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terça-feira, 14 de abril de 2026

Vírus sincicial também traz risco para idosos, alertam especialistas

 
Casos do VSR devem aumentar no segundo trimestre

O aumento dos casos de influenza A tem causado preocupação, mas esse não é o único agente infeccioso que ameaça a saúde dos brasileiros. No primeiro trimestre deste ano, de acordo com dados do Ministério da Saúde, 18% dos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) com identificação viral confirmada foram causados pelo vírus sincicial respiratório (VSR), uma infecção ainda pouco conhecida.

Neste segundo trimestre, a expectativa é de aumento. De fevereiro a março, o VSR correspondeu a 14% dos casos de síndrome com vírus confirmados, de acordo com o Boletim Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

De março a abril, essa proporção subiu para 19,9%. Em 2025, por 23 semanas consecutivas, de março a agosto, o VSR foi o vírus mais prevalente.

Já dados de laboratórios privados sobre pacientes com quadros leves e graves, mostram que, na semana encerrada em 4 de abril deste ano, 38% dos testes positivos para algum vírus acusaram o VSR. Essa proporção é 12 pontos maior do que a verificada na primeira semana de março, de acordo com informações reunidas pelo Instituto Todos pela Saúde.

Dados subestimados

Para a pneumologista e professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Rosemeri Maurici, esses números são apenas "a ponta do iceberg" e o risco do VSR é subestimado, especialmente em adultos e idosos.

Ela explica que a testagem contra o VSR só começou a ser feita em maior escala, no Brasil, a partir da pandemia de covid-19, por isso, o impacto real da doença ainda não é totalmente conhecido.


"Muitos hospitais internam pacientes com síndrome respiratória aguda agrave, e eles até morrem, sem saber qual o agente que causou, porque não testaram ou testaram fora do prazo que é identificável."

Dos cerca de 27,6 mil casos de SRAG registrados no primeiro trimestre deste ano, por exemplo, em apenas um terço, ou seja, em 9.079, o vírus causador foi identificado. E quase 17% não foram sequer testados.

Além disso, como o VSR é o principal causador da bronquiolite, uma inflamação nos pulmões que acomete principalmente os bebês, muitas pessoas acham que o vírus não atinge adultos.

De fato, dos 1.651 casos graves de infecção por VSR registrados de janeiro a março, 1.342 foram em menores de dois anos. Entre pessoas com mais de 50 anos, apenas 46 casos foram confirmados.

Mas a médica ressalva que, em pacientes adultos, a carga viral do VSR diminui após 72 horas da infecção, o que dificulta a detecção do vírus. Já as crianças demoram mais para eliminar o invasor, o que propicia janela maior de diagnóstico. Para ela, isso também influencia as estatísticas.

Comorbidades

Os dados de mortes, por outro lado, mostram uma relação bem menos desigual: foram 27 no total este ano, sendo 17 em bebês de até 2 anos, e sete entre idosos com 65 anos ou mais. De acordo com a geriatra Maisa Kairalla, o envelhecimento pesa nessa conta, assim como as comorbidades adquiridas ao longo da vida.

"Só com o avanço da idade, a gente já tem a imunosenescência, que é o declínio do sistema imunológico, ou seja, mais chance de ter doenças infecciosas. Acontece que, no Brasil, também se envelhece com doenças crônicas.”

Segundo a pneumologista, a essa população se soma muitos pacientes que por muito tempo fumaram e ingeriram bebida alcoólica.

Idosos mais propensos

Por esse conjunto de fatores, os idosos são mais propensos a desenvolver quadros mais graves de diversas doenças. Mas dados da literatura médica apresentados por Maísa, mostram que o VSR representa um risco especial.

O paciente idoso com VSR tem 2,7 vezes mais chance de desenvolver pneumonia, e duas vezes mais chances de precisar de UTI e intubação e de vir a óbito, na comparação com a influenza.

As duas especialistas participaram na última terça-feira (7), do seminário "Impacto do VSR na população 50+", organizado pela farmacêutica GSK para jornalistas, em São Paulo. O evento também debateu algumas condições de saúde que inspiram ainda mais cuidados entre esse público.

O cardiologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo Múcio Tavares ressaltou que mais de 60% dos casos graves associados à infecção pelo vírus essencial respiratório ocorrem em pacientes com alguma doença cardiovascular.

"As doenças virais respiratórias costumam levar a eventos cardiovasculares e cérebro-vasculares, como infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e piora da insuficiência cardíaca. Isso tudo acontece porque a infecção viral causa uma inflamação sistêmica no organismo", explicou.

O endocrinologista Rodrigo Mendes também alertou para a maior vulnerabilidade dos pacientes com diabetes, pois a maior concentração de glicose no sangue torna o paciente mais suscetível a infecções e agravamentos.

"Muitas vezes, o paciente está com a doença controlada e o tratamento estável há algum tempo. Aí ele contrai uma infecção, que gera uma resposta inflamatória exacerbada e ele não só precisa ser hospitalizado como também passa a precisar de um tratamento mais complexo", acrescenta.

