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segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Estudo mostra que demarcar terras indígenas melhora saúde da população

 
Doenças respiratórias e infecciosas aumentam onde há menos proteção

Um estudo liderado por pesquisadoras brasileiras juntou dados dos primeiros 20 anos deste século e concluiu que as Terras Indígenas, principalmente as legalizadas, tem impacto real na mitigação de doenças causadas por queimadas e nas doenças infecciosas tropicais em cidades localizadas a um raio de até 500 quilômetros de distância.

A análise foi possível após uma coleta de dados extensa, que incluiu os nove países que compõem a região amazônica. Em um estudo paralelo, as pesquisadoras avaliaram o impacto das terras indígenas na Mata Atlântica, com resultado semelhante.

"Nossas descobertas reforçam a importância do reconhecimento legal das Terras Indígenas (TIs), não apenas para conter o desmatamento, mas também para melhorar a saúde humana local", diz o estudo, publicado este mês na revista científica Nature.

"O equilíbrio entre os modos de vida tradicionais autóctones e a sustentabilidade dos recursos naturais é frágil e pode ser enfraquecido por mudanças socioeconômicas e ambientais, levando potencialmente ao colapso das populações animais e ameaçando a dinâmica ecológica essencial para preservar o surgimento de doenças."


Fumaça de queimadas

A pesquisa, liderada por Julia Barreto, do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP), e por Paula Prist, do Forests and Grassland Program, da União Internacional pela Conservação da Natureza, instituto de pesquisa sediado em Washington (EUA), avaliaram dados entre os anos 2000 e 2019, analisando o impacto de material particulado proveniente das queimadas com dimensões inferiores a 2,5 micrômetros.

A escolha por este poluente tem relação com o impacto que ele provoca na saúde: irrita mucosas, afeta a respiração, causando doenças respiratórias, e se acumula no sistema sanguíneo, aumentando a incidência de doenças cardiovasculares, explicou Paula Prist. Além disso esse material viaja a até 500 quilômetros de distância dos focos de queimadas, carregado pelos ventos.

"A gente acaba usando duas maneiras de tentar entender de uma maneira mais completa o que ocorreu. Fazemos inferências a partir de grandes extensões de dados, no tempo e no espaço. O ideal é quanto mais tempo e mais espaço se tem, mais podemos enriquecer o nosso modelo, inclusive quando pensamos no método de estatística usado. Isso enriquece a base de dados, embora seja um desafio pois aumenta a complexidade do que temos de analisar", explicou Julia Barreto à Agência Brasil.

"A maior importância disso é a de que, quanto mais anos a gente tem, menor fica a variação decorrente de anos atípicos. Dessa forma os diferentes fatores que afetam o cenário – político, social, pandemia, ciclos de clima – impactam menos no nosso resultado. A série temporal longa permite mais acurácia na pesquisa, com uma resposta mais robusta", complementa Paula Prist.

Com estes dados iniciais as pesquisadores estabeleceram uma rede de colaboração com cientistas dos demais países que formam a Amazônia: Colômbia, Venezuela, Equador, Peru, Bolívia, Suriname, Guiana Francesa e Guiana.

A rede buscou dados que pudessem ser comparados sobre doenças causadas por poluição e por agentes infecciosos, como a malária, a Leishmaniose e o Hantavírus. Também cruzaram informações sobre populações indígenas nos nove países, em terras legalmente protegidas ou não.

Resultados

As conclusões apontam que as TIs protegidas legalmente diminuem o impacto de queimadas, seja na quantidade de focos, seja na extensão do dano (área queimada e quantidade de material emitido), além de terem impacto na disseminação das doenças infecciosas.

"Analisamos a população inteira da Amazônia. Precisa-se de muito mais floresta para proteger um município degradado. O contexto do município é importante nessa equação. A Terra Indígena protegida equilibra toda a região", explica Paula Prist.

O trabalho confirmou a hipótese de que os territórios indígenas legalmente reconhecidos oferecem maiores benefícios colaterais para a saúde humana devido à eventual redução da exploração e à maior integridade florestal em comparação com as terras indígenas não reconhecidas.

