vasoconstrição – a nicotina contrai os vasos sanguíneos reduzindo o fluxo de sangue para os músculos e órgãos;
Privação de oxigênio – redução da capacidade do sangue de transportar oxigênio, privando os músculos desse elemento essencial durante o esforço físico;
Prejuízo pulmonar – inflamação das vias aéreas reduzindo a função pulmonar, dificultando a respiração;
Sobrecarga energética – o esforço físico torna-se maior para atividades que exigiriam menos energia de uma pessoa não fumante.

FONTE: Agencia Brasil

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Tabagismo é maior entre jovens de 16 a 24 anos, alerta pesquisa

 
Maioria dos fumantes mantêm outros hábitos prejudiciais à saúde

Os jovens brasileiros de 16 a 24 anos apresentaram incidência de tabagismo maior que outras faixas etárias em uma pesquisa do Instituto A.C. Camargo Câncer Center em parceria com a empresa Nexus.

Nessa faixa etária, 19% dos entrevistados se declaram fumantes ativos, de cigarros comuns ou eletrônicos, número acima da média nacional (17%) e de todas as outras faixas etárias. A pesquisa entrevistou mais de 2 mil pessoas em todo o país.

A faixa entre 25 e 40 anos, por outro lado, apresenta o menor índice de tabagismo, com 15% dos entrevistados declarando serem fumantes. Em seguida, surge o grupo das pessoas com mais de 60 (16%), e de 41 a 59 anos (17%).

Além disso, os dados apontam que grande parte da população está exposta aos perigos do tabagismo: cerca de um terço da população brasileira (33%) compartilha frequentemente ambientes domésticos ou de trabalho com fumantes. A inalação passiva da fumaça eleva as chances de desenvolvimento de câncer pulmonar, inclusive em indivíduos que jamais fumaram.

Segundo Helano Freitas, líder do Centro de Referência de Tumores de Pulmão e Tórax do A.C.Camargo, a incidência do tabagismo entre os jovens entre 16 a 24 anos exige atenção prioritária. O médico ressalta que, conforme levantado na pesquisa, o primeiro contato com o cigarro ocorre, em média, aos 16 anos.

Por se tratar de um grupo de adolescentes e jovens adultos bastante vulnerável, há um alto risco de iniciação na dependência sem conseguir deixá-la posteriormente, ainda que as demais idades também necessitem de cuidado.

Outras Categorias


A população com mais de 60 anos lidera o índice de ex-fumantes, com 32% do total. Em segundo lugar, aparecem pessoas de 41 a 59 anos (15%), de 25 a 40 (10%) e de 16 a 24 anos (8%).

Entre as regiões do país, o consumo de cigarro é superior no Sul (22%), seguido do Sudeste (19%), Nordeste (13%) e Norte/Centro-Oeste (13%).

A pesquisa também demonstra que o consumo de cigarros está atrelado a fatores socioeconômicos. Os entrevistados que possuem renda salarial de até um salário mínimo apresentam a maior taxa de tabagismo, com 19%. Já em relação ao nível de escolaridade, aqueles que concluíram apenas o ensino fundamental também apresentam o maior índice de tabagismo, com 21%.

O estudo indica ainda uma forte relação entre o tabagismo e outros comportamentos de risco: 84% dos fumantes relataram manter até quatro hábitos prejudiciais à saúde no cotidiano, destacando-se o sedentarismo e a ingestão exagerada de frituras e produtos ultra processados.

Em contrapartida, 18% das pessoas que nunca fumaram afirmam não ter nenhum hábito prejudicial à saúde, o dobro do índice observado entre os fumantes (9%). Já os ex-fumantes lideram a categoria de apenas um hábito ruim (44%) e apresentam baixas taxas de múltiplos deslizes.

O cenário sugere que abandonar o cigarro costuma vir acompanhado de uma reestruturação ampla do estilo de vida, restando apenas um deslize residual na rotina.

Outro dado do estudo revela que 63% dos fumantes classificam a própria saúde como "ótima" ou "boa". Essa percepção positiva supera inclusive a das pessoas que jamais fumaram (61%), ainda que a diferença esteja contida na margem de erro, demonstrando que os fumantes se consideram tão saudáveis quanto os não fumantes.

FONTE: Agencia Brasil

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Saiba os sintomas e os tratamentos para a febre do Nilo Ocidental

 
Medida preventiva é evitar a reprodução e a picada de pernilongos

Febre, mal-estar, falta de apetite e manchas na pele estão entre os sintomas da febre do Nilo Ocidental, infecção transmitida principalmente pela picada do pernilongo comum (gênero Culex).

