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domingo, 11 de novembro de 2012

Estação Ecológica do Taim será ampliada

Unidade de Conservação localizada no Rio Grande do Sul, próximo à fronteira com o Uruguai, passará dos atuais 11 mil hectares para cerca de 33 mil hectares, parte em terras particulares que serão desapropriadas.


O Conselho Consultivo da Estação Ecológica (Esec) do Taim aprovou a proposta de ampliação da área da unidade de conservação (UC), gerida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) no Rio Grande do Sul. Com isso, a Esec passará dos atuais 11 mil ha para cerca de 33 mil ha, dos quais apenas 8 mil ha estão em terras particulares que serão desapropriadas.
 
Durante a reunião do conselho, realizada dia 31, além da nova poligonal com o mapa da unidade, foram aprovados os critérios usados pelo Grupo de Trabalho (GT) para definir a ampliação. Ficaram de fora da unidade de conservação, por exemplo, as pequenas propriedades. Já os alagados e banhados foram considerados áreas prioritárias para integrar a estação ecológica.
 
As discussões sobre a nova poligonal da UC vinham sendo feitas desde 2008, quando o conselho decidiu pela ampliação da área. Na época, foi elaborado um termo de referência para contratar uma empresa que fizesse o levantamento fundiário da região. O trabalho foi concluído em 2011. Do início de 2012 para cá, o GT debateu e formulou a proposta de ampliação dos limites, aprovada na semana passada pelos conselheiros.
 
Zona de amortecimento
 
Agora, o Grupo de Trabalho tem outra tarefa: decidir sobre a zona de amortecimento da Esec. A definição só deve sair em abril de 2013, pois envolve entendimentos com o setor produtivo da região que participa do GT e do conselho. Só após essa decisão, a proposta de ampliação da UC será encaminhada ao ICMBio em Brasília, para concluir o processo de legalização da medida (realizar consultas públicas e preparar o decreto de ampliação).
 
Segundo o chefe da Esec do Taim, Henrique Ilha, embora o método participativo de elaboração da proposta de ampliação exija tempo e muita negociação, o processo permite, por outro lado, aproximar os usuários e vizinhos da unidade, o que contribui para a gestão e harmonização das práticas produtivas com as necessidades de conservação.
 
“A participação expressiva da comunidade já demonstra que está cada vez mais disseminado o conceito de que a Estação Ecológica do Taim é de todos nós. E todos os envolvidos estão de parabéns por esse avanço histórico alcançado”, disse o chefe da unidade.
 
A reserva
 
Criada em 1986, a Estação Ecológica do Taim ocupa áreas dos municípios de Santa Vitória do Palmar e Rio Grande, no Rio Grande do Sul, entre a Lagoa Mirim e o Oceano Atlântico, próximo do Arroio Chuí, na fronteira do Uruguai. Um dos principais motivos para a criação da Esec foi o fato de ser local de passagem de várias espécies de animais migratórios, principalmente aves, vindas da Patagônia. Lá, elas descansam, fazem ninhos e se desenvolvem, antes de seguir viagem. Sem a unidade de conservação na rota de migração, esses animais correriam sério risco de extinção.
 
Na parte norte da estação, há uma pequena floresta, que constitui uma verdadeira preciosidade ecológica. As árvores dominantes são a figueira nativa (Ficus organensis) e a corticeira (Erythrina sp) das quais pendem barbas-de-velho que causam efeito decorativo. Nas árvores há também lindas orquídeas, sendo a principal a Cattleya intermedia.
 
No banhado, que constitui a maior parte da Esec, domina o junco (Sairpus ca/ifornicus). Estãos presentes, também, plantas que boiam nas águas como o aguapé (Eichornia crasnpes), a Pistia stratiotes, a erva-de-santa-luzia, além de gramíneas diversas. Dentre estas foram assinaladas a Paspalum e a Spartina de porte elevado, que ocupam grandes áreas do banhado. Muitas delas oferecem refúgio para diversas espécies de aves e mamíferos.
 
A Estação Ecológica do Taim protege uma fauna variada como o jacaré-de-papo-amarelo (Caiman  atirostris), incluído nas listas nacionais e internacionais de animais ameaçados de extinção. A principal ave é o cisne-de-pescoço-preto (Cygnus melancoryphus), o único cisne verdadeiro do continente sul-americano e um dos mais bonitos do mundo, que é a grande estrela da avifauna do Taim.
 