A associação entre essas terras e os benefícios à saúde foram classificadas como complexas, não lineares e variando de acordo com as doenças estudadas. Dessa forma diferentes configurações de preservação (áreas maiores ou menores, mais ou menos densas) têm influência diferente de acordo com vetores e características dos agentes causadores das moléstias.

Para as doenças respiratórias, ampla maioria dos casos analisados, a relação é bem direta: quanto maior a integridade e extensão das áreas de floresta menor é o impacto na saúde dos moradores.

Um dado interessante levantado no estudo é o de que municípios com maior devastação nas áreas fora das terras indígenas precisam mais destas reservas para compensar os impactos de queimadas. Em municípios com áreas preservadas abaixo de 40% essa influência decai a ponto de ser residual, principalmente para as doenças infecciosas.

Um dos mecanismos que o estudo observou é o de que as áreas florestais e, particularmente, os territórios indígenas, podem desempenhar um papel fundamental na mitigação da poluição do ar, removendo o material particulado do ambiente por meio do processo de deposição seca.

Portanto, proteger mais áreas florestais sob o manejo dos povos indígenas poderia reduzir significativamente os poluentes atmosféricos e melhorar os resultados de saúde humana.

Outros fatores, como a estrutura da paisagem e a perda remanescente de biodiversidade, mas também a exposição humana, o comportamento e fatores socioeconômicos são importantes nessa dinâmica, mas necessitam de estudos locais para se transformar em políticas públicas de saúde.

"Uma mensagem central do trabalho é que a gente trouxe mais uma evidência do papel dos territórios indígenas e de sua proteção. A importância desses territórios está além do reconhecimento do direito ancestral. Eles têm um papel sobre a saúde humana, com evidências de seus benefícios", conta Julia Barreto.

A pesquisadora destaca que o alcance dos benefícios para a saúde vai além dos indígenas que moram nos territórios demarcados, beneficiando moradores de cidades próximas.

"Nos nossos dados e em outros trabalhos percebemos um impacto também na proteção desses territórios na saúde das populações próximas. As TIs têm um serviço ambiental importante, uma capacidade de tornar paisagens mais saudáveis para toda a região", conclui Julia.

A pesquisadora do IEA citou ainda a importância da rede formada no levantamento e da qualificação dos dados:

"Foi uma parte muito rica e muito legal desse trabalho, levantando questões que podem ser respondidas mais a frente."

Os dados levantados pela rede estão disponíveis gratuitamente para outros grupos, como forma de devolver à sociedade a oportunidade de trabalhar o tema e reconhecimento do papel colaborativo da ciência.

Fonte: Agência Brasil


sábado, 4 de janeiro de 2025

Brasil tem 1 milhão de focos de queimada registrados em 5 anos

 











Dados da plataforma Terrabrasilis, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que concentra informações de satélite sobre cobertura vegetal, desmatamento e queimadas, indicam que o país teve 1 milhão de focos de queimada entre os anos de 2020 e 2024. Nesse intervalo, o ano com maior quantidade de registros foi justamente o de 2024, o que ocorreu, segundo o Ministério do Meio Ambiente e da Mudança do Clima (MMA), em razão de seca excepcional – segundo a pasta a pior nos últimos 74 anos.

A maior parte dos focos está concentrada em cinco estados. Foram 628.365 focos em cinco anos, no Pará (200.685), em Mato Grosso (171.534), Amazonas (97.885), Maranhão (97.124) e Tocantins (61.137). Seu desenho, uma estrada de fogo que corta o meio do país, coincide com áreas de expansão agrícola, principalmente para soja e pasto, e com regiões marcadas pela grilagem e pelo garimpo. Todos esses estados tiveram aumento de focos de incêndio na comparação entre 2024 e 2023, com destaque para Mato Grosso, com aumento de 130%, e para o Tocantins, com alta de 78%.

A novidade, em 2024, está no aumento de incêndios em áreas classificadas como sem Cadastro Ambiental Rural (CAR), ou seja, áreas que não são propriedades rurais. Entre 2020 e 2023, esse tipo de registro esteve no patamar de 20% do total nos cinco estados com mais registros, nos meses críticos (agosto e setembro), mas em 2024 o percentual saltou para 29,2%. Também houve aumento da participação de grandes propriedades, de uma média de 35% para o patamar de 40% dos registros.