O estado de São Paulo confirmou os primeiros casos humanos em sua história: uma mulher de 34 anos, moradora de Ribeirão Preto (já curada após viagem à região amazônica), e uma adolescente de 18 anos, moradora de São José do Rio Preto, que permanece internada sob cuidados médicos.
Em todo o país, a vigilância epidemiológica e laboratorial do Ministério da Saúde segue reforçada após a confirmação de outros dois casos em Santa Catarina — com um óbito registrado — e um caso provável no Piauí.

Sintomas

Estima-se que apenas 20% das pessoas infectadas desenvolvam manifestações clínicas, que costumam surgir de forma leve, mas podem evoluir.
Os sintomas mais frequentes da doença incluem:Sinais iniciais e gerais: 

febre, mal-estar, falta de apetite, náuseas e vômitos
Dores no corpo: dor de cabeça, dor muscular e dor nos olhos
Sinais visíveis: manchas na pele e aumento dos gânglios linfáticos (ínguas)

Em uma parcela menor dos infectados, a doença pode evoluir para quadros graves, como encefalite ou meningite.

Nesses casos, aparecem sintomas como confusão mental, rebaixamento do nível de consciência, tremores ou convulsões. Diante de qualquer um desses sinais neurológicos, a busca por atendimento médico imediato é indispensável.

Tratamento

Por não existir uma vacina ou remédio antiviral específico para combater o vírus do Nilo Ocidental em humanos, o tratamento é totalmente focado no alívio dos sintomas e no suporte ao organismo:

Casos leves: o manejo é feito em casa com repouso rigoroso, hidratação abundante e medicamentos sintomáticos receitados por um médico
Casos graves: podem exigem internação hospitalar imediata, com suporte em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), hidratação intravenosa, suporte respiratório e prevenção de infecções secundárias.

FONTE: Agencia Brasil



terça-feira, 25 de agosto de 2026

COP17 entra em semana decisiva com missão de destravar financiamento

 
Recursos para restaurar solo e combater seca estão abaixo da meta

A 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17) entrou na última e decisiva semana de negociações em Ulaanbaatar, capital da Mongólia. Os próximos quatro dias do encontro serão divididos em eixos temáticos específicos para tentar acelerar acordos.

Nesta segunda-feira (24), o foco principal são as finanças. Delegações estão mobilizadas para tentar captar mais recursos destinados à restauração dos solos e combate à seca. Os investimentos anunciados durante o dia, no entanto, mostram que os objetivos ainda estão muito longe de ser alcançados.

Os novos recursos somam US$ 1,3 bilhão, mas o déficit anual estimado pelos especialistas das Nações Unidas é de US$ 278 bilhões por ano.

A secretária executiva da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD, na sigla em inglês), Yasmine Fouad, fez um apelo para que setores público e privado se engajem no processo.
“Falamos de financiamento não para doar, mas para investir. Para mobilizar recursos que invistam nas pessoas, nas economias e na prevenção. Prevenção dos conflitos que vemos em muitas das nossas áreas de pastagem. Queremos levar a resolução para além das palavras no papel e implementá-la na vida das pessoas.”

Pastagens são prioridade


O maior anúncio econômico da COP17 envolve as pastagens, que ocupam mais da metade da superfície terrestre e são fundamentais para a subsistência de centenas de milhões de pessoas.

A Rangelands Flagship Initiative, lançada em parceria pelo governo da Mongólia e a UNCCD, reúne carteira de 45 projetos e está avaliada em US$ 1,2 bilhão. Segundo os organizadores, trata-se da maior mobilização financeira da história da Convenção voltada especificamente para esses ecossistemas.

A iniciativa pretende conservar, gerir de forma sustentável e restaurar pastagens e ecossistemas de terras secas em todo o mundo. O tema é central para a Mongólia, onde a conservação das estepes está diretamente ligada à sobrevivência de comunidades que dependem da criação de animais.

O especialista em economia ambiental do Mecanismo Global da UNCCD Pablo Munõz disse que o déficit financeiro exige novas formas de atuação. Entre as alternativas discutidas estão o uso de recursos públicos que reduzam riscos para investidores privados, garantias, capital de primeira perda, seguros e novos modelos de negócios.
“Reconhecemos a importância das doações e do financiamento concessional [em condições mais favoráveis que as de mercado], mas a escala necessária exige pensar de forma diferente.”
Atualmente, o setor privado responde por apenas cerca de 6% do financiamento global destinado à restauração de terras. Para tentar ampliar essa participação, a UNCCD anunciou uma rede de centros nacionais chamada Business4Land, voltada à aproximação entre empresas, governos e investidores.
A especialista em sustentabilidade no Mecanismo Global da UNCCD Sarah Toumi afirmou que empresas começam a enxergar que também sentirão os impactos ambientais.
“Eles precisam mudar suas práticas para sobreviver do ponto de vista econômico, porque a seca e a degradação do solo representam um risco econômico, não apenas ambiental. Então, precisam pensar em como investir para o bem próprio.”
Segundo ela, setores como agricultura, moda e alimentos dependem diretamente da saúde do solo e da disponibilidade de água. A ideia é que empresas passem a medir seus impactos sobre a terra e incluam a recuperação ambiental em suas estratégias de negócio.

