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quarta-feira, 31 de julho de 2024

MESTRES E ALUNOS repostagem




Terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

MESTRES E ALUNOS

“Faz parte da humanidade de um mestre advertir seus alunos contra ele mesmo”, escreveu o filósofo Nietzsche (1844-1900) em sua obra Aurora. Pode parecer absurdo esse aforismo, mas são provocações como essa que despertam em nós, professores, reflexões sobre o que já fizemos e sobre o que podemos fazer agora na volta às aulas.

O título da obra nietzschiana vem a calhar para essa reflexão, se nos utilizarmos de algumas imagens bem desgastadas, mas válidas ainda. Aurora é aquele momento de claridade no horizonte, anunciando o nascer do sol. Pode simbolizar a passagem da ignorância (a escuridão) para a luz (o conhecimento). Não por acaso durante muito tempo foi usado, de uma forma equivocada, o significado da palavra “aluno” como “aquele que não tem luz”, “que vive nas trevas”. No entanto, é certo que a criança chega à escola já sabendo uma porção de coisas, ainda mais com o crescimento das novas – já nem tão novas assim – tecnologias. Segundo os linguistas, na verdade, aluno significa “criança de peito, lactente”, ou seja, é aquele indivíduo que precisa ainda receber os cuidados necessários como a nutrição e a proteção. Nesse caso, a escola deve fornecer a ele o alimento diferenciado, o qual não recebe em casa, que é o saber acumulado pela humanidade. E também deve protegê-lo num ambiente acolhedor para que ele se sinta como se estivesse no seio da sua própria família.

A aurora também representa um novo dia, por conseguinte, a renovação. Cada ano letivo é um ano diferente. A escola é uma das poucas instituições da sociedade que lutam contra o “mais do mesmo”. Como o deus Jano – porteiro do céu na mitologia romana, que tinha duas cabeças, uma olhando para a frente e outra para trás – planejamos os próximos meses, através de novas ideias e teorias que serão postas em prática, mas não esquecemos o passado, que nos ensina com os erros e os acertos.

Mas o que, afinal, o filósofo quis dizer com seu aforismo? Que devemos orientar o aluno a ir contra nós, professores? Minha interpretação bem pessoal e otimista é de que devemos orientar o aluno a não se deixar ser um adulto como os que temos hoje, que estão destruindo o mundo. A humanidade do mestre estaria em nutrir o aluno para que ele siga um caminho diferente, sendo criativo e questionador das verdades estabelecidas, contribuindo, assim, para um mundo melhor, atitude que nós, adultos, não estamos conseguindo fazer. O discípulo deve, para tanto, superar o mestre. Já numa interpretação pessimista... bem, deixemos o pessimismo pra lá.

Fonte: Cassionei Niches Petry/Professor
Jornal Gazeta do Sul 22/02/2011

segunda-feira, 12 de março de 2012

Professores do DF entram em greve; em todo país, categoria faz paralisação de três dias


Os professores da rede pública do Distrito Federal entraram em greve hoje (12). Em todo o país, a categoria faz um movimento de alerta e paralisa as atividades por três dias – de quarta (14) a sexta-feira (16) – para cobrar de governos estaduais e prefeituras o pagamento do piso nacional do magistério. O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Franklin Leão, destaca que o movimento pode ser ampliado, por tempo indefinido, conforme as assembleias da categoria em cada estado.
“Os professores farão atos públicos e passeatas em vários estados brasileiros. A chamada da CNTE é de três dias para fazer uma avaliação, se continuará ou não com a greve. Cada estado tem autonomia de fazer uma avaliação e ver a situação, decidindo se deve [manter] a greve”, disse Leão, em entrevista ao programaRevista Brasil, da Rádio Nacional, que foi ao ar hoje (12).
Leão destacou ainda que o piso salarial em vigor no país – que é de  R$ 1.451 – não atende às necessidades dos profissionais em educação. Segundo ele, pelos cálculos da CNTE, o ideal é fixar um piso de R$ 1.937.
“Os governadores e prefeitos em vez de buscarem formas de pagarem sem questionar, não, eles questionam o critério e o valor de reajuste. E, nós não aceitamos esse tipo de coisa e essa paralisação tem essa finalidade”, disse Leão.
Levantamento feito pela Agência Brasil e publicado na semana passada aponta que nove estados ainda não pagam o valor do piso aos professores.
De acordo com o presidente da CNTE, atualmente muitos estados e municípios não conseguem provar o que investem em educação. No mínimo, de acordo com a Constituição Federal, 20% do total arrecadado em impostos pelo estado devem ser aplicados em educação.
Agência Brasil 12/03/2012

quinta-feira, 8 de março de 2012

Professores programam paralisação de três dias para cobrar cumprimento do piso


Na próxima semana, professores de todo o país planejam uma paralisação de três dias para cobrar de governos estaduais e prefeituras o pagamento do piso nacional do magistério. A lei que instituiu uma remuneração mínima para profissionais da rede pública foi aprovada em 2008, mas ainda hoje causa polêmica. Estados e municípios alegam não ter recursos para pagar o piso, especialmente agora que o Ministério da Educação (MEC) anunciou o valor para 2012 – R$ 1.451 - , com um reajuste de 22%.
A categoria irá cruzar os braços entre os dias 13 e 16 de março (de quarta a sexta-feira). Para o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Leão, o fato de alguns estados ainda não cumprirem a lei reforça a necessidade de um “movimento forte” por parte da categoria para reivindicar melhorias na remuneração.
“Eles [gestores públicos] entendem que a lei precisa ser cumprida a partir do enfrentamento, da mobilização. Chega de brincar que estão valorizando o professor”, reclama Leão. Nos estados e municípios em que a Lei do Piso já é cumprida, o presidente da CNTE avalia que a mobilização deverá ser menos intensa, com foco nas reivindicações locais, inclusive a construção de planos de carreira. “Nosso intuito não é a paralisação pela paralisação, mas onde houver necessidade”, explicou. As atividades são organizadas pelos sindicatos locais e incluirão manifestações nas sedes dos governos, passeatas e outros atos públicos.
Agência Brasil 08/06/2012