O aumento acelerou a resposta dos governos. No âmbito federal, foi concluída a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, que inicia 2025 em funcionamento, o que, segundo o MMA, garantirá o fortalecimento da articulação junto a estados e municípios, fator considerado crucial para alcançar respostas mais céleres em relação aos incêndios. A política foi criada em meio à crise, em julho de 2024, após a seca atingir duramente a região do Pantanal, e coordena a ação de União, estados e municípios, além de sociedade civil e organizações privadas.

A pasta informou que haverá a destinação de R$ 280 milhões do Fundo Amazônia para o combate a incêndios nos estados, e que se somam a cerca de R$ 650 milhões do Orçamento federal. O objetivo é evitar outro “pior ano”, pois desde 2010 não houve registro de tantos focos quanto em 2024.

O registro de maior número de focos não significa necessariamente maior área queimada. Em São Paulo, estado com maior crescimento de focos (422%, com 8.712 focos registrados em 2024), o aumento de área queimada esteve abaixo de 2% nas áreas de conservação, e os focos se concentraram em propriedades rurais, especialmente nas lavouras de cana-de-açúcar.

Diretor executivo da Fundação Florestal, Rodrigo Levkovicz faz a gestão das áreas de conservação no estado. Ele acompanha todo o ciclo de preparação e combate aos incêndios, inclusive em campo, e concorda com o motivo apontado pelo MMA: os incêndios aumentaram pois as condições climáticas são mais severas do que nos últimos anos. Para ele, que acompanhou as últimas rodadas de Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COPs), a expectativa é de efeitos mais severos, o que demanda melhoria no planejamento.

“Não adianta termos tido uma boa resposta esse ano e acharmos que será a mesma coisa em 2030. Teremos de planejar ano a ano, aumentar a [qualidade e velocidade] das respostas e a ação com municípios, governo federal e organizações civis”, defendeu. “Estamos em um momento de reavaliar a forma como ocupamos a terra, repensando as lavouras adequadas para os diferentes ambientes”, completou o ex-procurador do estado.

A reportagem também entrou em contato com os governos do Pará, de Mato Grosso, do Amazonas e do Maranhão. Amazonas e Pará não responderam. A reportagem será atualizada em caso de manifestação.

O governo do Maranhão informou ter consolidado Plano de Ação para os anos de 2024 a 2027, além de ter “reforçado o monitoramento de áreas degradadas, intensificado as fiscalizações ambientais e implementado a apuração de infrações". "Outro destaque é o Programa Floresta Viva-MA, voltado à preservação florestal, recuperação de áreas degradadas e valorização dos serviços ecossistêmicos. Com seis eixos principais, o programa incentiva práticas sustentáveis por produtores rurais, comunidades tradicionais e outras populações estratégicas, promovendo a conservação para as atuais e futuras gerações”, informou, em nota. O estado teve 97 mil focos registrados desde 2020, porém não tem aumento considerável desde 2022, quando chegou ao patamar de 20 mil focos.

O governo de Mato Grosso informou, também por meio de nota, que aplicou “R$ 205,6 milhões em multas por uso irregular do fogo". "Nesse período, mais de 20 pessoas foram presas e 112 indiciadas pela Polícia Civil por provocar incêndios.” Segundo a nota, o estado passou pela “pior seca enfrentada nos últimos 44 anos. Com isso, o material orgânico seco se acumulou, o que facilitou a combustão”. Mato Grosso teve mais de 170 mil focos registrados no período, dos quais 50 mil somente em 2024.

Fonte: Agência Brasil

quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Manejo com fogo, contrafogo e queimada - entenda a diferença











O uso controlado de fogo como instrumento na agricultura e na prevenção de queimadas é instrumento importante para o combate aos incêndios descontrolados e queimadas, porém demanda conhecimento técnico e qualificação dos profissionais que irão aplicá-lo. Seu uso foi regulado no final de julho, por meio da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, e é avaliado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) como estratégia integrada e relacionada aos aspectos sociais, saberes tradicionais e técnicas, com fins de conservação dos ecossistemas naturais, diminuição de conflitos sociais relacionados a seu uso e de incêndios, principalmente em áreas remotas.

