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terça-feira, 19 de junho de 2012

USO EXAGERADO DE ANTIBIÓTICOS É PERIGOSO PARA A SAÚDE


O uso indiscriminado de medicamentos, sobretudo antibióticos, aumenta de forma considerável o risco de casos de superbactérias – microorganismos resistentes à maior parte dos tratamentos disponíveis. O alerta é do diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia, Marcos Antonio Cyrillo. 
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que 440 mil casos de tuberculose resistente são registrados no mundo todos os anos, além de cerca de 150 mil mortes decorrentes de infecções por superbactérias.
“Não há hospital livre disso. Lógico que um hospital de grande porte e de alta complexidade ou um hospital universitário com vários leitos de UTI [unidade de terapia intensiva] e que interna pacientes com cirurgias complicadas são o tipo de lugar que pode ter mais bactérias resistentes. Mas nenhum hospital ou casa de repouso com longa permanência está livre disso”, observou Cyrillo.
Para o infectologista, o uso indiscriminado de antibióticos configura, de certa forma, um problema cultural, já que o profissional de saúde se sente mais seguro ao receitar o medicamento. “Ele acha que está fazendo um bem para o paciente, mas vários fatores precisam ser levados em conta na hora de fazer um programa de prevenção e também de orientação para o uso de antibiótico”, reforçou.
Na tentativa de conter os casos de superbactéria no Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou que a venda de antibióticos só pode ser feita com a apresentação de duas vias da receita médica. O objetivo, de acordo com a gerente de Vigilância e Monitoramento em Serviços de Saúde, Magda Machado, é restringir a automedicação, já que uma via fica retida pelo estabelecimento.
Ela lembrou que, após os casos da superbactéria KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemase) registrados no país nos últimos anos, a Anvisa editou uma nota técnica que trata da identificação, prevenção e controle de infecções relacionadas a microorganismos multirresistentes. Entre as obrigatoriedades nas unidades de saúde está a higienização das mãos por meio do uso de álcool em gel por profissionais de saúde e visitantes.
Francisca Silva, 52 anos, é representante de laboratório e tem medo de contrair qualquer tipo de infecção resistente a medicamentos. “Tomo certos cuidados com a higiene porque trabalho em hospital e, por isso, estamos suscetíveis a todo tipo de contaminação. Procuro me proteger de qualquer uma delas”, contou.
A dona de casa Andreia Queiroz da Silva, 34 anos, tem lúpus, doença que compromete o sistema imunológico, e também se preocupa em manter hábitos como lavar as mãos com água e sabão quando frequenta unidades de saúde. “Acho que está faltando informação sobre essa superbactéria. Nos hospitais, é comum vermos panfletos com orientações sobre a higienização das mãos, mas muita gente não segue.”
Cleide Teixeira, 39 anos, é enfermeira e trabalha há 19 anos na mesma unidade de saúde. Além da higienização das mãos, ela usa luvas cirúrgicas descartáveis como alternativa para se proteger e proteger os pacientes de microorganismos multirresistentes. “Nós, profissionais de saúde, estamos expostos a qualquer tipo de doenças. Temos a obrigação de evitar que os pacientes sejam contaminados”, avaliou.
Pesquisado por: Isabella Lanna da Fonseca – Voluntária Online

domingo, 10 de junho de 2012

Uso indiscriminado de antibióticos aumenta risco de casos de superbactéria, diz infectologista