terça-feira, 6 de março de 2012

Justiça manda governo gaúcho pagar piso a professores


A Justiça Estadual do Rio Grande do Sul determinou que o governo cumpra a lei do piso nacional do magistério e pague aos professores da rede o valor determinado para 2012 de R$ 1.451. O juiz José Antônio Coitinho decidiu ainda que o governo gaúcho deverá pagar os valores retroativos aos profissionais da rede, com correção da inflação.
Atualmente, o piso pago aos professores da rede de ensino do Rio Grande do Sul, por uma jornada semanal de 40 horas, é R$ 977. O cumprimento da ação não será imediato porque ainda cabe recurso. No caso de profissionais com carga horária inferior a 40 horas, o pagamento deverá ser feito de forma proporcional, de acordo com a decisão da Justiça.
O juiz determinou que a previsão do pagamento do piso deverá ser incluída no orçamento do estado a partir de 2013 e em todos os anos seguintes. José Antonio Coitinho descartou ainda a possibilidade de que o valor do piso seja entendido como remuneração total. Alguns governos estaduais e prefeituras alegam que já pagam o valor determinado pela lei, ao incluir, na conta, gratificações, abonos e outros adicionais que compõem o contra-cheque dos professores.
“Entender que o piso é a totalidade da remuneração implica ignorar as vantagens pessoais conquistadas pelos servidores, achatando a remuneração da categoria e colocando em um mesmo padrão remuneratório pessoal com diferentes tempos de serviço e diferentes vantagens pessoais”, alega o juiz na decisão.
A Lei do Piso foi criada em 2008 e determinou um valor mínimo que deve ser pago a todos os professores de escola pública com formação de nível médio e jornada de 40 horas semanais. A legislação foi questionada por governadores no Supremo Tribunal Federal ainda em 2008, mas a Corte confirmou sua validade no ano passado. Estados e municípios alegam dificuldade financeira para pagar os valores determinados.
Agência Brasil 05/03/2012

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Educação: prioridade somente nos discursos de campanha


Estamos em um ano eleitoral. Em 2012 teremos eleições municipais em todo o Brasil, prefeitos e vereadores devem ser eleitos neste processo eletivo. Sabemos com antecedência que o tema educação será um dos discursos preferenciais dos políticos candidatos a cargos públicos. Na verdade este é o momento, talvez o único, em que a educação torna-se prioridade. Todos sem exceção defendem ardorosamente uma educação pública de qualidade. Boas escolas e professores bem remunerados são promessas fáceis e nunca cumpridas após o objetivo maior ser conquistado.
Uma educação de qualidade se opõe a lógica de dominação das velhas e novas elites brasileiras. É mais confortável para estas elites conservadoras governarem e manipularem pessoas com pouca ou nenhuma capacidade de crítica qualificada. Assim, a educação de baixa qualidade serve aos interesses destes que dominam, concentram e dividem entre si as riquezas do nosso país.
Concretamente toda esta realidade é evidenciada por prédios escolares sucateados, salas de aulas lotadas e professores mal remunerados e com grandes jornadas de trabalho. A solução não pode ser encontrada sem investimentos. Em nível federal o governo precisa investir pelos menos dez por cento do PIB em educação para alcançar resultados positivos em médio e longo prazo. No âmbito estadual, o atual o governador, Tarso Genro deveria cumprir a lei que estabelece um investimento de trinta e cinco por cento da receita líquida em educação. Deveria também, Tarso Genro cumprir a Lei do Piso Salarial para os professores, Piso que ainda é insuficiente, mas que poderia representar um aceno de mudança desta trágica realidade.
Mas, ao contrário de todas as expectativas, Tarso Genro não pagou o "Piso Salarial do Magistério", ingressou na Justiça para embargar, não cumpre com a determinação da lei que estabelece que os professores devam ter um terço de sua jornada destinada aos trabalhos de estudo, reuniões, preparação de aulas e correção de trabalhos e provas. Em movimento oposto muda a duração de uma hora aula, contrariando todos os pareceres que estabelecem a duração de cinquenta minutos para uma hora aula.
Em síntese, Tarso Genro não investe o mínimo legal em educação, não paga o piso, aumenta a jornada de trabalho e atropela a categoria com o seu autoritarismo caribenho. O que pensar de um político que não cumpre uma lei que assinou, que não honra a sua palavra de pagar o piso e que trata a categoria como um grupo de pessoas despreparadas para a função que exercem. Está faltando respeito aos professores gaúchos. Isto precisa acabar não podemos continuar aceitando tanta ofensa de uma gente que até ontem dirigiam sindicatos, que diziam lutar por uma educação pública de qualidade e criticavam os partidos e governos que agiam exatamente como hoje agem.
Chegam ao absurdo de abonar, justamente, os dias de uma greve realizada no governo de Yeda e cortar o ponto e o salário de uma greve realizada no governo atual. Nos dois movimentos reivindicatórios os dias de aula foram recuperados, pois só assim o ano letivo poderia ter validade. Os progressistas, enquanto na oposição, transformaram-se em conservadores quando chegaram ao poder. São todos iguais. É triste, mas é verdade!
João Barcellos  -  Professor de História e mestre em Educação Ambiental
Jornal Agora 15/02/2012

