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quinta-feira, 2 de abril de 2026

Chikungunya: entenda doença que preocupa Mato Grosso do Sul

 

O governo federal reconheceu situação de emergência em saúde pública no município de Dourados (MS) em razão de doenças infecciosas virais, incluindo diversos casos de infecção por Chikungunya. Na última sexta-feira (27), a prefeitura já havia editado decreto declarando situação de emergência em áreas do município afetadas pela doença.

Dados do boletim epidemiológico divulgado pouco antes indicam 1.455 casos prováveis, 785 confirmados, 900 em investigação e 39 internações na área urbana. Também há 539 casos em investigação, 629 confirmados e 1.168 prováveis, além de sete internações, 428 casos com atendimento hospitalar e cinco óbitos confirmados na Reserva Indígena de Dourados.

Em nota, a Secretaria de Saúde de Mato Grosso do Sul informou que o estado vai receber doses da vacina contra o Chikungunya como parte de uma estratégia piloto elaborada pelo Ministério da Saúde. A inclusão do estado ocorre após solicitação formal ao governo federal, motivada pelo cenário epidemiológico de arboviroses registrado em Dourados, sobretudo em territórios indígenas.

A doença AE

A chikungunya é uma arbovirose cujo agente etiológico é transmitido pela picada de fêmeas infectadas do gênero Aedes. De acordo com o ministério, no Brasil, até o momento, o vetor envolvido na transmissão é o Aedes aegypti. Introduzido no continente americano em 2013, o vírus foi responsável por uma epidemia em diversos países da América Central e nas ilhas do Caribe.

No segundo semestre de 2014, o Brasil confirmou, por métodos laboratoriais, a presença da doença nos estados do Amapá e da Bahia. Atualmente, todos os estados registram transmissão do arbovírus. Em 2023, o ministério cita uma importante dispersão territorial do vírus no país, principalmente em estados da Região Sudeste. Anteriormente, as maiores incidências de chikungunya concentravam-se no Nordeste.

As principais características clínicas da infecção são edema e dor articular incapacitante, mas também podem ocorrer manifestações extra-articulares. Casos graves podem demandar internação hospitalar e evoluir para óbito. O vírus também pode causar doença neuroinvasiva, caracterizada por agravos neurológicos como encefalite, mielite, meningoencefalite, síndrome de Guillain-Barré, síndrome cerebelar, paresias, paralisias e neuropatias.

Sintomas

Os principais sintomas da infecção pelo vírus Chikungunya, de acordo com o ministério, são:

Febre;
dores musculares;
dor de cabeça;
dores intensas nas articulações;
manchas vermelhas pelo corpo;
dor atrás dos olhos;
dor nas costas;
conjuntivite não purulenta;
náuseas e vômitos;
edema nas articulações (geralmente as mesmas afetadas pela dor intensa);
prurido (coceira) na pele, que pode ser generalizada, ou localizada apenas nas palmas das mãos e plantas dos pés;
diarreia e/ou dor abdominal (manifestações do trato gastrointestinal são mais presentes em crianças);
dor de garganta;
calafrios.

Fases

Segundo a pasta, a doença pode evoluir em três fases:

Febril ou aguda, com duração de cinco a 14 dias;

pós-aguda, com curso de 15 a 90 dias;
crônica, caso os sintomas persistam por mais de 90 dias. Em mais de 50% dos casos, a artralgia (dor nas articulações) torna-se crônica, podendo persistir por anos.

“É possível que se desenvolvam manifestações extra-articulares, ou sistêmicas: no sistema nervoso, cardiovascular, pele, rins e outros”, destacou o ministério.

Diagnóstico

O diagnóstico da chikungunya tem componentes clínicos e laboratoriais e deve ser feito por um médico. Todos os exames laboratoriais para acompanhamento do quadro clínico e os testes diagnósticos (sorológicos e moleculares) estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).

Em caso de suspeita da doença, a orientação do ministério é que a notificação seja inserida no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan Online) em até sete dias. Já em caso de óbitos, a notificação deve ser feita à própria pasta em até 24 horas.

Deve-se considerar como caso suspeito paciente que apresente febre de início súbito, acompanhada de artralgia ou artrite intensa (dor nas articulações) de início agudo, não explicado por outras condições, residente em (ou que tenha visitado) áreas com transmissão até duas semanas antes de começar os sintomas, ou que tenha vínculo epidemiológico com caso confirmado.

Tratamento

O tratamento da infecção por Chikungunya é feito de acordo com os sintomas, já que, até o momento, não há tratamento antiviral específico para a doença. A terapia utilizada é analgesia e suporte.

A orientação do ministério aos profissionais de saúde é estimular a hidratação oral dos pacientes e que a escolha dos medicamentos seja realizada após a avaliação do quadro clínico, com aplicação de escalas de dor apropriadas para cada idade e fase da doença.

Em casos de comprometimento musculoesquelético importante, e sob avaliação médica conforme cada caso, pode ser recomendada ainda fisioterapia.

“Em caso de suspeita, com o surgimento de qualquer sintoma, é fundamental procurar um profissional de saúde para o correto diagnóstico e prescrição dos medicamentos, evitando sempre a automedicação”, reforçou a pasta, citando que a automedicação pode mascarar sintomas, dificultando o diagnóstico e agravando o quadro.

FONTE: Agência Brasil

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Chikungunya: como se proteger da doença que corre risco de causar nova epidemia, segundo OMS

 

Vírus disseminado pela picada do Aedes aegypti é endêmico no Brasil, atinge mais mulheres, e se expande pelo mundo devido às mudanças climáticas e à urbanização

A chikungunya é uma doença viral, transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, que vem chamando a atenção de autoridades de saúde no Brasil e no mundo.

Até agosto de 2025, aproximadamente 317 mil casos e 135 mortes foram relacionados à chikungunya em 16 países e territórios das Américas, África, Ásia e Europa, de acordo com o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC). Destes, quase 120 mil casos e 106 mortes foram relatados no Brasil, o país com a maior incidência e o maior número de óbitos pela doença das Américas, segundo a Organização Panamericana de Saúde (OPAS).