Outro grupo de alto risco é o das pessoas com doenças respiratórias crônicas como asma grave e doença pulmonar obstrutiva (DPOC). De acordo com a professora da UFSC, Rosemeri Maurici, o impacto de uma internação em UTI aumenta em 70% a probabilidade desses pacientes morrerem em até três anos.

"Além disso, ele começa a sofrer a perda da função pulmonar de forma acelerada. E esses pacientes, uma vez internando, a probabilidade de eles internarem novamente é muito grande."

Vacinação

O VSR, e especialmente o agravamento da infecção, pode ser prevenido com vacinação, mas os imunizantes contra o vírus para a população adulta, por enquanto, estão disponíveis apenas na rede privada.

Por enquanto, o Programa Nacional de Imunizações do Sistema Único de Saúde oferece apenas a vacina para gestantes, com o objetivo de proteger os bebês nos primeiros meses de vida.

A imunização é recomendada por entidades médicas, como a Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), para pessoas de 50 a 69 anos com comorbidades e para todos os idosos a partir dos 70 anos.

A professora da UFSC Rosemeri Maurici, que também é coordenadora da Comissão de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia sugere que as sociedades médicas indiquem os grupos prioritários à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS-Conitec, responsável por recomendar a adoção de novas terapias ao Ministério da Saúde.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

SUS oferece vacina contra bronquiolite para bebês prematuros

 
Crianças com comorbidade também poderão receber proteção

A partir deste mês, bebês prematuros e com comorbidades poderão receber vacina contra bronquiolite no Sistema Único de Saúde (SUS). O medicamento oferecido é o nirsevimabe, que amplia a proteção contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal causa da doença.

O ministério da Saúde explica que o nirsevimabe é um anticorpo monoclonal, capaz de fornecer proteção imediata. Não há necessidade, nesse caso, de estimular o sistema imunológico do bebê a produzir seus próprios anticorpos.

São considerados bebês prematuros aqueles nascidos com idade gestacional inferior a 37 semanas. Entre as comorbidades que atingem bebês de até 2 anos de idade são: doença pulmonar crônica da prematuridade (broncodisplasia), cardiopatia congênita, anomalias congênitas das vias aéreas, doença neuromuscular, fibrose cística, imunocomprometimento grave, de origem inata ou adquirida, e síndrome de Down.

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, 300 mil doses já foram distribuídas para todo o país.

O SUS já oferece a vacina contra o VSR para gestantes, a partir da 28ª semana de gravidez, protegendo os bebês desde o nascimento. O vírus é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e 40% dos casos de pneumonia em crianças menores de dois anos.

FONTE: Agência Brasil

Em 2025, até a 22 de novembro, o Brasil registrou 43,2 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causados por VSR. Desses casos, a maior concentração de hospitalizações ocorreu em crianças com menos de dois anos de idade, totalizando mais de 35,5 mil ocorrências, o que representa 82,5% do total de casos de SARG por VSR no período.

Como a maioria dos casos é decorrente de infecção viral, não existe um tratamento específico para a bronquiolite. O manejo é baseado apenas no tratamento dos sinais e sintomas que incluem: terapia de suporte; suplementação de oxigênio, conforme necessário; hidratação; e uso de broncodilatadores, (substâncias que promovem a dilatação das pequenas vias aéreas nos pulmões), especialmente quando há chiados evidentes.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Por que a vacina contra o vírus sincicial respiratório, que combate a bronquiolite, é importante para gestantes e bebês

 

Imunizante será oferecido no Sistema Único de Saúde pela primeira vez, devido uma parceria entre o Instituto Butantan e a farmacêutica norte-americana Pfizer


O vírus sincicial respiratório (VSR) é uma das principais causas de infecções respiratórias em crianças pequenas e em idosos, podendo provocar quadros graves como a bronquiolite e até mortes, especialmente em bebês.

Em dezembro de 2025, a vacina contra o VSR indicada para gestantes, como forma de proteger recém-nascidos da bronquiolite e da pneumonia, começou a ser distribuída pela primeira vez no Sistema Único de Saúde (SUS).

A iniciativa é fruto de uma parceria do Instituto Butantan com a farmacêutica norte-americana Pfizer, que vai culminar na transferência tecnológica da vacina para a organização brasileira e no fornecimento em conjunto do imunizante para a rede pública.

O vírus sincicial respiratório (VSR) é uma das principais causas de infecções respiratórias em crianças pequenas e em idosos, podendo provocar quadros graves como a bronquiolite e até mortes, especialmente em bebês.

Em dezembro de 2025, a vacina contra o VSR indicada para gestantes, como forma de proteger recém-nascidos da bronquiolite e da pneumonia, começou a ser distribuída pela primeira vez no Sistema Único de Saúde (SUS).