Amanda Gurgel - Entrevista no Programa do Faustão


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Professores do ensino médio serão os primeiros a usar o tablet nas escolas públicas


 O uso de tablet na rede pública de ensino vai começar pelos professores do ensino médio. A partir do segundo semestre, o Ministério da Educação (MEC) deve iniciar a distribuição dos equipamentos para 598.402 docentes.
Os primeiros da lista são os professores de escolas que já têminternet em alta velocidade (banda larga), que somam 58.700 unidades. A ideia é o computador portátil chegar a 62.230 escolas públicas urbanas.
Para o MEC, o programa tem mais chances de sucesso se o professor dominar o equipamento e o seu uso, antes de chegar ao aluno. “A inclusão digital tem que começar pelo professor. Se ele não avançar, dificilmente a pedagogia vai avançar”, disse o ministro Aloizio Mercadante. Cursos de capacitação presencial e à distância vão ser oferecidos ao professor, assim que o aparelho começar a ser distribuído.
Com o tablet, o professor poderá preparar as aulas, acessar a internet e consultar conteúdos disponíveis no equipamento - revistas pedagógicas, 60 livros de educadores, principais jornais do país e aulas de física, matemática, biologia e química da Khan Academy, organização não governamental que distribui aulas on-lineusadas em todo o mundo.
As aulas preparadas no tablet, segundo o ministro, serão apresentadas por meio da lousa digital, espécie de retroprojetor combinado com computador, que muitas escolas já usam desde o ano passado. No decorrer de 2011, foram entregues 78 mil desses equipamentos.
Para o ministro, a tecnologia do tablet, em que os comandos podem ser acionados por meio de toques na tela, é mais “amigável” para leitura e acesso à internet em comparação a outros computadores.

Com a novidade, Mercadante espera também tornar a sala de aula mais atrativa para os adolescentes. “O ensino médio é o grande nó da educação. Os indicadores não são bons e a evasão escolar é alta. A escola não está atrativa para o jovem. Esses equipamentos fazem parte do esforço para melhorar o ensino médio”, diz.
Para levar o tablet à sala de aula, o MEC irá desembolsar de R$ 150 milhões a R$ 180 milhões para comprar até 600 mil unidades este ano. Em dezembro passado, o ministério abriu licitação para a aquisição de 900 mil aparelhos de fabricação nacional, de 7 e 10 polegadas, com câmera, microfone e bateria de seis horas de duração.
O governo pagará quase R$ 300 pelo tablet de 7 polegadas e aproximadamente R$ 470, pelo de 10 polegadas. No mercado, conforme o ministério, o equipamento de 7 polegadas custa cerca de R$ 800.
 
Apesar do processo de compra ter sido iniciado no ano passado, Mercadante destaca o programa como uma de suas primeiras ações no comando do ministério. “Esse programa foi desenhado nesse período que estou aqui”, disse, explicando que a gestão do antecessor, Fernando Haddad, lançou o edital de compra para atender a pedidos de estados e municípios.
As empresas Digibras e a Positivo venceram a licitação. O contrato deve ser fechado somente em abril, após o Inmetro avaliar se os produtos atendem às exigências do edital.
Depois de distribuir para os professores do ensino médio, o ministro quer entregar os aparelhos para os docentes do ensino fundamental. Ainda não há previsão sobre quando os alunos receberão o equipamento.
Apesar da chegada do tablet nas escolas, Mercadante garante que isso não significa o fim do Programa Um Computador por Aluno (UCA), que distribui laptop aos estudantes.
Agência Brasil 02/02/2012

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Os professores e as novas tecnologias

Não é nenhuma novidade que o trabalho dos professores não encerra com o toque da sineta da escola onde trabalham. Reuniões, planejamento, estudo, formação e demais afazeres acontecem fora do tempo contratado, salvo raríssimas exceções.

Talvez, a grande novidade, principalmente para os que não atuam na área, seja o fato de os professores integrarem o grupo de profissionais que mais têm intensificado o seu trabalho com o surgimento das tecnologias da informação. Se, por um lado, as redes de informação ampliaram as possibilidades de interação e aprendizagem, por outro, têm produzido uma excessiva carga de trabalho extraclasse. Não se trata de aversão ao uso da tecnologia no contexto da educação. Trata-se, sim, da necessária definição de como esses procedimentos podem garantir mais qualidade na educação sem prejudicar a saúde do professor.

Vejamos que, em outros tempos, o trabalho do professor já extrapolava em muito o contrato de trabalho estabelecido. No entanto, com o aumento do uso dos meios eletrônicos, muitas novas funções e tarefas foram sendo agregadas ao trabalho docente. Para ilustrar, vamos objetivamente tratar de três. A primeira tarefa designaremos de uso da máquina. Refere-se ao uso das ferramentas e dos programas que a tecnologia dispõe - o que exige mais tempo para cursos de formação. A segunda é a da conexão, ou seja, de responder as demandas, o que significa que muitos professores passam boa parte de seu tempo lendo e respondendo e-mails da escola e dos seus alunos, atualizando blogs e sites da instituição de ensino. E a terceira é a questão das aulas à distância, que o professor acaba proporcionando ao responder fóruns, participar de chats e ao postar artigos. É o acompanhamento dos processos que a tecnologia viabiliza, mas que demanda tempo.

