Mostrando postagens com marcador ZICA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ZICA. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Instituto Butantan pesquisa remédio contra o vírus Zika

O Instituto Butantan iniciou a pesquisa de um medicamento para tratar pessoas infectadas com o vírus Zika. Transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, a infecção pelo Zika pode provocar microcefalia em bebês quando a mãe, ainda gestante, entra em contato com o vírus.

A pesquisa do Butantan vai adotar como métodos o reposicionamento de fármacos e a triagem de alto conteúdo. Essas tecnologias permitem que coleções de compostos químicos sejam triadas contra o vírus em células humanas infectadas.


Estudo precursor

Segundo o instituto, esse processo é mais rápido porque dispensa a necessidade de validar previamente o alvo molecular, o que poderia levar vários anos.

Os pesquisadores envolvidos no estudo fizeram trabalho semelhante no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, em Campinas, com 725 medicamentos aprovados nos Estados Unidos, e encontraram 29 substâncias com ação sobre o vírus.

Na pesquisa, a célula humana, infectada com o vírus Zika por 72 horas, é exposta à ação dos fármacos para tentar inibir a infecção.

Esse procedimento é chamado de atividade antiviral, utilizando um vírus isolado. Os cientistas avaliaram a atividade dos fármacos na distribuição e metabolização do organismo. Entre os compostos descobertos nesse estudo, o mais promissor foi palonosetron, usado atualmente no tratamento de náusea induzida por quimioterapia de câncer. O composto apresentou alta eficácia contra a infecção pelo vírus Zika.

Agência Brasil

terça-feira, 22 de março de 2016

OSWALDO CRUZ, O MÉDICO QUE DERROTOU O AEDES



               Acervo Casa de Oswaldo Cruz



No começo do século passado, o Brasil assistia a uma caçada inédita e implacável ao Aedes aegypti. Na época, a doença que o mosquito espalhava era a devastadora febre amarela. A dengue ainda era um mal distante e exótico, e os médicos nem sequer sonhavam com a zika e a chicungunha.
A operação de guerra foi montada em 1903 pelo governo de Rodrigues Alves, o quinto presidente da República. Além de inédita e implacável, foi rápida e exitosa. Em um ano, os números se reduziram drasticamente. Pouco depois, já não havia sinal de febre amarela no Rio. O Aedes finalmente deixava de causar terror na capital do Brasil.
O artífice da estratégia sanitária foi o médico e cientista Oswaldo Cruz, chefe da Diretoria-Geral de Saúde Pública (embrião do que seria o Ministério da Saúde). Ele arregimentou uma brigada de agentes que percorriam a cidade em charretes puxadas por mulas, fazendo uma varredura nas ruas e nas casas atrás dos mosquitos e de suas larvas.
Os mata-mosquitos, como eram apelidados, lavavam os bueiros, diluíam querosene nos pântanos, enchiam de areia os cacos de garrafa cimentados sobre os muros para afastar os ladrões e entornavam os tonéis de água guardados nos quintais, para desespero das famílias que não tinham água encanada.
Quando flagravam os pernilongos rajados em alguma casa, eles envolviam a residência inteira com um gigantesco mosquiteiro, para que nenhum escapulisse, e lá dentro borrifavam uma fumaça mortal para o Aedes. Toda a vizinhança, num raio de cem metros, se submetia ao mesmo “expurgo”.

