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domingo, 30 de agosto de 2026

Bacia-esponja pode ser uma alternativa contra inundações

 
Modelo seria uma adaptação do conceito chinês de cidade - esponja.

Imagens impressionantes de uma enxurrada na região entre o Nepal e Tibet, na Ásia, atravessaram o mundo. E no Brasil, fizeram recordar as enchentes ocorridas nos últimos anos, em diferentes regiões. Com mais frequência e intensidade, os extremos climáticos têm a mesma origem, o aquecimento global.

Segundo Cecília Herzog, paisagista urbana da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (Recn), as mudanças climáticas exigem adaptações que vão além das áreas urbanas. É preciso pensar o processo hidrológico como um todo e adaptar as bacias hídricas, avalia.

“A água não respeita as nossas decisões políticas ou nossas convenções e fronteiras, o limite da natureza é outro, tem os seus processos e fluxos que correm na paisagem”, diz.

A partir dessa ideia, a especialista propõe a adoção de um modelo chamado bacia-espoja, que seria uma adaptação do conceito de cidade-esponja, difundido pelo arquiteto chinês Yu Kongjian, no início dos anos 2000, de tratar os próprios cursos dos rios em vez de adaptar as cidades para absorver, reter e reutilizar a água da chuva por meio de soluções baseadas na natureza.

“Na hora que você passa a tratar a bacia hidrográfica como uma unidade de planejamento, que é a unidade ideal, você tem que começar na cabeceira e terminar na foz, e passando por ele todo, e ao longo não apenas do curso do rio, mas de todas as áreas periféricas que vão de alguma maneira impactar o que acontece”, explica.

Para a especialista em soluções baseadas na natureza Juliana Baladelli Ribeiro, gerente da Fundação Grupo Boticário, retardar o escoamento na própria estrutura do rio é mais eficaz do que pensar apenas nos efeitos das chuvas atingindo as cidades.

“O excesso de chuva que causa transtornos nas cidades muitas vezes não caiu diretamente ali. A água vem sendo acumulada ao longo da bacia hidrográfica, chegando pelos rios”, explica.

Na prática, as principais intervenções seriam proteger as nascentes nas partes mais altas das bacias hidrográficas e recuperar as florestas nas margens dos rios, para manter a conectividade natural da vegetação por meio dos fluxos de água.

Juliana entende que a intervenção nas bacias não exclui ações nas cidades, onde também é necessário dar vazão aos fluxos acumulados e aumentados por chuvas intensas.

Ela propõe “ter espaços como parques urbanos, jardins de chuva, praças úmidas, que ajudam a assegurar essa água e permita então que a água da chuva volte aos poucos para o seu fluxo natural”.

De acordo com as especialistas, a gestão integrada das bacias hidrográficas a partir do conceito de bacia-esponja já demonstram resultados bem-sucedidos em vários países, mas é preciso adequar as soluções a cada lugar e aos fatores naturais de cada região.

“Não podemos pensar em importar modelos. É necessário pensar como que a gente vai transformar essas paisagens de extremamente vulneráveis a paisagens mais resilientes, cocriando com o conhecimento local”, defende Cecília Herzog.

FONTE: Agencia Brasil

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

Em Rotterdam, comitiva gaúcha conhece iniciativas que transformaram cidade em referência em resiliência climática

 









Prevenção a eventos extremos integrada ao desenvolvimento urbano é um exemplo a ser seguido

A cidade que se reinventou após ser quase completamente destruída na Segunda Guerra Mundial agora lidera o mundo em adaptação urbana às mudanças climáticas. Rotterdam, maior porto da Europa e exemplo global em resiliência, foi o foco da comitiva gaúcha nesta terça-feira (25/2), que visitou soluções inovadoras implementadas no ambiente urbano.

A delegação foi recebida por autoridades locais e conheceu o programa "Rotterdam Climate Proof", estratégia que transformou vulnerabilidades em oportunidades de desenvolvimento e regeneração urbana.

"Aqui em Rotterdam vemos como a adaptação climática pode ser integrada ao desenvolvimento urbano. Não são somente obras técnicas isoladas, mas uma visão completa da cidade, onde infraestrutura verde, inovação e planejamento urbano se combinam para criar um ambiente mais resiliente e agradável", destacou o governador Eduardo Leite.
"Aqui em Rotterdam vemos como a adaptação climática pode ser integrada ao desenvolvimento urbano", destacou o governador - Foto: Maurício Tonetto/Secom

A visita incluiu conhecer as famosas "praças d'água" de Rotterdam, espaços públicos multifuncionais que servem como áreas de lazer em dias secos e como bacias de retenção durante chuvas intensas. A praça Benthemplein, referência mundial, pode armazenar até 1.800 metros cúbicos de água da chuva, aliviando o sistema de drenagem da cidade.

Outro destaque é o Dakpark, parque linear construído sobre um dique, que combina proteção contra enchentes, área verde e desenvolvimento comercial. Com mais de um quilômetro de extensão, o parque elevado é exemplo de como infraestruturas de proteção podem ser integradas à paisagem urbana.

