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terça-feira, 22 de maio de 2012

Esta esfera reúne toda a água da Terra, e é menor do que você imagina



O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) criou esta visualização incrível: uma imagem que dá uma ideia perfeita de como há pouca água no planeta Terra, comparado aos materiais sólidos que formam seu volume.

A imagem mostra o tamanho de uma esfera que conteria toda a água da Terra, em comparação com o tamanho do planeta. Repare que estamos falando de volume, não de superfície: cerca de 70% da superfície terrestre está coberta
por água, mas o volume de água em relação ao volume da Terra é irrisório.

A esfera azul em cima dos EUA tem um diâmetro de aproximadamente 1.385 km, com um volume de 1.386.000.000 km³. A esfera inclui toda a água dos oceanos, mares, geleiras, lagos e rios, além das águas subterrâneas, água
atmosférica (no ar), e até mesmo a água dentro de você, do seu animal de estimação e dos tomates na sua geladeira.

Eis alguns números do USGS:

- O volume de toda a água seria de aproximadamente 1,386 bilhão de quilômetros cúbicos (km³). Um quilômetro cúbico de água equivale a cerca de um trilhão de litros d’água.

- Cerca de 12.900 km³ de água, a maior parte na forma de vapor d’água, está na atmosfera. Se toda ela precipitasse de uma vez, a Terra seria coberta por apenas 2,5 cm de água.

- A cada dia, 1.170 km³ de água evapora ou transpira para a atmosfera.

- Se toda a água do mundo fosse jorrada nos EUA, ela cobriria o território com uma profundidade de 145 km.

- Da água doce na Terra, muito mais fica no subterrâneo que em lagos e rios. Mais de 8.400.000 km³ de água doce estão armazenados na Terra, a maior parte a até 800 m da superfície. Mas se você realmente quer encontrar água doce, a maior parte está armazenada nos 29.200.000 km³ de geleiras e calotas de gelo, principalmente nas regiões polares e na Groenlândia.

E esta é a quantidade de água doce, comparada ao volume da Terra e a quantidade total de água:



E o volume de água doce potável é ainda menor, então vá fechar suas torneiras.

Fonte: Gizmodo Brasil

Acessado em: 17/05/2012

Pesquisado por: Claudine Abbud Giacomitti Budel – Voluntária Online

segunda-feira, 26 de março de 2012

FAO: mundo utiliza 15 mil litros de água para produzir um quilo de carne

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, está marcando o Dia Mundial da Água, neste 22 de março, com um alerta. Segundo a FAO, para gerar um quilo de carne, são precisos 15 mil litros de água. Em comunicado, emitido pela oficina regional da agência em Santiago do Chile, a FAO afirmou que a agricultura utiliza 70% de toda a água consumida no mundo.

Numa nota separada, a relatora da ONU para o direito à água e ao saneamento básico, Catarina de Albuquerque, pediu aos países-membros da organização que honrem seus compromissos em fazer da água um direito humano durante a conferência Rio + 20, marcada para junho, no Rio de Janeiro. Este ano, o tema do Dia Mundial é "Água e Segurança Alimentar". De acordo com especialistas é preciso utilizar o recurso de forma mais inteligente.

O agricultor do Ceará, Napoleão Furtado, falou ao repórter Camilo Freire sobre as consequências da seca. "A primeira seca que eu vi foi em 1958. Eu tinha 12 anos. A água vai se acabando, o pasto vai se acabando também porque a seca judia com tudo. Tanto nós seres humanos, como também os bichos, o gados, os animais." Ainda de acordo com a FAO, a produção de alimentos para atender a uma pessoa somente, a cada dia, requer 3 mil litros de água. Com o crescimento da população, o problema se torna ainda mais grave. Em 2050, o mundo terá 9 bilhões de habitantes, dois bilhões a mais que agora.

