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segunda-feira, 17 de março de 2025

Fui picado, mas não vi: como saber se foi aranha ou inseto? Conheça os sinais de alerta e quando buscar ajuda

 

Aranha armadeira da espécie Phoneutria nigriventer (Foto: Rafael P. Indicatt













Algumas aranhas, como a armadeira e aranha-marrom, podem causar envenenamento grave e exigem aplicação de soro específico

Estamos suscetíveis o tempo todo a picadas dos mais diversos animais, desde os inofensivos aos que causam envenenamento grave ou transmitem doenças. Muitas vezes, só percebemos o ferimento minutos ou horas depois de ele acontecer, ao sentirmos coceira, vermelhidão, dor ou inchaço em algum ponto da pele. Quando não conseguimos ver o que nos picou, o primeiro impulso é imaginar que foi um inseto qualquer e que não teremos maiores problemas. Mas como diferenciar uma picada comum da picada de um animal peçonhento e que representa perigo à saúde, como uma aranha-marrom ou armadeira?

O principal sinal de alerta é quando a lesão não melhora com tratamento sintomático, segundo a médica do Hospital Vital Brazil Roberta de Oliveira Piorelli. “De modo geral, quando ocorre inchaço ou dor persistente que só progride, o ideal é buscar atendimento médico, especialmente se começar a ter sintomas sistêmicos, como mal-estar, náuseas, vômitos e manchas na pele”, explica. “Se o paciente não tem alergia conhecida e não costuma ter reações a picadas, e notou que a lesão está diferente do habitual, o quadro merece atenção.”


Entre as milhares de espécies de aranhas que existem no Brasil, somente três gêneros são considerados de importância médica, ou seja, que podem provocar envenenamento grave em pessoas: a viúva-negra (Latrodectus), a armadeira (Phoneutria) e a aranha-marrom (Loxosceles). Enquanto a primeira causa acidentes muito raramente e não requer uso de soro, a armadeira e aranha-marrom somam mais de 10 mil acidentes por ano, segundo o Ministério da Saúde, e o tratamento do envenenamento exige a aplicação do soro antiaracnídico.

A picada da armadeira é percebida rapidamente: provoca dor imediata, vermelhidão e inchaço local. Também pode haver vômitos e sudorese, principalmente em crianças. Além disso, o próprio tamanho da aranha dificulta que ela passe despercebida: pode ter até 5 cm de corpo e 15 cm de pernas. Agressiva, ela ataca quando se sente ameaçada.

Já a picada da aranha-marrom, inicialmente, pode ser confundida com uma picada comum de inseto, porque os sintomas levam horas para progredir. O paciente pode sentir dor, que aumenta com o passar do tempo, e apresentar uma lesão de coloração pálida, arroxeada e com vermelhidão ao redor. Alguns casos evoluem para necrose, e quadros graves podem levar à síndrome hemolítica (quebra dos glóbulos vermelhos), causando palidez, pele amarelada e urina escura.



Loxosceles gaucho, espécie de aranha-marrom comum no Brasil (Foto: Paulo Goldoni)

A Loxosceles é uma aranha pequena, de até 4 cm, e só pica quando é comprimida. Costuma ficar escondida em móveis, roupas, sapatos e lençóis. Um caso recente atendido pelo Hospital Vital Brazil foi de um menino de 6 anos que foi picado no rosto enquanto dormia. “Quando a picada acontece na face, a manifestação costuma ser diferente, com um inchaço importante e progressivo, que também não melhora com medicamentos comuns, como antialérgicos”, destaca a especialista.

Acidentes com viúva-negra são menos frequentes e costumam causar ardência e queimação local. Podem apresentar também contraturas e dores musculares, irradiadas para os membros, costas e abdome. Os pacientes são tratados com analgésicos por via oral, venosa ou por bloqueio anestésico.

Picada com dois furos é de aranha?

Como as aranhas possuem um par de quelíceras (estruturas usadas para injetar veneno), geralmente podem deixar dois pequenos furos na pele, mas isso nem sempre acontece. Por isso, a crença popular não deve ser usada como critério para identificar uma picada de aranha.

“Somente um especialista pode fazer essa avaliação. Em caso de acidente, lave o local com água e sabão e procure o serviço de saúde mais próximo. Se conseguir achar a aranha ou o animal que o picou, leve-o em um recipiente seguro. Se não, vá ao hospital do mesmo jeito, porque conseguimos determinar o que aconteceu a partir dos sintomas”, aponta Roberta.

O Hospital Vital Brazil também fornece atendimento telefônico para médicos de todo o Brasil para auxiliar no diagnóstico.