A atividade docente implica em um permanente processo de envolvimento, que é efetivamente indescritível, porém, é urgente delinear limites ao trabalho extraclasse. A função educativa formal, sistemática de sala de aula, pressupõe consideração das atividades extracurriculares, pois o professor já não é mais mediador somente na presença do aluno. Urge, pois, apostar numa nova relação estabelecendo vínculos que viabilizem um trabalho com tempo, dedicação e atenção. A docência sempre exigiu muito trabalho fora do expediente, mas, se uma educação de qualidade requer tempo, é necessário também reconhecer um tempo para uma vida de qualidade dos que a ela se dedicam profissionalmente.

Hedi Maria Luft doutora em Educação pela Unisinos
Correio do Povo 17/01/2012

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

EM MARCHA EM BRASÍLIA, PROFESSORES PEDEM APLICAÇÃO DE 10% DO PIB EM EDUCAÇÃO

Professores de todo o país participaram hoje (26) de uma manifestação, no centro da capital federal, para pedir mais investimentos em educação e o cumprimento da lei que estabelece um piso salarial nacional para a categoria, que atualmente é R$ 1.187,97.

Entre as reivindicações, está a destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para a educação. Hoje esse patamar está em torno de 5%. Os manifestantes também defendem a aprovação pela Câmara, ainda este ano, do Plano Nacional de Educação (PNE). A proposta encaminhada pelo Executivo estabelece 20 metas a serem cumpridas até 2020, entre elas, o percentual do PIB a ser investido na área.
Segundo os organizadores da marcha, representantes dos 43 sindicatos filiados à Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) estiveram presentes. Os manifestantes caminharam do Estádio Nacional de Brasília até o Congresso Nacional. Na Câmara, representantes do movimento entregaram à presidenta da Comissão de Educação e Cultura, deputada Fátima Bezerra (PT-RN), um documento com 140 mil assinaturas em apoio à aplicação de 10% do PIB na educação.

“Viajei 32 horas para chegar aqui, e com certeza valeu a pena. A marcha está bonita e essa mobilização é necessária. O governo precisa olhar para nossa categoria”, disse o professor de física Everton Luís Silva, que veio de Santa Catarina. Também estiveram presentes estudantes, sindicalistas e membros de entidades da sociedade civil, além de representantes de organizações que atuam em defesa do ensino de qualidade vindos de países como a Argentina e o Chile.

Segundo a CNTE, representantes do movimento esperam ser recebidos pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, no início da tarde.
Fonte:Agência Brasil 26/10/2011

terça-feira, 16 de agosto de 2011

PROFESSORES DE ESCOLAS PÚBLICAS FAZEM PARALIZAÇÃO NACIONAL PARA COBRAR CUMPRIMENTO DA LEI DO PISO

 

 Professores de escolas públicas de todo o país param as atividades hoje (16) para pedir o cumprimento da lei que estabelece um piso salarial para a categoria. A paralisação foi convocada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e pelo menos em 11 estados os sindicatos locais prepararam assembleias e outras atividades de mobilização.
A Lei do Piso foi sancionada em 2008 e determinou que nenhum professor da rede pública com formação de nível médio e carga horária de 40 horas semanais pode ganhar menos do que R$ 950. O valor do piso corrigido para 2011 é R$ 1.187. Naquele mesmo ano, cinco governadores entraram com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) questionando a constitucionalidade da legislação e só este ano a Corte decidiu pela legalidade do dispositivo. Desde então, professores de pelo menos oito estados entraram em greve no primeiro semestre de 2011 reivindicando a aplicação da lei.
“É uma teimosia e um descaso dos gestores em cumprir essa lei, o que caracteriza falta de respeito com o educador. Prefeitos e governadores estão ensinando a população a desrespeitar a lei quando não cumprem ou buscam subterfúgios para não cumprir”, defende o presidente da CNTE, Roberto Leão.
Um dos pontos da lei que foi questionado pelos gestores é o entendimento de piso como remuneração inicial. O STF confirmou, durante o julgamento, que o piso deve ser interpretado como vencimento básico: as gratificações e outros extras não poderiam ser incorporados à conta como costumam fazer algumas secretarias de Educação. “Isso [incorporação de gratificações] descaracteriza o piso e a carreira. Como a lei determina um piso para professores de nível médio, em alguns estados a diferença do piso do profissional de nível médio para o de nível superior é apenas R$ 30. Desse jeito, a carreira não atrai mais os jovens para o magistério porque ele não tem perspectiva”, diz Leão.
As prefeituras alegam que faltam recursos para pagar o que determina a lei. Levantamento feito pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) com 1.641 prefeituras mostra que, considerando o piso como vencimento inicial, a média salarial paga a professores de nível médio variou, em 2010, entre R$ 587 e R$ 1.011,39. No caso dos docentes com formação superior, os valores variaram entre R$ 731,84 e R$ 1.299,59. “Eu nunca vi município ir à falência porque construiu biblioteca ou pagou bem a seus professores”, reclama o presidente da CNTE.
Fonte:Agência Brasil  16/08/2011

sábado, 4 de junho de 2011

SOMOS A ÚLTIMA GERAÇÃO DE PROFESSORES?