Por Mônica Villela Grayley - Rádio ONU 
Rádio ONU, parceira da EcoAgência

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Água: a Patagônia, as guerras, o Carnaval


   
"Água, Berço da Existência", enredo da Escola de Samba União da Vila do IAPI para o Carnaval 2012


Por Renato Gianuca, especial para a EcoAgência de Notícias Ambientais
A água é direito humano e essencial para a nossa sobrevivência. Nem todos os governos do mundo pensam assim. Poderosas multinacionais pretendem - inclusive aqui, no Sul do Brasil - privatizar a água e transformá-la em simples mercadoria.

Um dos pontos altos do Fórum Social Mundial (FSM) foi sempre a reunião de ativistas sociais de todos os continentes, cada um trazendo a experiência e a súmula de suas lutas, sejam as ambientais, as sociais e tantas outras.

No recente Fórum Social de Porto Alegre, de 24 a 29 de janeiro de 2012, foi proporcionado aos jornalistas credenciados um importante documento, ao qual esta EcoAgência teve acesso.

Em enxutas 56 páginas ilustradas, o livreto intitula-se “Aysén: Huellas de uma Iglesia profética em la Patagônia”,  e vem com o patrocínio do Vicariato Apostólico de  Aisén, na Patagônia do Chile.

Este repórter, em uma de suas muitas viagens ao exterior, esteve no finzinho dos anos 90 do século 20, nesta região. Da Patagônia, volta-se transformado: os cenários de beleza ímpar, a vastidão escassamente povoada, as geleiras azuis, os pingüins em suas colônias, cidades pequenas, populações hospitaleiras.

Mas agora, em 2012, aqueles lados encaram desafios e enfrentam adversários poderosos. O bispo católico apostólico de Aisén, Luis Infanti De la Mora, já no começo do livreto, lembra a criação em agosto de 2008 da carta pastoral. "Daí-nos hoje a água de cada dia", com a presença de numeroso público e ativistas sociais latino-amricanos como o teólogo brasileiro Leonardo Boff.

É que a Patagônia chilena enfrenta hoje em dia as corporações que lucram com a água, além de outras que buscam a construção de grandes represas, destruindo o meio ambiente e aniquilando o modo de vida de sua população.

Diz o bispo De la Mora, na introdução: “A água é o dom mais extraordinário de todos os que contemplamos, em especial se o compararmos com a alarmante e progressiva escassez da água que acontece hoje em muitas partes do Planeta. Com razão, Aisén é uma das maiores reservas de água doce, potável, do mundo”.

Já no final do documento, as comissões de Justiça e Paz e de Água e Vida dizem:
“Já há várias décadas foi imposta aos cidadãos uma ‘democracia de papel’, fundada em instituições que, longe de representar os valores e  princípios democráticos, impediram a participação nas decisões relevantes do país, promoveram os privilégios às grandes empresas, marginalizaram os pobres e lucraram com e à custa deles, o que consideramos uma violência contra a ‘alma do Chile’.

As guerras da água

Em novembro de 2005, este repórter escreveu um artigo para o jornal alternativo do Rio de Janeiro ‘Bafafá’  ---
www.bafafa.com.br -, com o título “As guerras da água, uma nova ameaça”. Ali se dizia que o modelo econômico ainda hoje vigente privilegia, em todo o mundo, o crescimento ‘infinito’, em contraste com os recursos naturais da Terra, que são finitos. Um desses recursos, até chamado de ‘ouro azul’, pela sua escassez em todo o lado, poderia levar às guerras pela  água, segundo especialistas previam em 2005.

Mas vinha então do vizinho Uruguai um modelo e um exemplo a ser seguido. No histórico referendo de 2004, o povo uruguaio pela ampla maioria de 65% dos sufrágios considerou a água um bem público, um autêntico direito humano, com o conseqüente cancelamento de todas as concessões a empresas privadas - o que está em vigor por lá até hoje.

"O caso uruguaio é único no mundo, um símbolo, um exemplo a ser seguido”, dizia Catherine Legna, diretora de projetos da France Libertes, uma ONG fundada pela falecida Danielle Mitterrand, uma das mais ativas personalidades do Fórum Social Mundial desde a sua primeira edição, em janeiro de 2001, em Porto Alegre.