Intimidade do lar Oswaldo Cruz logo se transformou na figura mais odiada da capital. Os cariocas ficaram enfurecidos porque o governo estava violando “a intimidade do lar”. Contando com poderes de polícia, os agentes de saúde entravam nas casas mesmo sem a autorização dos donos.
Para os pobres, as ações sanitárias ainda eram mais assustadoras. Quando as tropas de Oswaldo Cruz consideravam uma moradia insalubre, ela era sumariamente demolida e os moradores, que viviam de aluguel, tinham que se virar.
Assim como ocorre com a dengue, a zika e a chicungunha, a febre amarela não é transmitida diretamente de pessoa para pessoa. O Aedes age como vetor, carregando o vírus de uma pessoa doente para uma sadia.
Para barrar a transmissão, os mata-mosquitos também providenciavam o isolamento dos “amarelentos”, que eram ou mantidos sozinhos dentro de um quarto de casa, com a porta e a janela bloqueadas com mosquiteiros, ou mandados para uma quarentena no Hospital de São Sebastião, no bairro do Caju. Só ganhavam a liberdade quando já estavam plenamente curados.
Os isolamentos compulsórios também contribuíram para a péssima fama de Oswaldo Cruz entre os cariocas.
Nem mesmo os médicos e os cientistas apoiavam a estratégia de Oswaldo Cruz. A obsessão pelos mosquitos, na opinião deles, era um completo equívoco.
O meio médico-científico brasileiro ainda acreditava na ideia de que a origem das doenças era a insalubridade do ambiente. Segundo essa teoria, os vapores pútridos emanados da matéria orgânica em decomposição no solo e no subsolo tinham o poder de deixar as pessoas doentes. O nome “malária”, que significa “mau ar” em italiano, tem origem nesse equívoco.
Em 1899, o médico cubano Carlos Finlay conduziu experimentos científicos que concluíram que era o mosquito que espalhava o vírus da febre amarela. Uma das primeiras medidas de Oswaldo Cruz ao assumir a Diretoria-Geral de Saúde Pública foi viajar a Cuba para conhecer os estudos de Finlay e a estratégia que livrou Havana da doença.
Ocorre que as autoridades mundiais da ciência olharam com desconfiança a descoberta feita em Cuba, mantendo-se aferradas à crença medieval dos vapores contaminantes.

Tribuna do Senado
A oposição a Oswaldo Cruz ganhava eco no Congresso Nacional e na imprensa, que consideravam um desperdício de dinheiro investir na caçada ao mosquito e não na desinfecção de terrenos baldios e ruas de terra.
Em 1903, da tribuna do Palácio Conde dos Arcos, a sede do Senado, o senador Bernardo Sobrinho (AL) atacou:
— De que serve vermos todos os dias pelas ruas desta capital turmas e turmas de empregados da higiene varrendo telhados, destelhando casas, matando mosquitos, procurando culicídeos [mosquitos] por toda parte? Esse serviço melhora, porventura, o estado de salubridade do Rio de Janeiro? As febres não continuam a reinar e até com maior intensidade por toda parte?
Em seus discursos, o senador Barata Ribeiro (DF), que era médico, militava ostensivamente contra as novas medidas sanitárias e avisou que barraria os mata-mosquitos em sua casa:
— Selam-se todas as caixas d’água nas casas particulares, mas a minha faz exceção. Jamais consentirei que o pedantismo ignorante invada os limites da minha ação de chefe de família.
Barata Ribeiro, que acreditava no poder das “atmosferas pestilentas”, citou uma experiência pessoal:
— Há dois dias, tinha eu de operar um doente e dirigia-me para o meu escritório pela manhã a fim de tomar meus instrumentos cirúrgicos. Quando abri a porta, senti-me de tal modo atordoado que, para não cair, sustentei-me aos batentes da porta, tal foi a coluna de gases fétidos que vinham de dentro da sala em que trabalho. Tive vertigem e meu coração ficou profundamente ofendido nas suas funções, pela ação dos tóxicos que havia absorvido. Já me tinha sido difícil atravessar o estreito trecho da Rua Nova do Ouvidor ao meu escritório tal era o mau cheiro que exalavam os bueiros e os canos abertos na rua.
Os jornais faziam piada com o sobrenome do diretor-geral de Saúde Pública, dizendo que ele era uma pesada “cruz” que tanto o presidente quanto os cariocas tinham de carregar. As revistas pegavam pesado nas charges, ridicularizando até mesmo o bigode e a cabeleira do cientista.