O discurso da professora potiguar Amanda Gurgel no dia 10 de maio, na Assembleia Legislativa do RN, que ultrapassou um milhão e setecentas mil visualizações no canal YouTube e entrou na lista dos trending topics do Twitter, não é novidade.


Ela apenas foi corajosa ao expor os descasos e dramas vividos diariamente pelos profissionais da educação e denunciar a desvalorização histórica e sistemática dos mestres, que inclusive afasta aspirantes à profissão. Os educadores são submetidos a jornadas de trabalho exaustivas, muitas vezes cumpridas em mais de uma escola. São mal remunerados, expostos a agressões físicas e psicológicas e não têm tempo nem recursos para se qualificarem e, como se não bastasse, ainda são responsabilizados pelos problemas e precariedade do sistema público brasileiro de educação básica.

O pessoal da “turma de fora da sala de aula” associa qualidade de educação com professor em sala de aula. Quando há greve do magistério, a administração pública e seus aliados tentam convencer a população de que os professores são os responsáveis. O professor não é causa nem a solução da deficiência generalizada na educação pública brasileira, cujo sistema educacional entrou num ciclo vicioso difícil de ser rompido. Os órgãos públicos pagam salários vexatórios e, consequentemente, professores malpagos trabalham desmotivados, não conseguem desenvolver um trabalho de qualidade, utilizam pretextos para compensar o desapreço, tornam-se reféns de sindicatos e de interesses políticos e acabam como personagem antagonista de um processo no qual os estudantes são as maiores vítimas. O professor é “depositado” nas escolas e, com um quadro-negro e giz, tem a função de “salvar” o País. Piada, não?

No programa do Faustão (22/05), Amanda explicou a causa de tamanha deficiência na educação brasileira: “Na verdade a culpa é desse sistema que está estabelecido desde o Império”. O sistema educacional é o mesmo desde quando foi idealizado para atender ao modo de vida do século XVIII. O modo de vida mudou, mudou... e o sistema obsoleto foi mantido. Uma célebre frase da década de 90, proferida por um ministro da educação, vergonhosamente parece atual: “O aluno finge que estuda, o professor finge que ensina e nós fingimos que pagamos”... O descaso com a Educação acontece desde quando Cabral pintou por aqui; o poder público brasileiro nunca se preocupou em discutir uma mudança efetiva do sistema público de educação. Em nenhum governo a educação foi prioridade, assim como não foi prioridade mudar de sistema público de Educação Básica. Mudança de sistema é diferente de mudança no sistema. Já tivemos várias mudanças no sistema: o nome do primário mudou para ensino fundamental; as disciplinas obrigatórias, os métodos didáticos e os recursos tecnológicos mudaram diversas vezes; o nível de apoio material muda a cada programa que se implementa para subsidiar a falta de condições financeiras do País; enfim, mudam nomenclaturas e, na prática, nada muda, ou muito pouco. É preciso mudar de sistema, isto é, mudar a lógica arcaica de funcionamento do modelo de gestão da educação pública.

O País está passando por um grave problema: o défict de profissionais nas escolas. É um verdadeiro “apagão” de professores e as perspectivas não são nada animadoras: o número de formandos em cursos de licenciatura vem caindo ano a ano. O MEC busca formas de atrair futuros professores com chamadas televisivas a fim de “motivar” os jovens para a profissão. A intenção parece ser boa, porém, uma vitrine utópica. Soa como ironia, eu penso: Seja um professor e seja o que Deus quiser! Não questiono o valor do professor, uma das profissões mais importantes, além de indispensável: é um dos poucos profissionais pelas mãos dos quais todos, pelo menos uma vez na vida, passam. Uma propaganda “bonitinha” não atrairá pretendentes à profissão e tampouco disfarçará os inúmeros problemas que tornam a docência cada vez menos interessante.

Os poucos atrativos acabam diluídos diante da desvalorização do magistério, infraestrutura precária, assédio moral e ausência de plano de carreira, sem contar nas dificuldades com material didático e tecnologias e trabalho extra para casa. Dizem que temos de trabalhar por “amor à camisa” ou “vestir a camiseta”. Tudo bem, mas é bom lembrar que o “amor à camisa” não paga contas, cursos de atualização, consultas e terapias decorrentes do excesso de descaso… Fica para refletir: algum político trabalharia “por amor à camisa” com um salário de três dígitos? Quem sabe, com menos holofotes, menos maquiagem e mais planejamento sério e execução, os professores não tenham um destino mais auspicioso…
Raquel Eloísa Eisenkraemer/Prof. doutoranda da rede mun. de ensino
Fonte:Jornal Gazeta do sul 03/06/2011