Carnaval aqui falará sobre água

Nos desfiles de Carnaval deste ano, em Porto Alegre, nesta sexta e sábado, até a madrugada de domingo, na região do Porto Seco, uma novidade: a escola de samba União da Vila do IAPI vai entrar na avenida com o objetivo de chamar a atenção do público para os problemas da água. Rafael Tubino e Vitor Nascimento compuseram o samba-enredo “Água, Berço da Existência”. Todas as alas e alegorias da escola serão alusivas ao elemento que é essencial para a nossa sobrevivência.

A União da Vila do IAPI vai mostrar a água em todos os seus aspectos e significados, falando sobre os mares, sobre o deus Oxum e também sobre as águas doces.

Já no ensaio, na primeira noite da Muamba, a escola “foi a que mais animou o público, devido ao bom samba-enredo, que fala sobre a água, e ao trabalho da bateria”, relata o jornal ‘Correio do Povo’   de Porto Alegre em sua edição do dia 12 deste mês.

Então, brincar com o samba, ensaiar alguns passos, tudo bem - sem nunca esquecer da importância da água, este ‘berço da existência’.


Ecoagência Solidária de Notícias Ambientais

terça-feira, 22 de março de 2011

UM DIA PARA A ÁGUA

O calendário assinala, nesta terça-feira, dia 22 de março, o Dia Internacional da Água. A data instituída pela Organização das Nações Unidas tem o propósito de alertar a população para os cuidados que todos nós devemos ter em relação a esse bem insubstituível para a vida. Advertências são feitas aqui e acolá. O uso racional é pregado como forma de garantir esse rico produto com qualidade e quantidade. Neste dia, a pergunta óbvia é: de que forma nós celebramos a data? Seria da mesma forma como muitos lembram da mãe, correndo atrás de presentes, às vésperas do segundo domingo de maio? Seria com a comemoração natalina, quando afilhados são acariciados uma vez por ano?

Nas andanças da militância de ambientalista vejo que a data mais se assemelha com a comemoração do Dia do Índio, passando quase despercebida no 19 de abril. Num dia, a criançada se fantasia, sem maiores discussões sobre a importância dessa raça na formação do país. Depois, nada mais acontece. Com o Dia da Água, não é a mesma coisa? Num dia, cartazes, frases e apelos contra o desperdício. Nas lições, o lembrete de que para se produzir uma simples folha de papel são gastos 10 litros de água, e assim por diante; tudo dependendo de água para gerar o conforto que se deseja.

Nas lições do Dia da Água, são lembradas as ações simples que todos podem exercer, como evitar banhos demorados que desperdiçam até 180 litros de água; evitar que uma torneira fique pingando o dia todo, jogando fora quase 50 litros de água; não lavar pátio com mangueira, sem necessidade, pois o descuido leva para o ralo até 300 litros de água, e por aí vai.

A reflexão necessária pede uma resposta. Cuidaremos da água depois da lição passada no seu dia? Ou será mais um Dia do Índio, que nem é lembrado quando a data cai num domingo?

Nessa linha de cobrança, merece entrar na pauta a indispensável educação ambiental. E aí não será apenas tarefa de educadores em sala de aula. Até deve começar pelos mestres e seus discípulos, mas precisa mobilizar um batalhão bem maior, que seja capaz de promover mudanças de comportamento na população em geral, começando por gestores públicos e políticos que ainda não tiveram a noção exata dos impactos causados ao meio ambiente a partir da falta dessa educação. Está na lei, mas ataca-se a ponta errada, promovendo gastos enormes e nem sempre com a eficácia desejada. Nesse rol não está apenas a água lembrada no dia de hoje, mas o destino dos resíduos, o esgoto doméstico que, em grande parte, contamina os recursos hídricos, o desmatamento e outras formas de desrespeito ao meio ambiente. Sem educação, pouco adianta discursar pela sustentabilidade do planeta, pois as provas são inequívocas de que estamos sugando além de sua capacidade.

Claudio Wurlitzer presidente da APNVG
Jornal Correio do Povo  22/03/2011