Para entender um pouco mais sobre o manejo com fogo, a Agência Brasil consultou especialistas. Vladimir Arraes, coordenador da Operação São Paulo sem Fogo, que organiza os esforços do governo paulista na prevenção de queimadas e incêndios criminosos ou acidentais nos meses de seca, explicou que uma das principais ferramentas é a Queima Prescrita, que consiste em uma técnica planejada e controlada de uso do fogo, empregada por especialistas (geralmente brigadistas ou engenheiros florestais) para reduzir a quantidade de material combustível (como folhas secas, galhos e vegetação densa) em área específica. Seu uso, comum em unidades de conservação como as geridas pela Fundação Florestal, na qual Arraes atua, ajuda a prevenir incêndios descontrolados e a manter a saúde de ecossistemas que dependem do fogo. "É executada em condições meticulosamente monitoradas, como clima adequado, umidade e ventos moderados, para garantir que o fogo fique confinado à área planejada. Seus efeitos são benéficos para o manejo ambiental, prevenindo incêndios maiores e promovendo a biodiversidade", completa o gestor.

Outra técnica importante é o uso de fogo como instrumento para controlar incêndios, o chamado contrafogo. Se trata do "fogo ateado de encontro a um incêndio florestal ou campestre para impedir-lhe a propagação, técnica que exige conhecimento especifico de manejo", completa Arraes. Ambas as técnicas são de uso de brigadistas, bombeiros técnicos e engenheiros florestais.

A queimada controlada, por sua vez, é o uso do fogo para fins agrícolas, e pode ter diferentes finalidades, como explicou o professor Edson Vidal, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP), para quem "o uso do fogo foi e sempre será uma alternativa viável em alguns contextos e biomas como o cerrado, desde que siga orientações técnicas e científicas. O fogo é ferramenta de manejo importante por contribuir para promover resultados ecológicos. O manejo da queimada deve levar em consideração a frequência, intensidade e época da queima e se o período não é atípico como agora, em que a seca extrema aliada à umidade baixa deixa os recursos florestais bem suscetíveis ao fogo". Ela pode ter diversas finalidades e deve ser autorizada pelos órgãos de controle estaduais. 

Entre as funções que pode desempenhar estão o controle, com estímulo ou diminuição de nutrientes disponíveis no solo, da produção de folhas e frutos ou mesmo de algumas espécies de animais ou plantas em uma região, ou ainda para ralear ou adensar a vegetação. "Dessa forma, o uso do fogo pode ser instrumento de manejo e contribuir para a manutenção de pastagens naturais protegendo ecossistemas do Cerrado de forma adequada e com poucos recursos financeiros investidos", complementa o professor. Embora haja alternativas em estudo, sua popularização depende de recursos técnicos mais complexos, como é o caso de alternativas com uso de maquinário para trituração de vegetação, que pode ser usada como adubo verde no lugar do fogo, explicou Vidal.

Tanto a queimada quanto o incêndio descontrolados e sem finalidade são crimes, com reclusão que pode variar de seis meses a quatro anos, dependendo da intenção e dos meios usados. Seus impactos são intensos e foram experimentados nos últimos meses, quando o país viu a quebra de marcas históricas de incêndios em diversos biomas.

Fonte: Agência Brasil

quarta-feira, 18 de setembro de 2024

Efeitos da fumaça na saúde preocupam especialistas

 











O excesso de fuligem e fumaça no ar, associado ao clima seco que atinge boa parte do país, tem causado mal-estar a muitas pessoas, em especial crianças e idosos. A situação é preocupante, diz a presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), Margareth Dalcolmo.


“Nós, especialistas, estamos profundamente preocupados com o dano, muitas vezes agudo, [que a baixa qualidade do ar causa] ao aparelho respiratório. Estão causando rinites, asma, bronquite aguda e muita alergia respiratória, comprometendo crianças e, sobretudo, idosos, grupos que são sempre os mais vulneráveis a esse dano”, disse Margareth nesta segunda-feira (16) em entrevista à Rádio Nacional.