sexta-feira, 13 de maio de 2011

PRIMEIRA EDIÇÃO DO CONCURSO NACIONAL PARA PROFESSORES SERÁ EM AGOSTO DE 2012

Brasília – A primeira edição da Prova Nacional de Concurso para Ingresso na Carreira Docente será em agosto de 2012. A informação foi divulgada hoje (12) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), que será responsável pela aplicação do exame, cujo objetivo é auxiliar estados e municípios a selecionar professores para trabalhar nas redes públicas.
A proposta foi anunciada no ano passado pelo Ministério da Educação (MEC) a partir do diagnóstico de que os concursos para professores da rede pública eram, em geral, mal elaborados. O modelo que está sendo desenvolvido assemelha-se ao do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
O professor interessado participa da prova e, de posse da nota, poderá ser selecionado para trabalhar nas redes de ensino dos estados e municípios que aderirem à proposta. A previsão é que os resultados sejam divulgados em janeiro de 2013.
Um comitê de governança está concluindo a matriz de referência que irá indicar quais conteúdos e habilidades serão cobrados do candidato. O grupo é formado por representantes do Inep, do Ministério da Educação, do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e de entidades de pesquisa em educação como a Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Educação (Anped).
De acordo com a matriz proposta pelo Inep, a prova vai avaliar o profissional a partir de três dimensões: profissão docente e cidadania, trabalho pedagógico e domínio dos conteúdos curriculares. Serão exigidos conhecimentos em temas como políticas educacionais, gestão do trabalho pedagógico, além do domínio dos conteúdos como língua portuguesa, matemática, história e artes.
A previsão é que o documento seja concluído até o início do segundo semestre. Em seguida, o Inep abrirá uma chamada pública para convocar especialistas interessados em elaborar itens para o exame.
Fonte:Agência Brasil 12/05/2011

quarta-feira, 11 de maio de 2011

TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO PARALISAM ATIVIDADES E FAZEM PROTESTO NA ESPLANADA

Brasília – Trabalhadores em educação de 41 entidades de todo o país ligadas à Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) paralisaram as atividades e fizeram um protesto em frente ao Congresso Nacional por melhores condições de trabalho e pelo cumprimento do piso salarial nacional.
Os trabalhadores também reivindicam a aprovação ainda este ano do Plano Nacional de Educação (PNE) e a aplicação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) na área. No fim da manhã, cerca de 150 professores visitaram o gabinete dos parlamentares para entregar o documento com as principais reivindicações dos profissionais.
Recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou constitucional a lei que criou, em 2008, o piso do magistério. Para o presidente da CNTE, Roberto Leão, agora é preciso fazer com que a lei seja respeitada. “Vamos falar com o ministro da Educação, Fernando Haddad, para que o MEC [Ministério da Educação] use seu poder com os prefeitos e governadores, para que seja respeitado o piso nacional dos professores”, afirmou Leão.
A professora Edneia Silveira, professora do Ensino Fundamental em Montes Claros (MG) há 12 anos, disse que se sente indignada com a diferença salarial entre os professores no Brasil. “É injusto que um profissional de Brasília receba R$ 3 mil de salário, enquanto o de Minas, que exerce a mesma função, recebe R$ 1,3 mil”, reclama.
Para o presidente da CNTE, Roberto Leão, é preciso que o governo priorize a educação. “São escândalos a toda hora, é desvio de merenda escolar, dos recursos do Fundeb [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica], desvio de função de educadores, se não houver valorização da educação e dos professores, a carreira vai acabar, pois não vai atrair novos profissionais, os jovens hoje não querem mais ser professores”, disse.
O professor Piter Paul Pereira, de Campo Grande (MS), leciona há sete anos, e disse que sofre muitas dificuldades no dia a dia. “A escola hoje enfrenta muitos problemas é qualidade da educação, da estrutura das instituições, violência contra professores e alunos, aliado a isso ainda tem a desvalorização do educadores”, disse.
A CNTE vai manter a mobilização de profissionais da educação durante toda a semana. Para a tarde de hoje está marcada uma audiência pública na Câmara dos Deputados com o tema Qualidade da Educação. Também está agendada uma reunião de representantes da CNTE com o ministro da Educação, Fernando Haddad.
Fonte:Agencia Brasil

quarta-feira, 20 de abril de 2011

EDUCAÇÃO: O TIGRE ÁGIL E O GATO LERDO

 Na década de 1960, Cingapura estava, em termos de educação, no nível africano. Com vontade política, o governo começou a implementar políticas públicas de valorização dos professores. Mentalidades tacanhas começaram a ser mudadas. Intelectos míopes começaram a enxergar o óbvio. Hoje em dia seu sistema educacional está entre os melhores do mundo. O Instituto Nacional de Educação serve de referência como escola de formação de professores. Só são admitidos nessa faculdade estudantes que, no Ensino Médio, aparecem entre os 30% melhores da turma, aos quais são ensinadas apenas técnicas pedagógicas cuja eficácia já foi comprovada cientificamente em seus dois laboratórios. Ainda no Ensino Fundamental, os estudantes são incentivados a fazer pesquisas; os que se destacam são chamados a trabalhar com pesquisadores de renome dentro das universidades. As boas ideias da iniciativa privada são aplicadas na educação. Há vários anos, as escolas públicas determinam as metas a serem alcançadas e são cobradas pelo governo, que instituiu uma política de bonificação pelo desempenho. Professores que alcançam as metas exigidas chegam a receber dois salários a mais por ano. O salário inicial de um educador é idêntico ao de um engenheiro ou médico. Os mais destacados na profissão são idolatrados e ganham prêmios em dinheiro, fato que explica a grande procura pela carreira. No dia dos professores, o presidente recebe os educadores que contribuíram de forma significativa às suas escolas. O prestígio dos mestres é inconteste. Em Cingapura, o futuro chegou na forma de um tigre asiático ágil.
Em terra brasilis, onde a Suprema Corte estabeleceu recentemente um piso salarial para os professores, diga-se, en passant, com valor imoral, continua a prosperar a crença de que o Brasil é o país do futuro, cuja chegada, no entanto, é postergada diariamente, sob diversas formas, razão de este país continuar sendo um esplendoroso “deserto cultural” (Osvaldo Aranha). Aqui o futuro é sempre o passado redivivo. O ensaio do filósofo Paulo Arantes (A Fratura Brasileira do Mundo, do livro Zero à Esquerda) vai direto ao ponto: “Na hora histórica em que o país do futuro parece não ter mais futuro algum, somos apontados, para o mal ou para o bem, como futuro do mundo”. O gato tupiniquim, que lembra o desenvolvimento do país, continua igual a gato de hotel: lerdo.

