Após anos de estagnação, uma região privilegiada por seus atributos logísticos parece descortinar um novo horizonte.
A região do Vale do Jacuí, distante apenas 55 km de Porto Alegre, dispõem de estradas em boas condições e um rio com excelente navegabilidade e com um calado mínimo de quatro metros até Rio Grande. Sua principal cidade, Charqueadas, dispõem de grandes áreas para instalação de indústrias e o prefeito municipal não mediu esforços para aproveitar as oportunidades que se apresentaram.
Esta conjunção de fatores propiciam que a região deixe para trás seu passado de promessas e incertezas e ingresse na onda do pré-sal, credenciando Charqueadas como um dos polos no setor de Óleo & Gás,juntamente com Rio Grande.
Em Charqueadas estão se instalando "epcistas" da Petrobrás e seus fornecedores. "EPCistas" são companhias que fornecem de forma integrada os serviços de engenharia (E), suprimentos (Procurement em inglês) e construção (C) para grandes companhias, no caso a Petrobras e estaleiros.
Em Taquari a Intecnial está investindo R$ 30 milhões na ampliação da sua unidade que fabricará módulos elétricos para os módulos das plataformas.
No polo de Charqueadas está se instalando a Iesa, que já concluiu seu cais no Jacuí. A Iesa foi vencedora de licitação da Petrobras para o fornecimento de 24 módulos de compressão para seis plataformas, com opção de fornecimento de mais oito módulos para outras duas plataformas replicantes do Pré-Sal. O valor total dos contratos é de US$ 720,4 milhões, podendo chegar em US$ 911,3 milhões se confirmado o fornecimento dos oito módulos adicionais. O prazo para o fornecimento de todos os módulos é de 54 meses.
A Metasa e a Engecampo estão aguardando licença ambiental. A UTC e a Tomé Engenharia estão aguardando decisão judicial referente desapropriações de área promovida pela Prefeitura Municipal de Charqueadas.
Somente estas empresas deverão investir quase R$ 500 milhões, com exceção da Engecampo que não divulgou o investimento, e gerar mais de 5,5 mil empregos diretos.As empresas necessitarão principalmente de engenheiros, soldadores, eletricistas, montadores de estruturas, mecânicos, encanadores,...
Estas empresas se abastecerão principalmente dos profissionais da Grande Porto Alegre, mas também nos Vales do Taquari e Rio Pardo, pressionando o mercado de mão de obra qualificada. Além dos treinamentos oferecidos pelas empresas epcistas e terceirizadas, é possível qualificar-se por meio de projetos criados pelo governo federal. O Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp) e o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) tem parcerias com as instituições do Sistema S.
O atual Plano de Negócios anunciado pela Petrobras (2012/2016) projeta 236,5 bilhões de dólares em investimentos e o emprego de 250 mil trabalhadores no Brasil inteiro.
César Cechinato Consultor e executivo empresarial
Jornal Portal de Notícias 20/11/2012
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quarta-feira, 21 de novembro de 2012
domingo, 13 de junho de 2010
MORRER MATANDO
Estaremos vivendo tempos de hipocrisia pessoal e ironia histórica? Ou tudo nasce do nosso farisaísmo-mandão, em que as mentiras da aparência suplantam a realidade e habitam nossa alma?
Em plena Semana do Meio Ambiente, a sapiência tecnológica da maior potência econômico-financeira e militar do planeta mostra-se impotente na solução da maior catástrofe ambiental de todos os tempos: o vazamento num poço submarino de petróleo a 1.700 metros de profundidade no Golfo do México. Em 20 de abril, a explosão duma plataforma da British Petroleum matou 11 pessoas e começou a poluir o mar com, pelo menos, 19 mil barris ao dia, uns 170 milhões de litros de óleo a cada 24 horas. A mancha chegou às costas de Alabama, Flórida, Geórgia e Louisiana, nos Estados Unidos, e o próprio Barack Obama lá esteve duas vezes: “Catastrófico”, exclamou.
O secretário de Justiça, Eric Holder, qualificou o cenário de “trágico e devastador”. Os governantes dos EUA são comedidos nas palavras (ao contrário dos nossos) e, quando chegam a dizer o que disseram, a realidade deve ser brutal e asfixiante. O manto pestilento já duplica o tamanho da Jamaica, país-ilha próximo, e pode expandir-se a todo o Caribe.
A fúria do vazamento levou ao fracasso todos os intentos de tapar o poço. Agora, limitam-se a conter a onda de óleo. Na espessa capa d’água, chegam a queimar petróleo à superfície, num fogaréu infernal que nem Dante imaginou. Os “dispersantes” químicos lançados ao mar já inundam os pântanos e mangues da costa, ameaçando o hábitat de aves e animais quase em extinção, como a tartaruga-oliva e a tartaruga-de-couro. E também a cadeia alimentar que faz possível a vida marinha.