O uso indiscriminado de medicamentos, sobretudo antibióticos, aumenta de forma considerável o risco de casos de superbactérias – micro-organismos resistentes à maior parte dos tratamentos disponíveis. O alerta é do diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia, Marcos Antonio Cyrillo.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que 440 mil casos de tuberculose resistente são registrados no mundo todos os anos, além de cerca de 150 mil mortes decorrentes de infecções por superbactérias.
“Não há hospital livre disso. Lógico que um hospital de grande porte e de alta complexidade ou um hospital universitário com vários leitos de UTI [unidade de terapia intensiva] e que interna pacientes com cirurgias complicadas são o tipo de lugar que pode ter mais bactérias resistentes. Mas nenhum hospital ou casa de repouso com longa permanência está livre disso”, observou Cyrillo.
Para o infectologista, o uso indiscriminado de antibióticos configura, de certa forma, um problema cultural, já que o profissional de saúde se sente mais seguro ao receitar o medicamento. “Ele acha que está fazendo um bem para o paciente, mas vários fatores precisam ser levados em conta na hora de fazer um programa de prevenção e também de orientação para o uso de antibiótico”, reforçou.
Na tentativa de conter os casos de superbactéria no Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou que a venda de antibióticos só pode ser feita com a apresentação de duas vias da receita médica. O objetivo, de acordo com a gerente de Vigilância e Monitoramento em Serviços de Saúde, Magda Machado, é restringir a automedicação, já que uma via fica retida pelo estabelecimento.
Ela lembrou que, após os casos da superbactéria KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemase) registrados no país nos últimos anos, a Anvisa editou uma nota técnica que trata da identificação, prevenção e controle de infecções relacionadas a micro-organismos multirresistentes. Entre as obrigatoriedades nas unidades de saúde está a higienização das mãos por meio do uso de álcool em gel por profissionais de saúde e visitantes.
Francisca Silva, 52 anos, é representante de laboratório e tem medo de contrair qualquer tipo de infecção resistente a medicamentos. “Tomo certos cuidados com a higiene porque trabalho em hospital e, por isso, estamos suscetíveis a todo tipo de contaminação. Procuro me proteger de qualquer uma delas”, contou.
A dona de casa Andreia Queiroz da Silva, 34 anos, tem lúpus, doença que compromete o sistema imunológico, e também se preocupa em manter hábitos como lavar as mãos com água e sabão quando frequenta unidades de saúde. “Acho que está faltando informação sobre essa superbactéria. Nos hospitais, é comum vermos panfletos com orientações sobre a higienização das mãos, mas muita gente não segue.”
Cleide Teixeira, 39 anos, é enfermeira e trabalha há 19 anos na mesma unidade de saúde. Além da higienização das mãos, ela usa luvas cirúrgicas descartáveis como alternativa para se proteger e proteger os pacientes de microorganismos multirresistentes. “Nós, profissionais de saúde, estamos expostos a qualquer tipo de doenças. Temos a obrigação de evitar que os pacientes sejam contaminados”, avaliou.
Agência Brasil 09/06/2012
 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Baytril: A Bayer lucra com a pecuária em larga escala

60% de todos os antibióticos acabam na pecuária em larga escala/ com variedades cada vez mais fortes.




Mais da metade de todos os antibióticos produzidos no globo hoje acabam sendo usados na pecuária em larga escala, criando uma massa de variedades resistentes que podem ser detectadas em porcos, vacas e galinhas antes de serem abatidas. Em alguns casos esse perigo é letal. Uma das grandes empresas que se beneficia da pecuária em larga escala é a farmacêutica transnacional Bayer. Em 2010, a Bayer atingiu um volume de negócios no valor de 166 milhões de euros somente com o antibiótico para animais Baytril, um aumento de 11% comparado ao ano anterior. A Bayer é a quarta maior empresa do mundo no setor de medicina veterinária.
Philipp Mimkes, da Coalizão contra os perigos da Bayer, disse que: "Manter milhares de animais numa área apertada não seria possível sem os produtos da Bayer & Co. A Bayer se beneficia das condições desastrosas da pecuária em larga escala, onde constantemente surgem novas doenças, sendo portanto parcialmente responsável pelo surgimento de variedades resistentes a antibióticos."
As injeções de Baytril são parte da rotina diária em muitas instalações para criação de animais. Esse remédio tem sido usado em grande escala desde 1995 para o tratamento de doenças infecciosas de aves, bezerros, vacas, perus e porcos.

O ingrediente ativo do Baytril (Enrofloxacin) está quimicamente relacionado ao antibiótico humano Cipro (Ciprofloxacina) e Avalox (Moxifloxacina), que são comercializados pela Bayer. O uso em larga escala do Baytril gerou uma redução da eficácia dos antibióticos humanos.

A Coalizão contra os Perigos da Bayer exige: a proibição das práticas abusivas da pecuária em larga escala, que requer um uso excessivo de antibióticos; a documentação transparente de todo o uso de antibióticos na pecuária; a proibição do uso rotineiro de antibióticos em rações animais, com inspeções e penalidades; o uso de antibióticos exclusivamente através de veterinários, visando à criação de animais sem antibióticos; e a proibição da rotina de uso de antibióticos em todo o rebanho.

Estudos recentes provaram que uma grande parte da carne de frango dos supermercados esta contaminada com variedades resistentes a antibióticos. Em caso de uma infecção subsequente, os consumidores não podem ser tratados com antibióticos comuns.

 O uso preventivo de antibióticos for proibido na União Europeia muitos anos atrás, sem entretanto reduzir uma gota do uso de antibióticos. Um estudo conduzido pelo Órgão de Segurança Alimentar Europeu ( EFSA), no outono passado, concluiu que o uso de antibióticos na criação de animais é reponsável pelo aumento do risco de sua ineficácia em humanos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) vem exigindo há anos uma proibição em larga escala no uso de antibióticos na criação de animais.

Coalizão Contra os Perigos da Bayer/EcoAgência