Outras espécies também ameaçadas de extinção e encontradas na Esec são o coscoroba (Coscoroba coscoroba), os Dendrocygna (iererês e outros), o marrecão da Patagônia (Neta peposaca), os socós (Trigrisonia spp), o tachã (Chauna torquata) e a garça-branca-grande (Casmerodis a/bus).
 
Entre os mamíferos, estãos presentes a nutria ou ratão-do-banhado (Myocastor coypus), que sofre forte pressão da caça devido ao valor da sua pele, o tuco-tuco (Atenomys flamarioni) e a capivara (Hydrochoereus hydrochoereus). O cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus), que habitava o local no início do século passado, está praticamente extinto na região devido a ações predatórias do homem.
 
Pelo fato de proteger um dos últimos remanescentes do ecossistema banhado, a Estação Ecológica do Taim tem valor especial para estudos ecológicos. Por isso, conta com infra-estrutura para o desenvolvimento de pesquisas. A UC não recebe visitação pública com o objetivo de lazer, mas está aberta para visitas guiadas com a finalidade de educação ambiental.
 
Pelo alto valor ecológico e pela beleza de suas águas e matas, o banhado do Taim é considerado uma das Sete Maravilhas do Rio Grande do Sul.
 
Comunicação ICMBio
ICMBio/EcoAgência

terça-feira, 17 de julho de 2012

Lições de preservação no Taim


A Estação Ecológica (Esec) do Taim, que abrange parte dos municípios de Rio Grande e Santa Vitória do Palmar, estará completando 26 anos de criação no próximo dia 21. A comemoração do aniversário, no entanto, começou na última sexta-feira. A administração da unidade de conservação promoveu uma programação voltada a alunos de três escolas municipais de ensino fundamental situadas no entorno da Esec/Taim - a Maria Angélica Campello, a Alba Anselmo Olinto e a Aurora Cadaval.


Aproximadamente, cem crianças, de 6 a 13 anos, foram convidadas e passaram quase toda a tarde na unidade de conservação. Na sede da Esec, elas assistiram a um vídeo sobre a estação ecológica. Técnicos do Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental (Nema), que é parceiro da unidade, prepararam a programação para as crianças e as recepcionaram. Após a exibição do filme, elas participaram de atividade psicofísica e de brincadeiras, aprendendo sobre a fauna da estação ecológica. Conforme o oceanólogo Rodrigo Moreira da Silva, do Nema, a ideia foi promover a valorização do ambiente por meio de atividades lúdicas. Além disso, os alunos puderam ver uma exposição sobre o Taim e deixar no local o seu recado para a unidade. Os meninos e meninas ainda conferiram o ambiente da reserva em breve passeio nas imediações da sede administrativa da Esec. Depois, cantaram parabéns à estação ecológica e degustaram o bolo de aniversário.


Conforme o chefe da Esec/Taim, oceanólogo Henrique Horn Ilha, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a proposta foi, de maneira simples, buscar aproximar da estação a comunidade do seu entorno. O convite aos estudantes considerou o fato de que eles serão a comunidade do futuro. "A intenção foi mostrar que as portas da estação estão abertas a eles", salientou.


A comemoração antecipada teve como objetivo favorecer a participação dos alunos, uma vez que eles entraram em férias na sexta-feira. A programação de aniversário terá continuidade no próximo dia 20, à tarde, quando servidores e voluntários da Esec/Taim farão uma ação na BR 471, em frente à sede administrativa da unidade. Eles irão distribuir adesivos sobre o Taim aos motoristas, buscando sensibilizá-los para que reduzam a velocidade no trecho da rodovia, que atravessa a estação, e aproveitem a passagem para contemplar a natureza. O grupo também fará limpeza na beira da estrada. Segundo Ilha, será uma forma de mostrar que o lixo é um problema, e que a Esec depende da atitude de cada pessoa que passa por ela. "É uma oportunidade para chamar atenção a essa questão ambiental."
Jornal Correio do Povo 17/07/2012

Taim sofre efeitos de dois anos com seca

As condições do banhado do Taim ainda preocupam a administração da Estação Ecológica (Esec/Taim). As recentes precipitações proporcionaram reposição de água no local, mas abaixo do necessário, segundo o chefe da unidade de conservação, oceanólogo Henrique Horn Ilha, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). "São dois anos com seca, mas estamos esperançosos diante das notícias de meteorologistas de que haverá importantes ocorrências de chuva ainda neste inverno e até a entrada do verão", diz.


