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terça-feira, 11 de março de 2025

Há cincos anos, a chegada da covid-19

 








Primeiros casos no exterior

Janeiro de 2020. O mundo assistia, ainda sem entender direito, à propagação de uma nova doença. Na China, os casos se multiplicavam e os primeiros registros de mortes chegavam. Rapidamente, a covid-19 começava a se alastrar por vários países: Itália, Espanha e Estados Unidos. Os países decidem pelo lock down, isto é, pedir para que as pessoas ficassem em casa e que apenas serviços essenciais fossem mantidos.

Enquanto isso, em fevereiro de 2020, o Brasil se preparava para mais um carnaval. Como se a ameaça ainda estivesse muito distante. No dia 26 de fevereiro de 2020, o país confirmou o primeiro caso de covid-19. No dia 12 de março, a primeira morte também foi registrada: a empregada doméstica Rosana Aparecida Urbano, de 57 anos.

A médica infectologista Mirian Dal Ben relembra. "Eu me lembro de andar pela rua, vindo para cá a pé e a rua completamente vazia. E no hospital, aquela sensação de um tsunami que estava chegando, com muita gente chegando (em estado) bastante grave", afirma.

No dia 11 de março, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que o mundo enfrentava uma pandemia. Andrea Barcelos é enfermeira e trabalhava em um hospital. De um dia para o outro, os casos começaram a dobrar.

"Eu me lembro que a gente começou a receber mais casos, não era mais um, dois, três. Eram dez, quinze. Chegou um momento que a gente não tinha mais máscara", recorda.

Calamidade no Amazonas

Em dezembro de 2020, quando os casos continuavam se multiplicando no Brasil, o estado do Amazonas começou a enfrentar a falta de oxigênio. O que se intensificou nos primeiros meses de 2021. Dinne Leão viu o pai ser contaminado.

"Meu pai era uma pessoa tão saudável que eu acho que ainda existia aquele mito de que talvez só os mais idosos", destaca.

Aos 76 anos, Gerson Leão deu entrada em um hospital de Manaus com mais 70% do pulmão comprometido. Depois de um mês de internação, acabou morrendo. "Eu saía correndo no corredor, chamando a enfermeira, oxigênio muito baixo. Ela fazia a reanimação e ele voltava. Eu me perguntava: 'por que comigo? Por que com o meu pai?' E ao mesmo tempo eu pensava: 'mas não é só comigo, é com o meu pai e também todo o mundo está passando por isso'", lembra.

Para a professora de Saúde Pública da USP, Deyse Ventura, o que aconteceu na capital do Amazonas foi um crime.

"Manaus é um dos muitos episódios que, na nossa memória, passados quase cinco anos, pode ser interpretado como incompetência e nós estamos aqui para lembrar que não foi negligência e nem incompetência, foram crimes que tiveram cúmplices", enfatiza.

Em abril de 2021, o Brasil registrou mais de 4 mil mortes diárias. Andrea conta que durante todo este período teve que redobrar os cuidados para não contaminar seu filho único, que vivia com ela. O jovem fala sobre o distanciamento social.


"Foram longos meses evitando contato físico. Mas finalmente a gente conseguiu se abraçar de novo", diz Éric Barcelos, filho de Andrea.

E não era só nos hospitais que o medo era companheiro constante dos trabalhadores. O sepultador Luciano Teresin não queria contaminar a família: "Eu fiquei com medo de levar a morte para casa. Levar a morte para a minha esposa, de levar a morte para minha filha, de levar a morte para os meus irmãos", comenta.

Já o companheiro de profissão de Luciano, Wilker Paes, relembra que os enterros foram liberados para acontecer no período noturno. "Começou a vir um carro, às cinco da tarde, aí outro às seis, outro sete. Chegou oito horas da noite e, mesmo com a escuridão do cemitério, nós continuávamos nosso trabalho", diz.




Esperança com a vacina

Foi também em 2021 que o Brasil viu chegar a grande esperança: a vacina. O diretor-geral de Bio-manguinhos/Fiocruz, Maurício Zume, afirma que a produção do imunizante em tão pouco tempo foi graças ao empenho de todos os profissionais da ciência em todo o mundo.

