terça-feira, 11 de outubro de 2011

INVESTIMENTO PÚBLICO EM EDUCAÇÃO FICARÁ ENTRE 7% E 10% DO PIB, DIZ MINISTRO

O investimento público em educação deverá ficar entre 7% e 10% do Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos dez anos, disse hoje (10) o ministro da Educação, Fernando Haddad. A fatia do Orçamento destinada ao setor será definida no Plano Nacional de Educação válido até 2020, que tramita na Câmara dos Deputados.
“Estou aguardando uma manifestação do Congresso [Nacional], que deve dar a última palavra nas próximas semanas. Não vai ser menos do que 7% e não vai ser maior do que 10%. E eu entendo que [com essa definição] o Brasil dará um grande passo”, declarou Haddad, ao participar, no Rio de Janeiro, de um seminário sobre os desafios da educação básica no país, promovido pela Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas, da Fundação Getulio Vargas (FGV).
O ministro destacou que, atualmente, o Brasil investe o percentual equivalente à media dos países que integram a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne as nações mais industrializadas da economia de mercado, como a França, o Japão e a Alemanha. Ele defendeu, no entanto, que esses investimentos aumentem para reduzir a “dívida educacional” brasileira.
“A média da OCDE é 5%, mas o PIB deles é maior que o nosso e a dívida educacional é menor que a nossa. Temos que fazer um esforço um pouquinho maior que a média mundial para honrar a dívida que acumulamos desde a proclamação da República”, acrescentou
Fonte:Agêcia Brasil 10/10/2011

sábado, 8 de outubro de 2011

AULA CHATA É LEGAL

 O professor chega à sala de aula, sorridente, dá bom dia, abre o caderno de chamada e, brincalhão, diz: “chamaaaadaaaaa... a cobrar, para aceitá-la, continue na linha após a identificação”. Os alunos riem, um deles diz “só podia ser o ‘sor’ mesmo”, o gelo é quebrado, o mestre termina o dever burocrático e, ainda sorridente, vai começar a aula. Antes, porém, de ir ao quadro (negro, verde ou branco), ouve de um aluno, com a aprovação da maioria, a frase que lhe tira toda a base de sustentação: “Profe, faz uma aula diferente hoje, pra não ficar tão chata!” O mestre diminui seu sorriso, conta mentalmente até três e responde: “Caros alunos, bem-vindos ao mundo real. A realidade que os espera lá fora é chata, às vezes, assim como uma aula de língua portuguesa”.
Criou-se, nos últimos tempos, a ideia de que o professor deve ser como um apresentador de televisão, que precisa manter a audiência, tanto do auditório como dos telespectadores. É preciso conquistar os alunos, dizem muitos teóricos no assunto, já que há outras coisas mais interessantes fora da escola. Para tanto, se fazem necessários métodos inovadores, como a dança do “cada um no seu quadrado” ou incentivá-los a ler Paulo Coelho. Mesmo assim, porém, não se consegue agradar aos alunos, que querem cada vez mais liberdade e menos compromisso. Nesse diapasão, daqui a pouco iremos para a sala de aula com o bolso recheado de cédulas em forma de aviãozinho e gritaremos “quem quer dinheiro” para que os alunos prestem atenção nas lições. Isso se houver lições para ensinar.
A internet proporciona um mundo mais interessante para os nossos jovens, dizem. Até posso concordar, afinal de contas também reservo parte do meu tempo para pesquisas na rede mundial de computadores, e com resultados esplêndidos. No entanto, sabemos que eles não utilizam, na maioria dos casos, a web para aprender, mas sim para coisas mais fúteis, como compartilhar fotos, baixar a música do momento (geralmente de péssimo gosto), assassinar a língua portuguesa e muitos et ceteras. Sou contra as coisas fúteis? Não, até porque o entretenimento faz parte da nossa vida e eu mesmo já compartilhei fotos e assassinei a língua uma porção de vezes em redes sociais na internet (psiu, bem baixinho aqui: já fiz downloads de músicas de gosto duvidoso também). No entanto, na idade em que mais se deve aproveitar o tempo para aprender, os jovens desperdiçam a chance de conhecer o que de mais importante já foi realizado pelos nossos cientistas, filósofos, matemáticos, historiadores e escritores. E se nós, professores, abrirmos mão disso e nivelarmos por baixo o conhecimento, estaremos criando seres humanos medíocres, preocupados, mas nem tanto, tão somente em atingir a média para passar de ano.
As aulas não devem ser chatas? Por que não? Se o estudante está na escola para aprender, uma das lições é a de que nem sempre as coisas são prazerosas. Acordar às 6 horas da manhã para trabalhar não é nada agradável. Pegar ônibus lotado é um saco. Nem sempre se tem um chefe carismático. Conviver com gente chata é chato. As coisas não são, portanto, como queremos que sejam. O mundo não gira em torno do nosso umbigo. Essa é a realidade que nossos alunos vão enfrentar. E é isso, também, que devemos ensinar.

