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quinta-feira, 2 de abril de 2026

Chikungunya: entenda doença que preocupa Mato Grosso do Sul

 

O governo federal reconheceu situação de emergência em saúde pública no município de Dourados (MS) em razão de doenças infecciosas virais, incluindo diversos casos de infecção por Chikungunya. Na última sexta-feira (27), a prefeitura já havia editado decreto declarando situação de emergência em áreas do município afetadas pela doença.

Dados do boletim epidemiológico divulgado pouco antes indicam 1.455 casos prováveis, 785 confirmados, 900 em investigação e 39 internações na área urbana. Também há 539 casos em investigação, 629 confirmados e 1.168 prováveis, além de sete internações, 428 casos com atendimento hospitalar e cinco óbitos confirmados na Reserva Indígena de Dourados.

Em nota, a Secretaria de Saúde de Mato Grosso do Sul informou que o estado vai receber doses da vacina contra o Chikungunya como parte de uma estratégia piloto elaborada pelo Ministério da Saúde. A inclusão do estado ocorre após solicitação formal ao governo federal, motivada pelo cenário epidemiológico de arboviroses registrado em Dourados, sobretudo em territórios indígenas.

A doença AE

A chikungunya é uma arbovirose cujo agente etiológico é transmitido pela picada de fêmeas infectadas do gênero Aedes. De acordo com o ministério, no Brasil, até o momento, o vetor envolvido na transmissão é o Aedes aegypti. Introduzido no continente americano em 2013, o vírus foi responsável por uma epidemia em diversos países da América Central e nas ilhas do Caribe.

No segundo semestre de 2014, o Brasil confirmou, por métodos laboratoriais, a presença da doença nos estados do Amapá e da Bahia. Atualmente, todos os estados registram transmissão do arbovírus. Em 2023, o ministério cita uma importante dispersão territorial do vírus no país, principalmente em estados da Região Sudeste. Anteriormente, as maiores incidências de chikungunya concentravam-se no Nordeste.

As principais características clínicas da infecção são edema e dor articular incapacitante, mas também podem ocorrer manifestações extra-articulares. Casos graves podem demandar internação hospitalar e evoluir para óbito. O vírus também pode causar doença neuroinvasiva, caracterizada por agravos neurológicos como encefalite, mielite, meningoencefalite, síndrome de Guillain-Barré, síndrome cerebelar, paresias, paralisias e neuropatias.

Sintomas

Os principais sintomas da infecção pelo vírus Chikungunya, de acordo com o ministério, são:

Febre;
dores musculares;
dor de cabeça;
dores intensas nas articulações;
manchas vermelhas pelo corpo;
dor atrás dos olhos;
dor nas costas;
conjuntivite não purulenta;
náuseas e vômitos;
edema nas articulações (geralmente as mesmas afetadas pela dor intensa);
prurido (coceira) na pele, que pode ser generalizada, ou localizada apenas nas palmas das mãos e plantas dos pés;
diarreia e/ou dor abdominal (manifestações do trato gastrointestinal são mais presentes em crianças);
dor de garganta;
calafrios.

Fases

Segundo a pasta, a doença pode evoluir em três fases:

Febril ou aguda, com duração de cinco a 14 dias;

pós-aguda, com curso de 15 a 90 dias;
crônica, caso os sintomas persistam por mais de 90 dias. Em mais de 50% dos casos, a artralgia (dor nas articulações) torna-se crônica, podendo persistir por anos.

“É possível que se desenvolvam manifestações extra-articulares, ou sistêmicas: no sistema nervoso, cardiovascular, pele, rins e outros”, destacou o ministério.

Diagnóstico

O diagnóstico da chikungunya tem componentes clínicos e laboratoriais e deve ser feito por um médico. Todos os exames laboratoriais para acompanhamento do quadro clínico e os testes diagnósticos (sorológicos e moleculares) estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).

Em caso de suspeita da doença, a orientação do ministério é que a notificação seja inserida no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan Online) em até sete dias. Já em caso de óbitos, a notificação deve ser feita à própria pasta em até 24 horas.

Deve-se considerar como caso suspeito paciente que apresente febre de início súbito, acompanhada de artralgia ou artrite intensa (dor nas articulações) de início agudo, não explicado por outras condições, residente em (ou que tenha visitado) áreas com transmissão até duas semanas antes de começar os sintomas, ou que tenha vínculo epidemiológico com caso confirmado.

