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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Governo assina quarto acordo para redução de sal nos alimentos industrializados

 Laticínios, embutidos e sopas prontas entraram na lista de alimentos que devem sofrer redução de sódio, porque o consumo elevado é um dos causadores de hipertensão arterial. A medida está no quarto acordo destinado a diminuir a quantidade do produto em alimentos industrializados. O documento foi assinado hoje (5) pelo Ministério da Saúde e a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia).
Com o compromisso, chega a 16 o número de grupos alimentares incluídos. A meta nacional é retirar 28 mil toneladas de sódio de alimentos até 2020. O sódio está presente no sal de cozinha e em alimentos industrializados. É usado não só para dar sabor. Exerce outras funções, incluindo a de conservante.
“Muitos produtos têm muito sal e as pessoas nem sabem. São produtos que, cada vez mais, entram na alimentação das pessoas, estão no refeitório do trabalho e na merenda escolar. Por isso, a importância estratégica da parceria com a indústria”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
O compromisso firmado hoje prevê que nos próximos quatro anos ocorra redução de 68% do sódio no queijo muçarela, de 63% no requeijão cremoso, 59% em hambúrgueres, 54,8% em empanados, 29,8% em salsichas e 33,2% em sopas prontas. A lista completa dos produtos e das metas de redução de sódio está no site do Ministério da Saúde.
Desde a assinatura do primeiro acordo, em 2011, a estimativa é que 11,3 mil toneladas de sódio tenham sido retiradas de alimentos. “Encontramos caminhos e estamos procurando soluções para conseguir bater a meta antes de 2020. Uma parte disso vai depender de educação. Precisamos informar às crianças sobre educação alimentar, e também ajudar o governo a comunicar os hábitos saudáveis”, disse o presidente da Associação, Edmundo Klotz.
Antes do acordo assinado hoje, estavam na lista de alimentos que devem sofre redução do sódio pães de tipo bisnaga, mistura para bolos, salgadinhos de milho, caldos, batata frita, biscoitos e maionese.
A Pesquisa do Orçamento Familiar do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostra que o brasileiro consome, em média, 12 gramas de sódio por dia, considerando o sal de mesa e o sódio dos alimentos. O consumo é mais que o dobro das cinco gramas diárias recomendadas pela Organização Mundial de Saúde.
Agência Brasil

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

No Dia do Idoso, especialistas cobram políticas públicas


O marceneiro e artista plástico Lair Moreira, 75 anos, não sabia que hoje (1º)  é celebrado o Dia Internacional do Idoso. Mas segundo ele há poucos motivos para comemorar.  “Hoje está mais fácil de se viver, tem mais conforto, televisão, computador. Mas acho que o ser humano foi mal programado. Você nasce, trabalha, depois fica velho, dependendo dos outros, incapaz, cheio de doença. Devíamos ser como a lâmpada: apagou, morreu.”
A costureira Maria Ferreira de Souza, 61 anos, é mais otimista e acredita que o segredo para uma boa velhice é estar sempre ativa e produzindo. “Trabalho desde meus 8 anos de idade, na roça. Quero trabalhar até quando puder. Não me entrego não, sou igual a minha mãe: está com 87 anos e ainda mexe com seus fuxicos e não fica parada. Faço escalada, subi no Cristo [Cristo Redentor].”
Lair e Maria vivem no Rio de Janeiro, a capital do país com a maior proporção de idosos (cerca de 15% da população têm mais de 60 anos). No Brasil, a média é 12% da população com  mais de 60 anos. No total, são 23,5 milhões de idosos no país.
Pesquisas comprovam ano a ano a tendência de envelhecimento da população - resultado da melhoria na qualidade de vida, queda na taxa de natalidade, acesso à assistência médica e a remédios, alimentação e prática de atividade física. De acordo com dados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (Pnad), divulgados no mês passado, o número de idosos no país mais que duplicou desde 1991, quando essa faixa etária contabilizava 10,7 milhões de pessoas acima dos 60 anos.
A aposentada Akemi Oura, 61 anos, cobra acessibilidade nas ruas da cidade e equipamentos sociais para os mais velhos. “Quando quero me exercitar nesses equipamentos que a prefeitura fez, tenho que ir para a zona sul, pois aqui onde moro não há.”
Para a geriatra Ana Lúcia de Sousa Vilela, faltam políticas públicas eficazes para os idosos, que são comuns em países desenvolvidos, onde representam quase maioria da população. “O país do futuro envelheceu. O Brasil tem hoje mais idosos que crianças, embora as políticas para as crianças, gestantes, sempre foram maiores. Mas não temos serviços preparados para os idosos e faltam profissionais de saúde para atender o idoso.”
A médica ressaltou o preconceito contra os idosos, considerados por muitos indivíduos inúteis, “como se estivessem aposentados não só do trabalho, mas também do convívio social. O idoso está conquistando seu espaço e está mudando o modo de pensar”, comentou, ao citar o Estatuto do Idoso (criado em 2003), como avanço na legislação.
Na opinião do geriatra Salo Buksman, o estatuto não tem sido posto em prática. “O estatuto é completo e bonito, mas não funciona, pois não há mecanismos para garantir que ele funcione. Como o estatuto vai assegurar, por exemplo, o atendimento, a reabilitação, o atendimento geriátrico e gerontológico em ambulatórios, unidades geriátricas de referência, sem profissionais suficientes? A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia tem no máximo 1,5 mil sócios no país inteiro.”
Buksman concorda que os idosos estão mais ativos e participativos na esfera social e ganhando respeito da sociedade. “Temos agora um cidadão idoso que procura trabalhar, procurar ser útil na administração do seu prédio, veste-se com roupas da moda, com um comportamento bem diferente do idoso de antigamente. A auto-estima e a valorização do idoso têm melhorado.”
Agência Brasil

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

BRASILEIROS COM ALIMENTAÇÃO INADEQUADA

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu um patamar mínimo para consumo de frutas e hortaliças como forma de garantir a ingestão de nutrientes necessários para uma boa saúde. No Brasil, os brasileiros estão abaixo desses índices por conta de uma alimentação deficiente nesses itens fundamentais. De acordo com um levantamento realizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), apenas 18,2% da população consome os 400 gramas por dia recomendados pela OMS. O gasto médio com esses alimentos fica em 6% da renda com frutas, verduras e legumes.

O Brasil é o terceiro maior produtor de frutas do mundo e causa espécie a informação de que a mesa dos brasileiros é tão deficiente desses elementos essenciais para uma vida saudável. O estudo da CNA constatou que essa realidade independe de escolaridade, classe social ou região. Todo o público pesquisado mostrou-se com pouco conhecimento dos benefícios nutricionais de uma alimentação balanceada.

Para a presidente da CNA, a senadora Kátia Abreu, é preciso realizar campanhas de esclarecimento e de incentivo para que a população receba as informações sobre a importância de enriquecer o seu cardápio com frutas e legumes. Para o presidente da Comissão Nacional de Fruticultura da CNA, Carlos Prado, é necessário aumentar em escala a produção para que o preço dos produtos baixe para ficar acessível ao bolso de todos os segmentos populacionais, principalmente os de baixa renda.
Já está por demais assentada a conclusão de que a alimentação é fundamental como meio de garantir uma boa saúde, atuando na prevenção. Quem se alimenta bem está menos propenso a enfrentar problemas médicos de toda a ordem e a engrossar as filas de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Mudar hábitos é difícil, mas a compensação em qualidade de vida será evidente se cada família colocar frutas e hortaliças em sua cesta básica.
 

Fonte:Editorial do Jornal Correio do Povo 11/08/2011