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quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

Hanseníase: conheça verdades e mitos sobre a doença

 








Doença atinge a pele e os nervos periféricos

Causada por uma bactéria que atinge a pele e os nervos periféricos, a hanseníase acomete pessoas de ambos os sexos e de qualquer idade. De acordo com o Ministério da Saúde, o contágio só acontece após longos períodos de exposição à bactéria, sendo que apenas uma pequena parcela da população infectada realmente adoece. As lesões neurais conferem à doença alto poder de gerar deficiências físicas e figuram como principal responsável pelo estigma e pela discriminação.

O Brasil ocupa, atualmente, a segunda posição no ranking global de países que registram novos casos de hanseníase. “Em razão de sua elevada carga, a doença permanece como um importante problema de saúde pública no país, sendo de notificação compulsória e investigação obrigatória”, destaca o ministério. Com o objetivo de divulgar informações, a pasta lançou a campanha Hanseníase, Conhecer e Cuidar, de Janeiro a Janeiro, com ações de enfrentamento à doença ao longo de todo o ano.

Sinais e sintomas

- Manchas brancas, avermelhadas, acastanhadas ou amarronzadas e/ou áreas da pele com alteração da sensibilidade térmica (ao calor e ao frio) e tátil, dolorosa ou não;

- Comprometimento de nervos periféricos (geralmente, espessamento ou engrossamento), associado a alterações sensitivas, motoras ou autonômicas;

- Áreas com diminuição de pelos e de suor;

- Sensação de formigamento e/ou fisgadas, principalmente nas mãos e nos pés;

- Diminuição ou ausência de sensibilidade e força muscular na face, nas mãos ou nos pés;

- Caroços ou nódulos no corpo, em alguns casos, avermelhados e dolorosos.

Transmissão

A transmissão acontece quando uma pessoa com hanseníase, na forma infectante da doença, sem tratamento, elimina o bacilo para o meio exterior, infectando outras pessoas suscetíveis, ou seja, com maior probabilidade de adoecer. O bacilo é eliminado pelas vias aéreas superiores (espirro, tosse ou fala) e não por objetos utilizados pelo paciente. Também é necessário contato próximo e prolongado, sendo que doentes com poucos bacilos não são considerados importantes fontes de transmissão.

Diagnóstico

Os casos são diagnosticados por meio de exame físico geral dermatológico e neurológico para identificar lesões ou áreas de pele com alteração de sensibilidade, comprometimento de nervos periféricos e alterações sensitivas, motoras e/ou autonômicas. Casos com suspeita de comprometimento neural, sem lesão cutânea, e aqueles que apresentam área com alteração sensitiva duvidosa, mas sem lesão cutânea evidente, devem ser encaminhados para unidades de saúde de maior complexidade.

Caderneta

Ainda segundo o ministério, a Caderneta de Saúde da Pessoa Acometida pela Hanseníase, entregue no momento do diagnóstico, figura como uma ferramenta para que o paciente acompanhe e registre seu tratamento e tenha em mãos orientações sobre a doença, direitos e o autocuidado.

Discriminação

O estigma e a discriminação, de acordo com a pasta, podem promover a exclusão social e resultar em interações sociais desconfortáveis, que trazem sofrimento psíquico e limitam o convívio social. “Essa importante particularidade da hanseníase pode interferir no diagnóstico e adesão ao tratamento, perpetuando um ciclo de exclusão social e econômica”.

Mitos e verdades

Confira, a seguir, fatos e mitos sobre a hanseníase listados pelo ministério:

- É possível pegar hanseníase pelo abraço ou pelo compartilhamento de talhares e roupas: FALSO

- A doença é transmitida por meio de contato próximo e prolongado: VERDADEIRO

- A hanseníase é de transmissão hereditária: FALSO

- A doença é transmitida de pessoa para pessoa: VERDADEIRO

- A hanseníase pode ser curada por meio de tratamento caseiro: FALSO

- O tratamento é distribuído gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS): VERDADEIRO

- Pessoas com hanseníase devem ser afastadas do convívio familiar e social: FALSO