Se a maior potência planetária não dispõe de inteligências e tecnologia para solucionar o vazamento do poço a “apenas” 1.700 metros de profundidade marítima, o que ocorrerá conosco, no Brasil, nessa ânsia de explorar rápido o petróleo do pré-sal, a 6 ou 7 mil metros, além do fundo do mar??
A tragédia do Golfo do México ocorre 24 anos após a de Chernobyl. De lá para cá, a consciência ecológica cresceu e, por isto, a desgraça atual é a maior da História, pois tínhamos conhecimento pleno da possibilidade do desastre. Além disso, a energia nuclear é recente e inventada pelo ser humano como especulação científica. Fez-se incontrolável pelo nosso desvario.
O petróleo é um legado da natureza, da Criação e da evolução vital. Com ele, porém, destruímos a vida poluindo ar e mar. Ou usando a indústria química (oriunda do petróleo) para envenenar a terra, os alimentos, a água que bebemos. A sede pelo lucro fácil (transformamos a natureza em dinheiro no bolso) nos faz cegos face à tragédia possível.

Aqui, usamos o pré-sal demagogicamente, como se fosse ente salvador, sem previsão real dos riscos e da possibilidade de solucionar os danos. E, junto a tudo que já afeta a vida na Terra, ajudamos a construir o suicídio geral. Morremos matando. Ou matamos morrendo.
Flávio Tavares
Jornalista e escritor
Fonte:Zero Hora 06 de junho de 2010 N° 16358
Em plena Semana do Meio Ambiente, a sapiência tecnológica da maior potência econômico-financeira e militar do planeta mostra-se impotente na solução da maior catástrofe ambiental de todos os tempos: o vazamento num poço submarino de petróleo a 1.700 metros de profundidade no Golfo do México. Em 20 de abril, a explosão duma plataforma da British Petroleum matou 11 pessoas e começou a poluir o mar com, pelo menos, 19 mil barris ao dia, uns 170 milhões de litros de óleo a cada 24 horas. A mancha chegou às costas de Alabama, Flórida, Geórgia e Louisiana, nos Estados Unidos, e o próprio Barack Obama lá esteve duas vezes: “Catastrófico”, exclamou.
O secretário de Justiça, Eric Holder, qualificou o cenário de “trágico e devastador”. Os governantes dos EUA são comedidos nas palavras (ao contrário dos nossos) e, quando chegam a dizer o que disseram, a realidade deve ser brutal e asfixiante. O manto pestilento já duplica o tamanho da Jamaica, país-ilha próximo, e pode expandir-se a todo o Caribe.
A fúria do vazamento levou ao fracasso todos os intentos de tapar o poço. Agora, limitam-se a conter a onda de óleo. Na espessa capa d’água, chegam a queimar petróleo à superfície, num fogaréu infernal que nem Dante imaginou. Os “dispersantes” químicos lançados ao mar já inundam os pântanos e mangues da costa, ameaçando o hábitat de aves e animais quase em extinção, como a tartaruga-oliva e a tartaruga-de-couro. E também a cadeia alimentar que faz possível a vida marinha.
Se a maior potência planetária não dispõe de inteligências e tecnologia para solucionar o vazamento do poço a “apenas” 1.700 metros de profundidade marítima, o que ocorrerá conosco, no Brasil, nessa ânsia de explorar rápido o petróleo do pré-sal, a 6 ou 7 mil metros, além do fundo do mar??
A tragédia do Golfo do México ocorre 24 anos após a de Chernobyl. De lá para cá, a consciência ecológica cresceu e, por isto, a desgraça atual é a maior da História, pois tínhamos conhecimento pleno da possibilidade do desastre. Além disso, a energia nuclear é recente e inventada pelo ser humano como especulação científica. Fez-se incontrolável pelo nosso desvario.
O petróleo é um legado da natureza, da Criação e da evolução vital. Com ele, porém, destruímos a vida poluindo ar e mar. Ou usando a indústria química (oriunda do petróleo) para envenenar a terra, os alimentos, a água que bebemos. A sede pelo lucro fácil (transformamos a natureza em dinheiro no bolso) nos faz cegos face à tragédia possível.

Aqui, usamos o pré-sal demagogicamente, como se fosse ente salvador, sem previsão real dos riscos e da possibilidade de solucionar os danos. E, junto a tudo que já afeta a vida na Terra, ajudamos a construir o suicídio geral. Morremos matando. Ou matamos morrendo.
Flávio Tavares
Jornalista e escritor
Fonte:Zero Hora 06 de junho de 2010 N° 16358
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