“A chikungunya é uma doença endêmica no Brasil, com surtos mais intensos em períodos chuvosos e regiões de clima quente, e com o mosquito adaptado às áreas urbanas. Por isso, precisamos manter atenção constante, mesmo fora de grandes epidemias, porque o risco sempre existe”, explica o gestor médico do Butantan, Eolo Morandi.

No Brasil, em 2025, foram notificados mais de 125 mil casos e 121 óbitos, segundo o Painel de Monitoramento de Arboviroses do Ministério da Saúde. Os estados de Mato Grosso (49.377), Mato Grosso do Sul (13.485) e Rondônia (4.671) registraram os maiores números de casos prováveis e os maiores coeficientes de incidência de casos por 100 mil habitantes no país.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta para o risco de uma epidemia global de Chikungunya devido a três fatores: mudanças climáticas, aumento da urbanização e de viajantes para áreas endêmicas. O Brasil responde por 96% dos casos confirmados e 72% das mortes nas Américas, segundo o boletim mais recente da organização.

"A chikungunya não é uma doença amplamente conhecida, mas foi detectada e transmitida em 119 países em todo o mundo, colocando 5,6 bilhões de pessoas em risco", disse Diana Rojas Alvarez, médica da OMS e líder da equipe de arbovírus, em Genebra, durante anúncio em julho deste ano.

Como diferenciar a dengue da chikungunya?

A chikungunya e a dengue podem ser facilmente confundidas no exame clínico, por terem sintomas semelhantes. Ambos os vírus são transmitidos no Brasil pela picada do Aedes aegypti e se manifestam através de febre, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, vômitos e mal-estar. No entanto, a principal diferença, segundo Eolo Morandi, está na dor nas articulações típica da chikungunya.

“A chikungunya causa dores articulares muito mais intensas e prolongadas. É comum o paciente sentir dor até nas grandes articulações e ficar bastante debilitado por semanas ou meses. Já a dengue costuma causar quadros mais graves e internações, mas seus sintomas duram menos tempo”, explica.

O nome chikungunya deriva de uma palavra na língua Kimakonde, do sul da Tanzânia, que significa “aquilo que se curva” e descreve a postura contorcida de pessoas infectadas com fortes dores nas articulações. A doença foi descrita pela primeira vez na Tanzânia em 1952 e o vírus foi isolado pela primeira vez na Tailândia em 1958.

“Em alguns casos, especialmente entre pessoas com comorbidades como diabetes, hipertensão, obesidade ou doenças reumatológicas, as dores podem se tornar crônicas, persistindo por três a cinco anos e comprometendo a qualidade de vida”, afirma o gestor médico.

Diagnóstico e evolução da doença

O diagnóstico é feito tanto clinicamente, pelos sintomas, quanto laboratorialmente. “Nos primeiros 5 a 7 dias da infecção, pode-se usar o exame de sangue PCR viral para determinar a presença do vírus. Após 10 a 15 dias, a identificação pode ser feita pela presença de anticorpos no organismo, que confirmam o contato com o vírus”, explica Eolo Morandi.

A preocupação central é a cronificação das doenças articulares, ou seja, quando os sintomas de dor nas articulações se tornam duradouros ou permanentes. Pessoas que apresentam a doença articular nos primeiros 7 dias e têm comorbidades associadas correm mais o risco de ter dores crônicas. As comorbidades que predispõem a essa condição incluem diabetes, hipertensão, obesidade, artrites reumatoides ou doenças neurológicas.

“Quando o quadro se cronifica, ele pode persistir por um longo período, até 36 meses. Essa persistência, mesmo após o período inflamatório agudo, debilita e limita a pessoa, comprometendo suas atividades diárias e laborais”, afirma Eolo Morandi.

Apesar de geralmente apresentar um quadro leve e não levar a hospitalizações, a chikungunya pode deixar marcas duradouras. “Quem tem chikungunya não esquece, pois ela causa um quadro bem típico, com potencial complicações de longo prazo e a pessoa fica muito debilitada”, ressalta o médico.


Quem corre mais risco de complicações?

A chikungunya pode causar complicações ainda mais sérias em recém-nascidos e em idosos. Os bebês ainda não têm o sistema imunológico completamente formado, enquanto os idosos costumam apresentar uma resposta imune enfraquecida, o que é característico dessa fase da vida.

Estudos também sugerem que mulheres -que no Brasil representam 60% dos casos- têm maior chance de apresentar dores articulares severas, possivelmente por fatores hormonais e imunológicos. Porém, são necessários mais estudos para que essas associações sejam confirmadas.

“As mulheres costumam buscar mais o serviço de saúde, e os casos acabam sendo mais diagnosticados entre elas”, ressalta Eolo, citando outro fator que pode estar relacionado à maior notificação dos casos de chikungunya em mulheres.

O impacto do clima no aumento de casos

As mudanças climáticas também influenciam a expansão da chikungunya. “Com o aumento das temperaturas em zonas temperadas, os mosquitos como o Aedes albopictus começaram a se multiplicar mais intensamente na Europa e nos Estados Unidos”, explica Eolo Morandi.

Enquanto no Brasil o vetor da Chikungunya é o Aedes aegypti, em locais como a América do Norte e a Europa os casos estão mais atrelados a picadas do Aedes albopictus.


Vacinação pode conter surtos futuros

Justamente pelo impacto das mudanças no clima é que uma vacina contra a chikungunya se mostra cada vez mais necessária.

Em abril de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a vacina contra a chikungunya desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica Valneva.

“O objetivo no Brasil é conter surtos e reduzir o impacto da doença. Como somos um país endêmico, a vacinação tem um papel importante no controle epidemiológico”, afirma Eolo Morandi.


Prevenção continua sendo essencial

Enquanto a vacina não chega à população, o controle do mosquito continua sendo essencial para evitar surtos.

“A vacina é uma ferramenta poderosa, mas não substitui os cuidados com o mosquito. O combate ao vetor é responsabilidade de todos”, reforça o gestor médico.

Para evitar a proliferação do inseto, evite deixar água parada em vasos, caixas e pneus; use repelente e roupas que cubram braços e pernas; mantenha o quintal limpo e calhas desobstruídas; colabore com as ações de fiscalização e controle do mosquito.