De acordo com a especialista, há certa dificuldade para fazer uma avaliação precisa sobre o nível de dano causado às pessoas, uma vez que é grande a variedade de substâncias danosas à saúde pairando no ar. “Não podemos, até o momento, definir se será um dano definitivo ou temporário, porque o que está circulando nessa poluição atmosférica – associado à extrema secura do ar, com falta de umidade e de chuva – contém muitas substâncias extremamente nocivas”, disse a pneumologista.

Ela explica que a fumaça liberada pelos incêndios contém misturas de gases tóxicos e de partículas muito finas que prejudicam os alvéolos pulmonares. “Elas também produzem monóxido de carbono, dióxido de enxofre, compostos orgânicos voláteis. Todos esses poluentes podem causar ou agravar doenças respiratórias. E, quando se agrava, para pessoas que são asmáticas ou com enfisema pulmonar, é um desastre.”

Só na cidade de São Paulo, lembra a médica, já foram registrados valores de substâncias poluentes maiores do que o encontrado na cidade de Cubatão, no interior do estado. “A Organização Mundial da Saúde recomenda não ultrapassar 45 microgramas, três a quatro dias por ano. Nós estamos ultrapassando 300 microgramas. É muito grave isso”, disse.

Cuidados

Margareth Dalcolmo afirma que não há muito o que fazer para se proteger, mas ressalta que algumas recomendações podem ser seguidas, como, por exemplo, ficar em casa o máximo possível; e ventilar, de maneira cuidadosa, a casa, sem deixar partículas da área externas entrarem nos ambientes. “E tem de [se] hidratar muito. É muito importante que as pessoas bebam o dobro do volume de água que costumam beber no dia”, acrescentou.

Diante da situação, o Ministério da Saúde pretende atualizar normas e recomendações à população, sobre cuidados que devem ser tomados para evitar que a má qualidade do ar prejudique ainda mais a saúde das pessoas. A SBPT, inclusive, foi convidada a participar da elaboração dessas medidas, em reunião prevista para amanhã (17), com autoridades ministeriais e especialistas.

A presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia diz que não tem dúvida de que o sistema de saúde sofrerá um grande impacto, devido à maior incidência de doenças respiratórias na população. “Na verdade, já está trazendo, comprometendo e limitando a capacidade de atendimento de nossas emergências, nossas clínicas da família.”

Perguntada sobre qual seria o momento de as pessoas buscarem a ajuda dos serviços de saúde, a pneumologista disse que isso deve ser feito quando se começa a sentir desconforto e falta de ar. “Se a pessoa já é portadora de uma condição respiratória, certamente tem sua medicação de rotina. Então, talvez, precise apenas usar uma dose maior da sua medicação de rotina”, afirmou.

“[A priori,] quem deve procurar a emergência são as pessoas mais idosas ou crianças que estejam no início do sofrimento respiratório, sentindo-se muito mal e que estejam em uma condição que não pode ser contornada em casa”, complementou.

Na opinião da médica, o uso de máscara é questionável, uma vez que os modelos ideais são mais caros e estão menos disponíveis. “As máscaras cirúrgicas ou de outros tecidos protegem muito pouco porque têm poucas horas de duração e não filtram os materiais particulares muito pequenos.”


Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 26 de agosto de 2024

Confira as orientações para amenizar efeitos da fumaça na saúde


Fechar portas de janelas está entre as recomendações

Além das ações de combate aos incêndios que vêm ocorrendo em diversas regiões do país, é preciso que a população esteja orientada sobre como se proteger e evitar, sempre que possível, a exposição aos poluentes e à fumaça intensa e à neblina, causadas pelo fogo.
Entre as recomendações do Ministério da Saúde estão o aumento da ingestão de água e de líquidos, como medida para manter as membranas respiratórias úmidas e, dessa forma, ficarem mais protegidas. O tempo de exposição deve ser reduzido ao máximo, devendo manter a permanência em local ventilado dentro de casa, se possível com ar condicionado ou purificadores de ar. Para reduzir a entrada da poluição externa, durante os horários com elevadas concentrações de partículas, as portas e as janelas devem ser mantidas fechadas. As atividades físicas devem ser evitadas em horários de elevadas concentrações de poluentes do ar, e entre o meio dia e as 16h, quando as concentrações de ozônio são mais intensas.