João Roberto A. Neves, advogado - jran.neves@gmail.com
Fonte:Jornal O Informativo do Vale 20/04/2011

quinta-feira, 10 de março de 2011

A HORA DOS PROFESSORES

As aulas vão começar de fato? a vez de os professores do ensino fundamental e médio retomarem o trabalho estafante, heroico e de baixa remuneração que executam todos os dias com amor, na maioria esmagadora, afinco e criatividade. O professor de escola tem todos os méritos. Falar em meritocracia em relação a eles é redundância. Ou covardia. Um novo regime de mérito, pois cada professor deveria receber medalha todo ano por mérito e sacrifício, só deverá ser implantado depois que for aplicado a políticos, secretários de Estado e outros espertos que ficam soltando esse tipo de maldade. Universidade privada de qualidade, como a PUCRS, paga o mesmo salário para todos os seus professores de acordo com a titulação e a carga horária. Não somos jogadores de futebol para ganhar conforme o número de gols marcados.
A  vez é professores. Mas precisa ser também a hora deles. O então ministro da Educação, Tarso Genro, homem fino, culto e elegante, teve uma ideia maravilhosa: a lei federal do piso do magistério, cuja constitucionalidade foi contestada por cinco estados, entre os quais o Rio Grande do Sul. O STF vai se pronunciar em breve. Tarso Genro manifestou ao Supremo Tribunal Federal a desistência do Rio Grande na questão. Foi uma atitude digna. Aconteceu, depois de alguma hesitação, o primeiro encontro do governador com o Cpers, que está determinado a não enfraquecer a luta por simpatia com o governo. Tarso confirmou que está disposto a começar a pagar o piso. Uma proposta será apresentada em breve. Atrevo-me a dizer que o governador deve fazer mais: pagar imediatamente a integralidade do piso. Basta seguir o Brasil. A maioria dos estados já faz isso.
Tarso não pode viver com essa contradição, ter concebido uma lei que muitos aplicam e o seu Estado não. Não há dinheiro? A bela ideia do ministro Tarso já previa ajuda federal para que os estados pudessem cumpri-la. A linha agora, além de tudo, é direta com Brasília. Ligue, governador, ligue para a "mineirucha" Dilma Rousseff, que ela não deixará de atendê-lo, nos dois sentidos da palavra. Tenho o número dela aqui, mas não creio que o senhor precise dele, pois deve ter outros atualizados. Governador, ouça o que estou lhe dizendo humildemente, o magistério não pode esperar mais; é um povo sofrido, dedicado, maltratado, de baixíssimo poder aquisitivo. Por favor, governador, dê condições para que os professores possam comprar livros e ir ao cinema ver "Cisne Negro".
Governador, o senhor que não é homem de meias medidas, não submeta o magistério a uma agonia lenta nem a uma recuperação em doses homeopáticas. Faça o grande esforço, com ajuda federal, e pague os professores, que educam, apesar de limitações e falta de recursos, nossos filhos, netos, sobrinhos e irmãos, dando-lhes a consciência de cidadania sem a qual inexiste comprometimento e humanismo. Desculpe, governador, se fui pomposo. A penúria do magistério - permita-me o clichê, o senhor que conhece alta literatura e abomina lugares-comuns - me corta o coração. Ouse, governador, ouse.

Juremir Machado da Silva
juremir@correiodopovo.com.br
Fonte:Jornal Correio do Povo  10/03/2011

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

MESTRES E ALUNOS

“Faz parte da humanidade de um mestre advertir seus alunos contra ele mesmo”, escreveu o filósofo Nietzsche (1844-1900) em sua obra Aurora. Pode parecer absurdo esse aforismo, mas são provocações como essa que despertam em nós, professores, reflexões sobre o que já fizemos e sobre o que podemos fazer agora na volta às aulas.

O título da obra nietzschiana vem a calhar para essa reflexão, se nos utilizarmos de algumas imagens bem desgastadas, mas válidas ainda. Aurora é aquele momento de claridade no horizonte, anunciando o nascer do sol. Pode simbolizar a passagem da ignorância (a escuridão) para a luz (o conhecimento). Não por acaso durante muito tempo foi usado, de uma forma equivocada, o significado da palavra “aluno” como “aquele que não tem luz”, “que vive nas trevas”. No entanto, é certo que a criança chega à escola já sabendo uma porção de coisas, ainda mais com o crescimento das novas – já nem tão novas assim – tecnologias. Segundo os linguistas, na verdade, aluno significa “criança de peito, lactente”, ou seja, é aquele indivíduo que precisa ainda receber os cuidados necessários como a nutrição e a proteção. Nesse caso, a escola deve fornecer a ele o alimento diferenciado, o qual não recebe em casa, que é o saber acumulado pela humanidade. E também deve protegê-lo num ambiente acolhedor para que ele se sinta como se estivesse no seio da sua própria família.

A aurora também representa um novo dia, por conseguinte, a renovação. Cada ano letivo é um ano diferente. A escola é uma das poucas instituições da sociedade que lutam contra o “mais do mesmo”. Como o deus Jano – porteiro do céu na mitologia romana, que tinha duas cabeças, uma olhando para a frente e outra para trás – planejamos os próximos meses, através de novas ideias e teorias que serão postas em prática, mas não esquecemos o passado, que nos ensina com os erros e os acertos.

