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terça-feira, 17 de abril de 2012

Aplicativo desenvolvido no Brasil mede felicidade dos cidadãos em tempo real


O Movimento Mais Feliz já tem um aplicativo, chamado Myfuncity, para fazer a medição da felicidade dos cidadãos em tempo real. A ferramenta  foi desenvolvida no Brasil e divulgada em todo o mundo.
Segundo o criador do movimento, Mauro Motoryn, o aplicativo é mais sensível e atual do que aquele que resultou em recente pesquisa da Organização das Nações Unidas (ONU), porque consegue medir rua a rua, bairro a bairro. “Você consegue perceber onde deve colocar e priorizar o investimento público”.
Após seis meses de testes pilotos que terminaram na última sexta-feira (13), envolvendo cerca de 6 mil pessoas, o Movimento Mais Feliz  está iniciando o processo de discussão do Myfuncity na próxima campanha de eleição para vereadores. “É participação popular, objetivando dar prioridade ao gestor público”.
Falando à Agência Brasil, Motoryn salientou a importância de se estabelecer critérios de medição da felicidade nos municípios. “É preciso jogar essa discussão já no processo eleitoral”, defendeu.
A criação de parâmetros para medir o nível de bem-estar  da população será debatida pelo Movimento Mais Feliz durante a Rio+20 tendo como objetivo inserir a felicidade como definidora de políticas públicas. “O que queremos é [ver] o conceito da felicidade permear as atividades da Rio+20”.
Os testes com o aplicativo revelaram que nas regiões onde existe educação e saúde de qualidade, o nível de bem-estar é maior. De acordo com o dirigente do movimento, a felicidade analisada pela ferramenta não é a subjetiva, isto é, percebida por cada pessoa, mas sim a felicidade objetiva, que resulta das ações do poder público.
Motoryn explicou que já existem muitos exemplos no país de política pública  focadas na felicidade, dando como exemplos programas do governo federal como o Bolsa Escola, o Universidade para Todos (ProUni) e o Bolsa Família.
O Movimento Mais Feliz reúne atualmente cerca de 700 entidades que buscam difundir  a felicidade como norteadora  de políticas públicas, no âmbito de cidades sustentáveis. “Nós queremos cidades melhores e elas pressupõem  uma atividade pública com participação popular e com sugestões  da população para a elaboração de programas de governo”.
A base do movimento foi o indicador Felicidade Interna Bruta (FIB), criado no Butão, pequeno reino da Ásia, encravado na Cordilheira do Himalaia. Motoryn informou que em todo o mundo já existe o embrião de uma nova sociedade, cujo objetivo é a felicidade.
O coordenador do movimento destacou, ainda, que o desenvolvimento do conceito da felicidade como objetivo das políticas públicas tem relação com o resgate da utopia, em especial, entre os jovens. “Eles precisam ter uma bandeira que possa levá-los a participar de uma forma mais ativa da gestão das cidades, independente do partido político”.
Agência Brasil 16/04/2012

domingo, 6 de março de 2011

A EDUCAÇÃO PARA A FELICIDADE

Tenho dito a mesma frase em minhas conferências em todo o País e, principalmente, quando as realizo em instituições educacionais (cursos técnicos, escolas de ensino médio, universidades, etc): “A felicidade é a realização das potencialidades do ser humano e, portanto, educar um jovem pode ser muito fácil, desde que mostremos a ele – com amor – objetivos atingíveis e que, assim, ele encontre um sentido para seus objetivos existenciais”.

Embora não seja fácil ter “objetivos existenciais” aos 16 anos, a educação (entendida não apenas como a aprendizagem formal na escola, mas o contexto familiar e as experiências afetivas e relacionais) é a potência para a construção de um ser que percebe um futuro e almeja seu crescimento pessoal e profissional. É através da educação dada pelos pais, de seu exemplo e de sua conduta, que o jovem se espelha e constrói as suas primeiras referências.

Nesse sentido, não há dúvidas de que educar é uma tarefa sublime e significa oferecer muito mais do que uma boa estrutura formal de ensino. Educar é, sobretudo, ensinar a viver, a enfrentar os obstáculos, a fazer escolhas adequadas, ensinar a desejar, a acreditar em si mesmo e, talvez o mais importante: ensinar a sonhar e a acreditar no futuro. E todo esse processo tem início (e continuidade!) no contexto familiar.

Certa vez, fui abordado por um professor que me relatou que o seu filho estava terminando o ensino médio e queria ser músico – seguir a carreira de músico, ensinar música –, mas ele, como um pai severo, responsável e racional, queria que o filho fosse engenheiro, pois acreditava que o “guri” tinha um futuro promissor. Falei para esse pai que ele (como professor) deveria abandonar sua profissão, pois assim como estava impedindo que seu filho atingisse as suas potencialidades, provavelmente o faria com seus alunos. Pedi a ele que lesse Erich Fromm, em especial o livro A Arte de Amar, refletisse e se reposicionasse.

Atualmente, sabemos que não é uma educação rígida, e sim uma educação baseada na entrega, na dedicação total e no amor, que pode orientar os jovens em suas escolhas. Saber escolher é crucial! Mas como fazer a escolha “certa”? O autoconhecimento pode ser uma excelente oportunidade! Quem eu sou? Do que gosto? Quais minhas habilidades? Qual meu perfil? O segredo para a conquista da realização pessoal e profissional é fazermos aquilo que tem sentido para nós, aquilo que nos motiva, aquilo que nos gratifica. Os sonhos dos pais são sonhos dos pais, isso significa que devem ser realizados por eles e não através dos filhos.

Assim, a função parental é potencializar o que há de bom nos filhos. Quem tiver dúvida sobre isso, faça a seguinte pergunta para seu filho quando ele disser que deseja seguir determinada carreira: Por que você quer isso para você? Peça que ele formule três respostas razoáveis para ele mesmo, não para você. Então, peça para que ele vá até a frente do espelho e responda. Fique assistindo às argumentações. Depois, sim, faça sua reflexão como pai ou como professor e perceba se as respostas são consistentes e mostram a essência desse jovem ou se são apenas respostas superficiais.

Ser pai e/ou ser educador não é como ir ao trabalho e cumprir uma rotina. É estar presente, acompanhar, sorrir, abraçar, ouvir, ouvir, ouvir e conversar. É, sobretudo, amar. E o amor deve ser entendido como cuidado e orientação. Afinal, o maior desejo dos pais, antes de uma escolha acertada ou do sucesso profissional e financeiro, é educar para a felicidade, ou seja, contribuir para que seus filhos sejam seres humanos realizados e felizes. As demais conquistas são apenas consequência...

Fonte:Jorge Luiz da Rocha Bueno/Diretor-presidente do Instituto Padre Reus
          Jornal Gazeta do Sul 03/03/2011