FONTE: Instituto Butantan

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Saúde libera mosquitos estéreis para frear reprodução do Aedes

 
Imunização é feita na aldeia Cimbres em Pernambuco

O Ministério da Saúde iniciou a liberação de mosquitos Aedes aegypti machos e estéreis na aldeia Cimbres, no município de Pesqueira (PE). Em nota, a pasta informou que já foram soltos 50 mil insetos com o objetivo de fortalecer o controle de arboviroses na região.

“A estratégia impede que os mosquitos, ao acasalarem com as fêmeas, produzam descendentes, contribuindo para a redução gradual da população do vetor e da transmissão de vírus”, detalhou o comunicado.

De acordo com o ministério, a ação marca o início da aplicação da Técnica do Inseto Estéril por Irradiação (TIE) em territórios indígenas. Para as próximas fases, está prevista a liberação semanal de mais de 200 mil mosquitos estéreis.

Além da aldeia Cimbres, a tecnologia será implantada também no território Guarita, em Tenente Portela (RS), e em áreas indígenas de Porto Seguro (BA) e de Itamaraju (BA).

O investimento inicial é de R$ 1,5 milhão, contemplando produção, logística e monitoramento da estratégia.

Ainda segundo a pasta, a continuidade e a expansão das ações vão depender dos resultados alcançados e da avaliação técnica das equipes envolvidas. Os dados vão permitir analisar o impacto na redução de casos de dengue, Zika e chikungunya.
Entenda

A Técnica do Inseto Estéril utiliza a própria espécie para reduzir a população de Aedes aegypti. Em laboratório, os mosquitos machos são esterilizados por radiação ionizante, tornando-se incapazes de gerar descendentes, e são posteriormente liberados em grande quantidade nas chamadas áreas-alvo.

Ao acasalarem com as fêmeas, os machos não produzem filhotes, levando à diminuição progressiva da população de vetores de arboviroses.

“Por não empregar inseticidas e não oferecer riscos à saúde ou ao meio ambiente, a técnica é indicada para territórios indígenas situados em áreas de preservação e florestas, onde o uso de produtos químicos é restrito ou proibido”, destacou o ministério.

FONTE: Agência Brasil

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Brasileiro criador do "Aedes" que bloqueia dengue é eleito pela Nature



terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Brasileiro criador do "Aedes" que bloqueia dengue é eleito pela Nature

 
Luciano Moreira entrou na lista dos cientistas mais influentes de 2025

O engenheiro agrônomo Luciano Andrade Moreira foi escolhido pelos editores da revista Nature como uma das dez pessoas ao redor do mundo que moldaram a ciência em 2025. Seu nome configura na lista “Nature’s 10”.

Em associação com outros cientistas, Moreira estuda há mais de uma década o uso da bactéria natural Wolbachia, comum em diferentes insetos, em mosquito Aedes aegypti para bloquear a transmissão de vírus como os da dengue, zika e chikungunya.

A técnica desenvolvida a partir da pesquisa é chamada de “Método Wolbachia.” Como demonstrou em artigo assinado em 2009, os mosquitos portadores da bactéria têm menor probabilidade de contrair esses vírus.

Segundo a revista Nature, “os cientistas ainda não compreendem o mecanismo, mas a bactéria pode estar competindo com o vírus por recursos ou estimulando a produção de proteínas antivirais.”

A aplicação do método pode ser decisiva no controle de doenças. Os mosquitos infectados com a bactéria, chamados de wolbitos, ao serem liberados em áreas urbanas e ao se reproduzirem com outros Aedes aegypti reinfectam a bactéria para as novas gerações de mosquitos.

Fábrica de mosquitos

É isso que faz uma biofábrica de mosquitos wolbitos com sede em Curitiba (PR), dirigida por Luciano Andrade Moreira, e criada em parceria entre a Fiocruz, o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) e o World Mosquito Program (WMP), uma organização sem fins lucrativos com atuação em 14 países.

Atualmente, o Método Wolbachia faz parte da estratégia nacional de enfrentamento das arboviroses, do Ministério da Saúde, e está em implantação em Balneário de Camboriú (SC), Brasília (DF), Blumenau (SC), Joinville (SC), Luziânia (GO) e Valparaíso de Goiás (GO).

A escolha das cidades é feita pelo ministério considerando indicadores epidemiológicos – a ocorrência de casos de arboviroses em padrões elevados nos últimos anos.

A Revista Nature é uma publicação britânica em circulação desde 1869 e é considerada a revista científica mais citada do mundo. A lista “Nature’s 10” não configura como prêmio ou ranking acadêmico, mas coloca em destaque internacional pesquisadores e iniciativas de impacto.

Em 2023, a ministra Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima) foi incluída na lista pelo trabalho no combate ao desmatamento na Amazônia Legal.

FONTE: Agência Brasil



domingo, 20 de julho de 2025

Brasil inaugura maior biofábrica do mundo de mosquitos “do bem”

 
Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) e o World Mosquito Program (WMP) inauguraram neste sábado (19) a Wolbito do Brasil, maior biofábrica do mundo especializada na criação do mosquito Aedes aegypti inoculado com a bactéria Wolbachia, que impede o desenvolvimento dos vírus de doenças como dengue, chikungunya e zika.

Com 70 funcionários, a biofábrica diz ser capaz de produzir 100 milhões de ovos de mosquito por semana. Inicialmente, a unidade atenderá unicamente o Ministério da Saúde, que seleciona os municípios para a implementação do método Wolbachia, tendo como base os mapas de incidência das arboviroses transmitidas pelo Aedes.
O método, que promete reduzir drasticamente a transmissão e os gastos com os tratamentos dessas doenças, é testado no Brasil desde 2014, quando foram feitas liberações em Tubiacanga e Jurujuba, bairros das cidades do Rio de Janeiro e de Niterói (RJ), respectivamente.
O Wolbachia foi expandido para mais seis cidades: Londrina e Foz do Iguaçu, no Paraná; Joinville, em Santa Catarina; Petrolina, em Pernambuco; e em Belo Horizonte e Campo Grande, capitais de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, respectivamente. O método está em fase de implantação nos municípios de Presidente Prudente, em São Paulo, Uberlândia, em Minas Gerais, e Natal, capital do Rio Grande do Noere.

Os próximos a receberem o método são Balneário Camboriú e Blumenau, em Santa Catarina, além de novas áreas em Joinville, em Santa Catarina; Valparaíso de Goiás e Luziânia, em Goiás; e na capital federal, Brasília.

