Mostrando postagens com marcador JACOB ARNT. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador JACOB ARNT. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 6 de abril de 2020

O Taquari e os tempos áureos do transporte de passageiros

Wolfgang Hans Collischonn é integrante da Academia Literária do Vale do Taquari (Alivat) - Alício de Assunçãol


Escritor Lajeadense resgata histórias de empresas de navegação no Rio Taquari

A partir da colonização de parte da região até Bom Retiro do Sul e Cruzeiro do Sul por luso-brasileiros e dali em diante até Encantado e Roca Sales por descendentes de alemães e italianos, o Rio Taquari tornou-se cada vez mais importante para o escoamento da produção durante quase um século. Era a única via de transporte de passageiros e mercadorias entre a região e o Estado. Este registro de uma época da história faz parte do livro "À Minha querência", editado em 2018, de autoria do escritor, professor e bancário aposentado, Wolfgang Hans Collischonn (86), de Lajeado.

De acordo com o autor, a partir da chegada dos alemães, em meados do século XIX, atraídos pelas empresas de colonização de Fialho de Vargas, em Lajeado, e Vitorino José Ribeiro, em Estrela, os portos dessas localidades passaram a ser cada vez mais movimentados à medida que aumentava a produção. Os sucessivos relatórios de Fialho de Vargas ao governo da Província, a partir de 1860, revelam esse crescimento. O mesmo deve ter acontecido com Estrela, que a partir de 1876 e até a emancipação de Lajeado em 1891, abrangia todo o território nas duas margens do rio, desde São Gabriel da Estrela (Cruzeiro do Sul) até Guaporé e Roca Sales, compreendendo, inclusive, os vales do rios Guaporé, Forqueta, Forquetinha e Sampaio.

Como as estradas eram ainda precárias e não havia pontes sobre os rios, o único meio, tanto de passageiros como cargas, para a capital da província, era a navegação fluvial que se iniciara com lanchões movidos a vela e a braço humano e se aperfeiçoou com o progresso da região. Em 1875, Jacob Arnt, filho de imigrantes alemães, deu início a uma empresa de navegação, que mais tarde passou a chamar-se CIA Navegação Arnt, com sede em Taquari e filiais em outras cidades às margens do rio. Esta foi, durante mais de 50 anos, a mais importante empresa de navegação do Rio Taquari e a ela, especialmente Lajeado, deve grande parcela de desenvolvimento até meados do século XX, porque toda a produção da margem direita do Taquari era escoada pelo porto da cidade, o que naturalmente contribuiu para o desenvolvimento de empresas atacadistas e demais atividades econômicas da cidade.

Jacob Arnt nasceu em 25 de abril de 1853, em Baumschneiss, atualmente Dois Irmãos, filho de Karl Arnt, que em 1867 fundou a Colônia de Teutônia, e de Philipina Schüler Arnt. Em 1873, tendo se estabelecido como pequeno comerciante, trabalhou como carroceiro, transportando produtos da colônia de Teutônia para a vila de Taquari. Após fundar o povoado de Bom Retiro, em 1875, transferiu residência para Taquari, onde passou a comandar ações com empresa proprietária de um barco.

Com apenas um vapor, organizou uma sociedade composta de 11 sócios - a Jacob Arnt & Cia. Iniciou com o velho vapor ¨Taquari¨, que não ficou muito tempo em serviço e naufragou. Foi encomendado da Alemanha um novo vapor denominado "Teutônia I". Até então a empresa limitara-se a realizar viagens regulares entre Taquari e Porto Alegre. Com a chegada do vapor novo, a linha foi estendida até os portos de Estrela e Lajeado, atingindo, inclusive, nas épocas de maior volume de água, Encantado e General Osório (Muçum).