Sabotagem Para sabotar o diretor-geral de Saúde Pública, os jornais cariocas chegaram a publicar a falsa notícia de que a febre amarela havia brotado de novo em Havana. O próprio Carlos Finlay redigiu um comunicado desmentindo a informação e reafirmando a importância de se combaterem os mosquitos e se isolarem os doentes.
Em 1904, quando a febre amarela no Rio se retraía a olhos vistos, Oswaldo Cruz finalmente começava a ganhar algum apoio. O senador Manoel Duarte (AL) reconheceu:
— Hoje pode haver, e há, muitos mosquitos nesta capital, mas agora não possuindo o gérmen da febre amarela. Sabemos que o mosquito não produz a febre amarela, transmite-a.
Teimoso nas velhas crenças, Barata Ribeiro rebateu:
— Em Nova Orleans [nos EUA] acabaram com a febre amarela e não mataram um só mosquito. E em Campinas nem ao menos puseram fumaça nos olhos dos mosquitos — afirmou.
Chega a ser compreensível que as pessoas da época acreditassem na teoria dos vapores pútridos, apesar de ela ser equivocada, pois havia uma coincidência: sempre que chegavam os meses calorentos do verão carioca, os casos de febre amarela disparavam na mesma proporção dos fedores.
Na virada do século, o Rio não tinha nada de cidade maravilhosa. Pelo contrário, era imunda, carente de saneamento básico, repleta de pântanos e infestada de mosquitos, ratos e sapos. O centro era um labirinto de ruelas apertadas e cortiços abafados. Estava mais para uma caótica cidade colonial do que para a capital de uma jovem República.
Em 1896, causou escândalo internacional o caso do cruzador Lombardia, da Marinha da Itália. Mal o navio de guerra aportou no Rio, um surto de febre amarela se espalhou entre os oficiais. Dos 340 italianos a bordo, apenas 100 conseguiram sobreviver. Até o comandante morreu.

Cidade da morte Pelo mundo afora, com razão, a capital do Brasil era conhecida como cidade da morte. A Baía de Guanabara era evitada a todo custo pelos navios estrangeiros. Os transatlânticos mais procurados para o trajeto entre a Europa e Buenos Aires eram justamente os que não faziam escala no Rio.
A febre amarela afligia anualmente a capital desde a época do Império. Não por outra razão, durante o verão, toda a corte se mudava para Petrópolis, que ficava livre da doença graças ao clima fresco da serra. O próprio dom Pedro II chegou a manifestar preocupação com as epidemias.
— Algumas cidades do nosso litoral, especialmente as da Bahia, de Pernambuco e do Rio de Janeiro, têm sido assaltadas nestes últimos meses de uma febre epidêmica — disse o imperador em 1850, num discurso no Senado. — Os estragos da enfermidade afligem profundamente meu coração. Espero que a divina misericórdia de Deus, ouvindo nossas preces, arrede para sempre do Brasil semelhante flagelo. Tenho empregado todos os meios ao meu alcance para acudir os enfermos.
Por causa da reputação de cidade doente, o Rio afugentava investidores e trabalhadores estrangeiros. Isso precisava mudar. O paulista Rodrigues Alves assumiu a Presidência da República em novembro de 1902 com a ambição de transformar a capital num espelho de Paris, ou seja, numa cidade moderna e aprazível. Ele decidiu dividir o ataque em duas frentes.
Na frente urbanística, o presidente nomeou para o Rio um prefeito que reformaria o porto, canalizaria córregos, botaria os cortiços abaixo, ergueria prédios públicos suntuosos e redesenharia o centro com bulevares e praças. O escolhido foi o engenheiro Francisco Pereira Passos.
A mando do prefeito, foram abertas as Avenidas Beira-Mar e Central (atual Rio Branco) e erguidos o Teatro Municipal e o Palácio Monroe (que em 1925 se tornaria a sede do Senado).
Na frente sanitária, Rodrigues Alves escolheu o jovem Oswaldo Cruz para varrer a febre amarela da capital. O médico tinha apenas 30 anos, mas já acumulava uma vasta experiência na área da microbiologia. Ele havia se especializado no Instituto Pasteur, em Paris, criado o primeiro laboratório de análises clínicas do Brasil, ajudado a combater a peste bubônica no porto de Santos e dirigido o Instituto Soroterápico Federal, que mais tarde se transformaria na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Oswaldo Cruz fez apenas duas exigências para aceitar a missão: contar com verbas suficientes e ter total liberdade para atuar como quisesse, sem interferências. Rodrigues Alves topou.
Logo em seguida, o Senado e a Câmara dos Deputados aprovaram um projeto de lei do governo que destinava às ações sanitárias a soma de 5 mil contos de réis.


