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sábado, 26 de outubro de 2013

Mudanças climáticas podem causar perdas de R$ 7,4 bilhões para agricultura, diz relatório

A agricultura deve ser o setor da economia mais afetado pelas mudanças climáticas ao longo do século 21, divulgou hoje (25) o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC), na segunda parte do primeiro relatório nacional. De acordo com o estudo, o prejuízo do agronegócio com problemas climáticos pode chegar a R$ 7,4 bilhões em 2020 e R$ 14 bilhões em 2070. Até 2030, a produção de soja, por exemplo, pode ter perdas de até 24%.
"É uma preocupação em termos de impacto financeiro e para a questão de segurança. A ideia é que esses relatórios possam sinalizar aos tomadores de decisão a importância de agir agora. O custo da inação, de não fazer nada, vai ser maior do que se a gente começar a se prevenir", defendeu Andrea Santos, secretária executiva do painel.
O estudo prevê que as mudanças nos regimes de chuva e a elevação da temperatura média prejudique a agricultura principalmente em áreas secas, como o Nordeste, região em que a distribuição de chuvas pode cair até 50%, segundo o relatório. Um resultado desse processo seria a intensificação da pobreza e a migração para áreas urbanas, impactando a infraestrutura. Culturas como as do milho, do arroz, da mandioca, do feijão e do algodão seriam prejudicadas.
Outra ameaça à segurança alimentar prevista pelo relatório é a diminuição do potencial pesqueiro do Brasil, que pode chegar a até 10% nos próximos 40 anos. Andrea explica que, com o aumento da temperatura da água e a mudança na salinidade, espécies podem buscar regiões mais frias, afetando toda a costa nacional. O estudo aponta ainda a elevação do nível do mar como outra possível vulnerabilidade das cidades litorâneas.
"Além de inundações, esse aumento pode levar a colapsos no sistema de abastecimento e esgotamento, com o retorno de esgoto para as residências em um caso de transbordo dos sistemas de tratamento. Isso pode trazer prejuízos também para o lençol freático".
Nas grandes cidades, os prejuízos estimados serão na mobilidade e na habitação, que podem sofrer com tempestades mais frequentes no Sul e no Sudeste. Já biomas como a Amazônia e a Caatinga correm riscos de ter queda de até 40% dos índices pluviométricos (chuvas), afetando a biodiversidade. A alta da temperatura também pode aumentar a incidência de doenças, como a dengue e a leishmaniose, e, combinada a maiores radiações de raios ultravioletas e emissões de gás carbônico, as lavouras podem sofrer com mais pragas e doenças causadas por fungos.
O painel reúne 345 especialistas de universidades e institutos de pesquisa brasileiros e recebe o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e do Ministério do Meio Ambiente, além de outras entidades.
AGÊNCIA BRASIL 25/10/2013

terça-feira, 26 de junho de 2012

Reflorestamento amplia alternativas de renda para o produtor rural


 Além da integração entre pasto e lavoura, o produtor rural tem o reflorestamento como opção sustentável para a recuperação de áreas degradadas. Para o engenheiro agrônomo Ronaldo Crescente, com a união dos três sistemas – lavoura, pecuária e floresta – é possível promover a recuperação do Cerrado com produtividade e sustentabilidade, ampliando as alternativas de renda para o produtor rural.
“São três possibilidades de receita, sendo que a agricultura dá receita no curto prazo, a pecuária dá no médio e a atividade florestal no longo prazo. Dessa forma, o produtor reduz riscos de clima e de mercado.”
O técnico do Ministério da Agricultura Maurício Carvalho explica que essa técnica é feita, normalmente, com o eucalipto. “Plantio de eucalipto ou outra espécie que se ajuste bem à realidade local dela. O eucalipto é bom porque você tem um mercado comprador, você usa, pode vender em qualquer local, mesmo em uma cidade pequena, tem mercado para isso.”
A silvicultura é um investimento de longo prazo, que leva até dez anos para render benefícios. O tempo varia de acordo com a utilização que vai ser dada à madeira, que pode servir para a produção de energia, com o carvão, para a produção de papel ou para a construção civil e a industria moveleira.
De acordo com Maurício Carvalho, o planejamento é feito de acordo com a capacidade do produtor e com a realidade da fazenda, para saber o que se ajusta melhor a cada situação. O produtor Francisco de Assis Inácio, que tem uma fazenda perto de Goiânia, plantou eucalipto em uma área degradada, seguindo um projeto do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
“Foi feito o reflorestamento e a gente diminui um pouco a quantidade de gado, mas ainda sobra pastagem embaixo da floresta. Então você conjuga gado e eucalipto. Já notamos os benefícios ao meio ambiente, com a volta de lobos e seriemas à propriedade.”
Além da venda da madeira, ainda é possível negociar créditos de carbono com a floresta de eucalipto. Para quem está interessado nessas alternativas sustentáveis, há linhas de crédito que podem ser acessadas, como recursos Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO).
*A série Práticas Sustentáveis no Cerrado é vencedora do 1º Prêmio Pecuária Sustentável de Jornalismo, na categoria rádio // Edição: Juliana Andrade//Agência Brasil

sábado, 14 de abril de 2012

Livro da Embrapa integra saber tradicional e conhecimento científico para manejo do solo