Cassionei Niches Petry
Professor e mestrando em Letras
com bolsa do CNPq
cassio.nei@hotmail.com
Fonte: Jornal Gazeta do Sul/Opinião/ 29/09/2011

ALUNOS DA UFRGS AVALIAM PROPRIEDADES RURAIS DO MUNICÍPIO DE GENERAL CÂMARA

Na semana passada, alunos a professores do Curso de Agronomia da UFRGS visitaram propriedades rurais do município de General Câmara, para exercícios de avaliação do potencial e das limitações de propriedades rurais através de levantamentos agronômicos.

Foram coletadas amostras para analisar o atual sistema de produção e de gestão das propriedades visitadas e, com estas informações, os alunos avaliarão os potenciais e as limitações das propriedades, identificando conflitos de uso, para recomendar as possíveis melhorias no processo produtivo.
Após o trabalho desenvolvido nas propriedades, alunos, professores, representantes da Emater, vereadores, prefeito em exercício, agricultores e lideranças sindicais se reuniram no prédio da Câmara de Vereadores para discutir aspectos econômicos, sociais e ambientais do município.
Fonte: Jornal Portal de Notícias 07/10/2011

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

PRÁTICAS DE SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL CRESCEM NO BRASIL

Conceitualmente, a sustentabilidade ambiental consiste na perfeita harmonia entre desenvolvimento econômico e preservação do ecossistema. Entre as principais iniciativas para se atingir este objetivo, está à prática de medidas que promovam a economia sem deixar de lado às condições ideais para que as atividades humanas tenham seu espaço conservado e plena capacidade de realização.

Os pontos elementares da sustentabilidade ambiental visam à sobrevivência no planeta, nos planos presente e futuro. A utilização de fontes energéticas renováveis, em detrimento das não renováveis, é o meio mais eficaz para colaborar com esta finalidade de preservação natural e humana.
No Brasil, a adoção do biocombustível, ainda que não possua autonomia necessária para substituir o petróleo, pode ser tida como um importante avanço no caminho para reduzir o uso das fontes petrolíferas, que correm evidente risco de extinção. Este princípio se estende a outras fontes renováveis, sem que se extrapole o que cada qual pode render com a exploração.
De maneira geral, também se pode fundamentar a sustentabilidade ambiental como um meio de amenizar, a curto e longo prazo, os danos já provocados no passado. Afinal, vale frisar que a sustentabilidade ambiental está diretamente relacionada a outros diversos setores do campo humano, como a atividade industrial.
A aplicação deste conceito pode se dar em diversos níveis, como o uso de fontes da chamada “energia limpa”. Grandes corporações vêm desenvolvendo projetos de sustentabilidade para aproveitar o gás liberado em aterros sanitários para direcionar esta energia a populações vizinhas a esses locais.
Um modelo que está sendo aplicado em empresas brasileiras do ramo cosmético é a promoção da extração de bens naturais 100% renováveis para fabricar seus produtos. O replantio de áreas degradadas e a elaboração de projetos que privilegiem áreas áridas, cujo tratamento neste sentido se faz urgente, são outros exemplos que já têm sido notados na busca pela sustentabilidade ambiental no país.
Fonte: Atitudes Sustentáveis
Acesso em: 03/10/2011
Pesquisado por Tereza Natália Correia dos Santos – Voluntária Online

LEI PARA PROTEGER FLORESTAS NÃO É EXCLUSIVIDADE BRASILEIRA, MOSTRA ESTUDO

Em meio ao acirramento do debate sobre mudanças no Código Florestal, desta vez no Senado, ambientalistas se mobilizam para derrubar um dos argumentos mais usados pelos ruralistas para justificar as flexibilizações na lei: o de que a proteção de florestas é uma anomalia brasileira e que outros países já não estão empenhados na conservação da cobertura vegetal.