Tratamento

O tratamento da infecção por Chikungunya é feito de acordo com os sintomas, já que, até o momento, não há tratamento antiviral específico para a doença. A terapia utilizada é analgesia e suporte.

A orientação do ministério aos profissionais de saúde é estimular a hidratação oral dos pacientes e que a escolha dos medicamentos seja realizada após a avaliação do quadro clínico, com aplicação de escalas de dor apropriadas para cada idade e fase da doença.

Em casos de comprometimento musculoesquelético importante, e sob avaliação médica conforme cada caso, pode ser recomendada ainda fisioterapia.

“Em caso de suspeita, com o surgimento de qualquer sintoma, é fundamental procurar um profissional de saúde para o correto diagnóstico e prescrição dos medicamentos, evitando sempre a automedicação”, reforçou a pasta, citando que a automedicação pode mascarar sintomas, dificultando o diagnóstico e agravando o quadro.

FONTE: Agência Brasil

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Chikungunya: como se proteger da doença que corre risco de causar nova epidemia, segundo OMS

 

Vírus disseminado pela picada do Aedes aegypti é endêmico no Brasil, atinge mais mulheres, e se expande pelo mundo devido às mudanças climáticas e à urbanização

A chikungunya é uma doença viral, transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, que vem chamando a atenção de autoridades de saúde no Brasil e no mundo.

Até agosto de 2025, aproximadamente 317 mil casos e 135 mortes foram relacionados à chikungunya em 16 países e territórios das Américas, África, Ásia e Europa, de acordo com o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC). Destes, quase 120 mil casos e 106 mortes foram relatados no Brasil, o país com a maior incidência e o maior número de óbitos pela doença das Américas, segundo a Organização Panamericana de Saúde (OPAS).

“A chikungunya é uma doença endêmica no Brasil, com surtos mais intensos em períodos chuvosos e regiões de clima quente, e com o mosquito adaptado às áreas urbanas. Por isso, precisamos manter atenção constante, mesmo fora de grandes epidemias, porque o risco sempre existe”, explica o gestor médico do Butantan, Eolo Morandi.

No Brasil, em 2025, foram notificados mais de 125 mil casos e 121 óbitos, segundo o Painel de Monitoramento de Arboviroses do Ministério da Saúde. Os estados de Mato Grosso (49.377), Mato Grosso do Sul (13.485) e Rondônia (4.671) registraram os maiores números de casos prováveis e os maiores coeficientes de incidência de casos por 100 mil habitantes no país.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta para o risco de uma epidemia global de Chikungunya devido a três fatores: mudanças climáticas, aumento da urbanização e de viajantes para áreas endêmicas. O Brasil responde por 96% dos casos confirmados e 72% das mortes nas Américas, segundo o boletim mais recente da organização.

"A chikungunya não é uma doença amplamente conhecida, mas foi detectada e transmitida em 119 países em todo o mundo, colocando 5,6 bilhões de pessoas em risco", disse Diana Rojas Alvarez, médica da OMS e líder da equipe de arbovírus, em Genebra, durante anúncio em julho deste ano.

Como diferenciar a dengue da chikungunya?

A chikungunya e a dengue podem ser facilmente confundidas no exame clínico, por terem sintomas semelhantes. Ambos os vírus são transmitidos no Brasil pela picada do Aedes aegypti e se manifestam através de febre, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, vômitos e mal-estar. No entanto, a principal diferença, segundo Eolo Morandi, está na dor nas articulações típica da chikungunya.

“A chikungunya causa dores articulares muito mais intensas e prolongadas. É comum o paciente sentir dor até nas grandes articulações e ficar bastante debilitado por semanas ou meses. Já a dengue costuma causar quadros mais graves e internações, mas seus sintomas duram menos tempo”, explica.

O nome chikungunya deriva de uma palavra na língua Kimakonde, do sul da Tanzânia, que significa “aquilo que se curva” e descreve a postura contorcida de pessoas infectadas com fortes dores nas articulações. A doença foi descrita pela primeira vez na Tanzânia em 1952 e o vírus foi isolado pela primeira vez na Tailândia em 1958.

“Em alguns casos, especialmente entre pessoas com comorbidades como diabetes, hipertensão, obesidade ou doenças reumatológicas, as dores podem se tornar crônicas, persistindo por três a cinco anos e comprometendo a qualidade de vida”, afirma o gestor médico.