É recomendável ainda a utilização de máscaras do tipo cirúrgica, pano, lenços ou bandanas para diminuir a exposição às partículas grossas, especialmente para populações que residem próximas às áreas de focos de queimadas. A medida reduz o desconforto das vias aéreas superiores. Já máscaras de modelos respiradores tipo N95, PFF2 ou P100 são adequadas para reduzir a inalação de partículas finas.

As recomendações devem ser seguidas por toda a população e a atenção deve ser redobrada em crianças menores de 5 anos, idosos maiores de 60 anos e gestantes.

Ao sinal de sintomas respiratórios ou outras ocorrências de saúde a pasta indica a busca imediata de atendimento médico. “Pessoas com problemas cardíacos, respiratórios, imunológicos, entre outros, devem buscar atendimento médico para atualizar seu plano de tratamento, manter medicamentos e itens prescritos pelo profissional médico disponíveis para o caso de crises agudas, buscar atendimento médico na ocorrência de sintomas de crises e avaliar a necessidade e segurança de sair temporariamente da área impactada pela sazonalidade das queimadas”, completou.

Sob a coordenação do Ministério da Saúde, o monitoramento de áreas que sofrem a influência da queima de biomassa é um dos campos de atuação da Vigilância em Saúde Ambiental e Qualidade do Ar (VIGIAR) e da Sala de Situação Nacional de Emergências Climáticas em Saúde.

Os dados desse monitoramento são enviados, semanalmente, pelo Ministério da Saúde aos estados e ao Distrito Federal no Informe Queimadas, com orientações para evitar a exposição da população às condições adversas.

Fonte: Agência Brasil

sábado, 18 de agosto de 2012

Rio Acre atinge níveis cada vez mais extremos na seca e na cheia













Estudos hidrológicos feitos por técnicos da Secretaria de Meio Ambiente do Acre (Sema) em parceria com a Agência Nacional de Água (ANA) demonstram que o Rio Acre tem apresentado níveis cada vez mais extremos, tanto nas enchentes quanto nas secas. Em 2011, o rio atingiu uma lâmina d’água de 1,5 metro, a segunda pior em 40 anos. A tendência é que a seca deste ano, que vai de agosto a outubro, a situação seja ainda pior.
A assessora técnica e engenheira florestal da Sema, Vera Reis, disse que as medições do nível do rio chegaram a 2,05 metros no início da estiagem. “Até meados de setembro, a tendência é que ele continue baixando”, acrescentou.
Segundo a técnica, os estudos apontam que as “alterações extremas” do Rio Acre são causadas pelo desmatamento, por ocupações irregulares, pelas queimadas e pela expansão das estradas. No período de estiagem, o rio é abastecido por lençóis freáticos que ficam comprometidos por essas ações.
“Nesta fase temos problemas de desabastecimento fortíssimo”, ressaltou Vera Reis. “Todas essas ações predatórias, além de outras, comprometem a vazão do Rio Acre ajudando na provocação de cheias que atingem boa parte da capital acriana”, disse.
Outro problema é a pouca informação sobre o comportamento hidrológico do rio. Em 2011, por exemplo, os técnicos da Sema consideravam que não haveria estiagem forte devido o longo período de cheia do rio, com fase crítica em abril. “Em 11 de setembro, tivemos a maior seca dos últimos 40 anos”, contou Vera Reis.
Em janeiro de 2012, o alagamento atingiu 17,6 metros, enquanto que o nível médio é 7,5 metros. O estado de alerta, segundo a técnica, é dado quando o nível do rio atinge 13,5 metros, momento em que água começa a entrar e alagar casas de moradores em bairros ribeirinhos.
Para melhorar a avaliação preventiva de cheias e secas, foi montada uma Unidade de Situação na Universidade Federal do Acre. Em parceria com a ANA, a unidade deve iniciar o funcionamento a partir deste ano, estima a técnica.
“Esta unidade moderniza nossa rede de hidrometeorologia que recebe informações sobre ocorrências de chuvas, níveis do rio e quando elas atingirão as cidades”, disse Vera Reis. O monitoramento permitirá aos bombeiros e à Defesa Civil adotar medidas preventivas capazes de minimizar as consequências das enchentes.
Estão sendo tomadas também medidas de conservação e preservação do Rio Acre. Entre elas, a recuperação de nascentes e plantio de mudas frutíferas em habitações ribeirinhas. A técnica informou que já foram plantadas 3 milhões de mudas para a recuperação de matas ciliares e nascentes do rio.
A falta de saneamento básico em bairros na beira do rio, como o Taquari na capital Rio Branco, é outro desafio a ser enfrentado. Ao visitar o bairro, a reportagem da Agência Brasil constatou derramamento de esgoto não tratado nas margens do rio. Os moradores não têm água potável, nem rede de esgoto.
Dada a forte estiagem em alguns pontos, é possível atravessar a pé o rio de uma margem à outra. A dona de casa e moradora do Taquari, Maria das Dores de Santana, 67 anos, reconhece que, apesar da poluição, usa a água do rio para cozinhar.
“Às vezes, eu uso a água do rio para cozinhar. Eu trato, coloco hipoclorito e uso. Graças a Deus até hoje não deu problema de saúde”, contou a moradora, que no período das cheias foi obrigada a deixar a casa onde vive. Para beber, ela disse que a filha compra galões de água potável.
Antônio Ferreira de Oliveira, pedreiro, 35 anos, também mora no bairro. Porém, pagou cerca de R$ 400 para construir um poço, chamado de cacimbão. Ribeirinho desde que nasceu, Antônio reconhece que “antigamente” o comportamento do rio nos períodos de chuvas e de estiagem não era tão severo.
“Ninguém sabe o que está acontecendo, o clima tá muito quente, amigo”, disse Antônio. O vizinho dele, Raimundo Lima Rebouças, 67 anos, teme que seu poço fique seco em um mês por causa do agravamento da seca. Diante da falta de água, o auxiliar de portaria de uma escola pública disse que compra 500 litros do caminhão-pipa.  A quantidade dá para beber, cozinhar, tomar banho e lavar roupa durante quatro ou cinco dias.
A cada compra, Raimundo Lima desembolsa R$10. Para quem tem caixa d'água com capacidade de mil litros, o custo dobra – o que movimenta uma verdadeira indústria de caminhões-pipa que vendem água nas comunidades pobres.