"Foram seis meses, aproximadamente, que nós levamos. Um processo desse normalmente leva anos. Em seis meses nós conseguimos internalizar essa tecnologia e iniciar o processo de produção a partir de um IFA importado. E em julho de 2021 nós incorporamos também a produção do IFA. Então começamos a produzir a vacina totalmente aqui nas nossas instalações", pontua.

Mas o que era para ser comemorado, até hoje enfrenta uma resistência impulsionada pelas fake news. Prova disso é que apenas 30% de crianças com até cinco anos de idade e de idosos com mais de sessenta anos completaram o esquema vacinal contra covid.

A pesquisadora Ana Regina Barros Rêgo Leal, da Rede Nacional de Combate à Desinformação, afirma que "coisas que historicamente, que na história das pandemias, nunca foram contestadas, passaram a ser contestadas nesse momento, sobretudo com um incremento muito maior. E houve uma apropriação e isso foi levado para dentro das próprias instituições", afirma.

Fonte: Agência Brasil

sábado, 21 de julho de 2012

Padilha descarta ampliar vacinação contra gripe A na Região Sul


O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reafirmou hoje (20) que não há risco de uma epidemia da influenza A (H1N1) - gripe suína no Brasil, nem mesmo na Região Sul do país, onde a doença já matou 123 pessoas este ano. Ele descartou a possibilidade de ampliar a vacinação contra a gripe na região. Padilha destacou que a principal orientação do ministério é que o antiviral oseltamivir, de nome comercial Tamiflu, seja receitado aos pacientes assim que surgirem os primeiros sintomas da doença.
“Neste momento, eu diria que ele [oseltamivir] é até mais importante que a vacina, porque ela demora de 10 a 15 dias para garantir a proteção de imunidade à pessoa. Quando começa a aumentar o número de casos, o mais importante é a orientação correta aos profissionais de saúde do uso do Tamiflu de forma precoce, especialmente nas primeiras 36 horas”, disse o ministro, após participar do anúncio de liberação de verbas para o Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
Segundo Padilha, a situação atual é muito diferente da pandemia de 2009, quando mais de 2 mil pessoas morreram em decorrência da gripe A. “O que existe hoje é uma maior circulação do vírus e uma maior detecção também, já que aumentamos de 30 para 120 os pontos de coleta da amostra para diagnóstico do vírus”, avaliou. Dados do ministério apontam, até o último dia 12, 159 mortes em todo o país causadas pelo vírus H1N1.
Sobre o fato de dois terços das mortes estarem concentradas nos estados do Sul do país, Padilha explicou que a região têm histórico de maior número de casos de doenças pulmonares e gripe “por ser mais fria e por ter mais pessoas idosas, tendo em vista que a expectativa de vida é maior”. O ministro informou que foram analisados os perfis das vítimas da doença em Santa Catarina. “A grande maioria era do grupo de risco, que tinha indicação para tomar a vacina, ou o Tamiflu foi administrado de forma tardia”, declarou.
O ministro da Saúde alertou que não há dispensa da receita médica para o oseltamivir. “Ele [o remédio] tem que ser receitado pelo médico e o controle é feito pela prescrição. O que nós estamos fazendo é garantir um estoque suficiente na rede pública e orientando que o medicamento seja distribuído em todas as unidades, ficando próximo [acesso] à população. Desde maio, existe Tamiflu suficiente no Sistema Único de Saúde (SUS).”
Durante o evento na capital paulista, Padilha anunciou o aumento na liberação anual de recursos para o HC e para o Instituto do Coração (Incor). Serão mais R$ 80 milhões para os hospitais a cada ano. Com o incremento, a expectativa é que sejam ampliados, principalmente, o número de transplantes e cirurgias eletivas. Atualmente, 15,26% dos transplantes de São Paulo são feitos nas unidades de saúde. “Queremos, com isso, diminuir o tempo de espera da população. As pessoas ficam de seis meses a um ano esperando cirurgias eletivas, principais filas da rede pública”, disse.
O presidente do Conselho Deliberativo do HC, José Otávio Costa Aueler, garantiu que os novos recursos vão permitir maior oferta dos procedimentos indicados pelo ministério, mas não precisou quantos transplantes ou cirurgias poderão ser feitos a mais. “Nós teremos como avaliar posteriormente. Vamos precisar aumentar também o número de leitos de UTI [unidade de terapia intensiva], por exemplo, uma infraestrutura que já está sendo planejada. Dentro de um processo, esse aumento vai se efetivando.”
Agência Brasil