Segundo a Wolbito do Brasil, a implantação do método nessas cidades encontra-se na fase de comunicação e engajamento da população. A liberação dos mosquitos nessas regiões está prevista para o segundo semestre.

A biofábrica frisa que o método não usa mosquitos transgênicos e é complementar a outros métodos e aos cuidados básicos que a população deve manter para eliminar os criadouros de insetos.

O Instituto de Biologia Molecular do Paraná, sócio na biofábrica, foi criado em uma parceria entre o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), ligado ao governo estadual, e a Fundação Oswaldo Cruz (Fioruz), ligada ao Ministério da Saúde.

“A inauguração dessa fábrica coloca o Brasil, por meio dessa associação da Fiocruz com o Tecpar, aqui no Paraná, na linha de frente dessa tecnologia para todo mundo”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que participou da inauguração.

COMO FUNCIONA
Presente em 14 países, o método consiste em liberar no ambiente mosquitos inoculados com a Wolbachia, para que se reproduzam com a população local de Aedes aegypti e gerem descendentes também portadores da bactéria e, portanto, com menores chances de transmitir dengue, chikungunya ou zika para humanos.

As wolbachias são um gênero de bactérias presente em mais da metade dos insetos do mundo, estima a ciência. Em estudos desenvolvidos desde o início dos 2010, cientistas conseguiram reproduzir com segurança Aedes aegypti infectados com espécies de wolbachias que não ocorreriam naturalmente no mosquito.

No Aedes, tais bactérias demonstraram ser capazes de impedir a multiplicação de diferentes arbovírus transmissíveis aos humanos, sendo ao mesmo tempo capazes de favorecer que mosquitos com a bactéria tenham uma vantagem reprodutiva sobre populações não infectadas.

Segundo a Fiocruz, a expectativa é que para cada R$ 1 investido, a economia do governo em medicamentos, internações e tratamentos em geral gire entre R$ 43,45 e R$ 549,13.
Fonte: Agência Brasil

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Instituto Butantan pesquisa remédio contra o vírus Zika

O Instituto Butantan iniciou a pesquisa de um medicamento para tratar pessoas infectadas com o vírus Zika. Transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, a infecção pelo Zika pode provocar microcefalia em bebês quando a mãe, ainda gestante, entra em contato com o vírus.

A pesquisa do Butantan vai adotar como métodos o reposicionamento de fármacos e a triagem de alto conteúdo. Essas tecnologias permitem que coleções de compostos químicos sejam triadas contra o vírus em células humanas infectadas.


Estudo precursor

Segundo o instituto, esse processo é mais rápido porque dispensa a necessidade de validar previamente o alvo molecular, o que poderia levar vários anos.

Os pesquisadores envolvidos no estudo fizeram trabalho semelhante no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, em Campinas, com 725 medicamentos aprovados nos Estados Unidos, e encontraram 29 substâncias com ação sobre o vírus.

Na pesquisa, a célula humana, infectada com o vírus Zika por 72 horas, é exposta à ação dos fármacos para tentar inibir a infecção.

Esse procedimento é chamado de atividade antiviral, utilizando um vírus isolado. Os cientistas avaliaram a atividade dos fármacos na distribuição e metabolização do organismo. Entre os compostos descobertos nesse estudo, o mais promissor foi palonosetron, usado atualmente no tratamento de náusea induzida por quimioterapia de câncer. O composto apresentou alta eficácia contra a infecção pelo vírus Zika.

Agência Brasil

terça-feira, 22 de março de 2016

OSWALDO CRUZ, O MÉDICO QUE DERROTOU O AEDES



               Acervo Casa de Oswaldo Cruz



No começo do século passado, o Brasil assistia a uma caçada inédita e implacável ao Aedes aegypti. Na época, a doença que o mosquito espalhava era a devastadora febre amarela. A dengue ainda era um mal distante e exótico, e os médicos nem sequer sonhavam com a zika e a chicungunha.
A operação de guerra foi montada em 1903 pelo governo de Rodrigues Alves, o quinto presidente da República. Além de inédita e implacável, foi rápida e exitosa. Em um ano, os números se reduziram drasticamente. Pouco depois, já não havia sinal de febre amarela no Rio. O Aedes finalmente deixava de causar terror na capital do Brasil.
O artífice da estratégia sanitária foi o médico e cientista Oswaldo Cruz, chefe da Diretoria-Geral de Saúde Pública (embrião do que seria o Ministério da Saúde). Ele arregimentou uma brigada de agentes que percorriam a cidade em charretes puxadas por mulas, fazendo uma varredura nas ruas e nas casas atrás dos mosquitos e de suas larvas.
Os mata-mosquitos, como eram apelidados, lavavam os bueiros, diluíam querosene nos pântanos, enchiam de areia os cacos de garrafa cimentados sobre os muros para afastar os ladrões e entornavam os tonéis de água guardados nos quintais, para desespero das famílias que não tinham água encanada.
Quando flagravam os pernilongos rajados em alguma casa, eles envolviam a residência inteira com um gigantesco mosquiteiro, para que nenhum escapulisse, e lá dentro borrifavam uma fumaça mortal para o Aedes. Toda a vizinhança, num raio de cem metros, se submetia ao mesmo “expurgo”.