Diagnóstico e evolução da doença

O diagnóstico é feito tanto clinicamente, pelos sintomas, quanto laboratorialmente. “Nos primeiros 5 a 7 dias da infecção, pode-se usar o exame de sangue PCR viral para determinar a presença do vírus. Após 10 a 15 dias, a identificação pode ser feita pela presença de anticorpos no organismo, que confirmam o contato com o vírus”, explica Eolo Morandi.

A preocupação central é a cronificação das doenças articulares, ou seja, quando os sintomas de dor nas articulações se tornam duradouros ou permanentes. Pessoas que apresentam a doença articular nos primeiros 7 dias e têm comorbidades associadas correm mais o risco de ter dores crônicas. As comorbidades que predispõem a essa condição incluem diabetes, hipertensão, obesidade, artrites reumatoides ou doenças neurológicas.

“Quando o quadro se cronifica, ele pode persistir por um longo período, até 36 meses. Essa persistência, mesmo após o período inflamatório agudo, debilita e limita a pessoa, comprometendo suas atividades diárias e laborais”, afirma Eolo Morandi.

Apesar de geralmente apresentar um quadro leve e não levar a hospitalizações, a chikungunya pode deixar marcas duradouras. “Quem tem chikungunya não esquece, pois ela causa um quadro bem típico, com potencial complicações de longo prazo e a pessoa fica muito debilitada”, ressalta o médico.


Quem corre mais risco de complicações?

A chikungunya pode causar complicações ainda mais sérias em recém-nascidos e em idosos. Os bebês ainda não têm o sistema imunológico completamente formado, enquanto os idosos costumam apresentar uma resposta imune enfraquecida, o que é característico dessa fase da vida.

Estudos também sugerem que mulheres -que no Brasil representam 60% dos casos- têm maior chance de apresentar dores articulares severas, possivelmente por fatores hormonais e imunológicos. Porém, são necessários mais estudos para que essas associações sejam confirmadas.

“As mulheres costumam buscar mais o serviço de saúde, e os casos acabam sendo mais diagnosticados entre elas”, ressalta Eolo, citando outro fator que pode estar relacionado à maior notificação dos casos de chikungunya em mulheres.

O impacto do clima no aumento de casos

As mudanças climáticas também influenciam a expansão da chikungunya. “Com o aumento das temperaturas em zonas temperadas, os mosquitos como o Aedes albopictus começaram a se multiplicar mais intensamente na Europa e nos Estados Unidos”, explica Eolo Morandi.

Enquanto no Brasil o vetor da Chikungunya é o Aedes aegypti, em locais como a América do Norte e a Europa os casos estão mais atrelados a picadas do Aedes albopictus.


Vacinação pode conter surtos futuros

Justamente pelo impacto das mudanças no clima é que uma vacina contra a chikungunya se mostra cada vez mais necessária.

Em abril de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a vacina contra a chikungunya desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica Valneva.

“O objetivo no Brasil é conter surtos e reduzir o impacto da doença. Como somos um país endêmico, a vacinação tem um papel importante no controle epidemiológico”, afirma Eolo Morandi.


Prevenção continua sendo essencial

Enquanto a vacina não chega à população, o controle do mosquito continua sendo essencial para evitar surtos.

“A vacina é uma ferramenta poderosa, mas não substitui os cuidados com o mosquito. O combate ao vetor é responsabilidade de todos”, reforça o gestor médico.

Para evitar a proliferação do inseto, evite deixar água parada em vasos, caixas e pneus; use repelente e roupas que cubram braços e pernas; mantenha o quintal limpo e calhas desobstruídas; colabore com as ações de fiscalização e controle do mosquito.

FONTE: Instituto Butantan

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Brasileiro criador do "Aedes" que bloqueia dengue é eleito pela Nature

 
Luciano Moreira entrou na lista dos cientistas mais influentes de 2025

O engenheiro agrônomo Luciano Andrade Moreira foi escolhido pelos editores da revista Nature como uma das dez pessoas ao redor do mundo que moldaram a ciência em 2025. Seu nome configura na lista “Nature’s 10”.

Em associação com outros cientistas, Moreira estuda há mais de uma década o uso da bactéria natural Wolbachia, comum em diferentes insetos, em mosquito Aedes aegypti para bloquear a transmissão de vírus como os da dengue, zika e chikungunya.

A técnica desenvolvida a partir da pesquisa é chamada de “Método Wolbachia.” Como demonstrou em artigo assinado em 2009, os mosquitos portadores da bactéria têm menor probabilidade de contrair esses vírus.