A iniciativa é fruto de uma parceria do Instituto Butantan com a farmacêutica norte-americana Pfizer, que vai culminar na transferência tecnológica da vacina para a organização brasileira e no fornecimento em conjunto do imunizante para a rede pública.

O acordo de colaboração foi feito por meio de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) assinada em setembro pelas empresas com o Ministério da Saúde. As PDPs são realizadas entre instituições públicas e privadas, com o objetivo de ampliar o acesso a medicamentos, produtos e novas tecnologias no SUS.

Para esclarecer as dúvidas sobre o vírus, os sintomas e a importância da vacinação, o Portal do Butantan conversou com a pediatra e gerente médica do Instituto, Carolina Barbieri.


1- O que é o vírus sincicial respiratório (VSR) e por que ele é tão grave em crianças pequenas?

O vírus sincicial respiratório (VSR) é um vírus respiratório transmitido por gotículas, que ataca as vias respiratórias e os pulmões, sendo transmitido por tosse, espirros e objetos contaminados.

A forma de transmissão é semelhante à da influenza, rinovírus e metapneumovírus humano, mas o VSR tem uma particularidade: causa infecção nos bronquíolos, que são as partes mais baixas do trato respiratório, por onde se transporta o ar pelos pulmões.

Essa infecção leva a um quadro chamado bronquiolite, que dificulta a respiração.

Até outubro de 2025, o VSR foi responsável por 40,6% dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) que exigiram internação em crianças menores de dois anos, segundo dados do Boletim InfoGripe.

“Nos bebês, os bronquíolos são muito pequenos. Qualquer inflamação ou acúmulo de secreção já causa falta de ar e chiado no peito. Eles têm dificuldade de eliminar as secreções, o que aumenta o risco de complicações e hospitalização”, explica a pediatra.

Em crianças maiores e em adultos, o VSR costuma causar sintomas mais parecidos com uma gripe comum.

Em bebês e idosos, o risco de formas graves é maior, devido à imaturidade do sistema imunológico e menor diâmetro dos bronquíolos.


2- O VSR é a mesma coisa que bronquiolite?

Não. A bronquiolite é a doença causada pela inflamação dos bronquíolos, e o VSR é o principal vírus causador dessa inflamação.

Outros patógenos também podem provocar bronquiolite, mas o VSR é o responsável pela maioria dos casos em bebês e crianças pequenas.


3- O VSR é mais comum em alguma época do ano?

Sim. O VSR costuma circular com mais intensidade nos meses de outono e inverno, acompanhando o aumento dos vírus respiratórios.

“Durante esse período, ficamos mais tempo em ambientes fechados, o que facilita a transmissão. A vigilância mostra uma alta incidência de casos graves nessa época, especialmente em crianças menores de dois anos e em idosos”, explica Carolina Barbieri.


4- Quais são os sintomas e como é feito o diagnóstico?

Os sintomas do VSR incluem tosse, febre, chiado no peito, dificuldade para respirar e secreção nasal.

O diagnóstico geralmente é clínico, baseado nos sinais de bronquiolite, mas pode ser confirmado por testes laboratoriais específicos.

“Diferente da influenza, que tem os antivirais, o VSR não tem um tratamento específico. O manejo é de suporte, ou seja, oxigênio, hidratação, fisioterapia e monitoramento. Por isso, a vacina e os anticorpos monoclonais são avanços muito importantes na prevenção e na redução da gravidade da doença”, reforça a pediatra.

5- Por que a vacina contra o VSR é indicada para gestantes e não diretamente para os bebês?

A imunização contra o VSR nas gestantes é uma forma de proteção passiva para o bebê.

“Quando a mãe é vacinada, ela produz anticorpos que passam para o bebê pela placenta e pelo leite. Assim, o recém-nascido já nasce com proteção nos primeiros meses de vida, quando o risco de formas graves é maior”, explica Carolina Barbieri.

Vacinar diretamente o bebê logo após o nascimento não seria tão eficaz.

“O sistema imunológico ainda está imaturo e a proteção levaria tempo para se formar. Por isso, vacinar a gestante é a forma mais segura e precoce de proteger o bebê”, ressalta.

6- Qual é o período ideal para a gestante tomar a vacina?

A recomendação é que a vacina seja aplicada a partir da 28ª semana de gestação.

“Esse intervalo foi o mais estudado e mostrou melhores resultados, com títulos de anticorpos mais altos e maior proteção para o bebê.

A gestante precisa tomar a vacina com pelo menos 14 dias de antecedência do parto, para que dê tempo de o corpo produzir e transferir os anticorpos ao bebê”, orienta Carolina Barbieri.

7- O VSR também pode afetar pessoas mais velhas?

Sim. O VSR pode causar quadros respiratórios em qualquer idade, porém, além de crianças pequenas, as formas graves são mais frequentes em idosos, principalmente em quem tem doenças crônicas ou imunidade enfraquecida.

“Nos idosos, o vírus agrava condições já existentes e o processo inflamatório é mais intenso. É uma faixa etária com alta morbidade, semelhante ao que vemos na pediatria com os bebês pequenos”, diz a médica.

