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sexta-feira, 20 de março de 2026

Vacina da herpes-zóster é segura para pacientes reumáticos, diz estudo

 
Pacientes não apresentaram piora das doenças pré-existentes

Um estudo inédito, conduzido por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), revelou que a vacina contra herpes-zóster é segura para pacientes com doenças reumáticas autoimunes (DRAI), como artrite reumatoide e lúpus.

A pesquisa mostrou que não houve aumento do risco de agravamento das doenças pré-existentes nos pacientes, incluindo aqueles com doença ativa ou em tratamento com imunossupressores.
O estudo acompanhou 1.192 pacientes com nove diagnósticos diferentes. Cerca de 90% desenvolveram anticorpos adequados após as duas doses da vacina.

De acordo com a responsável pela pesquisa e titular de Reumatologia do Departamento de Clínica Médica da FMUSP, Eloisa Bonfá, a pesquisa é a maior do mundo a avaliar, de forma sistemática, a segurança e a capacidade da vacina de estimular as defesas do corpo nesses pacientes, que já tem o sistema imunológico fragilizado por causa das doenças reumáticas autoimunes.

“Trinta porcento dos nossos pacientes estavam com a doença em atividade, tomaram a vacina e não tiveram piora, mostrando que ela é altamente segura para essa população”.

Segundo os dados, a taxa de piora nos pacientes vacinados foi de 14%, valor equivalente aos 15% observados no grupo que recebeu apenas placebo.

Os pacientes relataram menos eventos adversos, como dor no local da aplicação e febre, do que o grupo de controle formado por pessoas saudáveis.

“Tivemos pacientes em sua maioria com artrite reumatoide, que acontece em 1% da população adulta, e lúpus, que é um pouco mais rara. Também testamos em pessoas com esclerodermia, espondilartrite e outras patologias mais raras”, explicou.

No entanto, em pacientes que usam medicamentos específicos, como o rituximabe e o micofenolato de mofetila, a resposta imune foi menor. “Esses não responderam bem, então é preciso fazer uma análise separada, talvez tomar uma dose a mais, fazer algum reforço”, disse a médica.

Eloisa Bonfá destacou que a vacina recombinante já está disponível no mercado e é recomendada para as pessoas acima de 50 anos, faixa etária com aumento de risco para a herpes-zóster.

“É uma vacina muito boa, porque quando há infecção nos pacientes com doenças reumáticas o custo é muito alto para o sistema de saúde, já que eles precisam ser internados. A vacina evita essa complicação que pode levar até a morte”, afirmou a especialista.

O artigo com os resultados do estudo está publicado na revista científica The Lancet Rheumatology.

O que é herpes-zóster

A herpes-zóster, também conhecida como cobreiro, é uma doença causada pelo vírus Varicela-Zóster (VVZ), o mesmo que causa a catapora. Esse vírus permanece em latência durante toda a vida da pessoa.

A reativação ocorre na idade adulta ou em quem tem comprometimento imunológico, como os portadores de doenças crônicas, de acordo com informações do Ministério da Saúde.

Os principais sintomas são dor intensa, formigamento, ardor, coceira ou sensibilidade exagerada ao toque na região afetada. Pode haver febre baixa, dor de cabeça, mal-estar e dores nos nervos.

Na fase ativa, quando aparecem as lesões, surgem manchas vermelhas seguidas de pequenas bolhas agrupadas e cheias de líquido transparente. As bolhas rompem, secam e formam crostas em cerca de sete a 10 dias, com a pele se recuperando totalmente em até quatro semanas.

O tratamento é feito com antivirais que devem ser iniciados nas primeiras 72 horas após o surgimento das lesões. Para manejar a dor, é recomendado o uso de analgésicos. Se houver infecção secundária, recomenda-se o uso de antibióticos.

Entre as complicações mais comuns estão:

Dor crônica que persiste por meses ou anos após a cicatrização das feridas;

Afetar o equilíbrio, fala, deglutição, movimento dos olhos, mãos, pernas, dedos e braços;Queda na quantidade de plaquetas, responsáveis pela coagulação, no sangue;

Síndrome de Reye, doença rara que causa inflamação no cérebro e que pode ser fatal;

Varicela disseminada ou varicela hemorrágica em pessoas com comprometimento imunológico;

Infecção bacteriana secundária de pele (impetigo, abscesso, celulite, erisipela) ou quadros sistêmicos de sepse, com artrite, pneumonia, endocardite, encefalite ou meningite e glomerulonefrite.

FONTE: Agência Brasil

segunda-feira, 14 de julho de 2025

Aranha causa cobreiro? Lesões na pele provocadas por herpes-zóster podem ser confundidas com alergia

 


Crença popular que associa caranguejeiras à doença viral é mito e surgiu porque a aranha possui cerdas capazes de provocar reação alérgica

Você já deve ter ouvido falar que encostar em aranha pode causar cobreiro – aquelas lesões avermelhadas na pele, acompanhadas de coceira, formigamento, febre e mal-estar. Mas será que isso tem algum fundamento científico? Segundo o aracnólogo Paulo Goldoni, tecnologista no Laboratório de Coleções Zoológicas do Instituto Butantan, a resposta é NÃO.

Cobreiro é o nome popular das manifestações que podem ocorrer na pele como consequência da herpes-zóster, doença causada pelo vírus varicela-zoster e que não tem nada a ver com as pobres aranhas. Esse vírus é o mesmo da catapora (ou varicela), doença comum na infância e prevenível pela vacina tetravalente, disponível na rede pública a partir dos 15 meses de idade. A herpes-zóster, predominante em idosos, acontece quando o varicela-zoster é reativado no organismo após ficar “dormente” por um período – ele pode levar décadas para se manifestar e, em algumas pessoas, isso nunca acontece.