Acompanhando o desenvolvimento da região, sob as diversas denominações até chegar a razão social que a consagrou, a empresa foi adquirindo novos vapores e outros barcos de menor calado, como gasolinas, lanchas e chatas para navegar no nível baixo do rio, nos períodos de estiagens. Outras empresas especializadas no transporte de cargas, como as navegações Beleza, Aliança, Ritter, e Lajeado, tinham o seu trapiche em Lajeado e utilizavam barcos movidos a óleo diesel, as chamadas "gasolinas". Enquanto que os vapores utilizados no transporte de passageiros eram movidos por máquinas a vapor que faziam girar duas rodas laterais. As gasolinas tinham motores a explosão que moviam uma hélice na popa do barco.

Cada companhia de navegação tinha o seu armazém ou trapiche. E alguns desses tinha a sua maxambomba para ajudar a carga e descarga entre as embarcações e os armazéns no alto da barranca. As maxambombas eram carrinhos que corriam sobre trilhos de ferro sobre a barranca entre o trapiche e o leito do rio onde estava atracado o barco de transporte. Enquanto um carrinho descia, outro subia, cada um num trilho. Eram movidos por um animal que caminhava em roda de uma espécie de pião que rolava e desenrolava um cabo de aço ao qual estavam presos os vagõezinhos com as cargas.

Nas décadas de 1910 e 1920 eram 15 os portos entre Lajeado e Porto Alegre. Entre os vapores estavam o Brazil, Taquary, Boa Vista, Rio Grande do Sul, Garibaldi, Teutônia, Taquara, Venâncio Aires, além de seis gasolinas, sete chatas e 21 barcos menores. Mais tarde foram acrescentados o Porto Alegre, Osvaldo Aranha e Estrela.

Eram transportas malas postais e outros objetos. Os passageiros optavam pela primeira ou segunda classe. Em Lajeado ocorria o translado para barcos menores que seguiam para Costão, Arroio do Meio, Roca Sales, Encantado e General Osório. Os vapores chegavam em Lajeado às 17h e partiam para Porto Alegre às 18h, onde chegavam às 4h, retornando às 6h. A chegada em Lajeado era o momento em que as pessoas circulavam em frente à sede da empresa na Rua Osvaldo Aranha, a primeira rua calçada da cidade, para receber os jornais e observar os passageiros. A partir de 1950, esse tipo de transporte entrou em decadência em função da construção das rodovias.

O escritor encantandense, Gino Ferri, já falecido, relata em sua obra História do Rio Taquari-Antas, o ambiente dos barcos. "Serviam café da manhã e da tarde, almoço, janta e bebidas resfriadas com barras de gelo, sopa e um delicioso pescado, geralmente o pintado, peixe sem escamas, abundantes no Taquari e Jacuí. No refeitório havia uma sala de estar dos passageiros, longos bancos estofados de couro e mesa comprida com cadeiras. Um toque de sineta alertava os passageiros para as refeições. O comandante do barco sentava na ponta da mesa e servia o primeiro prato". De acordo com Collischonn, a CIA Navegação Arnt foi a maior empresa gaúcha de transportes fluviais.


Fonte:



quinta-feira, 5 de abril de 2012

Barragens do Taquary

Estrela causa 'agradabilíssima impressão' 
Crédito: cp memória
Estrella, 4 - Chegaram a esta villa os engenheiros Delpit, Petitolot, Faria Santos, Costa Gama e Alfredo Borges, os dois primeiros das obras da barra do Rio Grande e os demais funccionarios das Obras Publicas.

Esses engenheiros examinaram todos os baixios do rio Taquary, até o porto de Lageado, bem como os estudos sobre as barragens desse rio, motivo principal da excursão. Aqui, no Hotel Franke, lhes foi offerecido um almoço. Os excursionistas, que levam desta villa agradabilissima impressão, regressaram para ali, em companhia do sr. Jacob Arnt, que os conduz em vapor de sua empreza de navegação.

Notícia publicada no Correio do Povo de 5 de abril de 1912.





Falta de agua

Estrella, 8 - Continua a haver pouca agua no rio Taquary, o que difficulta a navegação. Os vapores que partem dessa capital vão sómente até a Volta do Freitas, de onde os passageiros são transportados em diligencias.



Notícia publicada no Correio do Povo de 8 abril de 1912.