Fonte: Instituto Butantan
Reportagem: Aline Tavares
Fotos: José Felipe Batista/Comunicação Butantan, Paulo Goldoni, Rafael P. Indicatti


Hospital Vital Brazil
Telefones: (11) 2627-9529 / 2627-9530
Endereço: Av. Vital Brasil, 1500, ao lado do heliponto






terça-feira, 1 de outubro de 2024

Picadas de aranhas são segunda causa de envenenamento no país

 

Soros antivenenos são distribuídos pelo SUS

O Brasil registrou 341.806 acidentes com animais peçonhentos ao longo de todo o ano de 2023 – sendo 43.933 ocasionados por aranhas. O número representa 12% do total. O Ministério da Saúde alerta que as aranhas respondem, atualmente, como o segundo maior causador de envenenamentos por animais peçonhentos no país, atrás apenas dos escorpiões.

“Acidentes por animais peçonhentos representam um importante desafio para a saúde pública no Brasil. Devido à rica biodiversidade e ao clima tropical favorável, o país abriga uma grande variedade de serpentes, aranhas, escorpiões e outros animais peçonhentos, cujas picadas ou mordidas podem resultar em graves consequências para a saúde humana”, destacou a pasta.

Segundo o ministério, embora apenas três grupos de aranhas causem acidentes graves no Brasil, todas fazem parte do convívio humano, seja dentro de casa, em quintais ou parques.

Os chamados soros antivenenos, incluindo o soro antiaracnídico, são distribuídos exclusivamente via Sistema Único de Saúde (SUS) e podem ser disponibilizados por hospitais públicos, filantrópicos e privados, desde que seja garantido tratamento sem custo ao paciente.

Veja as aranhas mais causadoras de acidentes

Acidentes por aranhas ou araneísmo configuram um quadro clínico de envenenamento decorrente da inoculação da peçonha de aranhas, através de um par de ferrões localizados na parte anterior do animal.

Confira, a seguir, as principais aranhas causadoras de acidentes graves no Brasil:

Loxosceles (aranha-marrom ou aranha-violino)

Os sinais e sintomas da picada incluem dor de pequena intensidade. O local acometido pode evoluir com palidez mesclada com áreas equimóticas (placa marmórea), instalada sobre uma região endurada. Também podem ser observadas vesículas ou bolhas sobre a área endurada, com conteúdo sero‐sanguinolento ou hemorrágico.

Nos casos mais graves, ocorre hemólise intravascular, de intensidade variável, sem associação direta com a extensão da lesão cutânea, tendo como principais complicações a insuficiência renal aguda por necrose tubular.

Phoneutria (aranha-armadeira ou macaca)

A dor imediata é o sintoma mais frequente. Sua intensidade é variável, podendo irradiar até a raiz do membro acometido.

Outros sintomas são inchaço por acúmulo de líquidos, manchas vermelhas na pele, formigamento ou dormência na pele e excesso de suor no local da picada, onde podem ser visualizadas as marcas de dois pontos de inoculação.

Latrodectus (viúva-negra)

Os sinais e sintomas incluem dor na região da picada, suor generalizado e alterações na pressão e nos batimentos cardíacos.

Podem ocorrer ainda tremores, ansiedade, excitabilidade, insônia, dor de cabeça, manchas vermelhas na face e pescoço. Há relatos de distúrbios de comportamento e choque, em casos graves.

O que fazer

Em caso de acidente, as orientações são:

- procurar atendimento médico imediatamente;

- fotografar ou informar ao profissional de saúde o máximo possível de características do animal, como tipo de animal, cor, tamanho;

- se possível e, caso tal ação não atrase a ida do paciente ao atendimento médico, lavar o local da picada com água e sabão;

- realizar compressas mornas, que podem ajudar a aliviar a dor;

Confira aqui a lista de hospitais de referência para soroterapia em casos de acidentes por animais peçonhentos, separada por estado, constando as cidades onde estão localizados, nomes dos hospitais, endereços, telefones.

Em caso de emergência, a recomendação é contatar imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) ou o Corpo de Bombeiros (193). Também é possível entrar em contato com o Centro de Informação e Assistência Toxicológica que atende a região onde o acidente ocorreu.
Prevenção

As medidas para prevenir acidentes com aranhas incluem:

- manter jardins e quintais limpos;

- evitar o acúmulo de entulhos, folhas secas, lixo doméstico, material de construção nas proximidades das casas;

- evitar folhagens densas (plantas ornamentais, trepadeiras, arbusto, bananeiras e outras) junto a paredes e muros das casas;

- limpar periodicamente terrenos baldios vizinhos – pelo menos numa faixa de um a dois metros junto das casas;

- sacudir roupas e sapatos antes de usá-los;

- vedar frestas e buracos em paredes, assoalhos e vãos entre o forro e as paredes, consertar rodapés despregados, colocar soleiras nas portas e telas nas janelas.

- usar telas em ralos do chão, pias ou tanques;

- afastar camas e berços das paredes e evitar que roupas de cama e mosquiteiros encostem no chão;

- inspecionar sapatos e tênis antes de calçá-los.

Fonte: Agência Brasil