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quinta-feira, 7 de junho de 2012

Perdas da biodiversidade mundial chegam a níveis alarmantes, diz Geo-5


As taxas de perda da biodiversidade mundial chegaram a níveis alarmantes nas últimas décadas, segundo conclusão do 5º Panorama do Meio Ambiente Global (Geo-5), divulgado hoje (6) na sede do Itamaraty, centro do Rio de Janeiro.
Segundo o estudo, 20% das espécies de vertebrados estão ameaçadas e 38% dos recifes de corais sofreram redução desde 1980. O Geo-5 também divulgou que mais de 30% da superfície terrestre são usados para produção agrícola e alguns habitats naturais sofreram reduções de mais de 20% nos últimos trinta anos.
De acordo com o secretário de Políticas Públicas e Programas de Pesquisa de Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação à Pesquisa, Carlos Nobre, os números apontam que o mundo está muito próximo de encontrar situações em que as perdas da biodiversidade e recursos naturais serão irreversíveis. “Ainda não chegamos lá, mas as ações são urgentes, pois já passamos do ponto de alcançarmos o futuro que queremos em alguns aspectos”.
Ainda de acordo com Nobre, a pesquisa reforça a necessidade de quebrar a inércia política das últimas duas décadas. “O relatório também mostra inúmeros bons exemplos, inclusive vários do Brasil. A grande questão política agora é ampliar esses exemplos em grande escala para que se tornem a econômica futura”, disse.
Exemplos de sucesso foram identificados em vários países pelo relatório, como a adoção de mecanismos de pagamentos por serviços ecossistêmicos no Vietnã, políticas no Brasil para diminuir o desmatamento na Amazônia, a reabilitação de pastagens na Síria e gestão melhorada de recursos hídricos no Iêmen, entre outros.
“Precisamos de 7 bilhões de indivíduos agindo juntos: governos, empresas e, acima de tudo, cooperação entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento, pois há problemas que não podem ser resolvidos pelas nações individualmente”, declarou o diretor executivo do Pnuma, Achim Steiner.
O relatório Geo-5 faz uma avaliação do estado do meio ambiente e das tendências ambientais globais e envolveu mais de 600 especialistas do mundo todo durante três anos de estudos. O relatório completo pode ser encontrado no site do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). 
Agência Brasil 06/06/2012

sábado, 7 de janeiro de 2012

NOSSO FUTURO

Michel Serres pergunta-nos se, quando o barco faz água, os marinheiros continuam brigando entre si? Motivo de séria reflexão esse questionamento. O autor, filósofo octogenário, transmite-nos em sua obra uma mensagem otimista em relação à sustentabilidade de nosso planeta. No "Contrato Natural", analisa a tendência da humanidade em perceber que o homem não é dono dos recursos naturais, podendo usá-los e desperdiçá-los livremente como insumos inesgotáveis de seu bem-estar. A ambiência, ciência que se consolida com o movimento ambiental surgido em meados do século XX, faz com que as novas gerações desenvolvam consciência de nossa fragilidade como espécie dependente do equilíbrio do ecossistema planetário. O modelo de consumo desenfreado surgido com a Revolução Industrial, e que atinge seu ápice nos dias atuais, vem mostrando claramente que nosso privilegiado planeta começa a apresentar sinais de esgotamento de alguns de seus recursos naturais. Simultaneamente, sua capacidade recicladora da gigantesca quantidade de lixo gerada pelo consumo irresponsável de bens mostra sinais de insuficiência.

Após a noite da Idade Média, tivemos o Renascimento das artes e das ciências que nos trouxe a Era das Luzes e gerou os filósofos iluministas. Essa plêiade de cérebros, conscientizando-se dos direitos dos homens, elaborou o Contrato Social, base da organização da sociedade, que, após 300 anos, ainda não foi universalizado, apesar das grandes revoluções havidas em seu nome. O Contrato Natural nos faz entender o direito das coisas e a necessidade de respeitá-las como condição fundamental de nossa sobrevivência. Certamente, não levará três séculos para consolidar-se e internalizar-se em nossa cultura.

Paradoxalmente, as guerras têm sido milenarmente o motor da história. Felizmente, percebe-se crescer o entendimento mundial sobre a insensatez de um conflito bélico. Aumenta entre os jovens a negação da belicosidade. A violência natural da espécie é dirigida para o esporte e para outras competições menos drásticas que a guerra. O movimento de massa, que pregou paz e amor após as duas guerras mundiais, botou raízes que começam a vicejar. Com horizonte de vida de cem anos, os jovens entusiasmam-se cada vez menos com o falso heroísmo de partir precocemente para o genocídio. Identificam com clareza as oportunidades da vida e a beleza de nosso magnífico planeta. Quando a nave faz água e a nossa é a mesma para todos, impõem-se a solidariedade, a razão e o amor.

Carlos Adílio Maia do Nascimento, Presidente do IBPS
Jornal Correio do Povo 07/01/2012