Pesquisadores do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e do ProForest, ligado à Universidade de Oxford, selecionaram 11 países para mostrar que a legislação florestal também é exigente em outras nações e que os proprietários de terras com floresta estão sujeitos a regras rígidas de conservação.
“Boa parte dos mantras ruralistas se mostrou completa falácia. Faltava desmistificar a ideia de que o Código Florestal é uma jabuticaba, que só existe no Brasil”, comparou o diretor da Campanha Amazônia, do Greenpeace, Paulo Adário, em referência a um comentário da senadora Kátia Abreu (PSD-TO). Ela disse que a legislação florestal criteriosa é uma exclusividade brasileira, como a frutinha nativa da Mata Atlântica.
O estudo traz informações sobre o percentual de cobertura florestal na Alemanha, China, nos Estados Unidos, na França, Holanda, Índia, Indonésia, no Japão, na Polônia, no Reino Unido e na Suécia.
Com exceção da Indonésia, onde até o ano passado as florestas públicas eram designadas como áreas de conversão para a agricultura, todos os países da lista registram manutenção ou aumento da cobertura vegetal entre 1950 e 2010, o que significa que houve esforços e investimentos para frear as derrubadas e recompor as áreas desmatadas.
“A perda de floresta é uma exceção. A regra hoje é manter e recuperar a cobertura vegetal”, avaliou o pesquisador sênior do Imazon, Adalberto Veríssimo, um dos coordenadores do estudo.
Na França, por exemplo, as florestas cobriam 21% do território do país em 1950 e em 2010 o percentual alcançou 29%. A conversão de qualquer área de mais de 4 hectares de floresta no país requer permissão do governo e só é concedida por razões ambientais.
Os pesquisadores também apontam casos em que o custo político ou econômico de manter a floresta é muito alto, como no Japão, em que a população vive quase confinada em pequenos territórios, mas não há expansão de cidades sobre áreas florestais. O país tem atualmente 69% de cobertura vegetal, e a lei japonesa não permite conversão da floresta, exceto em circunstâncias excepcionais.
Segundo Veríssimo, a trajetória do desmatamento nos países avaliados segue um padrão: as florestas são derrubadas até um ponto de estabilização da cobertura vegetal e, em seguida, começa um processo de recuperação, à medida que eles se desenvolvem. Para o pesquisador, o atual estágio de cobertura vegetal do Brasil, que tem 56% do território com florestas – nativas ou plantadas – , já pode ser considerado o “fundo do poço”, o ponto que determina a mudança de trajetória rumo à recuperação.
“O Brasil está indo ladeira abaixo. E a atual discussão do Código Florestal caminha no sentido de permitir que o país continue nesse sentido. Se o ritmo for mantido, vamos chegar em 2020 com menos de 50% de florestas”, calculou.
Para os autores do estudo, a flexibilização do Código Florestal, como quer parte do setor agrícola representado pela bancada ruralista, poderá colocar o Brasil na contramão da tendência de retomada das florestas e pôr em risco compromissos internacionais assumidos pelo país, como a redução de emissões de gases de efeito estufa em até 38,9% até 2020. “O Brasil não fechará essa conta se não decidir o que quer fazer com as florestas. E manutenção de floresta é sempre uma opção política”, ponderou Veríssimo.
O declínio na proteção de áreas de Preservação Permanente (APPs) e a redução dos percentuais de reserva legal, como defendem os ruralistas, também acarretariam prejuízos econômicos, segundo Adário, do Greenpeace. “A aprovação de um código permissivo pode prejudicar o Brasil no mercado internacional. O mundo de hoje não é o mundo pré-industrial. As decisões têm implicações globais. A proteção das florestas é também uma proteção de mercado”, comparou.
Fonte:Agência Brasil 07/11/2011