Segundo a revista Nature, “os cientistas ainda não compreendem o mecanismo, mas a bactéria pode estar competindo com o vírus por recursos ou estimulando a produção de proteínas antivirais.”

A aplicação do método pode ser decisiva no controle de doenças. Os mosquitos infectados com a bactéria, chamados de wolbitos, ao serem liberados em áreas urbanas e ao se reproduzirem com outros Aedes aegypti reinfectam a bactéria para as novas gerações de mosquitos.

Fábrica de mosquitos

É isso que faz uma biofábrica de mosquitos wolbitos com sede em Curitiba (PR), dirigida por Luciano Andrade Moreira, e criada em parceria entre a Fiocruz, o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) e o World Mosquito Program (WMP), uma organização sem fins lucrativos com atuação em 14 países.

Atualmente, o Método Wolbachia faz parte da estratégia nacional de enfrentamento das arboviroses, do Ministério da Saúde, e está em implantação em Balneário de Camboriú (SC), Brasília (DF), Blumenau (SC), Joinville (SC), Luziânia (GO) e Valparaíso de Goiás (GO).

A escolha das cidades é feita pelo ministério considerando indicadores epidemiológicos – a ocorrência de casos de arboviroses em padrões elevados nos últimos anos.

A Revista Nature é uma publicação britânica em circulação desde 1869 e é considerada a revista científica mais citada do mundo. A lista “Nature’s 10” não configura como prêmio ou ranking acadêmico, mas coloca em destaque internacional pesquisadores e iniciativas de impacto.

Em 2023, a ministra Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima) foi incluída na lista pelo trabalho no combate ao desmatamento na Amazônia Legal.

FONTE: Agência Brasil



domingo, 20 de julho de 2025

Brasil inaugura maior biofábrica do mundo de mosquitos “do bem”

 
Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) e o World Mosquito Program (WMP) inauguraram neste sábado (19) a Wolbito do Brasil, maior biofábrica do mundo especializada na criação do mosquito Aedes aegypti inoculado com a bactéria Wolbachia, que impede o desenvolvimento dos vírus de doenças como dengue, chikungunya e zika.

Com 70 funcionários, a biofábrica diz ser capaz de produzir 100 milhões de ovos de mosquito por semana. Inicialmente, a unidade atenderá unicamente o Ministério da Saúde, que seleciona os municípios para a implementação do método Wolbachia, tendo como base os mapas de incidência das arboviroses transmitidas pelo Aedes.
O método, que promete reduzir drasticamente a transmissão e os gastos com os tratamentos dessas doenças, é testado no Brasil desde 2014, quando foram feitas liberações em Tubiacanga e Jurujuba, bairros das cidades do Rio de Janeiro e de Niterói (RJ), respectivamente.
O Wolbachia foi expandido para mais seis cidades: Londrina e Foz do Iguaçu, no Paraná; Joinville, em Santa Catarina; Petrolina, em Pernambuco; e em Belo Horizonte e Campo Grande, capitais de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, respectivamente. O método está em fase de implantação nos municípios de Presidente Prudente, em São Paulo, Uberlândia, em Minas Gerais, e Natal, capital do Rio Grande do Noere.

Os próximos a receberem o método são Balneário Camboriú e Blumenau, em Santa Catarina, além de novas áreas em Joinville, em Santa Catarina; Valparaíso de Goiás e Luziânia, em Goiás; e na capital federal, Brasília.

Segundo a Wolbito do Brasil, a implantação do método nessas cidades encontra-se na fase de comunicação e engajamento da população. A liberação dos mosquitos nessas regiões está prevista para o segundo semestre.

A biofábrica frisa que o método não usa mosquitos transgênicos e é complementar a outros métodos e aos cuidados básicos que a população deve manter para eliminar os criadouros de insetos.

O Instituto de Biologia Molecular do Paraná, sócio na biofábrica, foi criado em uma parceria entre o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), ligado ao governo estadual, e a Fundação Oswaldo Cruz (Fioruz), ligada ao Ministério da Saúde.

“A inauguração dessa fábrica coloca o Brasil, por meio dessa associação da Fiocruz com o Tecpar, aqui no Paraná, na linha de frente dessa tecnologia para todo mundo”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que participou da inauguração.

COMO FUNCIONA
Presente em 14 países, o método consiste em liberar no ambiente mosquitos inoculados com a Wolbachia, para que se reproduzam com a população local de Aedes aegypti e gerem descendentes também portadores da bactéria e, portanto, com menores chances de transmitir dengue, chikungunya ou zika para humanos.