ENTÃO DE ONDE VEM ESSA HISTÓRIA DE QUE ARANHA CAUSA COBREIRO?
A palavra “cobreiro” surgiu justamente da ideia de que as lesões na pele são provocadas pelo contato com aranhas, cobras ou até sapos, embora a crença sobre os aracnídeos tenha ganhado mais destaque no imaginário popular. As aranhas associadas ao cobreiro são as caranguejeiras, da família Theraphosidae – aquelas grandes e “peludas” que vemos nos filmes. No Brasil, há 185 espécies descritas dessa família.

De acordo com Paulo, esses “pelos” são, na verdade, cerdas modificadas capazes de causar reação alérgica. “O contato com essas cerdas pode provocar uma variedade de respostas. Algumas pessoas podem ficar apenas com vermelhidão e coceira, enquanto outras podem chegar a ter pequenas bolhas e feridas na pele, que acabam sendo confundidas com as lesões da herpes-zóster”, explica.

As caranguejeiras com cerdas urticantes pertencem a uma subfamília específica, a Theraphosinae, distribuída em todo o território brasileiro. “Algumas espécies têm o hábito de caminhar, em vez de ficar escondidas em tocas. Com isso, acabam sendo mais vistas pelas pessoas, inclusive nas residências. Segundo a crença popular, essas espécies mais ativas seriam responsáveis pelo cobreiro”, diz o especialista.

As cerdas são usadas como mecanismo de defesa e lançadas quando a aranha se sente ameaçada. Os pelos urticantes podem atingir até os olhos e o trato respiratório, causado intensa irritação. Vale ressaltar que a caranguejeira não é um animal agressivo e esses acidentes só acontecem se as pessoas se aproximam ou tentam segurá-la. Por isso, ao cruzar com uma dessas aranhas, é melhor deixá-la seguir seu rumo.

COMO DIFERENCIAR AS LESÕES: COBREIRO E URTICÁRIA

As feridas da herpes-zóster costumam aparecer, principalmente, no tórax, pescoço e costas, e somente de um lado do corpo. Além de coceira, ardor e formigamento, as bolhas podem provocar dores fortes, já que o vírus fica alojado nas células nervosas. A doença é mais comum em idosos e pessoas com sistema imune comprometido, podendo deixar sequelas como dor crônica. O tratamento é feito com antivirais e existe uma vacina disponível na rede privada de saúde que ajuda a prevenir a infecção.

Já a alergia provocada pelas cerdas da caranguejeira é caracterizada por vermelhidão, dor e coceira intensa no local do contato, não se espalhando por outros lugares do corpo. Também podem ocorrer manifestações sistêmicas, como espirros e tosse. Raramente, pessoas com maior sensibilidade podem ter reações alérgicas mais graves que necessitam de atendimento médico. Já foram descritos, também, casos de inflamação crônica nos olhos.



Cerdas modificadas da aranha podem causar reação alérgica

Tive contato com as cerdas da aranha, preciso tomar o soro antiaracnídico do Butantan?

Não. As cerdas não estão ligadas às glândulas de veneno e não provocam envenenamento. Assim, o tratamento é feito com base nos sintomas da alergia. Apesar de as caranguejeiras terem veneno, assim como os outros aracnídeos, sua toxina não é ativa em humanos e não representa perigo. A picada pode provocar dor local, coceira, inchaço e vermelhidão na pele, sintomas que também são tratados com medicamentos convencionais e que não exigem a aplicação de soro.

Fonte: Instituto Butantan

sábado, 4 de agosto de 2012

Brasil vai produzir vacina que protege contra quatro doenças de uma única vez


O Brasil vai produzir vacina tetraviral que protege contra quatro doenças de uma única vez - contra sarampo, caxumba, rubéola e varicela (catapora). O acordo que prevê a produção da vacina será assinado amanhã (4), no Rio de Janeiro, e prevê a transferência de tecnologia do laboratório público Biomanguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), para o laboratório privado GlaxoSmithKline.
Segundo o Ministério da Saúde, a partir de 2013, a vacina tetraviral fará parte do calendário de imunização do Sistema Único de Saúde (SUS).
O ministro Alexandre Padilha disse hoje (3), durante aula inaugural de um curso de medicina na zona leste de São Paulo, que o acordo garante o acesso a medicamentos e vacinas sem depender de outros países. “Podemos tomar como exemplo a pandemia do vírus [Influenza] H1N1, quando a vacina não era produzida no país e não foram feitas doses em quantidade adequada”, justificou o ministro, que irá participar da assinatura do acordo no Auditório Museu da Vida, na sede da Fiocruz.
O ministro destacou que a empresa possui interesse em produzir o medicamento no Brasil por causa do tamanho do mercado consumidor nacional. “Produzir aqui significa distribuir para milhões de pessoas. Atualmente, temos 34 projetos que são parcerias com empresas”, explicou.
No evento, Padilha comentou a tendência de queda das mortes provocadas pela influenza A (H1N1) - gripe suína na Região Sul.“A medida que avançamos no inverno, vai diminuindo a circulação do vírus da gripe. Mas isso não significa que devemos reduzir a vigilância, sobretudo, quanto ao uso do oseltamivir [medicamento de nome comercial Tamiflu]. Umas das razões para a diminuição do número de óbitos foi porque o uso começou a ser mais precoce”, reforçou.
Agência Brasil