Agência Brasil 

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

QUEIMADAS MUDAM ROTINAS DE ANIMAIS SILVESTRES

As queimadas que se espalham pelo país afetam diretamente a vida dos animais silvestres. Nos últimos dias, especialistas da Floresta Nacional de Brasília (Flona) e agentes da Polícia Ambiental resgataram várias espécies, de pássaros raros a tatus e tamanduás. O biólogo Léo Gondi, analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), alertou que os impactos a médio e longo prazo são assustadores.
“Há um impacto terrível. [Antes das queimadas] os animais tinham um território, agora eles se veem obrigados a buscar outro local que está ocupado por animais, na maioria das vezes predadores”, disse o biólogo. “É um problema gravíssimo, pois os animais que mudam de habitat são expulsos do seu [ambiente] natural e enfrentam a escassez de comida”.
Apenas nos últimos dias, o ICMBio contabilizou 56 animais silvestres que tentavam escapar das queimadas na região da Flona. Foram recolhidos lobos-guará, tamanduás-bandeira, veados campestres e papagaios. Também foram acolhidos, machucados, um veado e um tamanduá-bandeira. Foram encontradas três cobras mortas.
Segundo Gondi, o animal silvestre, quando tem seu território destruído, sai em busca de outro local para viver. Quando o encontra e o local está sob domínio de espécies distintas ou até mesmo de animais da sua espécie, surge uma disputa por espaço. De acordo com ele, os animais passam a se enfrentar e sobrevive o mais forte. “A média de uma queimada a cada dois anos é ruim para manter a sobrevivência das espécies”, advertiu.
O especialista disse que as queimadas geram a extinção de espécies ou sua drástica redução, além da adaptação forçada a um novo habitat. O biólogo acrescentou que os efeitos das queimadas também pesam sobre os recursos hídricos e a vegetação como um todo.
Fonte:Agência Brasil 14/09/2011