Intimidade do lar Oswaldo Cruz logo se transformou na figura mais odiada da capital. Os cariocas ficaram enfurecidos porque o governo estava violando “a intimidade do lar”. Contando com poderes de polícia, os agentes de saúde entravam nas casas mesmo sem a autorização dos donos.
Para os pobres, as ações sanitárias ainda eram mais assustadoras. Quando as tropas de Oswaldo Cruz consideravam uma moradia insalubre, ela era sumariamente demolida e os moradores, que viviam de aluguel, tinham que se virar.
Assim como ocorre com a dengue, a zika e a chicungunha, a febre amarela não é transmitida diretamente de pessoa para pessoa. O Aedes age como vetor, carregando o vírus de uma pessoa doente para uma sadia.
Para barrar a transmissão, os mata-mosquitos também providenciavam o isolamento dos “amarelentos”, que eram ou mantidos sozinhos dentro de um quarto de casa, com a porta e a janela bloqueadas com mosquiteiros, ou mandados para uma quarentena no Hospital de São Sebastião, no bairro do Caju. Só ganhavam a liberdade quando já estavam plenamente curados.
Os isolamentos compulsórios também contribuíram para a péssima fama de Oswaldo Cruz entre os cariocas.
Nem mesmo os médicos e os cientistas apoiavam a estratégia de Oswaldo Cruz. A obsessão pelos mosquitos, na opinião deles, era um completo equívoco.
O meio médico-científico brasileiro ainda acreditava na ideia de que a origem das doenças era a insalubridade do ambiente. Segundo essa teoria, os vapores pútridos emanados da matéria orgânica em decomposição no solo e no subsolo tinham o poder de deixar as pessoas doentes. O nome “malária”, que significa “mau ar” em italiano, tem origem nesse equívoco.
Em 1899, o médico cubano Carlos Finlay conduziu experimentos científicos que concluíram que era o mosquito que espalhava o vírus da febre amarela. Uma das primeiras medidas de Oswaldo Cruz ao assumir a Diretoria-Geral de Saúde Pública foi viajar a Cuba para conhecer os estudos de Finlay e a estratégia que livrou Havana da doença.
Ocorre que as autoridades mundiais da ciência olharam com desconfiança a descoberta feita em Cuba, mantendo-se aferradas à crença medieval dos vapores contaminantes.

Tribuna do Senado
A oposição a Oswaldo Cruz ganhava eco no Congresso Nacional e na imprensa, que consideravam um desperdício de dinheiro investir na caçada ao mosquito e não na desinfecção de terrenos baldios e ruas de terra.
Em 1903, da tribuna do Palácio Conde dos Arcos, a sede do Senado, o senador Bernardo Sobrinho (AL) atacou:
— De que serve vermos todos os dias pelas ruas desta capital turmas e turmas de empregados da higiene varrendo telhados, destelhando casas, matando mosquitos, procurando culicídeos [mosquitos] por toda parte? Esse serviço melhora, porventura, o estado de salubridade do Rio de Janeiro? As febres não continuam a reinar e até com maior intensidade por toda parte?
Em seus discursos, o senador Barata Ribeiro (DF), que era médico, militava ostensivamente contra as novas medidas sanitárias e avisou que barraria os mata-mosquitos em sua casa:
— Selam-se todas as caixas d’água nas casas particulares, mas a minha faz exceção. Jamais consentirei que o pedantismo ignorante invada os limites da minha ação de chefe de família.
Barata Ribeiro, que acreditava no poder das “atmosferas pestilentas”, citou uma experiência pessoal:
— Há dois dias, tinha eu de operar um doente e dirigia-me para o meu escritório pela manhã a fim de tomar meus instrumentos cirúrgicos. Quando abri a porta, senti-me de tal modo atordoado que, para não cair, sustentei-me aos batentes da porta, tal foi a coluna de gases fétidos que vinham de dentro da sala em que trabalho. Tive vertigem e meu coração ficou profundamente ofendido nas suas funções, pela ação dos tóxicos que havia absorvido. Já me tinha sido difícil atravessar o estreito trecho da Rua Nova do Ouvidor ao meu escritório tal era o mau cheiro que exalavam os bueiros e os canos abertos na rua.
Os jornais faziam piada com o sobrenome do diretor-geral de Saúde Pública, dizendo que ele era uma pesada “cruz” que tanto o presidente quanto os cariocas tinham de carregar. As revistas pegavam pesado nas charges, ridicularizando até mesmo o bigode e a cabeleira do cientista.

Sabotagem Para sabotar o diretor-geral de Saúde Pública, os jornais cariocas chegaram a publicar a falsa notícia de que a febre amarela havia brotado de novo em Havana. O próprio Carlos Finlay redigiu um comunicado desmentindo a informação e reafirmando a importância de se combaterem os mosquitos e se isolarem os doentes.
Em 1904, quando a febre amarela no Rio se retraía a olhos vistos, Oswaldo Cruz finalmente começava a ganhar algum apoio. O senador Manoel Duarte (AL) reconheceu:
— Hoje pode haver, e há, muitos mosquitos nesta capital, mas agora não possuindo o gérmen da febre amarela. Sabemos que o mosquito não produz a febre amarela, transmite-a.
Teimoso nas velhas crenças, Barata Ribeiro rebateu:
— Em Nova Orleans [nos EUA] acabaram com a febre amarela e não mataram um só mosquito. E em Campinas nem ao menos puseram fumaça nos olhos dos mosquitos — afirmou.
Chega a ser compreensível que as pessoas da época acreditassem na teoria dos vapores pútridos, apesar de ela ser equivocada, pois havia uma coincidência: sempre que chegavam os meses calorentos do verão carioca, os casos de febre amarela disparavam na mesma proporção dos fedores.
Na virada do século, o Rio não tinha nada de cidade maravilhosa. Pelo contrário, era imunda, carente de saneamento básico, repleta de pântanos e infestada de mosquitos, ratos e sapos. O centro era um labirinto de ruelas apertadas e cortiços abafados. Estava mais para uma caótica cidade colonial do que para a capital de uma jovem República.
Em 1896, causou escândalo internacional o caso do cruzador Lombardia, da Marinha da Itália. Mal o navio de guerra aportou no Rio, um surto de febre amarela se espalhou entre os oficiais. Dos 340 italianos a bordo, apenas 100 conseguiram sobreviver. Até o comandante morreu.