As wolbachias são um gênero de bactérias presente em mais da metade dos insetos do mundo, estima a ciência. Em estudos desenvolvidos desde o início dos 2010, cientistas conseguiram reproduzir com segurança Aedes aegypti infectados com espécies de wolbachias que não ocorreriam naturalmente no mosquito.

No Aedes, tais bactérias demonstraram ser capazes de impedir a multiplicação de diferentes arbovírus transmissíveis aos humanos, sendo ao mesmo tempo capazes de favorecer que mosquitos com a bactéria tenham uma vantagem reprodutiva sobre populações não infectadas.

Segundo a Fiocruz, a expectativa é que para cada R$ 1 investido, a economia do governo em medicamentos, internações e tratamentos em geral gire entre R$ 43,45 e R$ 549,13.
Fonte: Agência Brasil

sexta-feira, 23 de agosto de 2024

Mosquito é o animal que mais mata no mundo; veja os cuidados



Em 20 de agosto de 1897, o médico britânico Ronald Ross comprovou que fêmeas do mosquito Anopheles eram responsáveis por casos de malária registrados em humanos. A descoberta lhe rendeu o Prêmio Nobel de Medicina, em 1902, e, atualmente, marca o Dia Mundial do Mosquito, lembrado nesta terça-feira (20).

A proposta da data é, anualmente, relembrar a contribuição do médico para o combate à malária e ampliar a consciencialização sobre outras doenças igualmente transmitidas por mosquitos. A lista, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), inclui ainda dengue, febre do Oropouche, chikungunya, zika e febre amarela.

“Enfermidades transmitidas por mosquitos colocam a vida de bilhões de pessoas em risco. Mas essas doenças podem ser prevenidas”, destacou a OMS. Como não há vacina para grande parte das infecções provocadas por mosquitos, a recomendação de autoridades sanitárias em todo o mundo é prevenir a picada para se proteger de potenciais riscos.

O Centro de Controle e Prevenção dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês), alerta que o mosquito é responsável por mais doenças e mortes que qualquer outro animal no planeta. Dentre as estratégias de prevenção listadas estão o uso de repelentes e de calças e camisas de manga comprida, além do controle do mosquito em ambientes internos e externos.

Repelentes

Quando utilizados de forma correta e conforme previsto no rótulo, os repelentes, segundo o CDC, são indicados, inclusive, para crianças e gestantes. No caso de bebês e crianças pequenas, a orientação é consultar o pediatra para avaliar o uso do produto, além de vestir a criança com roupas que cubram braços e pernas e utilizar mosquiteiros sobre berços e carrinhos.

Outra orientação importante é reaplicar o repelente conforme recomendado no rótulo do produto – geralmente, após longos períodos desde a última aplicação e após contato com água ou suor. Quando o uso do repelente for feito de forma concomitante com o protetor solar, o repelente deve ser aplicado somente após o protetor.
 
Controle da circulação

Para o controle da circulação de mosquitos em ambientes internos, o CDC recomenda o uso de telas em janelas e portas para manter o vetor do lado de fora e o uso de aparelhos de ar condicionado, sempre que possível (o equipamento reduz a umidade do ar e torna o ambiente mais frio e, consequentemente, mais hostil ao mosquito).

Outra orientação bastante conhecida por muitos brasileiros é eliminar potenciais focos do mosquito - vasos de planta e outros reservatórios de água parada, além de, pelo menos uma vez por semana, enxaguar e esfregar bem objetos que comumente acumulam água, como pneus, baldes, brinquedos, piscinas infláveis e lixeiras.

Sinais de alerta

Dentre os sintomas classificados pelo Ministério da Saúde como sinais de alerta para arboviroses como dengue, zika, chikungunya, malária e febre do Oropouche estão:

- febre alta e/ou persistente;

- dores musculares e nas articulações;

- manchas vermelhas (exantema);

- dor de cabeça ou atrás dos olhos;

- diarreia e/ou dor forte na barriga;

- pressão baixa;

- náusea e vômitos frequentes;

- agitação ou sonolência;

- sangramento espontâneo;

- diminuição da urina;

- extremidades frias.

Em caso de sintomas, a orientação é procurar uma unidade de saúde e não tomar medicações por conta própria. Pessoas com doenças crônicas, gestantes, crianças menores de dois anos e idosos acima de 65 anos são mais suscetíveis a complicações provocadas por doenças transmitidas por mosquitos. Nesses casos, os cuidados devem ser redobrados.