- A hanseníase tem tratamento e cura: VERDADEIRO

- Só transmite a hanseníase quem não está em tratamento ou o faz de forma irregular: VERDADEIRO

Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Segundo país do mundo em casos de hanseníase, Brasil também precisa combater o preconceito


 No Dia Mundial de Luta Contra a Hanseníase, celebrado no último domingo de janeiro, autoridades de saúde e organizações da sociedade civil se mobilizam pelo fim da discriminação das pessoas que têm a doença. Apesar de ter cura, muitos brasileiros ainda se escondem e deixam de procurar o tratamento, com medo de sofrer estigma dentro da família, entre os amigos ou no trabalho.
Em estado avançado, a hanseníase causa deformidades no rosto, nas mãos e pernas, comprometendo a aparência.
O assessor técnico do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e sanitarista Marcos Franco conta que, quando trabalhou com vítimas de hanseníase no interior de São Paulo, a maioria vivia no estado vizinho do Rio de Janeiro. Esses pacientes tinham vergonha de procurar atendimento médico na cidade onde moravam.
“O paciente tem medo de usar o serviço do próprio município onde vive. Temos que desconstruir esse estigma para dizer que a hanseníase é uma doença tratável e não um castigo de Deus”, disse Franco, que esteve em Brasília na semana passada para acompanhar a divulgação dos dados do governo federal sobre a incidência de hanseníase no país.
O coordenador do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), Artur Custódio, recorda que centenas de crianças foram separadas dos pais durante décadas por causa do preconceito com relação à doença.
Até o final da década de 1970, uma lei determinava a internação obrigatória das pessoas com hanseníase em hospitais-colônia. Os pacientes tinham de entregar os filhos a educandários. “Foi a maior alienação parental que ocorreu no Brasil”, destaca Custódio.
Para reunir irmãos e filhos de ex-pacientes, o Morhan oferece exames de DNA para identificar os vínculos familiares e busca indenização do Estado pela separação compulsória.
Na próxima segunda-feira (30), o embaixador da Boa Vontade para Eliminação da Hanseníase das Nações Unidas, Yohei Sasakawa, estará no Brasil para a assinatura de documento global pelo fim do estigma e da discriminação contra pessoas com hanseníase.
Em 2011, foram registrados 34.894 novos casos da doença, redução de 15% em comparação a 2010 (30.298 casos). Apesar da queda, o país ainda é o segundo no ranking mundial de prevalência da doença, ficando atrás somente da Índia, que registra cerca de 125 mil novos casos por ano. A meta das Nações Unidas, de menos de um caso para grupo de 10 mil habitantes, só deve ser alcançada no Brasil em 2015, de acordo com o Ministério da Saúde.
Saiba mais sobre a hanseníase
Doença infecciosa, a hanseníase causa deformidades na pele e nos nervos de braços, mãos, pernas, pés, rosto, orelhas, olhos e nariz. A transmissão ocorre pelo contato direto e prolongado entre as pessoas. O doente sem tratamento expele o bacilo ao tossir ou espirrar. Muitas pessoas podem ser infectadas, mas a maioria tem resistência ao bacilo. Ambientes fechados, com pouca ventilação e sem luz solar aumentam as chances de contaminação. A transmissão não ocorre durante contato breve entre as pessoas, como uma caminhada para a escola ou uma conversa no elevador.
A doença não faz distição de sexo ou idade. Os sintomas são manchas brancas, avermelhadas e marrons em qualquer parte do corpo, que ficam dormentes e sem sensibilidade ao calor, frio ou toque, principalmente nas mãos, costas, nádegas, pernas e pés. O tempo entre o contágio e o aparecimento dos primeiros sinais pode levar de dois a cinco anos.
A hanseníase tem cura. O tratamento, de graça pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é a base de comprimidos. O paciente pode tomar os medicamentos diariamente em casa e procurar o médico uma vez por mês para acompanhamento. O tratamento dura de seis meses a um ano. Assim que começa a tomar os remédios, o doente para de transmitir a hanseníase. E não precisa se afastar do trabalho, nem do convívio familiar, e pode manter relações sexuais.
O diagnóstico é feito pelo médico por meio de exame clínico. Em casos raros, o profissional pode solicitar exames complementares. A identificação e o tratamento precoces são as melhores formas de combater a doença. Outra recomendação é que pessoas que vivem ou que moraram com pacientes de hanseníase procurem um médico.
Agência Brasil 