Cidade da morte Pelo mundo afora, com razão, a capital do Brasil era conhecida como cidade da morte. A Baía de Guanabara era evitada a todo custo pelos navios estrangeiros. Os transatlânticos mais procurados para o trajeto entre a Europa e Buenos Aires eram justamente os que não faziam escala no Rio.
A febre amarela afligia anualmente a capital desde a época do Império. Não por outra razão, durante o verão, toda a corte se mudava para Petrópolis, que ficava livre da doença graças ao clima fresco da serra. O próprio dom Pedro II chegou a manifestar preocupação com as epidemias.
— Algumas cidades do nosso litoral, especialmente as da Bahia, de Pernambuco e do Rio de Janeiro, têm sido assaltadas nestes últimos meses de uma febre epidêmica — disse o imperador em 1850, num discurso no Senado. — Os estragos da enfermidade afligem profundamente meu coração. Espero que a divina misericórdia de Deus, ouvindo nossas preces, arrede para sempre do Brasil semelhante flagelo. Tenho empregado todos os meios ao meu alcance para acudir os enfermos.
Por causa da reputação de cidade doente, o Rio afugentava investidores e trabalhadores estrangeiros. Isso precisava mudar. O paulista Rodrigues Alves assumiu a Presidência da República em novembro de 1902 com a ambição de transformar a capital num espelho de Paris, ou seja, numa cidade moderna e aprazível. Ele decidiu dividir o ataque em duas frentes.
Na frente urbanística, o presidente nomeou para o Rio um prefeito que reformaria o porto, canalizaria córregos, botaria os cortiços abaixo, ergueria prédios públicos suntuosos e redesenharia o centro com bulevares e praças. O escolhido foi o engenheiro Francisco Pereira Passos.
A mando do prefeito, foram abertas as Avenidas Beira-Mar e Central (atual Rio Branco) e erguidos o Teatro Municipal e o Palácio Monroe (que em 1925 se tornaria a sede do Senado).
Na frente sanitária, Rodrigues Alves escolheu o jovem Oswaldo Cruz para varrer a febre amarela da capital. O médico tinha apenas 30 anos, mas já acumulava uma vasta experiência na área da microbiologia. Ele havia se especializado no Instituto Pasteur, em Paris, criado o primeiro laboratório de análises clínicas do Brasil, ajudado a combater a peste bubônica no porto de Santos e dirigido o Instituto Soroterápico Federal, que mais tarde se transformaria na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Oswaldo Cruz fez apenas duas exigências para aceitar a missão: contar com verbas suficientes e ter total liberdade para atuar como quisesse, sem interferências. Rodrigues Alves topou.
Logo em seguida, o Senado e a Câmara dos Deputados aprovaram um projeto de lei do governo que destinava às ações sanitárias a soma de 5 mil contos de réis.


Drama familiar A motivação do presidente não era exclusivamente o prejuízo que a insalubridade trazia para o Rio. A febre amarela também representava um drama íntimo. Anos antes, ele havia perdido uma filha pequena por causa da doença.
— Oswaldo Cruz atuou com bastante determinação — diz Ana Luce Girão, historiadora da Casa de Oswaldo Cruz, ligada à Fiocruz. — Ele tinha tanta segurança no que estava fazendo que nem sequer cogitava ceder às pressões, que vinham de todos os lados.
O sucesso foi inquestionável. Em 1903, ano em que o cientista aceitou a missão, a febre amarela matou perto de 600 pessoas no Rio. Em 1909, pela primeira vez desde a chegada da doença, não se registrou nenhuma morte.
O Aedes aegypti, claro, não foi extinto. Isso não é possível nem mesmo com todo o conhecimento científico e tecnológico que se tem hoje. A febre amarela foi erradicada do Rio porque, com os doentes isolados e as nuvens de mosquitos reduzidas, o vírus acabou desaparecendo. Os jornais tiveram que dar o braço a torcer, e Oswaldo Cruz passou a ser tratado como herói.
Depois de pôr em marcha a ação contra a febre amarela, o diretor-geral de Saúde Pública passou a combater a peste bubônica e a varíola. No primeiro caso, dedicou-se a exterminar os ratos. No segundo, tornou compulsória a vacinação.
A população carioca, que já estava com os nervos à flor da pele por causa da ação invasiva dos mata-mosquitos,


reagiu com violência à imunização contra a varíola e deflagrou a Revolta da Vacina, em 1904.
Em 1911, a poetisa francesa Jane Catulle-Mendès passou uma temporada no Rio e encontrou um perfeito exemplar urbano da Belle Époque, bem do jeito que Rodrigues Alves havia sonhado. Aos jornais, a francesa declarou que o Rio “foi feito para o encanto dos poetas”. Pouco depois, ela lançaria o livro La Ville Merveilleuse (A Cidade Maravilhosa), com suas impressões sobre a capital. Assim nasceu o famoso apelido.
A paz dos cariocas duraria apenas duas décadas. Com o desaparecimento da febre amarela em 1909, o governo foi aos poucos relaxando a caça ao Aedes aegypti e às suas larvas. Em 1928, uma grande epidemia surpreendeu a cidade. Oswaldo Cruz havia morrido em 1917 e não testemunhou o retrocesso.

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Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)




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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

O ZICA TEM A VER COM A MUDANÇA DO CLIMA?

Aumento de temperaturas, das cidades a da população fizeram mosquito se espalhar e área de  dengue triplicar no Brasil em uma década; vírus da microcefalia também pode se tornar comum


A incidência do zika vírus pode ficar tão comum quanto os casos de dengue no Brasil. E os próximos anos podem trazer novas doenças do tipo, por um fator muito simples: o Brasil está um lugar melhor de viver para o mosquito Aedes aegypti. A associação de mudanças climáticas globais, ilhas de calor urbanas, aumento da população e más condições de saneamento forma o combo perfeito para a proliferação da praga.
 
“O Aedes tomou conta do mundo”, diz o virologista Átila Iamarino, do Instituto de Biociências da USP. Ele explica que o inseto que ficou conhecido como “mosquito da dengue” pode portar diversos outros vírus aparentados com a dengue – os chamados flavivírus, que precisam de vetores como mosquitos e carrapatos. “Se o mosquito tem cada vez mais espaços para circular e está adaptado às cidades, o surgimento de outras doenças é questão de tempo”, alerta Iamarino.
 
O zika tem esse nome por causa de uma floresta homônima em Uganda, onde foi descoberto na década de 1940. Sua forma de chegada ao Brasil ainda não é consenso entre os pesquisadores. A hipótese mais aceita é que o vírus tenha aportado por aqui durante a Copa do Mundo, quando ocorreu grande circulação de estrangeiros no Brasil. A Copa aconteceu no inverno, período em que, em tese, a circulação de mosquitos no Centro-Sul do país cai devido ao frio. O vírus pode ter incubado na população de mosquitos nesse período, para começar a infectar humanos após o fim da estação seca.
 