"O que vimos em Rotterdam nos mostra um caminho possível para cidades como Porto Alegre. As soluções aqui não são apenas técnicas, mas também sociais e urbanísticas, integrando a água à vida da cidade em vez de tentar apenas contê-la", afirmou Leite.

Para a comitiva gaúcha, Rotterdam oferece lições sobre como adaptar centros urbanos consolidados aos desafios climáticos sem perder vitalidade econômica ou qualidade de vida. A cidade, que tem cerca de 80% de seu território abaixo do nível do mar, transformou essa característica em motor de inovação e desenvolvimento sustentável.
Rotterdam oferece lições sobre como adaptar centros urbanos consolidados aos desafios climáticos sem perder vitalidade econômica - Foto: Maurício Tonetto/Secom

A agenda em Rotterdam encerrou-se com uma visita técnica ao sistema de monitoramento e alerta precoce da cidade, que integra dados meteorológicos, níveis de água e capacidade da infraestrutura para antecipar riscos e coordenar respostas a eventos extremos.

A missão nos Países Baixos continua na quarta-feira (26/2) com a última agenda oficial antes do retorno ao Brasil. Além do governador, participam da comitiva os secretários da Reconstrução Gaúcha, Pedro Capeluppi, e do Meio Ambiente e Infraestrutura, Marjorie Kauffmann, o chefe da Casa Militar e coordenador da Defesa Civil, Luciano Boeira, e o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo.

O nome oficial do país é Reino dos Países Baixos (em holandês: Koninkrijk der Nederlanden). Embora o nome Holanda seja comumente utilizado, ele se refere historicamente apenas a duas das doze províncias do país (Holanda do Norte e Holanda do Sul). Desde 2020, o governo do país padronizou sua comunicação internacional para uso exclusivo do termo Países Baixos (Netherlands, em inglês), visando uma representação mais precisa de todo o território nacional. O Governo do Rio Grande do Sul adota a nomenclatura oficial em sua comunicação institucional.

Fonte: Secom RS

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Das dunas aos diques: comitiva conhece soluções de proteção contra desastres naturais nos Países Baixos



Comitiva gaúcha visitou o Sand Engine, projeto que usa as forças da natureza para proteger o litoral - Foto: Mauricio Tonetto/Secom
O terceiro dia da missão oficial aos Países Baixos foi dedicado a conhecer diferentes estratégias de adaptação climática, desde tecnologias inovadoras de proteção costeira até sistemas urbanos de prevenção a enchentes. A comitiva gaúcha iniciou o domingo visitando o Sand Engine, projeto que usa as forças da natureza para proteger o litoral, e encerrou o dia conhecendo a províní cia de Zeeland, região que transformou a tragédia da enchente de 1953 em aprendizado. "Os neerlandeses mostram como é possíví el desenvolver uma nova relação com a água. Eles aprenderam a trabalhar com a natureza, não contra ela, seja na proteção do litoral ou na adaptação das cidades", destacou o governador Eduardo Leite.

O Sand Engine, apresentado pela professora Taneha Bacchin, gaúcha radicada em Roterdã, é um exemplo dessa abordagem. O projeto envolveu a deposição de 21,5 milhões de metros cúbicos de areia que, gradualmente, é distribuída a ao longo da costa pelas próprias ondas, correntes e ventos. “Este é um exemplo do conceito Building with Nature, construir com a natureza. Usamos as forças naturais a nosso favor, reduzindo custos e criando soluções mais sustentáveis", explicou Bacchin. À tarde, a comitiva visitou Middelburg, capital da província de Zeeland, onde conheceu o Molenwaterpark, um espaço urbano histórico que foi adaptado para prevenir alagamentos. O parque, reestruturado em 2018, combina preservação histórica com tecnologia moderna: possui um sistema de gestão de águas pluviais capaz de reter até 2 mil metros cúbicos de água durante chuvas intensas, equivalente a 100 mil barris. "Nossa cidade aprendeu com a tragédia de 1953 que precisamos estar sempre preparados. O Molenwaterpark é um case de como podemos adaptar espaços históricos para os desaios climáticos sem perder nossa identidade cultural", destacou o vice-prefeito, Jeroen Louws, durante a recepção à comitiva.

A agenda incluiu ainda visitas ao Flood Museum, que preserva a memória da enchente de 1953, e ao Deltapark Neeltje Jans, onde está instalado o maior sistema de proteção contra tempestades do mundo. A estrutura é parte do Plano Delta, implementado após o desastre que causou o rompimento de 67 diques só em Zeeland. "Vemos aqui como é possível transformar áreas vulneráveis em territórios resilientes, desde que haja planejamento e investimento consistente em soluções adequadas", afirmou Leite. As experiências conhecidas na missão servem como inspiração para o desenvolvimento do Plano Rio Grande (https://planoriogrande.rs.gov.br/inicial), estratégia do governo estadual para reconstrução e adaptação após as enchentes que atingiram o estado em 2024. Além do governador, participam da comitiva os secretários da Reconstrução Gaúcha, Pedro Capeluppi, e do Meio Ambiente e Infraestrutura, Marjorie Kauffmann, o chefe da Casa Militar e coordenador da Defesa Civil, Luciano Boeira, e o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo.
Fonte: Secom RS