Atualmente, o banhado está com o nível de água bem aquém do ideal para esta época do ano. Ilha destaca que, no verão passado, o local já se encontrava baixo, e a preocupação é, principalmente, com as condições em que estará quando começarem os meses de calor. Um dos fatores que causam apreensão é a necessidade de o banhado ter um nível mínimo de água para as espécies de flora e fauna características desse ambiente não se afetarem e ali se manterem. O outro é o risco de incêndio, que aumenta.


A administração da Esec continua conversando com os arrozeiros da região da unidade, buscando uma programação para as próximas safras de arroz no que se refere ao uso da água da lagoa Mangueira. Toda a utilização da lagoa tem reflexos no banhado do Taim, e as lavouras do entorno da estação a utilizam. A proposta é que os arrozeiros formem uma associação e se organizem para um compartilhamento do recurso hídrico mais equilibrado, contemplando a produção e a conservação do banhado. Essa estratégia, segundo Ilha, dará segurança aos produtores e garantia de manutenção dos principais processos ecológicos regulados pela disponibilidade de água.




Outra iniciativa em curso visa criar uma espécie de selo verde do Taim, uma denominação de origem dos produtos da região, valorizando os agricultores que buscam práticas sustentáveis e produzem com respeito ao meio ambiente. A Embrapa está iniciando os contatos para viabilizar a proposta, que tem apoio do ICMBio, segundo o oceanólogo.


Jornal Correio do Povo 18/07/2012

quarta-feira, 15 de junho de 2011

INICIADA A OBRA DE RECUPERAÇÃO DO TELAMENTO NA ESEC/TAIM

A empresa contratada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) para fazer a recuperação do telamento e dos "mata-burros" na BR-471, no trecho que atravessa a Estação Ecológica do Taim (Esec/Taim), deu início à obra nesta semana. A mobilização para execução do serviço começou na semana passada, com a instalação do canteiro de obras na localidade da Capilha, próxima à unidade de conservação, e os trabalhos para a recuperação do telamento se iniciaram na última segunda-feira.


Desde hoje, 14, a obra está em execução com duas frentes de serviço. Uma à margem direita da rodovia, no sentido de quem vai para Santa Vitória do Palmar, na altura do quilômetro 546, onde o telamento precisa ser recuperado. Neste ponto, trabalhadores estão fazendo a marcação e abertura da vala para implantação das muretas de concreto nas quais as telas serão fixadas. A segunda, no canteiro da SBS Engenharia e Construção Ltda, responsável pelo serviço, consiste na confecção das muretas pré-moldadas, que depois serão colocadas na margem da rodovia para receber as telas. Cada peça tem dois metros de comprimento, 60 centímetros de altura e quatro centímetros de espessura.

Os serviços contratados, que incluem ainda a construção de 12 porteiras de madeira, serão realizados em um trecho de 15,64 quilômetros, sendo que a recuperação do telamento se dará em 10,2 quilômetros deste espaço. A instalação de telas em parte das margens da rodovia foi feita para evitar que animais da unidade de conservação, como as capivaras, atravessassem a pista e fossem atropelados. No entanto, o telamento implantado no lado oeste da estrada foi danificado por uma enchente em 2002. E desde então, aumentou o número de animais mortos na rodovia, principalmente de capivaras.

A recuperação da cerca de tela vinha sendo aguardada há nove anos e compete ao Dnit como medida mitigadora do impacto causado pela rodovia à Estação Ecológica. O Departamento vai investir R$ 1.411.737,92 na obra. Os rolos de tela necessários para o conserto foram doados pela empresa Gerdau. A obra se inicia pela reposição das telas. Depois serão consertados os mata-burros e feitas as porteiras.

O chefe da Esec/Taim, Henrique Horn Ilha, está contente com o início da execução da obra. "É um grande alívio poder dar uma resposta ao clamor público. É um serviço de interesse da comunidade, que quer a proteção dos animais, e também dos usuários da rodovia, pois muitos acidentes ocorrem pela presença de bichos na pista", ressaltou Ilha
Por Carmem Ziebell

carmen@jornalagora.com.br
Fonte:Jornal Agora 15/06/2011