“A dengue já está no país todo, e cresceu em grandes cidades onde antes era mais frio e agora as temperaturas são mais altas”, diz Christovam Barcellos, pesquisador da Fiocruz. Ele afirma que, quanto mais calor, mais as doenças vão se espalhar. “O mosquito se reproduz mais rapidamente em locais de clima quente.” O pesquisador diz que a situação não deve ser controlada tão cedo e que a tendência do zika, assim como ocorreu com a dengue, é se espalhar pelo centro do Brasil.
 
A área de transmissão de dengue no Brasil mais do que triplicou apenas entre 2001 e 2011, de 2 milhões de quilômetros quadrados para 7 milhões de quilômetros quadrados. O número de pessoas em risco dobrou, de 80 milhões para 160 milhões.
 
Dados do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, por sua vez, ajudam a explicar o mapa. A maior parte do Brasil esquentou mais do que a média mundial no último século. O Nordeste, o centro do país e partes da Amazônia aqueceram de 1,2oC a 1,6oC desde 1960, em média. O número de noites quentes cresceu no país inteiro. Em alguns lugares, as temperaturas mínimas subiram 1,4oC por década. Temperatura mínima é um parâmetro importante para o mosquito, porque o Aedes precisa de calor e água – e uma série de noites frias pode ser a diferença entre uma nova geração de insetos nascer ou não.
 
 
De acordo com o Ministério da Saúde, já há registros do vírus zika em 19 das 27 unidades federativas do país. Ainda não há confirmação do número de casos. Já a dengue teve 1,6 milhão de registros em 2015, 62,2% deles na região Sudeste. O aumento do número de casos em relação a 2014 é de 178%. A febre chikungunya teve, em 2015, 20.661 registros, contra 3.657 no ano anterior.
 
Os Estados Unidos e países europeus já emitiram alerta, aconselhando seus cidadãos a evitar viagens ao Brasil e outros países da América do Sul, além da América Central, pelo risco de contágio. Já há ocorrência de casos no Reino Unido – importados da América do Sul, de acordo com a imprensa local –, Estados Unidos, Espanha, Itália, México, entre outros.
 
Um estudo publicado no periódico de saúde The Lancet alerta para o potencial de exportação da epidemia a partir do Brasil. A pesquisa mapeou os destinos finais dos 9,9 milhões de turistas estrangeiros que passaram por áreas de risco no país: 65% deles tinham como destino as Américas, 27% para a Europa e 5% para a Ásia. Os dados são alarmantes: cerca de 60% da população dos EUA, Itália e Argentina – alguns dos países com maior fluxo de turistas para o Brasil – vivem em áreas vulneráveis à transmissão sazonal da doença, considerando condições climáticas e ambientais favoráveis à proliferação do Aedes.
 
Até 2007, menos de 20 casos de zika eram conhecidos em todo o mundo, na África e na Ásia. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), entre novembro de 2015 e janeiro de 2016, a transmissão local do vírus, os chamados casos autóctones, foi detectada em 14 novos países e territórios.
 
Iamarino diz que mesmo que haja menos casos em países mais frios, o Aedes albopictus, outro tipo do mosquito, é mais resistente a essas condições climáticas. O virologista fala sobre as viagens do Aedes pelo mundo neste vídeo didático em seu canal no YouTube, o Nerdologia:
 
Controle do mosquito
 
O consenso entre os pesquisadores ouvidos pelo Observatório do Clima é que a única forma de evitar epidemias é eliminar o mosquito. “O mosquito sempre foi portador dessas doenças. O problema é que ele se espalhou”, diz Margareth Capurro, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo.
 
Em locais quentes e com condições sanitárias ruins – cidades secas em que há reservatórios domésticos de água para consumo, por exemplo –, o mosquito encontra o ambiente ideal para se reproduzir. Foi provavelmente o que aconteceu em São Paulo em 2014 e 2015, anos em que o número de casos de dengue foi alto mesmo com um verão muito seco, no qual a população estocou água. Mas a pesquisadora afirma que a adaptação do Aedes ao meio urbano tem facilitado a sua proliferação. “Eu já encontrei larva do mosquito em papel de bala em Porto Velho”, conta.
 
Capurro diz que o controle do Aedes no Brasil deve considerar todas as alternativas – campanhas educativas, eliminação de focos, controle biológico, fumacê, armadilhas simples para o mosquito, mosquitos transgênicos –, mas que não adianta começar no verão, quando o mosquito já está em grande quantidade. “Tem que pensar no combate ao Aedes como uma guerra e usar todo o arsenal.”

EcoAgência

sábado, 22 de dezembro de 2012

Com a chegada do verão, prevenção à dengue deve ser reforçada


Características climáticas típicas do verão, que começou esta semana, são sinal de alerta para a transmissão da dengue no país. Para o coordenador do Programa Nacional de Controle da Dengue, Giovanini Coelho, o período de chuvas intensas e de maior umidade exige reforço dos cuidados de prevenção por parte dos gestores municipais e também da própria população.

O último Levantamento de Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa), do Ministério da Saúde, mostra que 77 cidades brasileiras estão em situação de risco para a dengue. Dessas, em dez, a situação de risco prevalece desde 2011.
Em entrevista à Agência Brasil, Giovanini Coelho lembrou que pesquisas recentes demostram que o brasileiro se sente bem informado em relação à doença e às medidas de prevenção. O grande desafio, segundo ele, é transformar esse conhecimento em mudança de comportamento. “É fácil prevenir a dengue, mas é importante que a população efetivamente adote mudanças de comportamento por meio de ações que ela conhece muito bem”, explicou.
Dados do ministério indicam que, na Região Norte, as principais causas de criadouros do mosquito são a deficiência no abastecimento de água e na coleta do lixo. No Nordeste, o abastecimento de água aparece como o principal problema. No Sudeste, os depósitos domiciliares provocam o aumento da circulação do mosquito. No Sul, o alerta é para o lixo. Na Região Centro-Oeste, abastecimento de água, depósitos domiciliares e lixo representam praticamente o mesmo percentual no agravamento de criadouros.
Segundo o coordenador, municípios que enfrentam problemas com abastecimento de água devem focar em estratégias como tampar caixas d'água e desobstruir calhas. Cidades com criadouros em depósitos domiciliares devem focar nas vistorias das casas, na colocação de areia nos vasos de planta e na eliminação de recipientes que podem acumular água, como garrafas plásticas e pneus. Já os gestores que registram problemas com lixo precisam melhorar os serviços de limpeza urbana e conscientizar a população em relação ao descarte de resíduos em terrenos baldios, por exemplo.
“O Sistema Único de Saúde (SUS) tem milhares de agentes de saúde treinados para fazer o trabalho de assessoria, supervisão e visita aos domicílios. É fundamental que os gestores municipais tenham essa ação como uma prioridade. É fundamental que as visitas sejam feitas regulamente, que o poder local articule ações intersetoriais, particularmente voltadas para a manutenção da limpeza urbana. Esse conjunto de medidas que envolve a participação da população e a ação do Poder Público são fundamentais para passarmos por esse verão com uma menor quantidade de dengue possível”, concluiu.
A Campanha Nacional de Combate à Dengue 2012/2013 tem como slogan Dengue É Fácil Combater, Só Não Pode Esquecer. O objetivo da primeira fase, que se estende até o final deste mês, é mobilizar a população a adotar medidas simples de prevenção. Na segunda fase, que começa a partir de janeiro, o foco é no reconhecimento dos sinais e sintomas da doença e as principais medidas que devem ser adotadas pelas pessoas em caso de suspeita de dengue.
Agência Brasil