Mas o que, afinal, o filósofo quis dizer com seu aforismo? Que devemos orientar o aluno a ir contra nós, professores? Minha interpretação bem pessoal e otimista é de que devemos orientar o aluno a não se deixar ser um adulto como os que temos hoje, que estão destruindo o mundo. A humanidade do mestre estaria em nutrir o aluno para que ele siga um caminho diferente, sendo criativo e questionador das verdades estabelecidas, contribuindo, assim, para um mundo melhor, atitude que nós, adultos, não estamos conseguindo fazer. O discípulo deve, para tanto, superar o mestre. Já numa interpretação pessimista... bem, deixemos o pessimismo pra lá.

Fonte: Cassionei Niches Petry/Professor
Jornal Gazeta do Sul  22/02/2011
cassio.nei@hotmail.com

sábado, 12 de fevereiro de 2011

PROFESSOR EM EXTINÇÃO

Há alguns anos, tenho feito, com frequência, a seguinte pergunta aos meus alunos: “quem de vocês pensa em fazer o vestibular para o curso de Letras?” Em uma turma com cerca de 180 estudantes, uns três costumam erguer o braço, timidamente e sem muito entusiasmo. Aposto que mais uns dois vestibulandos gostariam de se manifestar, mas não o fazem por vergonha. Vergonha da desvalorização da profissão, do descaso de algumas lideranças políticas com o magistério.

É claro que há professores incompetentes, preguiçosos e que vivem reclamando dos baixos salários. Mas isso ocorre em qualquer área. Nada justifica o fato de um educador receber um contracheque insignificante. A maioria dos professores, no início da carreira, não tem dinheiro para comprar nem um livro. Dessa forma, como esses profissionais poderão se atualizar? Com que recursos investirão em conhecimento e informação? Nada se faz sem verbas.

Ser professor não é para qualquer pessoa. Lecionar não significa, simplesmente, despejar um monte de conteúdos. Dar uma boa aula requer talento, disposição, criatividade, conhecimento técnico e, claro, um salário justo. Ser professor não é “fazer bico”. Para ser um bom professor é preciso, ao mesmo tempo, respeitar e ser respeitado. É saber dizer as coisas na hora certa. É conseguir impor limites e estabelecer regras, sem ser autoritário. É tentar uma aproximação amigável com os alunos, mas sem esquecer que, dentro da sala, o professor é quem manda. Tudo isso só se aprende com o exercício da profissão, com a prática.

Os docentes necessitam, urgentemente, ganhar mais dinheiro. Por outro lado, uma remuneração interessante não pode, em hipótese alguma, levar os educadores à acomodação profissional. Existem professores que deveriam estar fazendo qualquer outra atividade, exceto ministrar aulas, já que não possuem didática para fazê-lo. E isso acontece inclusive nas universidades, onde os rendimentos financeiros são muito melhores do que nas escolas.

Daqui a alguns anos, não haverá mais professores capacitados e motivados. E, por conseguinte, não haverá educação de qualidade. E, assim, as escolas e universidades formarão criaturas ignorantes e patéticas. Não obstante, esse retrocesso poderá ser detido, contanto que haja mais investimentos em infraestrutura nas instituições de ensino; os professores tenham mais proteção em relação à indisciplina dos alunos; e o magistério receba uma valorização digna.


Fonte: Luciano Corrêa Iochins/Jornalista e professor de Língua Inglesa e Língua Espanhola
          Jornal Gazeta do Sul/Opinião/10/02/2011

sábado, 18 de dezembro de 2010

A VALORIZAÇÃO DOS PROFESSORES

O fato de o Brasil ter pela frente boas perspectivas de crescimento e, contudo, apresentar resultados ruins no que diz respeito ao aprendizado de seus alunos é algo a ser equacionado. Agora mesmo, o Banco Mundial está alertando o país de que esse impasse na educação não será superado sem investimentos adequados na área educacional e, principalmente, numa remuneração compatível para os professores, dada a importância de suas atividades.

O ministro Fernando Haddad, da Educação, concorda com esse diagnóstico e afirma que é preciso diminuir o fosso que existe entre os salários do magistério com os vencimentos de outros profissionais de formação superior. O professor, segundo ele, recebe hoje uma quantia que gira em torno de 40% a menos do que em outras carreiras. Melhorar essa relação é a saída para atrair jovens talentosos ao trabalho em sala de aula, ensinando outros jovens e melhorando a qualidade de ensino, com reflexos benéficos na inclusão social e na produtividade, pois quem aprende melhor produz mais e consegue melhores oportunidades na vida.

Nas eleições, a educação sempre aparece como prioridade nos programas, mas a atenção recebida dos governos não condiz com o discurso de campanha. Além disso, alocação de recursos em escolas e em professores nem sempre tem visibilidade imediata, o que faz com que verbas sejam levadas para obras que possam ser inauguradas à vista de todos. Inverter tal lógica é o desafio não só do próximo governo que assume na esfera federal como de todos os governadores eleitos, que, a par dos gestores municipais, deverão resgatar compromissos e efetivar ações que levem o país, finalmente, a melhorar índices educacionais. Formar um cidadão crítico e em condições de contribuir para o desenvolvimento do país é um papel que a escola pode e deve cumprir.

Fonte:Editorial Jornal Correio do Povo  18/12/2010