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Ministério da Saúde quer país com taxa aceitável de hanseníase até 2015


Diminuir para menos de um os casos de hanseníase no Brasil para cada dez mil habitantes até 2015 é a meta do Ministério da Saúde. A maior dificuldade, no entanto, é alcançar essa taxa por igual em todas as regiões. No Norte, a taxa é 3,28 casos, no Centro-Oeste, 3,15, e no Nordeste, 1,56, quando a prevalência nacional é 1,24 caso. Somente as regiões Sul e Sudeste já estão dentro da meta, com menos um caso para cada dez mil habitantes.
Para o secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, o grande número de pessoas vivendo em uma mesma casa sem condições adequadas de higiene e dificuldade de acesso ao tratamento podem explicar a alta prevalência da doença nas três regiões. “A nossa meta é ter menos de um [caso] do Amapá ao Rio Grande do Sul”, disse.
Para diminuir o número de casos no Norte, Centro-Oeste e Nordeste, o ministério quer adotar estratégias nos estados e municípios para uma busca ativa de pessoas com a doença, identificando principalmente a incidência de hanseníase em menores de 15 anos de idade. Isso será feito inclusive nas escolas e ampliado a parentes e vizinhos de alunos com sinais da doença.
De acordo com Barbosa, quando um menor tem hanseníase, significa que um adulto da família também tem a doença e não está tratando. Desta forma, os agentes de saúde podem identificar o foco da hanseníase é combatê-lo. “É não esperar que a pessoa sinta alguma coisa e vá ao médico”, declarou o secretário.
Outra medida é aumentar o número de unidades de saúde com atendimento a pacientes de hanseníase. O governo federal vai repassar verba extra de R$ 16 milhões aos 252 municípios que respondem por 53% casos das doença.
Para Jarbas Barbosa, a meta de diminuir para menos de um caso para cada dez mil habitantes até 2015 é alcançável, mas reconhece que o Brasil está atrasado na luta contra a hanseníase. “Perdemos quase uma década nos anos 1990. A desorganização e a resistência do país em adotar nova estratégia [prejudicaram o combate à doença]. O Brasil foi muito avançado em algumas doenças [como no caso da aids], mas em outras foi conservador”, declarou. “Se a gente tivesse partido mais cedo, estaríamos em situação melhor”, completou.
Para o secretário, a demora se reflete na posição do Brasil no ranking mundial de países com hanseníase. Segundo Jarbas Barbosa, “ficamos só atrás da Índia na detecção de casos novos, que registra cerca de 125 mil doentes por ano.
Os dados divulgados hoje (26) pelo ministério mostram queda de 15% nos novos casos no Brasil, de 34.894, em 2010, para 30.298, em 2011. A pasta informou ainda que mais de 26 mil pessoas com a doença estão em tratamento. Do total de pacientes que concluem o ciclo do tratamento, 80% ficam curadas. O objetivo é aumentar o percentual de cura para 90%. O difícil acesso a um hospital e o preconceito contribuem para o abandono do tratamento, que dura de seis meses a um ano.
Transmitida no contato de pessoa para pessoa, os primeiros sinais da hanseníase são manchas brancas e avermelhadas no corpo, dormentes e sem sensibilidade ao calor, frio ou a um toque. A doença causa deformidades na pele e nos nervos dos braços, mãos, pés, pernas, rosto, orelhas, olhos e nariz. O tempo entre o contágio e o aparecimento dos sintomas demora de dois a cinco anos.
A hanseníase tem cura e deixa de ser transmissível assim que começa o tratamento. Disponível na rede pública, o tratamento é à base de um coquetel de comprimidos diários. O paciente pode tomá-los em casa e ir ao médico somente uma vez por mês para avaliação.
Agência Brasil 26/01/2012