Drama familiar A motivação do presidente não era exclusivamente o prejuízo que a insalubridade trazia para o Rio. A febre amarela também representava um drama íntimo. Anos antes, ele havia perdido uma filha pequena por causa da doença.
— Oswaldo Cruz atuou com bastante determinação — diz Ana Luce Girão, historiadora da Casa de Oswaldo Cruz, ligada à Fiocruz. — Ele tinha tanta segurança no que estava fazendo que nem sequer cogitava ceder às pressões, que vinham de todos os lados.
O sucesso foi inquestionável. Em 1903, ano em que o cientista aceitou a missão, a febre amarela matou perto de 600 pessoas no Rio. Em 1909, pela primeira vez desde a chegada da doença, não se registrou nenhuma morte.
O Aedes aegypti, claro, não foi extinto. Isso não é possível nem mesmo com todo o conhecimento científico e tecnológico que se tem hoje. A febre amarela foi erradicada do Rio porque, com os doentes isolados e as nuvens de mosquitos reduzidas, o vírus acabou desaparecendo. Os jornais tiveram que dar o braço a torcer, e Oswaldo Cruz passou a ser tratado como herói.
Depois de pôr em marcha a ação contra a febre amarela, o diretor-geral de Saúde Pública passou a combater a peste bubônica e a varíola. No primeiro caso, dedicou-se a exterminar os ratos. No segundo, tornou compulsória a vacinação.
A população carioca, que já estava com os nervos à flor da pele por causa da ação invasiva dos mata-mosquitos,


reagiu com violência à imunização contra a varíola e deflagrou a Revolta da Vacina, em 1904.
Em 1911, a poetisa francesa Jane Catulle-Mendès passou uma temporada no Rio e encontrou um perfeito exemplar urbano da Belle Époque, bem do jeito que Rodrigues Alves havia sonhado. Aos jornais, a francesa declarou que o Rio “foi feito para o encanto dos poetas”. Pouco depois, ela lançaria o livro La Ville Merveilleuse (A Cidade Maravilhosa), com suas impressões sobre a capital. Assim nasceu o famoso apelido.
A paz dos cariocas duraria apenas duas décadas. Com o desaparecimento da febre amarela em 1909, o governo foi aos poucos relaxando a caça ao Aedes aegypti e às suas larvas. Em 1928, uma grande epidemia surpreendeu a cidade. Oswaldo Cruz havia morrido em 1917 e não testemunhou o retrocesso.

´
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)




Saiba mais







sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

O ZICA TEM A VER COM A MUDANÇA DO CLIMA?

Aumento de temperaturas, das cidades a da população fizeram mosquito se espalhar e área de  dengue triplicar no Brasil em uma década; vírus da microcefalia também pode se tornar comum


A incidência do zika vírus pode ficar tão comum quanto os casos de dengue no Brasil. E os próximos anos podem trazer novas doenças do tipo, por um fator muito simples: o Brasil está um lugar melhor de viver para o mosquito Aedes aegypti. A associação de mudanças climáticas globais, ilhas de calor urbanas, aumento da população e más condições de saneamento forma o combo perfeito para a proliferação da praga.
 
“O Aedes tomou conta do mundo”, diz o virologista Átila Iamarino, do Instituto de Biociências da USP. Ele explica que o inseto que ficou conhecido como “mosquito da dengue” pode portar diversos outros vírus aparentados com a dengue – os chamados flavivírus, que precisam de vetores como mosquitos e carrapatos. “Se o mosquito tem cada vez mais espaços para circular e está adaptado às cidades, o surgimento de outras doenças é questão de tempo”, alerta Iamarino.
 
O zika tem esse nome por causa de uma floresta homônima em Uganda, onde foi descoberto na década de 1940. Sua forma de chegada ao Brasil ainda não é consenso entre os pesquisadores. A hipótese mais aceita é que o vírus tenha aportado por aqui durante a Copa do Mundo, quando ocorreu grande circulação de estrangeiros no Brasil. A Copa aconteceu no inverno, período em que, em tese, a circulação de mosquitos no Centro-Sul do país cai devido ao frio. O vírus pode ter incubado na população de mosquitos nesse período, para começar a infectar humanos após o fim da estação seca.
 
“A dengue já está no país todo, e cresceu em grandes cidades onde antes era mais frio e agora as temperaturas são mais altas”, diz Christovam Barcellos, pesquisador da Fiocruz. Ele afirma que, quanto mais calor, mais as doenças vão se espalhar. “O mosquito se reproduz mais rapidamente em locais de clima quente.” O pesquisador diz que a situação não deve ser controlada tão cedo e que a tendência do zika, assim como ocorreu com a dengue, é se espalhar pelo centro do Brasil.
 