Uma publicação que associa o conhecimento de pesquisadores e extensionistas ao saber de agricultores familiares no uso do solo, com a finalidade de melhorar a sustentabilidade da pequena produção agrícola, é a iniciativa da Embrapa para comemorar o Dia Nacional de Conservação do Solo.  
O livro Integração Participativa de Conhecimento sobre Indicadores de Qualidade do Solo será lançado no próximo dia 17, na sede da Embrapa Solos, no Rio de Janeiro. A publicação integra os saberes locais, isto é, dos produtores, sobre a qualidade dos solos, com os saberes técnicos, dos pesquisadores e extensionistas, disse hoje (13) à Agência Brasil o engenheiro agrônomo Heitor Coutinho, um dos autores do livro e pesquisador da unidade carioca.
“O resultado dessa metodologia é um conhecimento híbrido, ou seja, um conhecimento integrado, sobre a qualidade do solo, que é a base para desenvolver planos de manejo, melhorar o manejo do solo e da água, torná-los mais sustentáveis. O objetivo é alcançar a sustentabilidade”, revelou o agrônomo.
O Dia Nacional de Conservação do Solo é comemorado no dia 15 de abril e foi instituído pela Lei 7.876, de 13 de novembro de 1989. A data propõe reflexão sobre a necessidade de utilização correta desse recurso natural. Ela homenageia o nascimento do americano Hugh Hammond Bennett, o primeiro responsável pelo Serviço de Conservação de Solos dos Estados Unidos.
A publicação é um guia metodológico, informou Heitor Coutinho. Ela ajuda, em especial, o processo de diálogo entre o técnico, que está trazendo a inovação tecnológica, e os produtores. “Esse diálogo, historicamente, é complicado”. Isso se agrava, acrescentou, com a “situação de fraqueza da assistência  técnica e extensão rural que a gente vê hoje no Brasil”.
O agrônomo avaliou que a nova metodologia  abre um canal  de diálogo eficiente porque padroniza a linguagem e, ao ser aplicada, promove uma discussão sobre o manejo do solo, que é um dos principais problemas do meio rural. Muitas vezes, admitiu, são os técnicos que aprendem com os pequenos produtores e saem dispostos a modificar a inovação que estão levando para o campo.
O livro reúne metodologia desenvolvida pelo Centro Internacional de Agricultura Tropical (Ciat), da Colômbia, com agricultores familiares na América Central e na África, e que agora será aplicada pela Embrapa Solos em cinco biomas brasileiros. Participou também desse processo o Centro Mundial para Agrofloresta (Icraf), sediado no Quênia.
Entre 2008 e 2011, foram realizadas cinco oficinas de capacitação de técnicos brasileiros - com uma semana de duração cada - nos biomas Bonito (MS), Campina Grande (PB), Canoinhas (SC), Igarapé-Açu (PR) e Montes Claros (MG).
Coutinho disse que, nessa fase, os técnicos  se capacitaram para implementar os conhecimentos adquiridos em suas áreas de atuação. Na próxima etapa, que deverá começar ainda este ano, eles aplicarão os saberes em comunidades específicas, por meio de planos de gestão da propriedade.
Durante as oficinas, houve uma interação direta com os produtores, expôs Coutinho. Eles apresentavam sua visão de indicadores da qualidade do solo, baseados em cor, plantas e consistência, por exemplo, aos quais se contrapunham os indicadores dos pesquisadores e extensionistas, cuja prioridade eram teor de matéria orgânica e agregação, entre outros fatores.
A união desses conhecimentos gerou uma série de indicadores integrados. No último dia de oficina, batizado Feira do Solo, as amostras de solo levadas pelos agricultores foram analisadas pelos técnicos. “A metodologia faz a integração dessas informações (dos produtores) para uma informação técnica”.
A metodologia está sendo levada para Moçambique, dentro  do projeto Plataforma África Brasil de Inovação Agropecuária, gerenciado pela Embrapa e apoiado pelo governo brasileiro. Um workshop para aplicação dessa metodologia será organizado em maio próximo, nesse país africano.
Agência Brasil