8- Existem outras formas de prevenir o VSR?

Além da vacinação, as medidas clássicas de prevenção continuam sendo fundamentais: lavar as mãos com frequência; usar máscara em ambientes fechados ou com pessoas doentes; evitar contato próximo com pessoas resfriadas; e manter os ambientes bem ventilados.

“Como não há tratamento antiviral específico, a prevenção é essencial. A vacina para gestantes e os anticorpos monoclonais para bebês em alto risco representam um avanço enorme em saúde pública”, destaca Carolina Barbieri.

9- A introdução da vacina no SUS pode diminuir os casos de VSR no país?

Sim. A introdução da vacina deve reduzir significativamente a circulação do vírus, os casos graves, as hospitalizações e o impacto da doença na vida das famílias.

“O VSR é hoje uma das principais causas de internação de bebês e crianças pequenas. A chegada da vacina é um marco para pediatras, geriatras e para a saúde pública brasileira”, conclui.

FONTE: Instituto Butantan


sábado, 29 de novembro de 2025

Saiba como será oferta de vacina que previne bronquiolite em bebês

 
SUS começará a aplicar o imunizante para gestantes em dezembro

O Ministério da Saúde anunciou que mulheres grávidas poderão receber a partir de dezembro a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), principal causador de bronquiolite em bebês. O imunizante será oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a gestantes a partir da 28ª semana da gestação.

O primeiro lote, com 673 mil doses da vacina, já começou a ser distribuído aos estados. A orientação do ministério é que, com a chegada das doses às unidades básicas de saúde (UBS), as equipes verifiquem e atualizem a situação vacinal de gestantes, incluindo ainda a imunização contra a covid-19 e a influenza, já que a vacina contra o VSR pode ser administrada junto a outras doses. Na rede particular, o imunizante pode sair por até R$ 1,5 mil.

Como funciona a vacina?

A bronquiolite é causada principalmente por infecções virais, sendo o VSR o agente infeccioso mais comum. Acomete principalmente crianças menores de 2 anos, causando dificuldade para respirar, febre e tosse.

A vacina que será oferecida às gestantes oferece proteção imediata a recém-nascidos, reduzindo a necessidade de hospitalizações quando os bebês são infectados pelo vírus sincicial.

De acordo com estudos, a vacinação materna demonstrou uma eficácia de 81,8% na prevenção de doenças respiratórias graves causadas pelo VSR nos bebês durante os primeiros 90 dias após o nascimento.

Quem pode se vacinar?

Todas as gestantes, a partir da 28ª semana de gravidez. Não há restrição de idade para a mãe. A recomendação é tomar dose única a cada nova gestação.

Bronquiolite

O vírus sincicial respiratório é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e por 40% dos casos de pneumonia entre crianças com até 2 anos.

De acordo com o ministério, o Brasil registrou 43,1 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causados por VSR em 2025, considerando dados até 15 de novembro. Desse total, 82,5% foi registrado em menores de 2 anos.

Como a maioria dos casos é provocado por infecção viral, não há tratamento específico para bronquiolite. O manejo é feito apenas com base no tratamento de sinais e sintomas e incluem terapia de suporte, suplementação de oxigênio, hidratação e uso de broncodilatadores, sobretudo quando há chiado evidente.

Fonte: Agência Brasil




segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Brasil produzirá vacina contra vírus sincicial respiratório

 
Imunizante deve começar a ser distribuída no SUS em novembro

O Ministério da Saúde anunciou  uma parceria de transferência de tecnologia entre o Instituto Butantan e a farmacêutica Pfizer para a produção nacional da vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), uma das principais causas de infecções respiratórias graves em bebês, incluindo quadros de bronquiolite.

A previsão é que as primeiras 1,8 milhão de doses sejam entregues até o fim deste ano. Em fevereiro, a pasta já havia confirmado a incorporação do imunizante ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Com o acordo, a distribuição da vacina contra o VSR na rede pública, para gestantes e bebês, deve começar na segunda quinzena de novembro.

Devem ser imunizadas, por meio de dose única, gestantes a partir da 28ª semana de gravidez. A vacinação materna, segundo o ministério, favorece a transferência de anticorpos para o bebê, contribuindo para a proteção nos primeiros meses de vida, período de maior vulnerabilidade ao VSR.

"O VSR é uma das maiores causas de hospitalizações em UTI, nos primeiros 6 meses de vida e justamente nos primeiros meses o risco é muito mais alto. Eu vejo muitas mulheres com medo, adiando as vacinas da gestação, mas elas são seguras, não geram nenhuma má formação, não trazem nenhum prejuízo para a gravidez e também não oferecem risco de aborto ou parto prematuro", esclarece a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações Isabela Ballalai.

De acordo com o ministério, o vírus é responsável por 80% dos casos de bronquiolite e por 60% dos casos de pneumonias em crianças menores de 2 anos. A cada cinco crianças infectadas, uma precisa de atendimento ambulatorial e, em média, uma em cada 50 acaba hospitalizada no primeiro ano de vida.

