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sábado, 5 de agosto de 2017

Saúde incentiva licença-paternidade ampliada para apoio à amamentação

A Semana Mundial de Amamentação começou na terça-feira (1º) e vai até o dia 7 de agosto com o objetivo de incentivar o aleitamento materno


























O Ministério da Saúde lançou hoje (4) um documento para orientar pais e empresas sobre o benefício da licença-paternidade estendida. A iniciativa foi anunciada durante a apresentação da Campanha Nacional de Aleitamento Materno de 2017, em Curitiba (PR), que este ano incentiva o envolvimento do homem nos cuidados com o filho e maior proximidade com a mãe. A nota técnica está disponível na página do Ministério da Saúde.

Pelo novo Marco Legal da Primeira Infância, os pais podem prorrogar de cinco para 15 dias o período, desde que comprovado o seu envolvimento com o desenvolvimento do bebê. O benefício é concedido a funcionários de empresas que aderiram ao Programa Empresa Cidadã.

Para a concessão, os pais podem entregar a declaração do profissional de saúde informando a participação no pré-natal, em atividades educativas durante a gestação, ou visita à maternidade. Também poderá ser entregue o comprovante do curso online Pai presente: cuidado e compromisso promovido pela pasta.

A Semana Mundial de Amamentação começou na terça-feira (1º) e vai até o dia 7 de agosto com o objetivo de incentivar o aleitamento materno e, com isso, melhorar a saúde dos bebês. Com o slogan “Amamentar: ninguém pode fazer por você. Todos podem fazer junto com você”, a campanha deste ano tem como objetivo fortalecer a participação e o cuidado de pais, familiares, empresas, educadores e toda a sociedade no processo de aleitamento, garantindo a alimentação exclusiva com leite materno até os seis meses de vida.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a amamentação é uma das formas mais eficazes de garantir a saúde e a sobrevivência dos recém-nascidos. Ela é capaz de reduzir em 13% a mortalidade por causas preveníveis em crianças menores de 5 anos, além de proteger a criança de doenças como diarreia, infecções respiratórias e alergias. Outro benefício é reduzir o risco de desenvolver hipertensão, colesterol alto, diabetes e obesidade na vida adulta.

A recomendação é que o bebê seja amamentado imediatamente após o nascimento e de forma exclusiva com leite materno até os 6 meses de vida. Após o primeiro semestre, deve-se incluir alimentos nutritivos como complementação ao leite. Posteriormente, até os 2 anos de vida da criança, o leite materno deverá servir como complemento à alimentação.

O leite materno tem tudo o que o bebê precisa até os 6 meses, inclusive água. Segundo o Ministério da Saúde, no Brasil, 67,3% das crianças mamam na primeira hora de vida. Apenas 41% das crianças menores de seis meses tiveram alimentação exclusivamente por leite materno; a duração média do aleitamento exclusivo é de 54 dias.

Hospital Amigo da Criança

Hoje, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, assinou a habilitação de 28 instituições na Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC), em todo o país, duas delas do Paraná. Com a medida, a pasta quer diminuir a mortalidade infantil por meio do estímulo à prática da amamentação, além de mobilizar e capacitar profissionais de saúde na atenção ao aleitamento materno, buscando evitar o desmame precoce.

A iniciativa terá impacto financeiro de R$ 4 milhões em 2017, segundo o ministério.

Salas de amamentação
Ainda na solenidade, o ministro entregou dez placas de certificação às empresas, privadas e públicas, que implantaram salas de apoio à amamentação no estado do Paraná. Atualmente, o país possui 200 salas certificadas pelo Ministério da Saúde, com capacidade de beneficiar até 140 mil mulheres. Em 2014, eram 16 salas de apoio à amamentação.

A ação surgiu em 2010 com o objetivo de apoiar a mulher que retorna da licença-maternidade e deseja continuar amamentando o filho. As salas de apoio à amamentação são locais simples e de baixo custo para as empresas, onde a mulher pode retirar o leite durante a jornada de trabalho e armazená-lo corretamente para que, ao final do expediente, possa levá-lo para casa e oferecê-lo ao bebê.

Agência Brasil

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Não existe leite materno fraco, afirma professora de nutrição

Márcia Regina Vitolo, da UFCSPA, ganhou destaque nacional com pesquisa sobre amamentação


Um trabalho realizado pelo Núcleo de Pesquisa em Nutrição da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) teve reconhecimento nacional com o Prêmio Saúde na categoria Saúde da Criança, concedido pela revista homônima, da Editora Abril.
A equipe da professora Márcia Regina Vitolo avaliou o impacto da implementação de um manual do Ministério da Saúde com 10 passos para uma alimentação saudável, voltado a crianças menores de dois anos.
O grupo levou as informações a pediatras e a outros profissionais, em 32 unidades de saúde da Capital, nas quais o número de crianças que se alimenta só de leite materno até quatro meses de vida aumentou em 15%.

O caderno Meu Filho, de Zero Hora, conversou com Márcia sobre o assunto. Confira a entrevista:

Meu Filho — Quais são as principais dicas do manual?
Márcia Regina Vitolo — Amamentar a criança só com leite materno até o sexto mês de vida — enfatiza-se muito que não é necessário dar chá e água, mesmo durante o verão. Ao iniciar a comidinha, ela deve ser composta por carne, além dos cereais e verduras, que não devem ser liquidificados, mas só amassados para que o bebê aprenda a mastigar. Não oferecer açúcar, biscoitos doces, gelatina, refrigerante, salgadinho, chocolate, café ou qualquer outro alimento rico em gordura ou açúcar para a criança com até dois anos.

MF — São dicas fáceis de se aplicar em casa?

Márcia — Muito fáceis, pois o bebê não tem autonomia para buscar seus próprios alimentos. É responsabilidade dos pais ou cuidadores oferecer alimentos saudáveis, especialmente nos primeiros anos de vida da criança, quando as preferências alimentares são estabelecidas.

MF — Em que os pais costumam errar na alimentação dos bebês?

Márcia — Um erro que se observa com frequência é a mãe achar que seu leite é fraco ou não sustenta o bebê. Assim, acaba utilizando outros leites. Não existe leite fraco, e a mãe pode melhorar a técnica de amamentação deixando a criança esvaziar o peito em cada mamada, já que o leite com mais energia e gordura sai no final da mamada. Isso faz com que a criança sinta-se mais satisfeita e possa se alimentar em intervalos maiores.

MF — O estudo também trata sobre o açúcar na alimentação das crianças?

Márcia — O que mais nos preocupa atualmente é a enorme frequência de famílias que oferecem para os bebês alimentos com açúcar, muita gordura ou muito sal. Esses alimentos não devem ser oferecidos pelo menos até os dois anos. A oferta de sucos, mesmo os naturais, nos intervalos das refeições é desnecessária e muitas vezes prejudicial, fazendo com o que o bebê perca a fome nas refeições.

MF — Que benefícios foram constatados na pesquisa?
Márcia — Nas unidades em que os profissionais da saúde passaram pelo programa de atualização, observamos em média um aumento de 15% nas crianças amamentadas exclusivamente com leite materno até os quatro meses. Ainda houve uma redução de 33% no risco de bebês de seis a nove meses receberem refrigerante, chocolate e salgadinho.

Guilherme Mazui
guilherme.mazui@zerohora.com.br
Jornal Zero Hora 17/01/2012