Nova agenda para as secas


Outra aposta da COP17 é ampliar os recursos destinados à preparação para os períodos de seca. O Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês) anunciou a criação de um programa integrado para gestão de terras, com previsão inicial de US$ 140 milhões.


Seca avança e movimenta debates na COP17. Foto: ASA / Divulgação

A iniciativa pretende auxiliar países a abandonar uma lógica baseada na resposta a emergências e investir mais em prevenção, monitoramento e planejamento, explica Ulrich Appel, representante do GEF.
“Isso ajudará os países a ter um planejamento rodoviário nacional mais robusto, soluções baseadas na natureza e investimentos que fortaleçam a resiliência antes que a seca se torne um desastre”, disse Ulrich.

FONTE: Agencia Brasil



segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Canetas emagrecedoras: pediatras alertam para risco de uso em crianças

 

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou nota de alerta sobre o uso sem indicação e sem acompanhamento médico de medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP 1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras, por crianças e adolescentes.

Segundo o comunicado, o uso inadequado pode aumentar a frequência e a gravidade de eventos adversos. Entre os riscos do uso sem acompanhamento estão déficit de crescimento e desenvolvimento; desidratação e distúrbios eletrolíticos; perda de massa muscular; pancreatite aguda; e problemas na vesícula.

“O uso com finalidade estética também pode servir de gatilho para transtornos alimentares, como anorexia e bulimia, além de ansiedade e quadros depressivos relacionados à imagem corporal”, alertou a entidade.

A SBP também contraindica a utilização de produtos sem procedência ou registro sanitário, incluindo preparações clandestinas, manipuladas ou importadas sem registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“As chamadas canetas emagrecedoras não devem ser utilizadas por adolescentes com peso adequado simplesmente para modificar a aparência corporal ou atingir padrões estéticos”, destacou a nota, ao citar que tais medicamentos têm indicações específicas como obesidade e diabetes tipo 2.
“Mesmo diante do diagnóstico dessas doenças, a prescrição não é automática”, completou o comunicado.
Na avaliação da entidade, antes de decidir pela prescrição, o médico precisa avaliar a resposta da criança ou do adolescente a intervenções farmacológicas e não farmacológicas prévias, além da gravidade da doença, da presença de comorbidades, de riscos potenciais, da capacidade de acompanhamento e das expectativas do paciente e da família.

“A SBP recomenda, inclusive, substituir a expressão popular canetas emagrecedoras por medicamentos para tratar a obesidade”, destacou o comunicado, citando que a terminologia é mais precisa por reconhecer a obesidade como doença crônica, além de deixar claro que o objetivo do tratamento envolve melhorar a saúde e a qualidade de vida, não apenas a perda de peso.
“Expressões associadas exclusivamente ao emagrecimento podem contribuir para a banalização do tratamento e reforçar o estigma das pessoas com obesidade que necessitam de farmacoterapia”, completou a SBP.

Eventos adversos

A entidade reforça que os eventos adversos mais comuns desse tipo de medicamento são gastrointestinais e tendem a ocorrer principalmente durante o escalonamento da dose. São eles:

- náuseas;
- vômitos;
- refluxo;
- azia;
- diarreia;
- constipação.

A perda de massa magra também é apontada pelos pediatras como risco – a nota recomenda acompanhamento médico para ajuste da conduta diante de intolerância. Entre os eventos classificados como potencialmente graves estão pancreatite, hipoglicemia e colelitíase.

“A evidência científica disponível demonstra eficácia e segurança desses medicamentos em adolescentes quando utilizados dentro dos critérios estudados e associados às intervenções sobre estilo de vida. O problema que temos observado atualmente, principalmente nas redes sociais, não está no medicamento em si, mas na banalização”, destacou o documento.

Contraindicações

A SBP alerta que as canetas emagrecedoras são contraindicadas para pessoas com hipersensibilidade ao princípio ativo ou a componentes da formulação; para gestantes e lactantes; e para pacientes com história pessoal ou familiar de carcinoma medular da tireoide ou síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2.
“O relato de pancreatite prévia é considerado uma contraindicação relativa e requer avaliação médica individualizada”, concluiu a entidade.

FONTE: Agencia Brasil