Dados da pasta mostram ainda que, no Brasil, cerca de 20 mil bebês menores de um ano são internados anualmente. O risco é mais elevado entre prematuros, cuja taxa de mortalidade é sete vezes maior do que em crianças nascidas a termo — grupo que representa 12% dos nascimentos no país.

“A vacina tem potencial para prevenir cerca de 28 mil internações por ano, oferece proteção imediata aos recém-nascidos e beneficiará aproximadamente 2 milhões de bebês nascidos vivos”, informou o comunicado.

Esclerose múltipla

O Brasil também passará a produzir, por meio de parceria de desenvolvimento produtivo (PDP), o natalizumabe, medicamento biológico usado no tratamento da esclerose múltipla. De acordo com o ministério, a transferência de tecnologia será feita pela farmacêutica Sandoz para o Instituto Butantan.

“A vulnerabilidade do país na oferta de insumos durante a pandemia de covid-19 e os recentes episódios relacionados a aplicação de tarifas abusivas às exportações brasileiras reforçam a importância da soberania do SUS para garantir o acesso da população a medicamentos e tratamentos”, avaliou a pasta em nota.

O natalizumabe é indicado a pacientes com a forma remitente-recorrente de alta atividade, que corresponde a cerca de 85% dos casos, e que não responderam de forma adequada a outros tratamentos. O medicamento é ofertado no SUS desde 2020, mas atualmente há apenas um único fabricante com registro no país.

A esclerose múltipla é uma doença autoimune que compromete o sistema nervoso central e afeta principalmente adultos jovens, com idade entre 18 e 55 anos. É caracterizada pela desmielinização da bainha de mielina, que possibilita a condução de impulsos elétricos responsáveis pelo controle das funções do organismo.

Fonte: Agência Brasil

quinta-feira, 26 de junho de 2025

Inverno aumenta preocupação com vírus respiratórios

 











Vacinação anual é eficaz na redução de riscos, diz infectologista

Os casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) registrados nas primeiras 24 semanas epidemiológicas de 2025 foram 30% superiores aos notificados no mesmo período do ano passado. Isso aumenta o alerta para o inverno, que começou oficialmente nesta sexta-feira (20), já que muitos vírus respiratórios circulam mais nesse período, aumentando a quantidade de infecções e de casos graves.

"No inverno as pessoas ficam mais dentro de casa, nos escritórios, andam no transporte público com as janelas fechadas. Isso aumenta a proximidade das pessoas, e a maioria das infecções respiratórias se transmite por gotículas. Quando a gente tosse, fala, espirra, essas gotículas podem cair perto do olho, do nariz e da boca de outras pessoas e contaminá-las. Ou também podem cair na superfície, aí a pessoa toca e leva para o rosto sem perceber", explica a infectologista e professora do Instituto de Educação Médica, Silvia Fonseca.

Dois fatores que também contribuem para este quadro são a irritação das vias respiratórias, por causa do frio e do tempo seco, que assim ficam mais vulneráveis à infecções, e uma característica do vírus Influenza, causador da gripe, que o torna mais transmissível e mais replicável no organismo humano em baixas temperaturas.

Dados do Boletim Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), vêm mostrando o aumento de infecções por influenza. Considerando todos os mais de 103 mil casos graves de síndrome respiratória já contabilizados este ano pelo boletim, quase 53 mil tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus. Desses, cerca de 27% foram causados por algum tipo de influenza A ou B. Mas de meados de maio a meados de junho, a incidência de influenza subiu para mais de 40%.

Entre os dados de mortalidade, a influenza se destaca nas duas análises. Metade das quase 3 mil mortes causadas por SRAG, após infecção por algum vírus, ocorreu após uma infecção por gripe. Essa proporção sobe para 74,6% quando são consideradas apenas os óbitos com diagnóstico positivo para vírus respiratório registrados nas últimas quadro semanas.

Para a infectologista Silvia Fonseca, a percepção de que a gripe é uma doença leve ainda compromete a principal forma de prevenção dessas mortes. “O vírus influenza pode evoluir rapidamente para quadros de insuficiência respiratória, infecções pulmonares e internações prolongadas, especialmente em idosos e pacientes com doenças crônicas. A vacinação anual é a forma mais eficaz de reduzir esse risco”, afirma a professora de medicina.

VACINAÇÃO

De acordo com o painel da vacinação do Ministério da Saúde, até esta sexta-feira (20), menos de 40% do público-alvo tinha se vacinado contra a influenza este ano. A campanha começou na maior parte do país em abril, justamente para imunizar as pessoas mais vulneráveis antes do período de maior circulação da doença. O imunizante protege contra os subtipos A H1N1 e A H3N2 e B e tem grande eficácia contra casos graves e óbitos.