sábado, 26 de novembro de 2011

PEDIDO DE INDENIZAÇÃO PARA FILHOS DE EX-PACIENTES COM HANSENÍASE GANHA REFORÇO DA OMS


Rio de Janeiro – Os filhos separados ainda bebês de pais internados compulsoriamente para o tratamento da hanseníase entre as décadas de 1920 e 1990 querem uma indenização do Estado por alienação parental. Eles cobram a instalação de um grupo de trabalho pela Presidência da República, que estabeleça o valor e as regras para o pagamento do benefício. O pedido terá o reforço, na próxima na segunda-feira (28), do embaixador da Organização Mundial da Saúde (OMS) para eliminação da hanseníase, Yohei Sasakawa, que fará o pedido da indenização à presidenta Dilma Rousseff, em Brasília.
Sasakawa é uma das principais lideranças no combate ao estigma da doença. Como presidente da Fundação Nippon, sediada em Tóquio, distribuiu medicamentos gratuitamente contra a doença para vários países entre a década de 1980 - quando a cura foi descoberta - e os anos 2000. Paralelamente, atuou pela aprovação da indenização concedida pelo Japão a ex-pacientes, o primeiro país no mundo a adotar a medida, seguido pelo Brasil. Lá, a extensão do benefício ou indenização aos filhos do ex-doentes não foi necessária porque as mães hansenianas eram obrigadas a abortar.
No Brasil, uma lei obrigou a internação contra a vontade de milhares de pessoas com hanseníase nos antigos hospitais-colônia até 1980. Elas tinham que entregar seus filhos a educandários. Ainda hoje, alguns desses hospitais funcionam parcialmente porque os ex-doentes, mesmo sem a obrigação de permanecer, não têm para onde ir. No Rio de Janeiro, onde estão duas ex-colônias, o embaixador da OMS Yohei Sasakawa se encontrará com 500 filhos de ex-pacientes hoje (26), em Itaboraí, na região metropolitana.
A indenização para os filhos de ex-pacientes consta de resolução do Comitê dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) para enfrentar o preconceito contra hansenianos e suas famílias. Segundo o Movimento pela Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), no Brasil, os filhos de ex-pacientes somam de cerca de 20 mil pessoas, que pelos danos impostos com a separação das famílias reivindicam uma indenização de até R$ 50 mil por pessoa.
Segundo o coordenador nacional do Morhan, Artur Custódio, o benefício é uma forma de cobrar do governo desculpas "pela maior política brasileira de alienação parental" e de questionar atuais políticas sanitárias de segregação, como tratamentos para usuários de crack. "Vemos o que aconteceu com a hanseníase no passado se repetir com o crack. São filhos tirados dos pais e pais tirados de filhos em todo o país. É a mesma política higienista de segregação, de isolamento e de alienação", disse o coordenador.
O Morhan avalia que há disposição política do governo para estabelecer a indenização, que precisa ser enviada para a Casa Civil pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.
A secretaria informou que é favorável à reivindicação e que espera os pareceres dos ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, do Planejamento, da Saúde e da Previdência Social, da Advocacia-Geral da União e da própria Casa Civil para criação do grupo de trabalho.
Na tentativa de encontrar irmãos que foram separados e de identificar filhos de ex-pacientes, o Morhan oferece exames de DNA gratuitos a partir da saliva. A divulgação da campanha é feita na página da internetda instituição e em antigos hospitais-colônia. Em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o programa já cadastrou cerca de nove mil pessoas em todo o país.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), apesar do esforço brasileiro para alcançar metas globais, o país é o único que ainda não atingiu o padrão de eliminação da hanseníase com menos de um doente para cada 10 mil habitantes. Segundo o Ministério da Saúde, o número de casos caiu 31,5% entre 2000 e 2010 e atualmente é de 1,56 para cada 10 mil pessoas.
Fonte:Agência Brasil 26/11/2011