A área de transmissão de dengue no Brasil mais do que triplicou apenas entre 2001 e 2011, de 2 milhões de quilômetros quadrados para 7 milhões de quilômetros quadrados. O número de pessoas em risco dobrou, de 80 milhões para 160 milhões.
 
Dados do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, por sua vez, ajudam a explicar o mapa. A maior parte do Brasil esquentou mais do que a média mundial no último século. O Nordeste, o centro do país e partes da Amazônia aqueceram de 1,2oC a 1,6oC desde 1960, em média. O número de noites quentes cresceu no país inteiro. Em alguns lugares, as temperaturas mínimas subiram 1,4oC por década. Temperatura mínima é um parâmetro importante para o mosquito, porque o Aedes precisa de calor e água – e uma série de noites frias pode ser a diferença entre uma nova geração de insetos nascer ou não.
 
 
De acordo com o Ministério da Saúde, já há registros do vírus zika em 19 das 27 unidades federativas do país. Ainda não há confirmação do número de casos. Já a dengue teve 1,6 milhão de registros em 2015, 62,2% deles na região Sudeste. O aumento do número de casos em relação a 2014 é de 178%. A febre chikungunya teve, em 2015, 20.661 registros, contra 3.657 no ano anterior.
 
Os Estados Unidos e países europeus já emitiram alerta, aconselhando seus cidadãos a evitar viagens ao Brasil e outros países da América do Sul, além da América Central, pelo risco de contágio. Já há ocorrência de casos no Reino Unido – importados da América do Sul, de acordo com a imprensa local –, Estados Unidos, Espanha, Itália, México, entre outros.
 
Um estudo publicado no periódico de saúde The Lancet alerta para o potencial de exportação da epidemia a partir do Brasil. A pesquisa mapeou os destinos finais dos 9,9 milhões de turistas estrangeiros que passaram por áreas de risco no país: 65% deles tinham como destino as Américas, 27% para a Europa e 5% para a Ásia. Os dados são alarmantes: cerca de 60% da população dos EUA, Itália e Argentina – alguns dos países com maior fluxo de turistas para o Brasil – vivem em áreas vulneráveis à transmissão sazonal da doença, considerando condições climáticas e ambientais favoráveis à proliferação do Aedes.
 
Até 2007, menos de 20 casos de zika eram conhecidos em todo o mundo, na África e na Ásia. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), entre novembro de 2015 e janeiro de 2016, a transmissão local do vírus, os chamados casos autóctones, foi detectada em 14 novos países e territórios.
 
Iamarino diz que mesmo que haja menos casos em países mais frios, o Aedes albopictus, outro tipo do mosquito, é mais resistente a essas condições climáticas. O virologista fala sobre as viagens do Aedes pelo mundo neste vídeo didático em seu canal no YouTube, o Nerdologia:
 
Controle do mosquito
 
O consenso entre os pesquisadores ouvidos pelo Observatório do Clima é que a única forma de evitar epidemias é eliminar o mosquito. “O mosquito sempre foi portador dessas doenças. O problema é que ele se espalhou”, diz Margareth Capurro, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo.
 
Em locais quentes e com condições sanitárias ruins – cidades secas em que há reservatórios domésticos de água para consumo, por exemplo –, o mosquito encontra o ambiente ideal para se reproduzir. Foi provavelmente o que aconteceu em São Paulo em 2014 e 2015, anos em que o número de casos de dengue foi alto mesmo com um verão muito seco, no qual a população estocou água. Mas a pesquisadora afirma que a adaptação do Aedes ao meio urbano tem facilitado a sua proliferação. “Eu já encontrei larva do mosquito em papel de bala em Porto Velho”, conta.
 
Capurro diz que o controle do Aedes no Brasil deve considerar todas as alternativas – campanhas educativas, eliminação de focos, controle biológico, fumacê, armadilhas simples para o mosquito, mosquitos transgênicos –, mas que não adianta começar no verão, quando o mosquito já está em grande quantidade. “Tem que pensar no combate ao Aedes como uma guerra e usar todo o arsenal.”

EcoAgência