Outra infecção mortal que pode ser prevenida com vacina é a da covid-19. Apesar da incidência entre os óbitos causados por vírus ter caído, ela ainda foi de 30,9% nas 24 semanas epidemiológicas contabilizadas este ano. E nas últimas quatro semanas, enquanto os testes positivos para covid-19 foram apenas 1,6% de todos os casos graves causados por vírus, a proporção entre as mortes ficou em 4,2%, o que comprova a letalidade do coronavírus, especialmente em idosos.

Entre as crianças, permanece a preocupação com o vírus sincicial respiratório (VSR), principal causador da bronquiolite, uma inflamação que atinge as estruturas mais finas dos pulmões e que pode causar a morte, especialmente entre menores de 2 anos. Há vacina contra o VSR para idosos e grávidas – que transmitem anticorpos para o recém-nascido – mas apenas em clínicas particulares. O Ministério da Saúde já anunciou a incorporação da vacina para as gestantes no Sistema Único de Saúde (SUS) a partir do segundo semestre.

O período de maior circulação do VSR começa no outono e já dá sinais de queda, conforme o boletim Infogripe, mas os casos ainda são numerosos. Considerando todo o ano de 2025, ele foi o patógeno mais prevalente, diagnosticado em 45,3% dos casos graves causados por vírus. O VSR também foi responsável por 13% das mortes com diagnostico positivo registradas nas últimas quatro semanas.

A professora de Enfermagem da Faculdade Estácio Andréia Neves de Sant'Anna lembra que as normas de etiqueta respiratória ainda são válidas e ajudam a diminuir a propagação dos vírus: evitar aglomerações e ambientes fechados; lavar as mãos com água e sabão ou usar álcool em gel; usar lenço descartável para higiene nasal; cobrir o nariz e boca ao espirrar ou tossir; evitar tocar olhos, nariz e boca; não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas; manter os ambientes bem ventilados e evitar contato próximo com pessoas com sintomas gripais.

Além disso, Andréia reforça que repouso, alimentação equilibrada, e bastante hidratação, podem ajudar o organismo a se recuperar mais facilmente.
Fonte: Agência Brasil

sexta-feira, 16 de maio de 2025

Gripe é a principal causa de mortes por SRAG em idosos, alerta Fiocruz

 










Em crianças, o vírus é uma das três principais causas de óbito

O boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgado nesta quinta-feira (15) faz uma alerta sobre o vírus da influenza A, causador da gripe, que se tornou a principal causa de mortalidade por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em idosos e uma das três principais causas de óbitos entre as crianças.

Foi registrado também um aumento nas hospitalizações por influenza A em diversas partes do país, com níveis moderados a altos de incidência em estados do Centro-Sul e nas regiões do Norte e Nordeste.

Em alguns estados das regiões Centro-Oeste e Sudeste, o número de casos de SRAG em crianças pequenas, associado ao Vírus Sincicial Respiratório (VSR) vem apresentando sinais de desaceleração ou até de reversão.

“Apesar disso, ainda não é o momento de relaxar os cuidados nessas regiões, já que a incidência de casos continua alta ou moderada”, avalia a pesquisadora do InfoGripe Tatiana Portella.

A especialista chama a atenção que a mortalidade por SRAG nas crianças pequenas se aproxima da observada nos idosos. A principal causa de mortalidade por SRAG nos idosos é o vírus da influenza A, seguida pela Covid-19. Já nas crianças, o VSR permanece como a principal causa de mortalidade por SRAG, seguido pelo rinovírus e pela influenza A.

Tatiana Portella orienta que as pessoas dos grupos mais vulneráveis se vacinem contra o vírus da influenza o quanto antes. Os pesquisadores do InfoGripe reforçam que a vacina é a ação mais eficaz para prevenir hospitalizações e mortes causadas pela doença.

“Além disso, reforçamos a importância do uso de máscaras em unidades de saúde, locais com maior aglomeração de pessoas e, principalmente, em caso de aparecimento de sintomas de gripe ou resfriado”, alertou a pesquisadora.

Casos de SRAG

O boletim mostra sinal de aumento de casos de SRAG em diversos estados, tanto nas tendências de longo prazo (últimas 6 semanas) quanto nas de curto prazo (últimas 3 semanas). Esse cenário se deve ao crescimento de SRAG nas crianças pequenas, associado principalmente ao VSR, e na população de jovens, adultos e idosos, associado ao vírus da influenza A.

O VSR mantém uma incidência expressiva tanto de incidência quanto de mortalidade por SRAG em crianças pequenas. Outros vírus de destaque nessa faixa etária são o rinovírus e a influenza A. A influenza A, além de ser a principal causa de mortalidade por SRAG entre os idosos, é uma das três principais razões de óbitos por SRAG em crianças pequenas.

Estados

Ao todo, 15 das 27 unidades da federação apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco, com sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Acre, Amazonas, Bahia, Ceará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins.

Outros oito estados também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento de longo prazo: Amapá, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Pará, Sergipe e Rio Grande do Norte.