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Receitas caseiras não ajudam a prevenir a dengue, alertam especialistas


Para escapar da picada do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, muita gente recorre a receitas caseiras que circulam na internet ou dicas de amigos. Especialistas alertam que as recomendações alternativas não ajudam a prevenir a doença.
Comer alho, cebola, inhame, tomar vitamina C, chá de cravo da índia ou acender vela de andiroba são algumas das receitas populares. Mas nada disso impede uma pessoa de ser alvo da picada do mosquito, afirmam pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). No caso dos alimentos, por exemplo, a pessoa teria de consumir grandes quantidades para liberar o cheiro das substâncias no suor e desviar a atenção do mosquito, explicam os pesquisadores.
Outra recomendação é passar repelente na pele. Segundo o epidemiologista e diretor do Instituto de Pediatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Edimilson Migowski, alguns produtos conseguem afastar o mosquito. Porém, o professor alerta que os repelentes agem, em média, por três horas e não podem ser passados no corpo a todo tempo.
“Durante uma parte do dia, você vai ficar descoberto”, diz.  O mosquito tem hábitos diurnos e prefere alimentar-se no amanhecer ou ao entardecer. Pode picar as pessoas também no período da noite.
O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, também não indica as receitas caseiras. “Não tem eficácia comprovada e faz com que as pessoas não adotem as medidas eficazes.”
Jarbas Barbosa destaca a adoção de hábitos dentro de casa para acabar com os criadouros do mosquito. Entre eles, tampar a caixa d`água, desentupir as calhas, tirar a água das bandejas do ar condicionado e dos pratinhos dos vasos de planta e colocar tela em privadas e ralos pouco usados – que acumulam água parada, locais preferidos do mosquito para depositar os ovos.
Fazer essa vistoria em casa e no escritório pelo menos uma vez por semana é o suficiente, informou o secretário. Do ovo até a fase adulta, o ciclo de vida do Aedes aegypti leva de 7 a 10 dias.
“Quando você joga fora a água parada elimina de 60 a 100 larvas do mosquito. Nenhuma outra medida vai evitar [o surgimento] de tantos mosquitos de uma única vez”, acrescentou o professor Edimilson Migowski.
Um levantamento divulgado pelo ministério mostra que 48 municípios apresentam risco de surto de dengue neste verão. Em cada cidade, as equipes de saúde encontraram larvas do mosquito em mais de 3,9% dos imóveis visitados, taxa considerada preocupante.
A proliferação do mosquito da dengue aumenta no verão devido à alta temperatura e às chuvas que aumentam o número de locais com água parada e facilitam o depósito de ovos do inseto.
Agência Brasil 30/12/2011

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

De 561 cidades brasileiras, 48 têm risco de surto de dengue e 236 estão em alerta


Dados divulgados hoje (5) pelo Ministério da Saúde indicam que, dos 561 municípios monitorados pela pasta, 48 estão em situação de risco de surto de dengue, 236 estão em alerta para a doença e 277 apresentam índices considerados satisfatórios. O mapeamento foi feito entre outubro e novembro, em parceria com as secretarias municipais de Saúde.
De acordo com o Levantamento de Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti (Liraa), mais de 3,9% dos imóveis das cidades em situação de risco apresentaram larvas do mosquito. Nos municípios em alerta, a taxa ficou entre 1% e 3,9%. O índice considerado satisfatório é inferior a 1%.
O balanço revelou ainda que 4,6 milhões de pessoas vivem em áreas de risco de epidemia de dengue. Os municípios nessa situação estão localizados em 16 estados e entre eles há três capitais: Rio Branco, Porto Velho e Cuiabá.







Entre as capitais em situação de alerta destacam-se Salvador, com índice de infestação de 3,5%; Recife, com 3,1%; Belém, com 2,2%; São Luís, com 1,6%; e Aracaju, com 1,5%.
No ano passado, 427 cidades foram mapeadas no Liraa. A partir de 2012, de acordo com o ministério, o estudo será feito três vezes ao ano e não mais anualmente.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, explicou que o mapeamento dá uma ideia da presença dos focos do mosquito transmissor da dengue no país. Ele ressaltou, entretanto, que outros fatores são considerados pela pasta como decisivos para que uma epidemia seja registrada.
“A divulgação [do levantamento] é para deixar claro quais são os esforços necessários para reduzir os riscos”, disse. Segundo Padilha, cidades em situação de risco devem “trabalhar muito” para reduzir os índices até janeiro, mês da próxima avaliação. “Se nada for feito agora, a tendência é ter uma infestação ainda maior nesses municípios”, alertou.
O secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, lembrou que o período de maior concentração dos casos de dengue é entre janeiro e maio. A campanha de combate à doença no verão 2011/2012, segundo ele, terá como foco hábitos simples que ajudam a combater os focos do mosquito.
“A campanha é permanente, mas há momentos em que é preciso chamar a atenção das pessoas”, disse. “Não precisa tecnologia nem comprar nada para combater a dengue. Temos que desmistificar: são medidas simples que cada família pode fazer”, disse, ao citar a limpeza de caixas d'água e o não acúmulo de lixo.

Fonte:Agência Brasil 05/12/2011