Fonte: Agência do Brasil

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

Entenda a relação entre a infecção por VSR e a bronquiolite

 











O Ministério da Saúde anunciou esta semana que vai incorporar ao Sistema Único de Saúde (SUS) uma vacina recombinante contra o vírus sincicial respiratório (VSR), uma das principais causas de infecções respiratórias graves em bebês, incluindo os temidos quadros de bronquiolite.

Trata-se da vacina Abrysvo, produzida pela farmacêutica Pfizer. Segundo o ministério, a dose será aplicada em gestantes visando proteger o bebê ao longo dos primeiros meses de vida. A portaria oficializando a incorporação e detalhando o esquema vacinal deve ser publicada nos próximos dias.

VSR e bronquiolite

De acordo com a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), o VSR figura como um dos principais vírus associados à bronquiolite, quadro caracterizado pela inflamação dos bronquíolos - pequenas e finas ramificações dos brônquios que transportam o oxigênio até o tecido pulmonar.

Segundo a SBIm, o vírus circula com maior intensidade no inverno e no início da primavera, períodos em que pode causar epidemias. No Brasil, a sazonalidade do VSR varia conforme as diferentes regiões do país. Surtos em outras estações do ano, entretanto, não são incomuns, sobretudo em países de clima tropical.

“Quase todas as crianças são infectadas com VSR pelo menos uma vez até os dois anos de idade. Recorrências em outros momentos da vida são comuns, uma vez que a infecção não proporciona imunidade completa, mas, em geral, são menos graves”, destaca a SBIm.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o VSR é responsável por mais de 50 mil hospitalizações entre menores de cinco anos. Já no Brasil, dados da Secretaria de Atenção Primária à Saúde indicam que o vírus é responsável por cerca de 80% dos casos de bronquiolite e até 60% dos quadros de pneumonia em crianças menores de 2 anos.

De acordo com a SBIm, algumas condições crônicas aumentam o risco de infecção grave por VSR: doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e a asma; doenças cardiovasculares, como insuficiência cardíaca congestiva e doença arterial coronariana; imunocomprometimento moderado ou grave; diabetes mellitus; distúrbios renais e hepáticos; e distúrbios hematológicos.

Sintomas

A maioria das crianças infectadas pelo VSR apresenta sintomas leves, geralmente semelhantes aos de um resfriado comum. Em menores de dois anos, entretanto, a infecção pode evoluir para sintomas mais graves e associados à bronquiolite.

Inicialmente, há coriza, tosse leve e, em alguns casos, febre. Em um a dois dias, pode haver piora da tosse, dificuldade para respirar, aumento da frequência respiratória - com chiado a cada expiração - e dificuldade para mamar e deglutir. Como sinal da menor oxigenação, pode haver azulamento de dedos e lábios.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico, de acordo com a SBIm, é clínico, mas a identificação e a confirmação de infecção por VSR são feitas somente por meio de exames laboratoriais, incluindo testes rápidos e ensaios moleculares, como PCR-RT, que detectam o antígeno viral.

“Não há tratamento específico para o VSR. Diante de um quadro grave, é imprescindível a hospitalização para oxigenoterapia e outras medidas de suporte. Pode ser necessário o uso de respiradores mecânicos, em ambiente de UTI [unidade de terapia intensiva], destacou a entidade.

“A maioria dos pacientes inicia a recuperação em cerca de sete dias e se restabelece totalmente. Entretanto, crianças podem desenvolver alterações respiratórias crônicas e tornam-se mais propensas à asma no futuro”, completou a SBIm.

Transmissão

O VSR é transmitido pelas secreções do nariz ou da boca da pessoa infectada, por contato direto ou por gotículas. A transmissão começa dois dias antes de aparecerem os sintomas e só termina quando a infecção está completamente controlada. O período de maior contágio é nos primeiros dias da infecção.

Fonte: Agência Brasil

domingo, 16 de fevereiro de 2025

SUS oferece nova vacina a gestantes contra vírus respiratório

 











Novo imunizante foi aprovado pelo Conitec

O Sistema Único de Saúde vai oferecer para as gestantes uma nova vacina capaz de proteger os bebês contra o vírus sincicial respiratório (VSR). A inclusão do imunizante Abrysvo foi aprovada nesta quinta-feira (13) pela Comissão de Incorporação de Tecnologias no SUS - Conitec.

Cabe ao Programa Nacional de Imunizações, do Ministério da Saúde, planejar a forma e o calendário de vacinação.

O vírus sincicial respiratório é o maior causador da bronquiolite, inflamação dos bronquíolos, que são finas ramificações que levam o oxigênio até os alvéolos dos pulmões. A doença se manifesta de forma grave principalmente em crianças de até dois anos, e também em idosos, causando dificuldade respiratória e podendo levar à morte.

De acordo com dados do último boletim Infogripe, da Fiocruz, neste ano foram registrados 370 casos confirmados de Síndrome Respiratória Aguda Grave e oito mortes. A transmissão do vírus é maior no inverno, quando há grande aumento de casos e óbitos, a maioria em bebês.

Os testes feitos pela fabricante Pfizer com cerca de 7 mil gestantes demonstraram 82,4% de eficácia da vacina na prevenção de casos graves em bebês de até três meses, e de 70% até os seis meses de idade. A vacinação durante a gestação faz com que a mãe produza anticorpos que são transmitidos ao feto, propiciando que ele já nasça com a proteção.

A Abrysvo foi aprovada para uso no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária no ano passado, e já está sendo oferecida pela rede particular de saúde. A indicação da Pfizer é de uma dose por gestação, administrada entre as 24 e as 36 semanas de gravidez. A vacina também pode ser tomada por idosos, mas este público não foi contemplado na decisão da comissão.

A presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações Mônica Levi acredita que a nova vacina trará muitos impactos positivos à saúde infantil.

“Vai diminuir a necessidade de consultas em emergência, de internação, de UTI, de intubação e também o número de mortes. Há também o impacto de longo prazo. Após a primeira infecção pelo VSR, a criança pode ter chiados por algum tempo na sua vida, desencadeado por diversos fatores, principalmente infecção viral. Algumas crianças se tornam asmáticas e outras têm vários episódios de bronquioespasmo, desencadeados pelas alterações que o VSR causa na árvore brônquica.”

A Conitec também aprovou a incorporação de outra tecnologia, voltada para os bebês prematuros, o anticorpo monoclonal nirsevimabe. Diferente das vacinas, o medicamento não estimula a produção natural de anticorpos, mas se constituí em defensor já pronto para evitar a disseminação de um agente infeccioso específico. Por isso, é aplicados apenas em pessoas com sistema imunológico vulnerável, como os bebês prematuros.

Fonte: Agência Brasil

sábado, 31 de agosto de 2024

InfoGripe indica manutenção do aumento de casos de covid-19

Dados mostram crescimento do vírus na faixa entre 15 e 64 anos

O novo Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgado nesta quinta-feira (29), mostra aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em todas as faixas etárias analisadas. Os dados por faixa etária apontam manutenção do aumento dos casos de Sars-CoV-2 (covid-19) entre os idosos e início de crescimento do vírus na faixa etária entre 15 e 64 anos.

Quanto aos vírus influenza A e o vírus sincicial respiratório (VSR), há uma diminuição do número de casos em boa parte do território nacional. Já o rinovírus tem apresentado tendência de aumento em vários estados do país, e se mantém como a principal causa de incidências de SRAG entre as crianças e adolescentes de 2 a 14 anos.

A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) retomou, nesta terça-feira (27), a divulgação do Panorama da Covid-19, em razão do aumento nos indicadores da covid-19 detectado pelo Centro de Inteligência em Saúde do estado (CIS-RJ). Os dados registrados nas semanas epidemiológicas SE 29 a SE 33, que compreendem o período de 14 de julho a 17 de agosto, apontam alta sustentada a partir da SE 29 em indicadores como a taxa de positividade, além de crescimento dos atendimentos em unidades de Pronto Atendimento (UPA).

O agregado nacional apresenta sinal de aumento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) e de curto prazo (últimas três semanas). Pesquisadora do Programa de Computação Científica (Procc/Fiocruz) e do Boletim InfoGripe, Tatiana Portella destaca que o aumento da SRAG no agregado nacional se deve ao rinovírus e covid-19 em muitos estados do país. “O VSR e o rinovírus permanecem como as principais causas de internações e óbitos em crianças de até dois anos, embora os casos de SRAG por VSR já demonstrem queda nas últimas semanas”, destaca.

“Devido ao alto fluxo de pessoas entre o estado de São Paulo e os demais estados, o aumento de casos de SRAG por covid-19 pode impulsionar a disseminação do vírus para outras regiões nas próximas semanas. Por isso, é muito provável que a gente observe um crescimento do número de casos de covid-19 em outros estados. Desta forma, é importante que os hospitais e as unidades sentinelas de síndrome gripal de todos os estados reforcem a atenção para qualquer sinal de aumento expressivo na circulação do vírus”, alerta a pesquisadora.
Diante desse aumento de casos de covid-19, Tatiana ressalta que é essencial que todos os indivíduos que fazem parte do grupo de risco estejam em dia com a vacinação contra o vírus. A pesquisadora também reforça a importância da vacina contra a influenza. “Apesar do número de casos de influenza A estar diminuindo em todo o Brasil, o vírus continua sendo uma das principais causas de óbitos por SRAG entre os idosos”, reforça.

A incidência e a mortalidade semanal média nas últimas oito semanas epidemiológicas mantêm o cenário típico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A incidência e mortalidade de SRAG em crianças de até dois anos de idade é mantida em maior parte pela circulação do VSR e rinovírus. Já a mortalidade na população a partir dos 65 anos continua sendo a mais impactada, fundamentalmente por conta dos vírus Influenza A e Covid-19.